Na última terça-feira, o palco do RCA Club, em Lisboa, foi dominado por sonoridades densas, psicadélicas e progressivas. Em uma noite em que nem a chuva nem o frio conseguiram afastar a malta, o clima na verdade parecia até feito sob medida para a onda sonora que se aproximava.

Com a sala completamente cheia, com ingressos esgotados dias antes, a Amplificasom trouxe uma das bandas mais visionárias do rock contemporâneo: os ELDER, grupo norte-americano que cria composições longas, hipnóticas e imersivas, fundindo elementos do rock dos anos 70 com o progressivo e o psicadélico modernos. Dividindo o cartaz, os portugueses TRAVO abriram o concerto com energia crua e vibrante, num aquecimento perfeito para o que viria a seguir.

Continue a leitura e confere tudo sobre esta noite maravilhosa!

TRAVO

TRAVO @ RCA Club Lisboa - Photo @pmgama & @culturaempeso
TRAVO @ RCA Club Lisboa – Photo @pmgama & @culturaempeso

Pontualmente às 21h, a introdução ecoou e os Travo surgiram no palco, já ovacionados antes mesmo da primeira nota. A missão era clara: aquecer os motores da malta que aguardava ansiosa. A banda brindou alguns copos entre os membros, e depois para o público, então assim o concerto começou com “You Won’t See Me”, e a energia tomou conta da sala.

O público rapidamente se deixou levar pelas nuances sonoras, dançando, balançando a cabeça, mergulhando naquele transe. Ao vivo, a banda mostra-se sem frescuras: performance direta e som coeso. É interessante como cada membro parece tocar num ritmo próprio, e ainda assim tudo se encaixa com perfeição. O resultado é uma sonoridade magnética e imprevisível.

Destaque especial para o baixo e a bateria, que conduziram o espetáculo com potência e precisão. O groove era contagiante, alternando entre momentos introspectivos e explosões vibrantes, como uma verdadeira montanha-russa de sons.

O setlist passou em maioria por malhas do mais recente lançamento, com temas como “Arrow of Motion” e “Faceless Ghoul”, mantendo o público imerso. Cada faixa conduzia a uma nova atmosfera, ora de cabeças a rolar com a energia heavy, ora de dança hipnótica.

Mas foi com “Turn to the Sun”que, para além do imaginado, vimos um mosh divertido se formar na pista, encerrando a atuação com entusiasmo. Foi uma abertura poderosa e empolgante, que deixou o público no ponto para o que viria depois.

ELDER

ELDER @ RCA Club Lisboa - Photo @pmgama & @culturaempeso
ELDER @ RCA Club Lisboa – Photo @pmgama & @culturaempeso

Pontualmente às 22h05, sem atrasos, chegou o momento mais aguardado: os ELDER. A sala, agora completamente lotada, vibrava em expectativa. Depois de acompanhar os All Them Witches em uma série de datas, os Elder chegavam a Portugal para iniciar a parte final da sua tour europeia como headliners, com duas datas no país, a primeira em Lisboa no RCA Club, e a segunda no Porto, no dia seguinte.

Com um breve cumprimento à malta, a banda subiu ao palco e abriu com “In Procession”, do álbum Omens (2020). Desde os primeiros acordes, ficou claro o nível técnico e a precisão instrumental que definem o som dos Elder. Cada instrumento soava nítido, equilibrado e impressionantemente bem executado, em uma mistura de virtuosismo, peso e melodia.

O baixo de Jack Donovan sempre me chama muita atenção, como uma das forças motrizes na banda, sempre estrondoso e imponente. Mas ninguém fica pra trás, todos são realmente IMPECÁVEIS, não há outra palavra!

O concerto seguiu como uma viagem pela discografia, com exceção do primeiro álbum homônimo de 2008. Vieram então “Thousand Hands” (Reflections of a Floating World, 2017), “Merged in Dreams – Ne Plus Ultra” (Innate Passage, 2022) e “Compendium” (Lore, 2015). Esta última arrancou uma sequência de headbangings sincronizados, e visto de cima onde eu estava, era um mar de cabeças em movimento.

Seguiram-se “The Falling Veil” e “Catastasis”, faixas que ampliaram ainda mais a imersão criada pela banda. A comunicação verbal foi mínima, mas o som falava por si. Era pura conexão entre os músicos e o público, respirando a mesma vibe.

O encerramento veio com “Gemini”, do aclamado Dead Roots Stirring (2011), cantada em coro por toda a sala. A despedida foi breve, mas como uma chama acesa em meio à noite fria e chuvosa. O público saiu com sorrisos, e pude ouvir muitos elogios à banda. Era incrível a sensação de ter presenciado algo realmente especial.

Agradecimentos à Amplificasom pela organização exemplar e por proporcionar uma noite inesquecível. Até à próxima!

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