
Em uma noite fria e chuvosa, a entrada no local começou por volta das 19h30, onde algumas dezenas de pessoas já estavam prontas para vivenciar uma noite especial.
O HDX Bar comemorava seu nono aniversário, e o fez em grande estilo: quase uma década em que o local sobreviveu às adversidades e se consolidou como a casa de grandes bandas com volume brutal, amadas por muitos.
Uma vez lá dentro, a festa estava apenas começando.
No bar, os convidados pediam cervejas e drinks, enquanto ao lado havia uma barraca de produtos oficiais do Coven: camisetas, pôsteres, discos de vinil e patches que custavam de US$ 10 a US$ 80, uma oportunidade única de adquirir itens colecionáveis.

Logo após as 20h, a primeira banda subiu ao palco: Infernal Project, com seu estilo característico de doom metal. Reconhecidos no underground, eles ofereceram uma performance consistente e constante. O show foi acompanhado por pirotecnia e lasers que reforçaram a atmosfera sombria de sua apresentação. Apesar de alguns problemas técnicos com a guitarra, o baterista de Jime Paau manteve o ritmo com um solo que exibiu seu talento característico. Hex Calavera exibiu uma voz potente e limpa, afinada entre goles de cerveja, enquanto Cinthya, Paau e Danahe completaram a poderosa formação. Eles tocaram cerca de seis músicas, incluindo “Buried Dreams” e “Dark Lights”, encerrando com a promessa de lançar em breve seu primeiro álbum completo, que recebeu uma ovação entusiasmada. O Infernal Project é definitivamente uma banda para ficar de olho: consistência e trabalho duro são essenciais.

A próxima banda a se apresentar foi The Wicked Ones, com uma mistura de rock dos anos 70, rock psicodélico e toques de doom metal. Começaram com um solo de guitarra que abriu caminho para o restante da banda, enquanto a casa de shows continuava a lotar. Com guitarras distorcidas e um visual ácido, a banda criou uma atmosfera energética. Seu repertório incluiu “Failed Revolution”, “From Lust Till Dawn” e “Rising Sun”, faixas que oscilam entre a lentidão hipnótica e a força explosiva de riffs mais rápidos. Suas músicas transmitem aquela sensação de uma jornada sonora que convida a balançar os cabelos e se deixar levar pelos acordes. Eles também tocaram clássicos de seu repertório, como “Somebody to Love” e sua mais recente, “Straight Outta Graveyard, demonstrando claramente seu amadurecimento técnico. Com uma vibe positiva e amigável ao público, ofereceram cerca de 40 minutos de música sólida que empolgou o público.

Às 21h58, foi a vez do Stone Demons entrar no palco ao som de sinos góticos e uma aura misteriosa. Usando capas e máscaras pretas, a banda — dois guitarristas, baixo, bateria e vocal — dedicou um estilo doom agressivo com toques de black metal.
O vocalista usou inicialmente uma máscara de caveira metálica, que posteriormente trocou por uma máscara de lobo, evocando imagens perturbadoras.
Durante a apresentação, um artista anônimo realizou vários atos: primeiro vestido de bruxa com uma lanterna na mão, depois usando uma máscara brilhante e um cobertor de veludo vermelho, sempre em meio a movimentos e danças rituais que acompanhavam os acordes pesados. Embora o público não tenha se conectado totalmente devido à natureza enigmática da banda, o Stone Demons deixou uma performance intrigante e misteriosa que pede mais exploração em futuras aparições.

Por volta das 23h, com a plateia já animada e o clima fraternal se consolidando entre copos de uísque, tequila, vodca e cerveja, chegou a vez mais esperada.
Às 23h05, as luzes se apagaram, cânticos sombrios começaram e, do centro do palco, a bruxa mais velha, Jinx Dawson, emergiu de um caixão.
O local explodiu em aplausos e vivas.
Elegantemente vestida de preto, com um decote profundo, luvas cravejadas de pedras preciosas, colares brilhantes e um amuleto em forma de cruz invertida, Jinx deu início à missa sombria do Coven. Em meio a velas, imagens psicodélicas no titantron e luzes opacas vermelhas e azuis, a atmosfera estava permeada de ocultismo e mistério.

Jinx apareceu sorridente, ritualística, com um olhar penetrante e uma bola de cristal na mão, projetando uma energia mística que hipnotizou o público.
O Coven apresentou mais de dez músicas, incluindo clássicos como “Wicked Woman“, Black Sabbath e Coven in Charing Cross, peças que transportaram o público para os dias em que o rock oculto nasceu. Um dos momentos mais especiais ocorreu quando dançarinos vestidos como guerreiros astecas entraram no palco, com copal e incenso preenchendo o ar, criando uma ponte entre a tradição pré-hispânica e o ritual da banda.

Perto do fim, Jinx agradeceu profundamente a todos os presentes, encerrando com luzes sombrias e aplausos ensurdecedores. A bruxa havia concluído sua missa sombria, deixando a plateia marcada por uma bênção sombria e poderosa. A noite continuou com uma festa pós-show onde clássicos do Black Sabbath foram tocados para aqueles que perseveraram até o fim.

O nono aniversário do HDX Bar foi um sucesso retumbante: uma celebração de doom, rock psicodélico e ocultismo que consolidou o local como um dos mais importantes locais de música pesada do underground da Cidade do México. A atmosfera amigável e a vibração genuína entre os participantes provaram que, nove anos depois, o HDX continua sendo um lugar imperdível. Parabéns ao HDX por quase uma década de história!
Confira o álbum completo em:


