Dream Theater no palco da Live Curitiba, foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto

Aproveitem o dia, rapazes. Façam suas vidas serem extraordinárias.

A icônica frase de Sociedade dos Poetas Mortos não apenas ecoou no telão da Live Curitiba no dia 5 de maio, mas serviu como o mantra de uma noite que desafiou as barreiras do tempo e da técnica. O que presenciamos não foi apenas um show; foi uma celebração festiva, detalhista e profundamente apaixonada pela arte que só o Dream Theater é capaz de conceber.

Myung e Rudess, Curitiba 2026;, foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto

O palco era uma extensão do novo álbum, Parasomnia. Cada detalhe foi milimetricamente pensado: a cama central fazendo referência à temática lírica, o pedestal imponente, os postes de luz “antigos” que traziam um ar vitoriano e melancólico, e uma iluminação que dançava em perfeita sincronia com os filmes projetados no telão. Embora o som estivesse levemente alto em alguns momentos — dificultando a percepção das linhas precisas do baixo de John Myung, a perfeição estética era inquestionável. Era o Dream Theater em sua essência: camadas sobre camadas de sensações e percepções que deixariam até a mais experiente das redatoras sem palavras.

Aniversariante e a energia inexplicável. Live Curitiba, foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto

A primeira metade da noite foi dedicada ao novo trabalho. Uma atmosfera “mais obscura” tomou conta da Live, revelando a beleza sombria de faixas como “Night Terror” e “The Shadow Man Incident“. Os solos de John Petrucci, carregados de uma técnica inalcançável, ganharam uma nova vida com o retorno do brilho e carisma de Mike Portnoy às baquetas.

Falar deste show sem mencionar a “8ª maravilha do mundo” é impossível. Ver Mike Portnoy, esse “jovem senhor” de 59 anos, é uma experiência transcendental. Ele toca como se estivesse brincando, sem esforço, sem o peso da obrigação, mas com uma paixão que contagia cada centímetro da casa.

Algo que também chamou a atenção e aqueceu o coração foi notar como o público do Dream Theater amadureceu e se diversificou. Aquela antiga ideia de que o Prog Metal era um “clube do Bolinha” para nerds da música ficou definitivamente no passado. Foi lindo ver a quantidade de mulheres apaixonadas, cantando cada nota e vibrando com a complexidade do quinteto. O gênero se tornou mais inclusivo, mais compartilhado e, acima de tudo, mais vibrante.

Mike Portnoy, energia, carisma e paixão! Live Curitiba, foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto
Petrucci, John Petrucci! Curitiba, 2026, foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto

O grande destaque, porém, foi o aniversariante da noite. James LaBrie, celebrando 63 anos em alto estilo, entregou uma performance vocal incrível, superando com folga sua última passagem por Curitiba em dezembro de 2024, LaBrie mostrou técnica e um vigor renovado, provando que o tempo tem sido generoso com sua arte. Foi emocionante ver a banda tão coesa, vibrante e entregue ao novo material.

Dream Theater no palco da Live Curitiba, foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto

A segunda parte foi um deleite para os corações nostálgicos. Quando a dobradinha “Peruvian Skies” e “Take the Time” surgiu, a Live Curitiba veio abaixo. Em “Peruvian“, o público foi às lágrimas quando, em meio ao solo, a banda inseriu trechos de “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, em uma homenagem sensível e arrebatadora criando um nó na garganta de cada presente. “Take the Time“, por sua vez, dispensou apresentações, sendo o hino de energia que todos precisavam.

Dream Theater no palco da Live Curitiba, foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto

Para o encerramento, o Dream Theater reservou o indescritível: a suíte “A Change of Seasons” executada na íntegra. Da alvorada carmesim ao pôr do sol final, cada movimento — Innocence, Carpe Diem, Another World — foi apresentado com uma perfeição indescritível. Ver Portnoy e seus companheiros conduzirem essa peça de mais de 20 minutos foi a prova definitiva de que a magia está mais viva do que nunca.

Saímos da Live Curitiba com a alma lavada e o coração festivo. Ontem, o Dream Theater não apenas tocou música; eles nos lembraram de que a vida, assim como uma composição progressiva, é feita de estações que mudam, mas cujas notas mais belas permanecem eternas em nossa memória.

 

Setlist:

Publico e o encantamento. Foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto

1.Intro
2.In the Arms of Morpheus
3.Night Terror
4.A Broken Man
5.Dead Asleep
6.Midnight Messiah
7.Are We Dreaming?
8.Bend the Clock
9.The Shadow Man Incident
10.Let’s All Go to the Lobby
11.False Awakening Suite
12.The Enemy Inside
13.A Rite of Passage

Rudess no palco da Live Curitiba, foto: Nicoli Gielow – @gielowphoto

14.Act I: Scene Three: I. Through My Words
15.Act I: Scene Three: II. Fatal Tragedy
16.The Dark Eternal Night
17.Peruvian Skies (“Wish You Were Here”)
18.Take the Time
– Movie time: Dead Poets Society (com video de “Dead Poets Society”)
19.A Change of Seasons: I The Crimson Sunrise
20.A Change of Seasons: II Innocence
21.A Change of Seasons: III Carpe Diem
22.A Change of Seasons: IV The Darkest of Winters (com “When the Water Breaks”)
23.A Change of Seasons: V Another World
24.A Change of Seasons: VI The Inevitable Summer
25.A Change of Seasons: VII The Crimson Sunset