Capa do álbum The End is High da banda Belzebong, pela Heavy Psych Sounds.

O tempo no Stoner Doom costuma ser relativo, arrastado por riffs que desafiam a física, mas oito anos de espera pelo sucessor de Light the Darkness pareceram uma eternidade de silêncio. Hoje, 20 de fevereiro de 2026, os poloneses do Belzebong finalmente rompem esse hiato via Heavy Psych Sounds com o monumental “The End is High“. Se o título flerta com o humor canábico clássico da banda, a sonoridade entrega algo muito mais denso e perturbador: uma imersão sem volta rumo ao colapso final.

Desde sua fundação em 2008, o Belzebong se estabeleceu como uma entidade instrumental que não precisa de palavras para ditar o caos. Entretanto, o que ouvimos aqui é uma banda nitidamente mais madura, porém não menos sombria. A psicodelia que antes nos fazia flutuar, agora nos afoga em uma lama densa e sedutora. Há uma nova camada de agressividade, personificada em pedais duplos que surgem como batidas de um coração em pânico, elevando a tensão a níveis que a banda ainda não havia explorado com tanta maestria.

Belzebong 2025, foto: Lukasz Jaszak.

A jornada começa com “Bong & Chain“, onde o peso das guitarras funciona como uma âncora que nos arrasta para o fundo de um abismo psicodélico. A transição para “420 Horsemen” é onde a nova faceta do grupo brilha; os “Cavaleiros do Apocalipse” trazem uma cadência urgente, quase militar, que contrasta com a névoa espessa das distorções. É uma música que respira a poeira de um mundo que acaba, mantendo a identidade da banda, mas injetando uma dose de testosterona e escuridão inéditas.

 

Ao chegarmos em “Hempnotized“, a hipnose se torna absoluta. As linhas de baixo são tão pulsantes e vivas, que parecem ditar o ritmo sanguíneo de quem ouve, criando uma sequência de variações que seduzem do primeiro ao último segundo. O fechamento com “Reefer Mortis” é o golpe final: é a faixa mais “mórbida” e densa do álbum, onde a imersão atinge seu ápice e a sensação de “fim” se concretiza com uma perfeição técnica que só uma banda com quase duas décadas de estrada poderia entregar.

O Belzebong conseguiu o feito de se reinventar sem trair suas raízes. The End is High não é apenas um álbum, ele exige audição atenta, preferencialmente no volume máximo. É a trilha sonora ideal para um colapso iminente, entregue por músicos que sabem exatamente como manipular a gravidade através de seus instrumentos. Após quase uma década de silêncio, eles provaram que o trono verde do Stoner Doom europeu ainda lhes pertence por direito.

Belzebong:
Sheepy Dude: Baixo
Alky Dude: Guitarra
Cheesy Dude: Guitarra
Hexy Dude: Bateria

Tracklist:
1.Bong & Chain
2.420 Horsemen
3.Hempnotized
4.Reefer Mortis

Nota: 10/10
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