Na última semana, a Praia da Duna dos Caldeirões, em Âncora, recebeu a 13ª edição do Sonic Blast Fest 2025, o festival mais psicadélico de Portugal, que trouxe mais de 30 nomes da cena rock, stoner, doom, eletrônica e psicadélica.
Com camping, comida excelente, praia e muito rock and roll, a animação foi levada ao máximo nos três dias do evento! Continue lendo esta matéria e fique por dentro de tudo o que rolou no primeiro dia do festival.
WARM-UP PARTY – 06/08
A festa de aquecimento começou na terça-feira, 06 de agosto, dando o pontapé inicial antes da abertura oficial. Logo à entrada, a malta era recebida por um glorioso banner em homenagem a Ozzy Osbourne, falecido recentemente em 22 de julho de 2025, e aos Black Sabbath. Aquele ponto virou imediatamente cenário obrigatório para fotos.

No Stage 3, a noite foi aberta com os luso-brasileiros Overcrooks e seu punk rock energético, seguidos pelos germânicos Daily Thompson com uma pegada mais grunge e imersiva. Os britânicos Nerve Agent emocionaram ao destacar sua origem em Birmingham, terra-natal de Ozzy Osbourne, e logo depois os norte-americanos Castle Rat trouxeram o doom metal teatral, antes de finalizarmos a noite com o The Heavy Brothers DJ Set.
Apesar do frio, o público compareceu em peso e recebeu cada banda com entusiasmo. Foi uma amostra da diversidade que marca o Sonic Blast Fest, tornando a Warm-Up Party um aquecimento divertido e intenso.
DIA 1 – 07/08
CAPELA MORTUÁRIA
Agora sim, a largada oficial deste evento tão aguardado estava dada. E para começar em grande estilo, com o mais puro caos a explodir como um soco na cara, os nacionais Capela Mortuária abriram o Stage 3 às 14h35 em ponto, no início de uma tarde amena, já com a malta a se aglomerar no recinto.
“Quem está de chinelos?”, disparou o vocalista JC (João Carlos), lembrando que o festival acontece em plena praia. A provocação abriu caminho para um set visceral, com faixas do EP Ossadas (2019) e do álbum Monstro (2023), incluindo “Morto”, “Ego” e “Pornocultura”.
Ainda houve espaço para uma homenagem brutal a Ozzy Osbourne, com uma versão thrash/death de “Paranoid”, que levou o público ao delírio, e coroada pelo próprio JC em um crowdsurfing, carregado pela malta que foi à loucura.
Encerraram com “Thrash Faster”, num espetáculo pesado e caótico, com direito a três participações especiais, moshpits, crowdsurfings, fs subindo ao palco e muito headbanging. O público mostrou-se sedento, e a banda correspondeu com a mesma intensidade. Foi, sem dúvida, uma forma brutal de inaugurar o primeiro dia do festival!
BØW
Estreando agora no Stage 2, foi a vez dos Bøw, oriundos de Santa Cruz, no oeste lusitano, comandarem a festa e manterem a energia no alto com o seu hardcore punk explosivo. Pela segunda vez no Sonic Blast Fest, no ano passado abriram a Warm-Up Party no Stage 3, mas em 2025 já chegaram ao 1º dia oficial subindo de patamar.
Com a malta a se reunir em peso às 15h20, o grupo incendiou o público com faixas dos seus dois EPs, Infectious Salty Assault (2022) e Infectious Salty Assault II (2024). Não faltaram crowdsurfings e moshs intensos, recebidos com enorme entusiasmo.
O vocalista João Coelho fez questão de agradecer calorosamente, destacando o privilégio de estar novamente no Sonic Blast e de ver “esses sorrisos na cara!”. Numa entrega ainda maior, desceu ao pit para se lançar num crowdsurf durante “Daily Grind”, levando os fãs à loucura.
Assim como no ano passado, posso afirmar: os Bøw são uma banda de respeito, referência em simpatia e intensidade. Além do peso, emanam uma energia contagiante que conquista de imediato. Um concerto arrebatador e digno de registo!
HOOVERIII

Depois da cena mais pesada que abriu o dia, chegou o momento de abrir espaço para novas ondas sonoras. Estreando no Stage 1, o palco principal do festival, pontualmente às 16h05, subiram ao palco os Hooveriii, diretamente de Los Angeles, EUA, com o seu garage/psych/prog rock envolvente.
Enquanto mais pessoas iam chegando ao recinto, a energia aumentava: o público, atento e animado, mergulhou num concerto que trouxe um ótimo respiro, divertido e dançante, mas ao mesmo tempo hipnótico. A banda mostrou entrosamento impecável e um som coeso, com aquela aura espacial que mistura viagem psicadélica e groove.
O setlist percorreu os álbuns de estúdio da banda, com destaque para faixas como “Melody”, “Tarantula Eye”, “See”, “Control” e “Westside Pavilion of Dreams”. A cada riff e nota, o público respondia com aplausos e vibração, ficando cada vez mais imerso na atmosfera criada pelos norte-americanos.
Foi uma amostra perfeita do que tanto amamos no Sonic Blast: diversidade sonora, qualidade absurda e aquele sentimento de que o festival estava apenas a começar!
SPOON BENDERS

De volta ao Stage 2, às 17h00 em ponto, foi a vez dos Spoon Benders assumirem o palco e manterem viva a veia psicadélica do festival, mas com fortes raízes no punk e no rock progressivo.
O setlist percorreu os dois álbuns de estúdio da banda, o Dura Mater (2020) e How Things Repeat (2023), criando diferentes climas ao longo da apresentação: momentos mais divertidos e dançantes, alternados com passagens introspectivas e densas, sempre sustentadas por um som ousado, espirituoso e cheio de personalidade.
Os vocais foram simplesmente maravilhosos. A banda mostrou um som coeso e uma presença forte, ao que o público respondeu em total sintonia, com energia e imersão completa.
Foi uma surpresa incrível dentro do festival, e sem dúvida uma daquelas bandas que dá vontade de acompanhar e rever sempre que possível!
SLOMOSA

Às 17h55, chegou o momento tão aguardado: os noruegueses Slomosa subiram ao Stage 1, recebidos por um público ansioso e numeroso, que já se concentrava em peso diante do palco. O clima estava mais frio, mas ninguém parecia se importar, pois a energia coletiva aquecia tudo.
O setlist percorreu a discografia da banda, com destaque para o álbum Tundra Rock (2024). Abriram com a poderosa “Afghansk Rev”, tal como no disco, seguindo com “Cabin Fever” e “Rice”. A cada faixa, a resposta do público era explosiva.
O vocalista Benjamin Berdous mostrou carisma e simpatia, parando em alguns momentos para conversar com a malta. Brincou por não saber falar português corretamente, perguntando entre risos se deveria usar “obrigado” ou “obrigada”, conquistando ainda mais os fãs. Também partilhou a ansiedade para assistir ao concerto dos Fu Manchu, expectativa claramente partilhada pelo público.
Entre as bandeiras agitadas na plateia, destacava-se a da Palestina, símbolo de apoio também da banda.
O concerto foi simplesmente arrasador: todos cantavam em coro, vibravam com intensidade, os crowdsurfings multiplicavam-se e a euforia era total. Foi, até aquele momento, o show mais animado do festival.
Os Slomosa provaram ser não apenas excelentes músicos, mas também uma banda carismática e conectada com o público. Foi um show pesado e lindo de se ver!
DITZ

De volta ao Stage 2, às 18h50, foi a vez dos ingleses DITZ, uma das bandas mais faladas da cena alternativa do Reino Unido desde sua formação em 2017. Com sua fusão de post-punk, noise rock e hardcore experimental, entregaram um concerto explosivo e irreverente.
O setlist viajou pelos dois álbuns de estúdio: The Great Regression (2022) e Never Exhale (lançado em janeiro de 2025). Abriram com “V70” e seguiram com “Taxi Man”, momento em que o vocalista Cal Francis, com seu icônico vestido, já desceu para o público, tomando goles de uma garrafa de vinho tinto que carregava durante toda a performance, um detalhe caótico e divertido que refletiu bem a estética da banda.
Em determinado momento, Francis recordou que Portugal foi o primeiro país fora do Reino Unido onde tocaram, em 2018, reforçando a ligação especial com o público lusitano.
A resposta da malta foi incrível: energia em alta, muita gente à frente do palco a curtir. Foi um show irreverente, barulhento e marcante, que deixou claro por que os DITZ têm ganhado tanto destaque na cena.
EARTHLESS

De volta ao Stage 1, chegou a hora de mergulhar numa verdadeira viagem sonora com os californianos Earthless, mestres do rock psicadélico instrumental. Assim que subiram ao palco, o guitarrista Isaiah Mitchell saudou o público com um simpático “Olá” e agradeceu ao promotor do festival, abrindo espaço para um dos concertos mais hipnóticos do dia.
A abordagem da banda é única: músicas longas, estruturadas em jam sessions semi-improvisadas, que misturam psych rock, krautrock, blues rock, jazz modal, acid rock e até metal. O resultado foi uma experiência transcendental que colocou todos em transe desde o primeiro acorde.
Abriram com “Uluru Rock”, transformando o palco numa imensa sessão cósmica de riffs viajados e solos alucinantes. O setlist também trouxe faixas como “From the Ages” e “Death to the Red Sun”, exibindo uma técnica absurdamente afiada, com cada músico entregando o máximo de intensidade e precisão.
O público respondeu com silêncio reverente, aplausos prolongados e olhares vidrados, completamente absorvido pela viagem. O que poderia parecer uma pausa mais calma no festival revelou-se, na verdade, um dos momentos mais altos do festival!
KING WOMAN

No Stage 2, às 21h20, sob a luz da lua que nascia, foi a vez dos norte-americanos King Woman encantarem o público com o seu doom metal atmosférico, uma fusão de post-metal e shoegaze etéreo liderada pela magnética vocalista Kristina Esfandiari.
A banda construiu um espetáculo imersivo, denso e emocional. Ritmos lentos e arrastados, guitarras pesadas e uma bateria tão potente que parecia fazer o peito vibrar, criaram uma atmosfera carregada, hipnótica e visceral.
O setlist trouxe temas como “Golgotha”, “Burn”, “Utopia” e “Hierophant”, transportando a malta para um estado quase meditativo, onde peso e melancolia se encontram. A voz de Kris, poderosa e ao mesmo tempo doce e angustiada, foi o fio condutor de uma experiência única, transformando o ambiente num verdadeiro ritual sonoro.
O palco impecavelmente iluminado completava o espetáculo, tornando a apresentação emocionante!
AMENRA

De volta ao Stage 1, o recinto estava completamente lotado e em silêncio reverente, como se todos aguardassem o início de um culto sombrio. Era chegada a hora dos belgas Amenra, mestres do post-metal que mistura doom, sludge, punk e post-rock, criando atmosferas densas, emocionais e espirituais.
Logo nos primeiros acordes, o ambiente foi tomado por uma massa sonora. Abriram o concerto com “Razoreater”, mergulhando o público em camadas de peso e emoção que só os Amenra conseguem proporcionar.
O setlist foi uma verdadeira viagem pelos 25 anos de carreira da banda, incluindo temas como “Salve Mater”, “Plus près de toi (Closer to You)”, “De evenmens”, “A Solitary Reign” e “Silver Needle. Golden Nail”. Cada música era um mergulho profundo, guiado pela intensidade crua de Colin H. van Eeckhout, que performava de costas para o público, transmitindo dor e entrega total.
A experiência de ver os Amenra ao vivo é algo difícil de explicar em palavras. A intensidade é esmagadora, arrebatadora, impossível de ignorar. É um espetáculo que toma conta do corpo e da mente, deixando todos em transe.
Ao final, a banda deixou o palco de forma discreta, sem longas despedidas, mas com uma mensagem poderosa projetada no telão: “Liefde en Licht”, que em neerlandês significa “Amor e Luz”. Um fecho tão brutal quanto poético, digno de um dos momentos mais marcantes do primeiro dia do festival!
FU MANCHU

À meia-noite em ponto, o momento mais aguardado do primeiro dia chegou: os veteranos californianos Fu Manchu, ícones absolutos do stoner rock, subiram ao Stage 1 para um concerto histórico no Sonic Blast Fest 2025.
Logo na abertura com “Pigeon Toe”, a energia explodiu: os crowdsurfings começaram e não pararam mais, enquanto circle pits surgiam em várias direções, transformando o recinto num verdadeiro caos controlado à moda antiga: sem frescuras, apenas rock cru e intenso.
O setlist trouxe não apenas clássicos como “King of the Road”, “Hell on Wheels” e “California Crossing”, cantados em coro por todo o público, mas também faixas do mais recente álbum The Return of Tomorrow (2024), como “Loch Ness Wrecking Machine”, “Hands of the Zodiac” e “Roads of the Lowly”, muito bem recebidas pelos fãs.
No palco, o vocalista Scott Hill mostrou-se pura simpatia, sempre sorridente e grato pela energia da malta. Com mais de 40 anos de carreira, os Fu Manchu provaram porque são uma referência incontornável do stoner rock: carisma, experiência e uma entrega que deixou muitas bandas mais jovens no chinelo!
Ao vivo, eles trazem aquele espírito livre e a psicodelia desértica da Califórnia, que faz qualquer um querer se misturar ao público e viver a experiência no limite. Foi um concerto memorável, daqueles que ficam gravados na memória de quem teve a honra de presenciar.
MAQUINA.
Às 01h20, foi a vez do trio lisboeta Maquina. encerrar o Stage 2 com a sua já habitual intensidade. Pela segunda vez consecutiva no Sonic Blast Fest, a banda trouxe aquela energia que nunca deixa a noite perder o fôlego.
Com a sua sonoridade hipnótica e explosiva, o grupo criou uma verdadeira catarse coletiva. As guitarras distorcidas acrescentavam camadas abrasivas e psicadélicas, enquanto a batida acelerada mantinha o público em movimento constante. O resultado era uma fusão de peso e transe, perfeita para o espírito da madrugada.
O concerto teve ares de rave psicadélica: ninguém ficou parado, todos estavam completamente imersos nas batidas, vivendo cada riff e cada explosão sonora como se o tempo tivesse parado. Foi a descarga de adrenalina que a malta ainda buscava depois de um dia tão intenso, e os Maquina. entregaram exatamente isso.
HEAVY TRIP e INHUMAN NATURE
Para os incansáveis, a madrugada ainda reservava mais duas pedradas no Stage 3. Às 02h00, os canadianos Heavy Trip trouxeram o peso do seu heavy psych/acid rock/space rock com pitadas de stoner metal. Mesmo com o frio da noite, riffs densos e solos explosivos incendiaram o público. A sua sonoridade, que mescla influências setentistas com a modernidade do stoner, criou uma viagem intensa e poderosa, sustentada por uma base rítmica pulsante que mantinha todos em transe.
Às 03h10 foi a vez dos londrinos Inhuman Nature, que chegaram com a agressividade do crossover thrash e uma pegada crua que remetia diretamente ao thrash dos anos 80 combinado com a urgência do hardcore. Riffs rápidos, intensidade e pura fúria transformaram a madrugada num último mosh.
Apesar do horário tardio e do frio, muita gente permaneceu firme no recinto, entregando-se sem reservas até a última gota. Foram as últimas pitadas de caos perfeitas para fechar o Dia 1 do Sonic Blast Fest 2025 com chave de ouro, deixando todos já ansiosos pelo que ainda viria nos dias seguintes!


