O fim-de-semana era de vários acontecimentos em Lisboa, e, em particular, no LAV – Lisboa Ao Vivo, a noite era de muita atividade, com concertos a acontecer também na Sala 1 (com a celebração dos 40 anos de carreira de The Young Gods). Apesar disso, a Sala 2 encheu-se para receber, de forma calorosa, os Annisokay, no regresso da banda alemã aos palcos portugueses.
Pelas 20h30, com a sala já muito bem composta, incluindo muito público pronto para assistir ao espetáculo a partir da varanda, subiram ao palco os também alemães The Narrator. Com um início a todo o gás, a sala foi aquecendo, com os primeiros crowdsurfers a surgirem juntamente com as lanternas que iluminavam a sala ao som do quarto tema da noite, “Unbind Me”. Com a energia em crescendo, a banda aproveitou para introduzir o seu mais recente trabalho, o single “Pills From The Start”, lançado no início do presente mês, questionando a plateia se estava preparada para receber os Heart Of A Coward e os Annisokay – surgia, então, o tema apresentado que, com as vozes limpas do baixista Rob Hoppe, transpirava hardcore com a força da voz do vocalista Fabian Jochum, que arrancava da plateia o headbanging que se esperava nesta noite. O público estava, definitivamente, pronto, mas a banda queria sentir ainda mais energia. Foi, por isso, que, no tema a seguir, “The Witch”, alegando falhas técnicas como desculpa, a banda parou a música para pedir um wall of death. O tema foi recomeçado e o público assentiu, dividindo e reunindo violentamente a plateia pela primeira vez nesta noite. O tempo que restava não era muito, mas, aproveitando o tempo de antena, antes do tema “No Answer”, o grupo assumiu a sua posição de condenação do racismo e de toda e qualquer discriminação, passando uma mensagem que se torna mais importante a cada dia que passa. Para fechar, surgiu “Purgatory”, um dos temas mais conhecidos da banda, do álbum de estreia, “Lore”, lançado no ano passado.

Setlist – The Narrator: 1 – Drawn, Conned & Deceived | 2 – Die Down | 3 – Stained Glass Reality | 4 – Unbind Me | 5 – Pills From The Start | 6 – The Witch | 7 – No Answer | 8 – Purgatory
Vinte minutos após as 21h, surgiram em palco os, conforme anunciado, “very special guests” Heart Of A Coward, que levaram até ao LAV – Lisboa Ao Vivo o seu potente metalcore britânico. A banda iniciou a atuação com o tema lançado mais recentemente, “Paradise”, do passado mês de setembro, e que poderá representar um preview do futuro trabalho do grupo. Após a poderosa “Collapse”, Kaan Tasan, o vocalista da banda, chamou o público, coordenando-o para, com os braços no alto, e num grito de revolta, fazer ecoar na sala as palavras “I don’t give a fuck”. O público assentiu e acompanhou a banda no tema “Deadweight”. O grupo foi passando pelos seus diferentes trabalhos – “The Disconnect” (2019), “This place only brings death” (2023), “Deliverance“ (2015) e “Severance“ (2013), mostrando o poder que tem vindo a criar desde a sua formação (em 2009). Era certo que o público estava lá por Annisokay, mas, para fechar o set, surgiu “Hollow” que colocou toda a sala a acompanhar a banda no refrão, entoando, com os braços no ar, “Burn, burn”.

Setlist – Heart Of A Coward: 1 – Paradise | 2 – Collapse | 3 – Deadweight | 4 – Drown in Ruin | 5 – Passenger | 6 – Mouth of Madness | 7 – Monstro | 8 – Hollow
A sala estava quente e o público estava pronto. Eram 22h20 quando surgiu nos speakers “Shake It Off” (tema de Taylor Swift) que, tal como outros temas do mesmo estilo que se foram ouvindo entre as atuações, surpreendeu e animou o público que se deslocou até ao LAV – Lisboa Ao Vivo, mas que, neste caso fez crescer a ansiedade – as luzes já se haviam apagado e o grupo mais esperado da noite iria aparecer a qualquer momento.
Começou a ouvir-se a introdução do tema “Into the Abyss”, que dá o mote para o EP “Abyss Pt I” (2023), ao som do qual os membros da banda foram ocupando as suas posições no palco. Com o grupo completo à frente de várias telas que iluminavam o palco, rapidamente se passou para “Throne of the Sunset”, um tema absolutamente explosivo, que logo evidenciou o poderoso contraste entre as vozes limpas e melódicas do também guitarrista Christoph Wieczorek, e as vozes gritadas de Rudi Schwarzer.
Seguiu-se “Never Enough”, já parte do EP “Abyss Pt II” (2025), e logo após, “What’s Wrong”, recuando a 2016. O início foi potente, com Rudi rapidamente a sentir necessidade de sair do palco para se juntar ao público.

Com uns segundos para respirar, a banda dedicou “Ultraviolet”, do álbum “Aurora” (2021) a Peter Leukhardt, o baixista do grupo, que, para o concerto de Lisboa, teve que ser substituído. O público aplaudiu Peter e fez-se ouvir cantando o refrão a plenos pulmões. O poder e a energia que se fazia sentir na sala era absolutamente contangiante. Foi lançado o sample introdutório de “Like a Parasite”, e o público rapidamente percebeu o que aí vinha, e, uma vez mais, ajudou Christoph a chegar às notas mais altas daquele exigente refrão (não que ele precisasse).
Aproveitando o carinho do público, o grupo apresentou o seu mais recente tema, “Splinters”, do início deste mês. Vendo a excelente receção do tema por parte do público, Rudi quis juntar-se aos fãs, e subitamente atirou-se para a plateia, que o agarrou calorosamente. Continuando nos temas mais recentes, “My Effigy”, de agosto deste ano, foi também muito bem aceite, com uma boa parte do público a cantar bem alto o refrão.
De volta a “Abyss Pt I”, veio “Human” que arrancou da plateia mais um wall of death para acompanhar o caos que antecede o contrastante último refrão – que, apenas com um som de piano em background, colocou Christoph a cantar calmamente com o público para fechar este tema épico. Ainda com as palmas do final do tema anterior a ecoar, começou a ouvir-se a introdução de “Good Stories”, do álbum “Arms“ (2018), que antecedeu o tema “H.A.T.E.”, criado conjuntamente com os Any Given Day para o álbum “Limitless” (2024) dos mesmos e para o já mencionado “Abyss Pt II”.
O público estava, desde o primeiro segundo, na mão do grupo germânico. Sabendo bem disso, Rudi levou toda a plateia a sentar-se no chão para, logo de seguida, saltar em conjunto para iniciar a “Friend or Enemy”. Depois de “Inner Sanctum” veio “Calamity”, com um público sempre unido à banda, com braços no ar, palmas e saltos ao ritmo.
Mais músicas tocassem, mais tempo os fãs ali ficariam a ouvir e a interagir com a banda. Mas, faltavam apenas 3 temas. Depois de um interlúdio, os Annisokay prepararam o público para um final explosivo, com o tema “Get Your Shit Together”, que deixou cair no LAV – Lisboa Ao Vivo os breakdowns absolutamente brutais que fazem as delícias de um fã de metalcore. Depois de “Coma Blue”, e já com a bandeira de Portugal no palco, a banda falou mais uma vez para agradecer aos fãs que presenciaram esta noite, não deixando de se surpreender pela quantidade de pessoas que ali estiveram a cantar as suas músicas tão longe de casa. A despedida estava praticamente feita, mas não havia melhor forma de terminar a não ser com o “STFU”, que arrancou o público do chão, uma última vez.

Setlist – Annisokay: 1 – Intro (excerto de “Into the Abyss”) | 2 – Throne of the Sunset | 3 – Never Enough | 4 – What’s Wrong | 5 – Ultraviolet | 6 – Like a Parasite | 7 – Splinters | 8 – My Effigy | 9 – Human | 10 – Good Stories | 11 – H.A.T.E. | 12 – Friend or Enemy | 13 – Inner Sanctum | 14 – Calamity | 15 – Get Your Shit Together | 16 – Coma Blue | 17 – STFU
Agradecimento: Prime Artists
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