Depois de uma semana caótica em São Paulo, que ainda afeta lares paulistanos até o momento da escrita deste review, chegou a grande noite.
Vendavais impuseram a cidade de São Paulo, região metropolitana e outras partes do país, o martírio que assola com grande frequência: Falta de luz ocasionado pela fúria da implacável mãe-natureza.
Ainda na tarde de Sexta, uma chuva intensa caiu mais uma vez para preocupação de muitos.
Em São Paulo, mais precisamente na Zona Oeste da cidade não estava muito diferente.
No intuito de manter o evento de pé, Dark Dimensions e Burning House realizam um tremendo esforço para que o GOTHIC NIGHT fosse mantido.
Com a casa cada vez mais cheia, seria impossível retroceder sobre o evento.

No som, músicas escolhidas pelo público foram tocadas, através de uma playlist coletiva postada no Instagram.
Pouco depois do horário previsto, devido as condições acima citadas, a princípio o palco contava com as guitarras a postos e a bateria era ornada por um colar de flores.
Pouco a pouco os integrantes da Gene Loves Jezebel foram subindo ao palco e por fim, por último o vocalista Michael, que desde o começo demonstrou estar muito animado e feliz de estar ali.
Gentil e muito generoso, cumprimentou os fãs e devido a altura do palco conseguia abraçar e apertar a mão dos ali próximos, cantou, encantou e dividiu o microfone com o público e os abraçou de forma figurativa e literal.
Com uma áurea quase intimista, iniciou-se a apresentação e com o publico cantando, pulando e se divertindo, a banda se soltou.
E com muito carisma toda a banda ia cativando a trazendo palavras de carinho ao público.
Aquele ar de nostalgia tomou o lugar, e qualquer problema se tornou mínimo para quem queria dançar nas sombras, antigos e novos fãs apenas queriam se divertir.

Houveram algumas interrupções por conta da energia que era resilientemente mantida por geradores. Mas o público e banda nem sentiram, entregaram ambos o melhor de si para que a noite fosse mágica e assim foi. Entre brincadeiras de Michael com o público e seu jeito acolhedor, cantou à capela e fez coro com os fãs. A banda de uma forma geral levou com maestria aquele momento dificil, agitando e se divertindo.
Aquele era o ultimo show da turnê e a banda estava com vontade de tocar, com sede e subir no palco e entregar o seu melhor e assim o fez, indo e voltando ao palco, Michael andando tranquilamente entre os fãs e assim foi fluindo a apresentação. Ainda sobre a apresentação foi inexplicável, incrível e maravilhoso. Uma mistura envolvente do rock gótico e atmosfera propicia marcaram e já deixaram saudades. Desejo que não demorem a voltar, com vigor a banda entregou um começo de evento esplêndido.
Setlist –
12. Desire

Por fim, com a energia eletrica já mais estável, Christian Death subiu ao palco, e aquela atmosfera que tomava o lugar se tornou um pouco mais soturna, mas não que isso seja demérito, muito pelo contrário, a plateia se preparava para algo mais soturno que estava por vir. Afinal, quem estava ali queria se divertir e assim o foi. A banda iniciou com sons mais atuais onde há um equilibrio entre as canções cantadas por Valor e Maitri e partindo aos poucos para sua era mais clássica, de hinos contra religião e falando de liberdade sexual e por ai vai. O público adorou e cantou junto em todas.
Algo muito bacana e que deve ser salientado aqui, é que Maitri e o guitarrista Mathew revezaram o baixo e a guitarra em determinadas canções, demonstrando que além de dinamismo dos músicos, demonstrou também sinergia e entrosamento, de forma que quem estava ali hipnotizado pela performática apresentação, as vezes nem via a troca de instrumentos. Por vezes, Maitri e Valor faziam performance sem os instrumentos entregando também dramaticidade e um pouco de loucura em suas apre4sentações.

Maitri em determindo momento desceu do palco e foi até o balcão da casa pedir um drink, isto enquanto descia no meio do público cantando e com o microfone em mãos, sendo acompanhada por parte do público que vibrava, cantava e pulava. Duas fãs foram recebidas no palco e puderam ver a performance da banda, que em um determinado momento descambou para uma jam de baixo e guitarra, que incendiou o público da casa. Mathew é um guitarrista de primeira, trazendo também o seu lado perfomático e de instrumentista apaixonado por sua guitarra, com um solo monstruoso.
E um dos momentos mais intensos e especiais, com certeza foi de assistir o Christian Death e Gene Loves Jezebel no palco juntos, revezando os microfones e bebericando um bom Whisky enquanto cantavam “God Save The Queen” do Sex Pistols (risos).
O que tem tudo a ver com suas temáticas contestadoras. Demasidamente divertido e assim encerrou se a apresentação do Christian Death, uma banda que entregou muito.
Setlist Christian Death:
Uma coisa é fato: Ambas as bandas possuem um imenso legado, mas é totalmente perceptível que a sua veia subsversiva e underground pulsa e continuará pulsando.
A escolha da Burning House foi acertadíssima, pois permitiu manter esta proximidade entre fã e bandas, assim de forma tão acessível. Foi o lugar perfeito, com as bandas e públicos perfeitos, coisa que é muito mais permissível dentro do Underground. Foi lindo demais!

Agradecimentos especiais ao público, a Burning House, Dark Dimensions, colegas de imprensa, Jz Press Assessoria e amigos lá presentes. foi demais!!!!
Gothic Night em defintivo poderia ser um evento a ser adotado no calendário anual da Dark Dimensions.

