A Sala Tejo da MEO Arena recebeu no passado sábado 7 de março uma das noites mais aguardadas do ano pelos fãs de metal alternativo. Os norte-americanos Motionless In White estrearam-se finalmente em Portugal, acompanhados pelos Make Them Suffer e pelos Dayseeker.
Embora a abertura de portas estivesse marcada apenas para as 18h, os fãs mais fiéis fizeram questão de chegar bem cedo à porta, esperando praticamente 12 horas para garantir um lugar na primeira fila. Com as caras pintadas a rigor, o público apressou-se a correr para as grades para assegurar que fariam valer cada minuto de espera.

Pelas 19h as luzes do público apagaram pela primeira vez, para que as atenções ficassem focadas no palco, que era então ocupado pelos australianos Make Them Suffer. A banda de metalcore rapidamente conseguiu aquecer o público lisboeta com um set intenso, marcado por riffs pesados e pela presença imponente de Sean Harmanis. Entre breakdowns e momentos mais melódicos, a banda preparou o terreno para o resto da noite. De facto, logo no quarto tema, “Mana God”, após o início intenso com “Ghost of Me”, “Bones” e “Epitaph”, Harmanis pediu o primeiro moshpit da noite, ao qual o público atendeu de forma exemplar. Com o início de “Oscillator”, a Sala Tejo viu todo o público a saltar, obedecendo à ordem do líder da banda – “When I jump, you jump”. Este foi, sem dúvida, um tema marcante, com a voz limpa de Alex Reade, também teclista do grupo, a surgir entre a distorção da guitarra de Nick McLernon e dos gritos de Sean. Num tom mais melancólico, surgiu “Erase Me”, a colocar uma boa parte do público a entoar a letra, antes de um último, e intenso, “Doomswitch”, que trouxe, para desespero daqueles que se encontravam nas primeiras filas, mais uns crowdsurfers até ao fosso.

Setlist – Make Them Suffer: 1 – Ghost Of Me | 2 – Bones | 3 – Epitaph | 4 – Mana God | 5 – Oscillator | 6 – Erase Me | 7 – Doomswitch
Seguiram-se os norte-americanos Dayseeker, responsáveis por trazer uma atmosfera diferente ao palco. Com uma sonoridade mais melódica e emocional, a banda liderada por Rory Rodriguez conseguiu envolver o público com uma performance tanto pesada quanto sensível. A banda entrou com “Pale Moonlight”, tema em que Rory rapidamente apresentou a sua invejável aptidão vocal, com os falsettos a contrastarem com o poderoso grito no final da música. Depois de “Shapeshift” e “Burial Plot”, o trio, composto também pelo baixista Ramone Valerio e pelo baterista Zac Mayfield, viu e ouviu o público a entoar, em conjunto com a banda, o refrão de “Crawl Back To My Coffin”. Por melhor que fosse a energia na sala, algo inquietava Rory, e era o facto de, até ali, ainda não ter visto nenhum moshpit no seu concerto – isso tinha que mudar naquele momento, segundo ele, e mudou assim que surgiu a poderosa “Bloodlust”. Passando também pelo álbum “Dark Sun” (2022), a banda apresentou, de seguida, a emotiva “Without Me”, e “Crying While You’re Dancing”. Com o ritmo a acalmar gradualmente, não podia faltar o tema que dá o nome ao mais recente álbum da banda “Creature In The Black Night”, antes de subir novamente a temperatura da sala com as finais “Sleeptalk” e “Neon Grave”.

Setlist – Dayseeker: 1 – Pale Moonlight | 2 – Shapeshift | 3 – Burial Plot | 4 – Crawl Back To My Coffin | 5 – Bloodlust | 6 – Without Me | 7 – Crying While You’re Dancing | 8 – Creature In The Black Night | 9 – Sleeptakl | 10 – Neon Grave
As atuações de abertura estavam feitas. Restava esperar pelas 21h. À hora marcada, as luzes apagaram novamente e surgiu no ecrã um gato entre dois logótipos da banda, que aparecia intermitentemente num ambiente eletrónico. Com uma introdução a remeter para um filme da Universal, surgiu as três palavras que todos esperavam – “Motionless” “In” “White” – à frente da nossa Terra que ali se transformava em fogo… o fogo responsável pelo “Meltdown” que abria o concerto. Seguindo a ordem do mais recente álbum, “Scoring The End Of The World” (2022), veio um “Sign Of Life”, que juntou em palco, além da banda liderada por Chris Motionless, as dançarinas Cherry Bombs, acompanhadas de serras elétricas para lançarem faíscas pelo palco. De seguida, Chris Motionless soletrou… A… M… E… R… I… C… A, em conjunto com todo o público presente na Sala Tejo, que foi à loucura com os confettis devidamente coloridos que ocuparam o ar para fechar o tema.

A este ponto, o público já só queria que acelerar o ritmo e então surgiu a rápida e poderosa “Thoughts & Prayers”, visitando, pela primeira vez nesta noite, o álbum “Disguise” (2019). De “Disguise” recuou-se até ao “Graveyard Shift” (2017) – começaram a ouvir-se os acordes de “Voices” e os fãs apressaram-se a começar a cantar o tema ainda antes de Chris. Com a letra forte “I keep it all inside because I know the man is everything but kind”, a fechar o tema, a banda mostrou a palavra “VOICES” colorida com a tão importante “rainbow flag”.
A banda aproveitou para respirar enquanto Chris agradeceu a cada pessoa que ali se encontrava a ser parte da história dos Motionless In White. Afinal, a história deve continuar a ser escrita, e foi nesse sentido que foi apresentado o mais recente tema “Afraid Of The Dark”, lançado em janeiro deste ano, que trouxe novamente muito fogo para iluminar qualquer pessoa que sentisse medo do escuro. A noite fez-se de momentos marcantes, mas neste tema viveu-se um dos principais, com a voz de Chris, em conjunto com as vozes dos fãs, a entoar o refrão, ao mesmo tempo que o vocalista apontava o braço de um lado ao outro da plateia, incrédulo com o amor que ali recebia.
Do escuro que motivava o tema anterior, a noite manteve-se, começando a ouvir-se, lá ao fundo, um uivar. Era a “Werewolf” que surgia, com as quatro dançarinas a tomarem o palco para, no papel de lobisomens, integrarem Chris na coreografia. Depois de “Hollow Points” o regresso ao “Graveyard Shift” com “Necessary Evil”, após a qual os fãs se contagiaram para entoar a famosa versão portugesa da “Seven Nation Army”, deixando Chis sem palavras. O vocalista reconheceu que aquela era uma das plateias mais barulhentas que já tinha presenciado. Com efeito, deixou claro que até através dos in-ears conseguia ouvir os fãs portugueses.
Tudo pronto para mais um momento de elevado calibre, mais uma vez, como se de um filme se tratasse, começou por ouvir-se o som característico da marca THX e logo o grito “Break down the wall again” para dar início a “Slaughterhouse”. Este tema, originalmente gravado em conjunto com Bryan Garris, dos Knocked Loose, precisava de uma segunda voz, e foi por isso mesmo que Sean Harmanis voltou a subir ao palco, para acompanhar Chris numa atuação absolutamente magistral, com vista para aquele que terá sido, provavelmente, o maior moshpit da noite.
Seguiram-se “Rats”, “Disguise” e “Nothing Ever After”, antes de “Scoring The End Of The World” que pintou, em palco, um cenário apocalíptico. A anunciar o fim do mundo, as dançarinas entraram acompanhadas com bandeiras, enquanto Chris levantava uma bandeira de Portugal oferecida pelos fãs.
Não esquecendo os fãs mais “old school”, a banda recuou até ao primeiro álbum “Creatures” (2010) para oferecer um momento mais calmo e emocionante.
A mudar por completo o “mood” surgiu a divertida, e até dançável, “Not My Type: Dead as Fuck 2”, fazendo o público tirar os pés do chão. Logo de seguida, e para visitar pela última vez o álbum mais recente, uma versão mais curta de “Cyberhex”.
O espetáculo aproximava-se do final, e, depois de tanto fogo, o palco gelou com a chegada de toda uma outra vida. Era “Another Life”, acompanhada, não só, das lanternas dos telemóveis, como também, de neve, criando um ambiente único que levou os fãs às lágrimas. Para fechar, havia uma resposta natural – “Eternally Yours” – com Chris protagonizar mais um momento emocionante, com o bonito gesto de entregar uma rosa a cada uma das bailarinas.

Setlist – Motionless In White: 1 – Meltdown | 2 – Sign Of Life | 3 – A-M-E-R-I-C-A | 4 – Thoughts & Prayers | 5 – Voices | 6 – Afraid Of The Dark | 7 – Werewolf | 8 – Hollow Points | 9 – Necessary Evil | 10 – Slaughterhouse | 11 – Rats | 12 – Disguise | 13 – Nothing Ever After | 14 – Scoring The End Of The World | 15 – City Lights | 16 – Not My Type: Dead As Fuck 2 | 17 – Cyberhex | 18 – Another Life | 19 – Eternally Yours
Depois disto, que mais há a dizer? Em primeiro lugar, há que deixar um enorme agradecimento à Prime Artists, por mais um concerto absolutamente épico e tão marcante. E, em segundo lugar, pedir para que voltem rápido.
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