Em um fim de tarde e começo de noite, em que a chuva não deu trégua, isto não foi impecilho para o comparecimento do público, com o La Iglesia lotado, pontualmente às 19:30, Feitiço Oculto subiu ao palco e com uma entrega poderosa, foi uma excelente escolha para que a galera já começasse a curtir em alto patamar.
O seu Black/Speed Metal, seu som furioso e contestador ganhou os ouvidos do publico ali presente. Oriundos de Osasco/SP, a banda formada em 2019 trouxe as faixas do seu lançamento mais recente, o subversivo álbum “O Despertar“, os sons “Petit-Nègre” e “Povo Preto Periférico” não poderiam ficar de fora e foram tocadas de forma vigorosa. Trazendo uma temática abordando questões sociais, a banda entregou uma apresentação com riffs muito bem conduzidos, um baixo marcante, bateria esmagora e vocais afiados, diretos e o espirito dos anos 80.
Como um murro na cara de todo e qualquer reacionário, o som da banda foi direto e trouxe também pautas relevantes e que precisam ter as lutas salientadas abordando temas do cotidiano do povo periférico, da luta das mulheres, contra o racismo e contra mazelas da sociedade. Foi uma apresentação que abriu com chave de ouro o festival.
Pedro Coven (Vocal), André ( Guitarra), Andrey (Baixo) e Leonardeaux (bateria), entregaram uma apresentação visceral e conscientizadora. Como eles dizem, “Fogo neles” e nem preciso terminar a frase, que quem entendeu a mensagem aqui, já sabe de quem estamos falando.

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Na sequência, os veteranos do Ancestral Malediction subiram ao palco, em formato de trio, a banda trouxe a destruição e o caos necessários, com o seu brutal Death Metal da velha escola, realizaram uma apresentação devastadora. Esta foi uma excelente oportunidade que os bangers paulistanos esperavam para ter a possibilidade de ver ao vivo as faixas do recém lançado album da banda, o “Destructive Dissonance“, album 100% independente que foi elaborado com muita luta, que os mesmos financiaram 100% deste trabalho. Aliás, recomendo fortemente a audição. A banda  trouxe também classicos destes mais de 30 anos de história. Além de agradecer a organização do evento, bandas e público ali presente que teve a felicidade de ver os vocais poderosos de Edu Ancestral, a máquina de guerra Ronaldo William nos vocais e bateria, e Fernanda Lessa com seu baixo fulminante em uma apresentação brutal, alias, sempre brutal. Marcante pois esta foi a penultima apresentação da banda em 2025. Da cidade de Tremembé/SP.  A banda entregou um som honesto, direto, sem firula e ao mesmo tempo avassalador.
Algumas das canções tocadas foram: “World Downfall, “Transition To Exctintion“, “Christian Fiction“, ” Always In Blasphemy“, “Hellish Songs“, “Devils Legion Ancestral” e “The Final Reason”, totalmente brutais!!!

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Após a destruição sonora proporcionada pelo Ancestral Malediction, foi a vez dos paulistanos da banda Vazio, subirem ao palco da igreja mais blasfêmica de São Paulo. Com toda a sua áurea ritualística obscura, os mestres do Metal Negro nacional se fizeram presentes. Em uma performance letargica e hipnotizante  abordaram sons do seu formidável “Necrocosmos”que já está prestes a completar dois anos. Além também de tocarem sons de seus álbuns anteriores. Abriram com a poderosa “Escuridão Seja Minha Guia“, “Eterno Aeon Obscuro“, “Nascido no Fogo“, “Sob A Noite Espectral“, “Elementais Da Matéria Obscura” e “Cerimônia Dos Espiritos Primordiais”  não ficaram de fora. Com peso e intensidade foi uma das bandas mais celebradas da noite, ocasionando em um moshpit que tomou para si parte da casa. Renato, Eric, Nilson e Daniel ganharam o público nos primeiros acordes e conduziram com maestria sua cerimônia infernal, evocando antigos espiritos ancestrais e sua marcha apocaliptica foi levada com sabedoria, riffs furiosos, uma bateria impecável, baixo e segundo vocal cruciais, além do vocal e guitarra conduzidos indo de guturais absurdos a cânticos das profundezas entoando mantras e orações profanas.
Aliás, nem tenho muito mais a dizer, impecáveis sempre.

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E fechando com chave de ouro, após a brutalidade do Black Metal, foi a vez do soturno e pesado Funeral Doom da banda Helllight, que também trouxe um show hipnotizante, com intensidade, profundidade e assombrosamente saboroso. Soturno, obscuro, a dor não pede licença para adentrar. A hora de os corações obscuros se regojizarem do mais alto teor do nectar das trevas. Impressionante e imensurável fúnebre, a banda apresentou canções do seu utlimo trabalho, o “We. The Dead” (2025) e canções de trabalhos mais antigos mesclando o seu Doom/Funeral Doom e Death Metal. Além de demonstrar que não á toa, influenciam e são referência para gerações a três décadas.
Desperate Cry” “Echoes of Eons”, “As a Fading Sun We Lie” estiveram presentes e são canções do úitimo álbum, entregaram e despertaram uma série de sentimentos, como pr exemplo perplexidade e não foi sentido apenas por mim. Antigos e novos fãs bangeavam conforme as levadas de cada cabção apresentada, além de aplaudir e exaltar o Helllight de forma constante. A alternância de vocais tanto pelo vocalista e guitarrista Fábio de Paula e o baterista Renan Bianchi, funcionaram tão bem, que somente prestando atenção era perceptível o dinamismo com que conduziram a apresentação e entregando performance e intensidade.  O Funeral Doom e o Death Metal coexistindo de uma forma subime. E não posso deixar de mencionar o baixo de Alexandre Vida que uniu toda a cozinha magistralmente. Vocais poderosos, bateria técnica, complexa, nada reta e complexa, vocais e guitarra que em conjunto com as vozes deixavam tudo ainda mais pertubador, ao mesmo tempo que entregaram demais. O show rendeu e foi tão bem recepcionado pela galera que gerou um bis e teve também uma participação especial da cantora convidada Ana Day em As Daylight Fades. Combinando os vocais limpos e guturais do vocalista Fábio e do baterista Renan e a sutileza melancolia também impressa nos vocais de  Ana Day.
Simplesmente sublime!!!!!!!

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De forma geral, o evento não teve intercorrências, foi bem tranquilo! Com casa cheia e público satisfeito. União de novas e antigas gerações, trazendo os três estilos: Black, Death Metal e Doom e suas subvertentes, celebrando gigantes/clássicos da música pesada nacional e geraçõe que estão proximas de completar sua primeira década de existência, unindo  o Underground e demonstrando o seu poderio que é simplesmente avassalador.

Parabéns Kool Metal e La Iglesia pelo festival! Parabéns ao público que compareceu e fortaleceu o corre das bandas, seja prestigiando as bandas e passando a seguir os trabalhos nas redes sociais e que adquiriu o merch dos artistas. Foi formidável e uma noite para se guardar com carinho na memória.

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