O último fim de semana foi simplesmente avassalador. Nos dias 27, 28 e 29 de junho, tivemos o aguardado retorno do Evil Live Festival 2025, desta vez na sua primeira edição Open Air, celebrada com força total no Estádio do Restelo, em Lisboa.

PÚBLICO DIA 1 @ Evil Live Festival 2025 Lisboa - 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso
PÚBLICO DIA 1 @ Evil Live Festival 2025 Lisboa – 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso

O primeiro dia foi voltado ao som mais tradicional do metal, reunindo cerca de 14 mil pessoas no estádio, que enfrentaram o forte calor com entusiasmo para viver um dos eventos mais marcantes do ano no cenário do metal em Portugal. Os portões abriram às 15h, e, mesmo debaixo de sol escaldante, já havia uma fila formada por fãs ansiosos — alguns estavam ali desde as 11h da manhã, numa sexta-feira!

Encabeçando o cartaz, tivemos os lendários Judas Priest, mestres absolutos do heavy metal. Juntam-se ao lineup de peso os icônicos Triptykon, os furiosos Municipal Waste, os veteranos do thrash metal Death Angel e os eternos representantes do metal português, os R.A.M.P..

Continue a ler para conferir todos os detalhes deste primeiro dia memorável!

R.A.M.P.

R.A.M.P. @ Evil Live Festival 2025 Lisboa - 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso
R.A.M.P. @ Evil Live Festival 2025 Lisboa – 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso

Previstos para subirem ao palco às 16h, os R.A.M.P. começaram sua atuação poucos minutinhos mais cedo, às 15h56. Sob o sol escaldante, a banda entregou uma apresentação curta, direta ao ponto, mas absolutamente intensa, mostrando exatamente por que são considerados uma força incontornável do metal português.

O setlist equilibrou muito bem os clássicos da carreira com os sons mais recentes, com destaque visual para o imponente backdrop que exibia a arte do mais recente álbum da banda, Insidiously (2022).

A abrir, veio a poderosa “Blind Enchantment”, seguida do hino “How”. Depois, apresentaram “The Number One”, um dos destaques mais recentes, antes de voltarem com força total a “Insane”, um dos temas mais celebrados da banda. Também marcaram presença os sucessos “Those Who Cannot Blame” e “Hallellujah”, fechando um alinhamento sólido e bem construído.

Entre as músicas, houve espaço para interações espontâneas, acaloradas e genuínas com o público. A banda agradeceu ao apoio dos fãs portugueses ao longo dos anos, e esse carinho foi retribuído à altura. Cerveja voando pelos ares, crowdsurfings animados, moshs e cânticos em coro marcaram a entrega da plateia. Era impossível não sentir o orgulho que todos ali carregavam por ver os gigantes do metal nacional darem o seu melhor naquele palco grandioso.

Os R.A.M.P. mostraram que seguem relevantes, poderosos e imprescindíveis na cena. São, sem dúvida, uma força da natureza!

DEATH ANGEL

DEATH ANGEL @ Evil Live Festival 2025 Lisboa - 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso
DEATH ANGEL @ Evil Live Festival 2025 Lisboa – 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso

Por volta das 17h, com um atraso de 15 minutos em relação ao horário previsto, foi a vez dos grandes nomes do Thrash Metal, os DEATH ANGEL, diretamente da Bay Area de São Francisco, Califórnia, subirem ao palco do Evil Live Festival.

Fizeram uma apresentação de cerca de 40 minutos, marcada por intensidade, simpatia e também alguns contratempos. As primeiras faixas, “Mistress of Pain” e “Voracious Souls”, infelizmente foram prejudicadas por problemas técnicos, com o volume baixo demais, o que comprometeu um pouco a imersão inicial. Ainda assim, para os que estavam mais próximos do palco, a energia não demorou a contagiar, e os primeiros mosh pits já se formavam.

Com o som mais ajustado, “I Came For Blood” e “Buried Alive” impulsionaram os circle pits, agora mais intensos e agressivos. A banda esbanjou simpatia, e Mark Osegueda é, sem dúvida, um frontman carismático e incansável. Antes de iniciarem a próxima faixa, Mark interagiu com o público, expressando sua felicidade em estar ali e anunciando que era hora de Thrash Old School. Foi a deixa para a explosiva “The Moth”, que trouxe crowdsurfings e um dos circle pits mais caóticos da tarde.

Encerrando o set, veio “Thrown To The Wolves”, agora com um som impecável, e a resposta do público foi avassaladora: headbanging coletivo, circle pit contínuo e uma sequência insana de corpos sendo carregados até o pit. Era inspirador ver tamanha entrega, mesmo sob um calor escaldante. O que importava, naquele momento, era viver o Thrash Metal com todas as forças, no espírito verdadeiro da velha guarda!

Apesar do som desconexo no início, o saldo foi mais do que positivo. O público estava ali para celebrar e prestar tributo à banda, e isso foi feito com garra, suor e respeito. Uma honra inegável testemunhar essa atuação!

MUNICIPAL WASTE

MUNICIPAL WASTE @ Evil Live Festival 2025 Lisboa - 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso
MUNICIPAL WASTE @ Evil Live Festival 2025 Lisboa – 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso

Chegamos ao momento mais caótico – no melhor sentido possível – do Evil Live! Era hora do thrash crossover devastador dos MUNICIPAL WASTE, que subiram ao palco pontualmente às 18h. E aqui, não havia separação entre banda e público: era tudo uma coisa só. Uma conexão perfeita entre palco e plateia!

O set começou com “Garbage Stomp”, emendada com “Sadistic Magician”. E meus amigos, foi como abrir uma represa de energia bruta. O público cantava a plenos pulmões enquanto o circle pit tomava grandes proporções, sendo até então o auge absoluto do festival. O som era rápido, cortante, intenso, e os crowdsurfings aconteciam em sequência, exigindo jogo de cintura dos seguranças no pit.

Sem pausa, vieram “Slime and Punishment”, “Breathe Grease”, “Grave Dive”, “You’re Cut Off”, “The Thrashin’ of the Christ” e “Poison The Preacher”, em uma sequência violenta e implacável, mostrando o porquê da banda ser referência no estilo.

Tony Foresta é uma força implacável. Carismático, autêntico, simples. Ele irradiava felicidade por estar no festival. Em diversos momentos, agradecia o público português, visivelmente emocionado com o nível de energia da plateia. Disse até que estava à beira de uma insolação e que todos iríamos morrer juntos, mas estava tudo bem.

Destacou também o orgulho de dividir o palco com os lendários Judas Priest, e não foram poucos os momentos em que sua emoção contagiava. Era impossível não se deixar levar por essa entrega. O espetáculo foi intenso, envolvente e 100% honesto. Thrash metal de verdade, sem filtros.

A pancadaria seguiu com o hit “Wave Of Death”, e como o nome promete, a onda de corpos no ar triplicou. Em seguida, com “Blackout Stage”, distribuíram bolas de praia e noodles de piscina, transformando o Restelo numa espécie de parque. Foresta então clamou por “um verdadeiro mosh pit de thrash metal”, e a multidão obedeceu.

O ritmo não parou, passando ainda por “Restless and Wicked”, “Crank the Heat” e “Under the Waste” – esta dedicada com carinho aos Judas Priest. Em “I Want to Kill the President”, o vocalista não escondeu sua posição política: “I hate Trump!”, gritou, puxando um coro de “Fuck Donald Trump!”.

Na reta final, o mundo desabou com “Art Of Partying”, “Demoralizer” e o hino máximo “Born To Party”. Como diz a letra: “Municipal Waste is gonna fuck you up!”– e foi exatamente isso. Uma festa caótica, brutal e inesquecível, onde o maior mosh pit do festival tomou conta de tudo e todos. Simplesmente glorioso e BRUTAL.

TRIPTYKON

TRIPTYKON @ Evil Live Festival 2025 Lisboa - 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso
TRIPTYKON @ Evil Live Festival 2025 Lisboa – 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso

Por volta das 19h30, com o calor finalmente dando uma trégua e o sol já em declínio, chegou o momento dos TRIPTYKON assumirem o palco com seu metal extremo sombrio, denso e contemplativo. O backdrop já anunciava o que vinha pela frente: a icônica capa do álbum To Mega Therion, dos Celtic Frost, lançado originalmente em 1985. Isso por si só já era um convite à reverência, e a plateia agora mais numerosa e atenta, se aproximava curiosa, disposta a absorver cada nota.

A atmosfera mudou completamente. Após o caos insano da apresentação anterior, os Triptykon trouxeram um contraste marcante, quase ritualístico. Foi como se uma névoa tomasse conta do recinto, reduzindo a agitação em nome da introspecção. E isso foi importante: um momento de contemplação, sem perder a intensidade e a fidelidade ao peso do festival.

O alinhamento foi equilibrado com perfeição: cinco temas próprios e cinco dos Celtic Frost. A abertura ficou por conta da densa e impactante “Goetia”, que estabeleceu o clima. Tom G. Warrior, com sua presença hipnótica, parecia carregar nas costas não só a própria trajetória, mas toda uma era do metal extremo. A sua postura no palco é magnética. A banda, por sua vez, demonstrava coerência e imersão total, ainda que a interação entre os membros fosse mínima, e isso de certa forma fazia parte do espetáculo. Era como se cada um habitasse o próprio universo com seus instrumentos. Vanja Slajh, em especial, merece destaque. Sua presença marcante no palco e o som estrondoso do baixo eram hipnóticos. A cada nota, sua cabeça girava, como uma força silenciosa e firme que complementava perfeitamente o peso da apresentação.

Na sequência, o primeiro tema dos Celtic Frost: a melancólica e celebrada “Circle of the Tyrants”, recebida com muita animação e respeito. Retornando aos sons próprios, vieram “Tree of Suffocating Souls” e “Altar of Deceit”, que mergulharam a plateia em ritmos arrastados, densos, e um solo arrebatador que calou e prendeu todos os olhares.

Logo depois, novamente dois grandes hinos dos Celtic Frost: “Ground” e “A Dying God Coming Into Human Flesh”, que levaram muitos fãs ao delírio, cantando em coro, visivelmente emocionados.

Na reta final, foi como um zig-zag de sentimentos — um revezamento visceral entre dor, peso e transcendência. Vieram então “Aurorae” e, em seguida, o hino “Dethroned Emperor”, que explodiu em comemoração e respeito. Para o encerramento, “The Prolonging” fez jus ao nome, estendendo-se em camadas de som soturno e majestoso, enquanto “Winter” tocava ao fundo no momento da despedida, sendo um fechamento simbólico, gélido e belo.

Triptykon entregou um espetáculo técnico, artístico e espiritual. Com a genialidade de Tom G. à frente, acompanhado de músicos à sua altura, foi uma performance que elevou o peso ao plano da contemplação, oferecendo o que o público nem sabia que precisava. Uma pausa, uma alma, um respiro. Imenso e inesquecível!

JUDAS PRIEST

JUDAS PRIEST @ Evil Live Festival 2025 Lisboa - 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso
JUDAS PRIEST @ Evil Live Festival 2025 Lisboa – 27/06/2025 | @the.goldenrush @culturaempeso

Agora, de forma incontestável, 14 mil cabeças se reuniam no Estádio do Restelo, e logo estariam a rolar. O sol já não se fazia presente, o calor do dia havia finalmente cedido… mas o calor que nos envolvia era o das almas ansiosas que aguardavam um dos momentos mais históricos do Evil Live Festival 2025. As luzes apagaram-se. “War Pigs” dos lendários Black Sabbath começou a ecoar no som mecânico… e ao final dela, já sabíamos: THE PRIEST IS BACK! E foi exatamente assim que a icônica e carismática figura de Rob Halford iniciou um concerto EMOCIONANTE e HISTÓRICO.

Apenas lembrar já traz lágrimas aos olhos e arrepios à pele. O coração enche-se de alegria e orgulho. Que honra imensa estar ali, frente a frente com o Metal God, acompanhado de uma banda afiadíssima e com energia absurda. É impressionante constatar como a voz de Halford continua poderosa e afiada como uma lâmina, onde os seus agudos ainda cortam o ar com perfeição. E isso, meus amigos, é para pouquíssimos! Este foi o meu terceiro concerto dos Judas Priest, desde o primeiro inesquecível que vi em Belo Horizonte/BR em 2011, e posso afirmar: ele está tão afiado quanto naquela época!

O setlist foi uma celebração à trajetória dos gigantes do Heavy Metal, com clássicos indispensáveis e algumas faixas mais recentes que trouxeram equilíbrio e peso. Assim que a banda subiu ao palco, ouvimos: “Twisting the strangle grip, won’t give no mercy. Feeling those tendons rip torn up and mean…”, e a pancada veio com “All Guns Blazing”, abrindo as festividades! O estádio explodiu: mosh de um lado, saltos do outro, e cabeças a rolar como se não houvesse amanhã.

Sem pausas, a sequência seguiu matadora com “Hell Patrol”, uma ode perfeita aos 35 anos do lendário álbum Painkiller. Em seguida, veio o hino “You’ve Got Another Thing Comin’”, do Screaming for Vengeance (1982), e Halford perguntou com firmeza se estávamos prontos para o HEAVY METAL. A resposta? Um rugido coletivo. “Freewheel Burning”, do querido Defenders of the Faith (1984), seguiu rasgando o ar em velocidade absurda.

Mas foi em “Breaking the Law”, do clássico British Steel (1980), que o circle pit ganhou dimensões épicas. O caos controlado se instalou e foi lindo de ver. E voltando para o Painkiller, a sequência “A Touch of Evil” e “Night Crawler” fez o estádio estremecer com gritos, coros e emoção à flor da pele.

Seguiram com “Solar Angels”, até chegarmos à poderosa “Gates of Hell”, faixa do novo álbum Invincible Shield (2024). A resposta do público foi fervorosa, provando que o Judas Priest continua mais atual do que nunca, mesmo após 56 anos de estrada! A emocionante “One Shot at Glory” veio na sequência, seguida pela esmagadora “The Serpent and the King” em seu peso moderno, mas com a assinatura Priest, e voltando ao clássico com “Between the Hammer and the Anvil”.

Nesse momento, Halford conversou com o público, mostrando carinho e respeito ao festival e aos artistas dos próximos dias. Em tom descontraído, disse que adoraria ficar para assistir aos shows dos próximos 2 dias, e destacou os Slipknot, e soltou:“Nós somos do metal… mas eles são completamente LOUCOS!” – o que arrancou risos e aplausos da multidão.

Um dos momentos mais tocantes veio com “Giants in the Sky”, quando a banda prestou uma homenagem comovente a ícones eternos do rock, exibindo na tela imagens de Dio, Lemmy Kilmister, Freddie Mercury, Janis Joplin, Eddie Van Halen, Paul Di’Anno, Taylor Hawkins, Jim Morrison, Cliff Burton e outros. Halford fez um breve discurso:“A música é poder. É magia.”… e nunca essas palavras fizeram tanto sentido!

A primeira parte terminou em êxtase com “Painkiller”. A plateia enlouqueceu, promovendo crowdsurfings explosivos, gritos, braços ao alto, pura devoção. Eles se despediram brevemente, saindo do palco. Mas ainda não era o fim…

No encore, começou a soar “The Hellion” no som mecânico, e logo fomos arremessados à energia de “Electric Eye”. O momento já esperado por todos veio logo após: Halford entrando no palco com a sua moto em “Hell Bent for Leather”. E para encerrar, a obrigatória “Living After Midnight”, um hino atemporal que pôs fim a uma noite de puro clamor ao Heavy Metal Tradicional.

A banda despediu-se com Halford parado à frente da moto, em silêncio, admirando o público português, e ficou assim por bons minutos, enquanto crowdsurfings continuavam mesmo sem música, como se ninguém quisesse que aquela noite acabasse. Na tela, a mensagem:“The Priest will be back”. E esta é agora uma promessa gravada nos nossos corações.

Encerramos o primeiro dia do Evil Live Festival 2025 com a certeza de que melhor, IMPOSSÍVEL. Assim, a espera ansiosa para o próximo dia, porque a nossa sede por metal só aumentou!

Agradecimento: Prime Artists

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