O Rock in Rio Lisboa voltou a transformar o Parque Tejo numa verdadeira cidade da música, onde gerações diferentes se cruzaram para viver uma noite feita de nostalgia, descoberta e energia sem pausas.

Entre clássicos que continuam a marcar vidas e bandas que continuam a conquistar o público ao primeiro refrão, o festival mostrou mais uma vez porque é um dos maiores palcos da Europa – não apenas pelos nomes em cartaz, mas pela forma como cada concerto se transforma numa experiência coletiva, feita de vozes em coro, emoções à flor da pele e momentos que permanecem muito depois de as luzes se apagarem.


Tara Perdida no Rock In Rio Lisboa 2026 📸 : Pedro Gama

TARA PERDIDA

Os Tara Perdida chegaram ao Rock in Rio Lisboa com o peso simbólico de um regresso. Vinte anos depois da sua passagem pela Cidade do Rock, a banda voltou ao festival como uma referência incontornável do punk rock português, já sem João Ribas, mas ainda carregada dessa urgência direta que sempre fez das suas canções mais do que simples refrões.

Tara Perdida no Rock In Rio Lisboa 2026 📸 : Pedro Gama

Num contexto de festival grande, onde a escala tende a engolir as bandas de rua, os Tara Perdida jogaram a seu favor precisamente aquilo que nunca perderam: frontalidade, canções curtas, energia sem adornos e uma relação com o público que dispensa teatralidade excessiva. Temas como “Desalinhado”, “Nasci Hoje”, “Baril”, “Batata Frita”, “Nada Me Vai Parar”, “Um Dia de Cada Vez”, “Sentimento Ingénuo”, “O Que É Que Eu Faço Aqui” e “Lisboa” representam bem a amplitude emocional da banda, entre o inconformismo, a melancolia urbana e a celebração de uma identidade que nunca quis parecer polida.

Tara Perdida no Rock In Rio Lisboa 2026 📸 : Pedro Gama

O concerto teve esse valor raro de reencontro. Não viveu apenas da nostalgia, embora ela estivesse inevitavelmente presente. Viveu sobretudo da constatação de que certas canções continuam eficazes porque nasceram de uma linguagem simples, honesta e comunitária. Os Tara Perdida não precisaram de modernizar a sua essência para caber no Rock in Rio. Levaram o punk como ele deve ser levado: de peito aberto, sem pose e com a convicção de quem ainda acredita que três acordes podem dizer mais do que muitos discursos.

 Pedro Gama



GRANDSON

O concerto do grandson confirmou-se como uma das aberturas mais intensas do dia, marcando presença desde o primeiro minuto com uma energia crua e constante. A mistura entre rock alternativo e influências de rap deu ao espetáculo uma identidade muito própria, sempre acompanhada por letras de forte carga social que o público acompanhou com atenção e entusiasmo.

Ao longo da atuação, destacou-se a forma como o artista conseguiu manter uma ligação direta com o público, incentivando constantemente a participação do público e criando um ambiente quase de comunhão no recinto. Essa interação foi essencial para transformar um concerto de abertura num dos momentos mais comentados.

Grandson no Rock in Rio Lisboa | 📸 André Saudade

Mesmo sendo um nome menos conhecido para parte do público, grandson conseguiu rapidamente conquistar quem estava ali pela primeira vez. A resposta foi imediata: refrões cantados em uníssono, mãos no ar e uma entrega total do público, que acabou por surpreender até o próprio artista.

Em palco, a postura foi irreverente e intensa, sem grandes pausas, mantendo sempre o ritmo elevado e uma sensação de urgência que combinou bem com o espírito do festival. No final, ficou a impressão de um concerto curto, mas extremamente eficaz – daqueles que servem não só para abrir o palco, mas para deixar marca.

Grandson no Rock in Rio Lisboa | 📸 Tatiana Pinto

Setlist:
Autonomous Delivery Robot
Bury You
We Did It!!!
Oh No!!!
Bells Of War
Stigmata
God Is An Animal
Darkside
Overdose
Little White Lies
Self Immolation
Masters of War – (Bob Dylan cover)
Brainrot
You Made Me This Way
Blood // Water

Jéssica Miranda


BLASTED MECHANISM no Rock In Rio Lisboa | 📸 Pedro Gama

BLASTED MECHANISM

Se os Tara Perdida representaram a parte mais direta e emocional do rock português, os Blasted Mechanism trouxeram o seu universo próprio, mais visual, mais ritualista e mais difícil de arrumar numa prateleira. A banda estreou-se no Palco Super Bock do Rock in Rio Lisboa em ano de celebração dos seus 30 anos, com a identidade que sempre a distinguiu: fusão entre rock alternativo, eletrónica, elementos tradicionais, performance e uma estética futurista imediatamente reconhecível.

Os Blasted Mechanism nunca foram apenas uma banda para ouvir. São uma banda para ver, para sentir e para aceitar como experiência total. A sua presença em palco continua a funcionar como uma mitologia paralela dentro da música portuguesa, onde figurinos, instrumentos, ritmos tribais, eletrónica e rock criam uma espécie de cerimónia interplanetária. Num festival onde muitos concertos seguem formatos previsíveis, esta diferença estética teve impacto.

BLASTED MECHANISM no Rock In Rio Lisboa | 📸 Pedro Gama

A força dos Blasted está na recusa da normalidade. A banda pertence a uma linhagem rara da música portuguesa, a dos projetos que construíram uma linguagem autónoma, sem pedir autorização a géneros fechados. O concerto no Rock in Rio Lisboa serviu para confirmar essa singularidade.

Havia ali memória dos anos 2000, claro, mas também a prova de que a sua proposta continua visualmente poderosa e musicalmente reconhecível.

BLASTED MECHANISM no Rock In Rio Lisboa | 📸 Pedro Gama

Mais do que um exercício de revivalismo, a atuação funcionou como reafirmação. Num cartaz com grandes nomes internacionais, os Blasted Mechanism trouxeram uma ideia de espetáculo que não tenta copiar modelos exteriores. Criam o seu próprio planeta e convidam o público a entrar nele.

Pedro Gama


 

The Pretty Reckless no Rock in Rio Lisboa | 📸Hugo Moreira

THE PRETTY RECKLESS

A estreia de The Pretty Reckless em Portugal ganhou um peso especial para muitos fãs, sobretudo porque a banda tinha falhado a atuação prevista em 2011. A espera acabou por compensar, com um concerto que confirmou a força da voz ao vivo de Taylor Momsen, a sua presença em palco e um carisma difícil de ignorar.

Momentos como “Make Me Wanna Die”, “Miss Nothing” e “Death by Rock and Roll” foram os pontos altos do concerto, com o público a cantar praticamente em uníssono, criando uma ligação imediata entre palco e audiência e elevando a intensidade do espetáculo.

Taylor Momsen mostrou-se totalmente à vontade em palco, alternando entre momentos de intensidade pura e uma proximidade mais descontraída com o público. Houve espaço para cumplicidade e até alguma brincadeira, com a vocalista a prolongar entradas de temas e a brincar com a expectativa do público, aumentando ainda mais a tensão e a energia antes de cada explosão musical.

Ao longo da atuação, destacou-se a sua presença constante em movimento, percorrendo o palco de um lado ao outro sem parar, saltando e rodopiando com uma energia contagiante que transmitia uma clara sensação de prazer em estar em palco. A ligação ao público foi sempre mantida, reforçando a intensidade de cada música.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando Taylor desceu até à grade para se aproximar dos fãs, num gesto já habitual nas suas atuações ao vivo, criando um dos pontos de maior proximidade da noite e reforçando a ligação entre artista e público.

No final, ficou a sensação de uma estreia extremamente bem-sucedida, com uma artista que domina por completo o palco e o público. Para muitos, acabou por ser uma das melhores atuações do dia, especialmente para quem aguardava este momento há mais de 15 anos.

The Pretty Reckless no Rock In Rio Lisboa 📸RIta Seixas
The Pretty Reckless no Rock in Rio
📸Hugo Moreira

Setlist:
Death by Rock and Roll
Since You’re Gone
Follow Me Down
Miss Nothing
For I Am Death
When I Wake Up
Witches Burn
Make Me Wanna Die
Heaven Knows
Going to Hell

 

 

 

Jéssica Miranda


POD no Rock In Rio Lisboa – 📸 Pedro Gama

POD

Os P.O.D. chegaram ao Palco Music Valley com o estatuto de banda que marcou uma geração específica do rock moderno. Formados em San Diego em 1992, tornaram-se mundialmente conhecidos com “Satellite”, álbum de 2001 que lhes deu escala global e que continua a ser o centro emocional da sua relação com o público. A sua mistura de hard rock, hip-hop, reggae e mensagens de união deu-lhes uma identidade própria dentro do universo nu metal e rap rock.

No Rock in Rio Lisboa, a banda ocupou um espaço curioso: já não pertence ao centro da cultura rock contemporânea, mas mantém um património afetivo fortíssimo. “Boom”, tema confirmado na setlist disponível, resume bem esse ADN: riff imediato, pulsação urbana, refrão pronto para multidões e uma energia que pede movimento coletivo.

POD no Rock In Rio Lisboa – 📸 Pedro Gama

O valor dos P.O.D. em 2026 não está apenas na memória dos tempos em que “Alive”, “Youth of the Nation”, “Satellite” ou “Boom” atravessavam rádios, televisões musicais e bandas sonoras pessoais. Está também na forma como a banda conserva uma ideia de comunidade que sempre fez parte da sua linguagem. A sua música nunca foi apenas agressiva. Mesmo nos momentos mais pesados, há uma dimensão de celebração, fé, superação e pertença.

Num festival de grande escala, essa fórmula resulta porque é imediata. Os P.O.D. não precisam de explicar o seu lugar. Entram, disparam riffs, puxam pelo público e recuperam uma gramática sonora que ainda faz sentido para quem viveu a viragem do milénio com guitarras baixas, batidas saltitantes e refrões feitos para serem gritados em conjunto.

POD no Rock In Rio Lisboa – 📸 Pedro Gama

Pedro Gama


Kaiser Chiefs no Rock In Rio – 📸: David Oliveira

KAISER CHIEFS

Os Kaiser Chiefs protagonizaram um dos concertos mais divertidos e enérgicos do dia. Desde a primeira música ficou claro que a banda vinha com um único objetivo: manter o público em constante movimento. A energia foi uma constante do início ao fim, sempre acompanhada por uma interação natural e descontraída que tornou o concerto ainda mais envolvente.

Grande parte desse mérito pertence a Ricky Wilson. O vocalista não parou um único segundo, percorrendo o palco de um lado ao outro, incentivando o público a participar e demonstrando um carisma contagiante. Entre músicas, não faltaram momentos de humor e boa disposição, contribuindo para um ambiente leve e de grande cumplicidade com quem estava no recinto.

A resposta do público fez-se sentir ao longo de toda a atuação, mas foi em “Ruby”, “I Predict a Riot”, “Everyday I Love You Less and Less” e “Oh My God” que o ambiente atingiu outro nível. Os refrões foram cantados em uníssono e a energia manteve-se sempre em alta, transformando o concerto numa verdadeira celebração do rock britânico.

Mesmo para quem não acompanhava regularmente a banda, foi impossível ficar indiferente à entrega em palco. Os Kaiser Chiefs mostraram porque continuam a ser uma referência nos festivais, aliando experiência, boa disposição e uma presença em palco capaz de contagiar qualquer público.

No final, ficou a sensação de um concerto sem tempos mortos, consistente do princípio ao fim e que cumpriu exatamente aquilo que prometia: diversão, energia e uma ligação constante com o público.

Kaiser Chiefs no Rock In Rio – 📸: David Oliveira
Kaiser Chiefs no Rock In Rio – 📸: David Oliveira

Setlist:
The Factory Gates
Everyday I Love You Less and Less
Modern Way
Na Na Na Na Naa
Never Miss a Beat
Ruby
Hole in My Soul
Reasons to Stay Alive
I Predict a Riot
The Angry Mob
Blitzkrieg Bop (Ramones cover)
Take My Temperature
Oh My Go

 

 

Jéssica Miranda


SEPULTURA no Rock In rio | 📸 Pedro Gama

SEPULTURA

Depois dos P.O.D., os Sepultura trouxeram outra densidade. Não apenas mais peso, mas mais história. A banda brasileira regressou a Portugal integrada na digressão “Celebrating Life Through Death”, a tour de despedida que assinala quatro décadas de carreira. Poucas bandas de metal tiveram a importância dos Sepultura na internacionalização de uma linguagem pesada fora do eixo anglo-americano. Menos ainda conseguiram transformar raízes culturais, violência rítmica, consciência política e brutalidade técnica numa assinatura tão reconhecível.

A setlist apresentada no Rock in Rio Lisboa percorreu várias fases da carreira, com temas como “Inner Self”, “Kairos”, “Attitude”, “Escape to the Void”, “Kaiowas”, “Territory”, “Refuse/Resist”, “Arise”, “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots”. É difícil imaginar síntese mais eficaz para uma banda que sempre viveu entre o thrash, o groove, a percussão tribal, a tensão social e a fisicalidade do mosh pit.

SEPULTURA no Rock In Rio|📸 Pedro Gama

Ao vivo, os Sepultura continuam a ser uma máquina de precisão e impacto. A despedida não lhes retirou agressividade, antes acrescentou gravidade emocional. Cada clássico carrega agora uma camada adicional: já não é apenas uma canção de catálogo, é uma peça de encerramento de ciclo. “Roots Bloody Roots” ou “Refuse/Resist” não soam apenas como hinos, soam como monumentos de uma história que mudou o metal mundial.

O concerto teve também uma leitura simbólica importante para o público português. Portugal sempre manteve uma relação forte com os Sepultura, e vê-los num palco de festival generalista, em contexto de despedida, reforçou a dimensão quase ritual da atuação. Foi metal como memória coletiva, mas também como linguagem ainda viva, ainda perigosa, ainda capaz de abalar corpos.

SEPULTURA no Rock In rio | 📸 : Pedro Gama

Pedro Gama


HOBASTANK no Rock in Rio | 📸 : Tatiana Pinto

HOBASTANK

Os Hoobastank provaram que o tempo passou, mas a essência da banda continua intacta. A qualidade vocal de Doug Robb impressionou ao longo de todo o concerto, acompanhada por uma energia consistente que mostrou porque continuam a ser uma referência do rock alternativo dos anos 2000.

Desde os primeiros temas foi notória a forte componente de nostalgia. Muitos dos presentes cresceram ao som da banda e isso fez-se sentir na forma como o público respondeu a cada música, criando um ambiente de reencontro com uma época marcante para muitos.

O momento mais aguardado chegou, inevitavelmente, com “The Reason”. A balada, que continua a ser uma das mais reconhecidas do início dos anos 2000, transformou completamente o ambiente do recinto. O público cantou praticamente toda a música, criando um enorme coro que fez sobressair ainda mais a emoção do momento. Para muitos, foi uma viagem ao passado; para outros, uma oportunidade de ouvir ao vivo uma música que marcou uma geração. Não faltaram lágrimas nem abraços entre amigos, num dos momentos mais sinceros da noite.

A emoção ganhou outra dimensão quando milhares de lanternas dos telemóveis iluminaram o recinto, enquanto o fogo de artifício surgia por trás do público. A combinação entre as luzes, a música e a entrega de todos os presentes criou uma imagem difícil de esquecer e elevou ainda mais o impacto da atuação.

Mesmo para quem conhecia a banda apenas pelo seu maior êxito, os Hoobastank mostraram que continuam a ser muito mais do que “The Reason”. A entrega em palco, a qualidade da atuação e a ligação criada com o público fizeram deste um concerto consistente do princípio ao fim.

No final, ficou a sensação de que este foi muito mais do que um simples concerto. Foi um momento de nostalgia partilhada, capaz de transportar milhares de pessoas de volta aos anos em que estas músicas faziam parte do seu dia a dia, tornando-se num dos momentos mais emocionantes do festival – até ao momento.

HOBASTANK no Rock in Rio | 📸 Tatiana Pinto
HOBASTANK no Rock in Rio | 📸 Tatiana Pinto

Setlist:
Just One
Remember Me
Born to Lead
No Destination
Running Away
How Do You Sleep
This Is Gonna Hurt
Same Direction
Inside of You
Pieces
Out of Control
The Reason
Crawling in the Dark

 

 

Jéssica Miranda


Linkin Park no Rock in Rio | 📸 :  Rita Seixas

O concerto dos Linkin Park foi o momento mais marcante da noite. Havia uma enorme carga emocional no recinto, sentida tanto pela banda como pelo público. Houve momentos em que os milhares de vozes presentes cantavam mais alto do que a própria banda, criando uma atmosfera difícil de descrever. Mais do que um concerto, parecia um reencontro entre a banda e os fãs.

Temas como “In the End”, “Numb”, “Crawling” e “One Step Closer” transformaram o recinto num enorme coro. Era impossível não arrepiar ao ver milhares de pessoas a cantar cada palavra, numa demonstração clara do impacto que estas músicas continuam a ter passados tantos anos.

Uma das surpresas da noite foi a inclusão de “Where’d You Go”, do projeto Fort Minor de Mike Shinoda, na setlist, por sugestão de Emily Armstrong. Foi um momento mais intimista, que preparou o caminho para um dos instantes mais emocionantes do concerto.

Linkin Park no Rock in Rio | 📸 : Rita Seixas

 

Durante “Waiting for the End”, a emoção acabou por falar mais alto. Era visível que toda a banda estava a viver aquele momento de forma muito intensa, mas foi Emily quem acabou por não conseguir conter as lágrimas. O público respondeu imediatamente com aplausos, gritos e assobios de incentivo, ajudando-a a continuar a cantar. Foi um daqueles momentos que dificilmente se conseguem transmitir por palavras e que fazem lembrar porque é que a música ao vivo tem um impacto tão especial.

Linkin Park no Rock in Rio | 📸 André Saudade

Nem tudo, no entanto, correu na perfeição. A qualidade do som deixou bastante a desejar em algumas zonas do recinto e houve momentos em que os problemas técnicos acabaram por prejudicar a experiência. A enorme afluência de público também dificultou a visibilidade e, para quem ficou mais afastado, o concerto acabou por ser mais ouvido do que propriamente visto.

Na minha opinião, além do som, falhou também a ausência de ecrãs distribuídos pelo recinto. Existindo apenas os ecrãs do palco principal, milhares de pessoas ficaram demasiado longe para conseguir acompanhar o espetáculo. Acabei mesmo por desistir do lugar onde estava e subir à roda gigante para assistir ao concerto. Curiosamente, acabou por ser uma das melhores decisões da noite, já que a vista sobre o recinto e o palco era muito melhor do que em muitos pontos do público.

Apesar desses problemas, nada conseguiu apagar aquilo que os Linkin Park proporcionaram. Foi, sem dúvida, o momento mais marcante do festival até ao momento. Mais do que um concerto, foi uma memória coletiva, vivida por milhares de pessoas que voltaram a cantar, emocionar-se e recordar uma banda que continua a marcar gerações.

Linkin Park no Rock in Rio | 📸 Rita Seixas

Setlist:
The Emptiness Machine
Lying From You
Crawling
Up From the Bottom
Somewhere I Belong
The Catalyst
Burn It Down
Where’d You Go
Waiting for the End
Two Faced
A Place for My Head
IGYEIH
One Step Closer
Break/Collapse
Lost
Breaking the Habit
Overflow
What I’ve Done
Numb
Heavy Is the Crown
Play Video
Bleed It Out
Papercut
In the End
Faint

Jéssica Miranda


 

No final de tudo, quando fomos embora, havia apenas uma saída, o que acabou por criar um verdadeiro “engarrafamento” de pessoas à saída do recinto. A situação fez com que nem todos conseguissem aceder aos shuttles disponíveis. Muitos ficaram concentrados junto à entrada com música e animação , enquanto outros optaram simplesmente por fazer o caminho a pé.

Apesar destes pontos menos positivos, o festival foi muito mais do que isso. Foi um dia de pura nostalgia e energia única, com concertos de bandas que, décadas depois, continuam a atravessar gerações e a unir pessoas de diferentes idades e origens à volta da música.

No fim, fica a sensação de um festival que vive sobretudo desses contrastes: momentos de pura energia, outros de nostalgia e alguns de descoberta inesperada. Entre atuações mais intensas e outras mais emotivas, o Rock in Rio Lisboa voltou a cumprir aquilo que melhor sabe fazer – juntar pessoas diferentes à volta da música e transformar cada concerto numa memória partilhada.

Quando as luzes se apagam, sobra isso: a sensação de ter feito parte de algo maior, ainda que por apenas algumas horas.

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