
Que a cena sueca é um berço de talentos do metal e tem o poder de nos surpreender com a qualidade de suas bandas, isso todos nós já sabemos. Seja com a brutalidade do metal extremo ou com a qualidade do heavy/power metal tradicional. O Ambush, com o lançamento de seu novo álbum, Evil in All Dimensions, prova que a qualidade é uma marca registrada do país. Lançado em 5 de setembro de 2025, o álbum é um verdadeiro resgate no tempo, trazendo uma sonoridade que remete diretamente aos anos 80 e à cena tradicional do heavy metal.
A banda resgata, com maestria, a sonoridade de gigantes como o Judas Priest, mas o faz com uma energia e um senso de humor que são totalmente únicos. Não é por acaso que a banda é conhecida por sua irreverência e por ser apreciadora de “zueira” e cerveja, mas sem deixar a qualidade impecável de lado. A afinação e o alcance vocal são impressionantes e elevam as músicas a outro nível: é o ponto de união entre os riffs cortantes das guitarras e a bateria que ditam o ritmo perfeito para a jornada.
A faixa de abertura, “Evil In All Dimensions“, é o carro-chefe perfeito. Ela funciona como um manifesto sonoro, exibindo logo de cara a energia, a técnica e a identidade da banda. Os riffs são altamente bem trabalhados, remetendo ao que há de melhor no heavy metal tradicional dos anos 80, enquanto a afinação e variação vocal se mostram fortes e lindíssimas. É a introdução ideal para o que está por vir.

A segunda faixa, “Maskirovka“, é onde o álbum ganha uma camada de profundidade e relevância. A palavra, que é originalmente russa, significa “engano” e remete à tática soviética de desinformação como estratégia militar, usada historicamente na Batalha de Stalingrado e Operação Bagration, por exemplo. A música acompanha essa temática com riffs cadenciados que remetem a algo militar.
Em entrevista ao canal Extreminal Metal TV, o vocalista Oskar Jacobsson explicou a inspiração da letra, escrita em 2014, quando “Putin decidiu anexar a Crimeia da Ucrânia“. Jacobsson usa o contexto militar para fazer um apelo pela consciência social, afirmando: “Se permitíssemos que os líderes nos enganem o tempo todo, eles enganarão a nossa liberdade também… O mais importante é que tenhamos consciência de que nem tudo o que vemos é verdade e isso vale para ambos os lados.” A faixa, portanto, é espetacular por sua musicalidade e pela coragem de abordar temas tão atuais e complexos. Abaixo a entrevista completa:
A temática é continuada em “Iron Sign“, cuja letra traz a força em enfrentar tiranias e a importância da mudança.
Em “The Night I Took Your Life“, a banda exibe seu lirismo com riffs bem trabalhados e cadenciados, servindo de base para as notas agudérrimas do vocal, perfeitamente encaixadas com a precisão da bateria.
No álbum, a faixa “I Fear The Blood” é uma das mais tocantes. Uma balada que contrasta com a energia frenética do álbum, a música é mais lenta e reflexiva: ela serve como um ponto de virada na narrativa do disco. Nas palavras do próprio grupo, a letra explora “as muitas tentações na vida, e inúmeras formas de cair em maus hábitos“, questionando se há uma saída quando as coisas vão longe demais. A melodia melancólica e a performance vocal intensa traduzem essa angústia de forma perfeita, mostrando um lado mais introspectivo e profundo da banda.
O ritmo é retomado com “Come Angel of Night“. O seu início traz aquela lembrança maravilhosa dos riffs oitentistas do Judas Priest. Contudo, ao entrarem os vocais, o ouvinte se dá conta que está em 2025. O vocalista segue enérgico, e você que está ouvindo o álbum no ônibus a caminho do trabalho, ou outro lugar, ou até mesmo em casa, já está praticamente solfejando todas as linhas das guitarras.
Em contrapartida, a faixa “The Reaper“, com seu ritmo e melodia, é um hino do heavy metal que gruda na mente. A música retoma o ritmo do álbum, mostrando a dualidade da banda em criar tanto hinos de festa quanto canções mais sombrias.
A potência atinge o auge em “Bending The Steel“, com riffs que realmente te levam ao melhor do heavy metal tradicional, sendo impossível ouvir e não fazer um air guitar nos solos.
Finalmente, “Heavy Metal Brethren” encerra o álbum de forma épica! Melodicamente, a faixa é um pouco mais pesada, mas em contraste com a voz afinadíssima do vocalista, é inspiradora. A letra é uma excelente forma de encerrar o álbum, pois traz uma mensagem de união e coragem: “I call for thee/Defenders of Steel/To stand and fight/Mighty killers (…) Fight and kill!/a lifetime full of sin/Burning with the wind/Unite the force!/All hell is breaking loose/Ambush is here for you”.
Apesar de ser um álbum “curto”, com cerca de 40 minutos, podemos dizer que está na medida certa. Não há músicas para “encher linguiça”, e cada uma das 9 faixas é um verdadeiro deleite para aqueles amantes mais clássicos do estilo. Ambush mostra que existem bandas novas de extrema qualidade, unindo a atualidade com a tradição do passado.
Lembrando que a banda estará no Brasil em novembro, com a turnê “Evil In South America 2025 Tour”:
09.11.25 – São Paulo com Grave Digger
11.11.25 – Brasília com Grave Digger
12.11.25 – Curitiba com Grave Digger
14.11.25 – Fortaleza
15.11.25 – Recife
16.11.25 – Limeira
Ambush:
Oskar Jakobsson: vocais
Olof Engqvist: guitarras e vocais de apoio
Karl Dotzek: guitarras e vocais de apoio
Oskar Andersson: baixo, vocais e vocais de apoio
Linus Fritzson: bateria e vocais de apoio.
1.Evil In All Dimensions
2.Maskirovka
3.Iron Sign
4.The Night I Took Your Life
5.I Fear The Blood
6.Come Angel of Night
7.The Reaper
8.Bending The Steel
9.Heavy Metal Brethren
Nota: 10.



