Quem não ama uma sexta-feira de chuva, principalmente quando há um super concerto para aquecer uma noite fria? Pois foi exatamente esse o cenário da primeira sexta do mês de fevereiro, 06/02, quando a Sala 2 do LAV – Lisboa Ao Vivo simplesmente foi abaixo com a apresentação poderosa dos Jinjer, liderados pela incrível e imponente voz de Tatiana Shmayluk.
Pelas mãos da Prime Artists, a European Duél Tour 2026 passou por Lisboa com sala completamente esgotada, reunindo uma legião de fãs no regresso da banda à capital. No alinhamento, os ucranianos apresentaram o seu mais recente álbum, Duél, editado em fevereiro de 2025. A acompanhar o cartaz, tivemos os alemães Unprocessed e os neerlandeses Textures, que abriram a noite com excelência.
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TEXTURES

Pontualmente às 20h, os neerlandeses Textures eram o pontapé inicial nesta noite com o seu metalcore progressivo de altíssima qualidade e já consolidado como referência no género. Após um hiato de seis anos entre 2017 e 2023, a banda regressou em força e lançou o álbum Genotype no dia 23 de janeiro deste ano, mostrando que estão não só de volta, mas em excelente forma. E claro, aproveitaram esta passagem por Lisboa para apresentar o novo trabalho.
Abrindo o setlist, numa sala já robusta e com fãs claramente à espera, entram com a instrumental “Void”, que também abre o novo álbum. Mal sobem ao palco, já se dirigem à malta com cumprimentos, e seguem imediatamente com “Closer to the Unknown”, com o público acompanhando e curtindo desde o primeiro momento. Daniel de Jongh para para agradecer e comenta estar feliz por estar pela primeira vez em Lisboa, ao que o público devolve com fortes ovações.
Em “New Horizons”, faixa de 2016 do álbum Phenotype, começam a surgir os primeiros mosh pits no meio da plateia. A sequência com “Singularity” escala para um circle pit respeitável, seguida de “Timeless” e “Measuring the Heavens”, mantendo a energia sempre em crescente. A banda mostra-se extremamente coesa, técnica e simpática, com Daniel constantemente interagindo e demonstrando genuína satisfação.
Na reta final, voltamos ao passado, mais precisamente para 2008 com a sequência de “Awake” fechando com“Laments of an Icarus”, ambas do álbum Silhouettes, elevando ainda mais a energia da malta e encerrando com maestria.
Por volta das 20:40, finalizam a apresentação sempre muito agradecidos, e o público devolve com imensa felicidade, palmas e ovações calorosas, deixando clara a conexão criada ali entre banda e fãs. Um início de noite sólido, técnico e cheio de presença!
UNPROCESSED

Pontualmente às 21h, era a vez dos alemães Unprocessed mostrarem o seu metal progressivo/djent moderno.
Abrindo numa sequência direta do mais recente álbum Angel (2025), a pesada “111” já fez a malta cantar e saltar, seguida por “Sleeping With Ghosts” e “Beyond Heaven’s Gate”, sempre com Manuel Gardner Fernandes comandando com carisma e interação constante.
Para além da música, salta aos olhos a presença de palco e, ainda mais, a técnica impecável de todos os instrumentistas. São o retrato da banda moderna que entrega tudo: melodias, pitadas de pop, riffs cirúrgicos, breakdowns devastadores e um baixo pulsante e cortante. Para fãs de metal moderno melódico, é um prato cheio.
Passando pelo álbum de 2023 …And Everything In Between, seguem com “Thrash”, onde o baixista David John Levy já dá o mote avisando que ficaríamos loucos, e assim foi. Explodiu o primeiro grande circle pit desta apresentação. Em seguida, “Glass”, onde novamente o baixista se dirige à malta, agradecendo pela recepção nesta que era a segunda vez por Portugal, e pedindo que ligássemos as lanternas dos telemóveis para um momento mais introspectivo e melódico. E claro, todos obedeceram com entusiasmo!
De volta ao novo álbum, “Sacrifice Me” mantém a energia constante, com o público reagindo a cada virada e cada breakdown. Manuel conversa emocionado com o público, perguntando quem já os acompanhava há anos e quem estava conhecendo ali mesmo. Dá as boas-vindas aos novos e, pelo que se viu, conquistaram ali ainda mais seguidores.
Continuando, “Snowlover” vem com o vocalista pedindo um super circle pit para o peso que estava por vir, colocando todos novamente a sair do chão. A sequência com “Lore” traz ainda mais caos e intensidade. E já na reta final, “Solara” e “Terrestrial” desencadeiam o primeiro wall of death da noite que abalou as estruturas da sala. Às 21:45, encerram um concerto que conquistou especialmente a malta jovem presente. É um som difícil de ignorar, e é quase certo que dali em diante ficaram gravados no coração de muita gente!
JINJER

Pouco mais de sete meses após o sucesso da apresentação no Evil Live Festival 2025, no Estádio do Restelo, os gigantes do metal moderno Jinjer voltaram a agraciar-nos com a sua presença, agora com tour em nome próprio. A ansiedade do público era evidente: os bilhetes estavam esgotados há meses para esta noite.
Pontualmente às 22:15, ouve-se o prólogo que dá início ao concerto. Um a um, os integrantes vão surgindo no palco, recebidos com palmas e gritos crescentes, até que por último aparece Tatiana Shmayluk, gritando um poderoso “Lisbon!” e arrasando tudo logo no primeiro segundo. O público, já em ebulição, vai ao delírio.
O início do set mergulha diretamente no mais recente lançamento da banda, o álbum Duél (2025), que dá nome à digressão e assume o protagonismo da noite. A sequência “Duel”, “Green Serpent” e “Fast Draw” estabelece o tom. Antes desta última, Tatiana pergunta se queremos algo mais hardcore. A resposta vem em forma de circle pit imediato, que cresce dos primeiros moshs até virar um verdadeiro turbilhão. Estavam oficialmente abertas as hostilidades… daquelas que gostamos!
Tatiana é um amor, já conhecida pela simpatia, e entre uma faixa e outra para brevemente para conversar com a malta, estreitando ainda mais a ligação com os fãs portugueses. Vestida com um vestido quase de boneca, mas longe de qualquer fragilidade, a sua presença é forte, imponente e sedutora.
O palco estava belíssimo, com o ecrã a projetar visuais que acompanhavam as temáticas de cada música. E mesmo que a técnica cirúrgica de cada membro já seja amplamente reconhecida e invejada, é impossível não voltar a enaltecer. Ao vivo, são impressionantes. Um conjunto perfeitamente desenhado. Tatiana no centro, alternando guturais brutais com vocais limpos, é algo simplesmente absurdo. Não há espaço para falhas. Os Jinjer são um fenómeno mundial, e com toda a razão.
Seguimos então para o álbum Wallflowers (2021), com a sequência de “Vortex” e “Disclosure!”, abrindo espaço para os crowd surfers que começavam a passar por cima das nossas cabeças. Sem tempo para grandes pausas, o set faz um zigzag entre os álbuns mencionados com “Tantrum” e “Teacher, Teacher!”, mantendo a sala em completa animação. Cada um curtia à sua maneira, mas todos em total devoção.
Numa pequena pausa para respirar, “Kafka” surge como homenagem ao escritor checo, trazendo elementos visuais impactantes e uma atmosfera inicialmente introspectiva que rapidamente escala. Depois viajamos até Macro (2019) com “Judgement (& Punishment)”, surpreendendo com aquele groove de um reggae que mostra, mais uma vez, a versatilidade da banda em incorporar elementos distintos dentro do metal.
Seguimos com “Hedonist”, e depois voltamos ainda mais no tempo até King of Everything (2016), com “I Speak Astronomy”, arrancando sorrisos e gritos dos fãs de longa data. Em “Perennial”, os coros do público cresciam cada vez mais, e Tatiana parecia tão emocionada quanto quem estava ali a cantar com ela.
A reta final aproxima-se com “Someone’s Daughter” e “Rogue”. Tatiana comenta que sente que o concerto é curto demais, mas não há espaço para tristeza. Queremos é viver cada segundo. E então chega “Pisces”, encerrando o primeiro ato antes do encore. E claro, este grande sucesso desencadeia uma avalanche emocional. Cada pessoa ali deu tudo de si. Cantaram, gritaram, sentiram!
A banda agradece brevemente e sai de palco. Mas o público não aceita o fim tão fácil. Palmas, gritos, coro, e eles regressam.
Para fechar a noite, “Sit Stay Roll Over” faz cada canto da sala tremer num último momento de loucura coletiva, com aquele “empurra, empurra” saudável. Pouco mais das 23:30, encerra-se mais uma apresentação sólida, intensa e perfeitamente coesa da banda ucraniana em solo português, em uma partilha de energia genuína. E a reposta para uma próxima: SIM, todos estaremos sempre prontos para mais Jinjer!

