Here Comes The Kraken ao vivo na Cidade do México, México
Deathcore nacional transforma o Fuck Off Room em um campo de batalha sonora
É a hora marcada no ingresso e o público já se encontra do lado de fora do recinto, aguardando a abertura das portas para uma noite prometida de brutalidade. O acesso começou por volta das 20h30 e, logo ao cruzar a entrada, muitos seguiram diretamente para garantir o precioso líquido do Valhalla, item indispensável entre os metalheads.

O estande de merchandising estava lotado: pôsteres, discos, fitas cassete, camisetas, patches e todo tipo de souvenir para enriquecer a coleção. A expectativa era visível. Assobios e gritos começaram a ecoar — o público queria que tudo começasse imediatamente. Queriam violência sonora.

No entanto, a ansiedade precisou esperar um pouco mais. Foi apenas às 21h30 que o convidado especial subiu ao palco. A banda apresentou um set sólido, com uma proposta carregada de deathcore agressivo, definitivamente não recomendada para ouvidos sensíveis. O som trouxe guturais profundos e recursos vocais próximos ao grindcore — incluindo os característicos gritos agudos — usados como texturas, sem perder a essência do gênero.

O vocalista, embora demonstrasse certo nervosismo ao se dirigir ao público em alguns momentos, rapidamente criou conexão graças à intensidade da performance. Faixas como “Distopía de los Caídos” e “Apología de la Miseria” deram início aos primeiros movimentos na pista. Após uma sequência de músicas bem recebidas, a banda encerrou sua participação deixando o terreno preparado para o ato principal.
Depois de um breve intervalo, o espaço ficou ainda mais apertado. Alguns aproveitaram para repor as energias com bebidas e comida, enquanto os técnicos ajustavam os últimos detalhes. Diretamente de Aguascalientes, estava prestes a assumir o palco uma das bandas que construiu sua trajetória com constância, trabalho duro e anos de estrada: Here Comes The Kraken.

Pouco depois das nove e meia da noite, o intro começou a tocar. José Manuel “Tts” surgiu sob aplausos e gritos ensurdecedores. Ele deu as boas-vindas ao público e prometeu uma noite especial, com material novo e a emoção de voltar a tocar na Cidade do México. O Fuck Off Room tornou-se imediatamente o epicentro do caos controlado.
O início foi avassalador: bateria vertiginosa, guitarras distorcidas e afiadas, um baixo bem marcado e um vocal implacável. Desde o primeiro minuto, o mosh pit entrou em ação, liderado pelos já conhecidos “árbitros do mosh”, que não pararam de girar e empurrar durante toda a apresentação.

A banda demonstrou clara satisfação com a resposta do público. A conexão era total: cabeças balançando em uníssono, corpos colidindo e gritos acompanhando cada breakdown. Com o ambiente completamente incendiado, houve um breve respiro com a única música de andamento mais contido da noite. Ao final, o vocalista respondeu aos aplausos com humildade: “O aplauso é para vocês”. Nos momentos finais, ele ainda desceu do palco para interagir diretamente com o público.
Em um dos momentos mais marcantes da noite, um dos “árbitros” subiu ao palco e foi convidado por “Tts” a dizer algumas palavras. Em seguida, lançou-se para surfar sobre o público enquanto a banda continuava despejando riffs e guturais devastadores.

A intensidade se manteve até o último segundo. Entre os destaques, estiveram os dois temas do álbum AMEN, que ao vivo soam ainda mais demolidores do que em estúdio. A energia foi constante, direta e sem concessões.
Here Comes The Kraken provou mais uma vez por que segue como um dos grandes referenciais do deathcore nacional. Vindos de Aguascalientes, fizeram o Fuck Off Room estremecer com uma apresentação poderosa e extremamente bem executada. Uma noite que reafirma que o metal mexicano segue vivo, forte e faminto por mais.
Nos vemos na próxima. Vida longa ao volume brutal — especialmente quando ele é nacional.
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