Após dois dias de preparação em Wacken, o festival finalmente começou e foi um sucesso avassalador!

Iúri & Salman U. Syed – Bangalore Open Air / Wacken

O segundo dia foi marcado por desafios impostos pela natureza. A chuva castigou os acampamentos e as áreas dos palcos, transformando o terreno em um verdadeiro teste de resistência. Mesmo assim, os corajosos metaleiros permaneceram firmes, demonstrando sua paixão inabalável. Com determinação, não arredaram o pé, enfrentando o mau tempo e mantendo a energia vibrante que faz de Wacken um evento lendário.

World Metal Camp – Wacken

Nossa jornada pelo Wacken nos levou a um lugar especial: o World Metal Camp, o epicentro da comunidade latina no festival. Este acampamento não é apenas um espaço para montar barracas, mas sim um lar temporário onde a língua materna e as tradições se

Sashquita Northey – Wacken Metal Battle Sub-Saharan Africa E sua tatuagem do SEPULTURA

misturam ao som do metal.

Com uma tenda dedicada a shows e festas, o ambiente pulsa com energia. Mas o verdadeiro coração do lugar são as churrasqueiras, onde o churrasco comunitário une pessoas de diferentes países. Foi nesse ambiente acolhedor que conhecemos a equipe do Metal Battle, amigos da África do Sul, alemães e muitos outros, criando uma atmosfera multicultural maravilhosa que transcende qualquer barreira.

Além disso, com um pouco de tempo, foi possível aproveitar a área do Wacken United, um espaço especial onde reencontramos amigos da imprensa e compartilhamos experiências únicas. Nesse ponto de encontro, trocamos histórias, ideias e fortalecemos laços com amigos formidáveis, tornando o festival não apenas uma celebração da música, mas também da comunidade que o torna inesquecível.

Panchabhuta – W.E.T. Stage (Text and Photos by Mia)

Panchabhuta estreia no Wacken Open Air 2025 – Alemanha com fusão de música clássica indiana e progressive metal

Banda indiana apresenta conceito dos cinco elementos em show hipnótico de Vedic Metal

O Wacken Open Air já foi palco de inúmeras apresentações únicas, mas quando a Panchabhuta fez sua estreia, a sensação foi de que o festival havia cruzado para outro reino. O quinteto da Índia trouxe à vida o conceito do Pancha Bhuta — os cinco elementos Terra, Água, Fogo, Ar e Espaço — por meio de uma fusão hipnotizante de música clássica Hindustani e Carnática com progressive metal.

Desde as primeiras notas ressonantes do sarod, o ar pareceu mudar. O público, muitos deles experimentando o Vedic Metal pela primeira vez, foi conduzido a uma apresentação que foi tanto um ritual espiritual quanto um show de metal. Os tons terrosos do ghatam pulsavam pelo chão, enquanto guitarra e baixo traçavam linhas melódicas afiadas, e a bateria trovejava como uma monção de verão.

Cada elemento estava perfeitamente equilibrado, dando à música uma presença viva e respirante, que uniu técnica, emoção e espiritualidade em um espetáculo inesquecível no palco do Wacken.

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

Panchabhuta estreia no Wacken Open Air 2025 – Alemanha com fusão de música clássica indiana e progressive metal

Banda indiana apresenta conceito dos cinco elementos em show hipnótico de Vedic Metal

 

O Wacken Open Air já foi palco de inúmeras apresentações únicas, mas quando a Panchabhuta fez sua estreia, a sensação foi de que o festival havia cruzado para outro reino. O quinteto da Índia trouxe à vida o conceito do Pancha Bhuta — os cinco elementos Terra, Água, Fogo, Ar e Espaço — por meio de uma fusão hipnotizante de música clássica Hindustani e Carnática com progressive metal.

Desde as primeiras notas ressonantes do sarod, o ar pareceu mudar. O público, muitos deles experimentando o Vedic Metal pela primeira vez, foi conduzido a uma apresentação que foi tanto um ritual espiritual quanto um show de metal. Os tons terrosos do ghatam pulsavam pelo chão, enquanto guitarra e baixo traçavam linhas melódicas afiadas, e a bateria trovejava como uma monção de verão.

A exploração da Panchabhuta sobre o épico Mahabharata teve um ar quase cinematográfico. Entre as músicas, visuais imersivos iluminavam o palco, tecendo histórias de deuses, guerreiros e batalhas cósmicas. Era possível sentir a reverência na entrega. A banda não tocava apenas para o público; convidava todos para um espaço compartilhado, onde o mito ancestral encontrava o metal moderno.

Ao final do set, os aplausos não eram apenas pela habilidade técnica, mas pela profundidade e sinceridade do que havia sido testemunhado. A Panchabhuta deixou o palco do Wacken não apenas como músicos, mas como contadores de histórias, embaixadores culturais e prova viva de que o poder do metal em unir pessoas transcende idiomas e fronteiras.


Alpha – Headbangers Stage (Text and Photos by Mia)

Alpha detona groove metal avassalador no Wacken Open Air 2025 – Alemanha

Banda uruguaia entrega energia crua e performance de impacto

 

Diretamente de Montevidéu, Uruguai, a Alpha trouxe ao Wacken Open Air 2025 uma descarga de death groove metal crua e impossível de ignorar. Desde o momento em que subiram ao palco, a energia bateu como um trem de carga. Foi o tipo de apresentação que dá vontade de largar a câmera e se jogar direto no pit para dar dois passos junto com o resto da multidão.

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

Cada integrante da banda entrou em um groove implacável, mas foi o vocalista Pablo Costa quem roubou completamente a cena, sem ficar parado por mais de um segundo. Sua movimentação constante e ferocidade atraíram o público, e na metade do show, toda a plateia já headbangeava em uníssono. Os riffs de José Manuel Juarez e Bruno Rosa cortavam o ar com precisão, enquanto o baixo de Mauricio Loperena e a bateria de Rodrigo Cuadrado atingiam com peso de estremecer os ossos.

Ainda que a Alpha esteja construindo sua presença online, no palco ao vivo eles já soam como uma banda feita para estádios e grandes festivais.

 

Halvar – W:E:T Stage (Texto e fotos por Gus)

A atmosfera do segundo dia já estava carregada quando o W:E:T Stage — pequeno, mas explosivo — se incendiou com o estrondo do Halvar, banda de thrash metal vinda da Cidade do Cabo que venceu o Wacken Metal Battle e garantiu seu lugar no palco principal do festival.

Halvar - Wacken 2025
Photo credit: Gus C.

Eram cerca de 15h10 quando os amplificadores explodiram em riffs implacáveis: Halvar atacou sem aviso, como uma avalanche metálica. Seu som era fúria arquitetada, uma mistura avassaladora de precisão e caos, com bateria e baixo cimentando uma base impenetrável e guitarras lançando relâmpagos sonoros que reverberavam pelo chão enlameado do recinto.

Não havia fãs cantando letras conhecidas — a magia surgia da poderosa execução ao vivo. O público, inicialmente modesto, foi arrastado pelo vendaval sonoro, formando um mosh pit improvisado, uma tempestade viva onde suor, barro e adrenalina se misturavam em um só pulso.

Entre uma faixa e outra, via-se a banda rir cúmplice, dominando o palco com a energia de quem sabe estar vivendo um momento decisivo. Halvar dispensava recursos visuais

Halvar - Wacken 2025
Gus & Halvar

dramáticos: sua presença bastava, sua intensidade era contagiante.

Quando a última nota se dissipou, o público aplaudiu com fervor. Não houve cantos ou grandes ovações artificiais — apenas o fogo partilhado por quem testemunhou uma investida sonora sem concessões. Halvar se despediu como chegou: deixando para trás o eco de seus riffs, um rastro elétrico que ainda pulsava no ar.

 

 

Ugly Kid Joe – Louder Stage (Text and Photos by Mia)

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

Ugly Kid Joe agita o Wacken Open Air 2025 – Alemanha no Louder Stage

Banda californiana mistura hard rock e irreverência em apresentação eletrizante

A volta do Ugly Kid Joe ao Wacken Open Air foi uma mistura de volta triunfal e festa sem freios. Desde o momento em que a faixa de introdução se apagou e os primeiros acordes de Neighbor ecoaram pelo festival, a multidão avançou, atraída pela fusão irresistível de hard rock com irreverência descontraída. Este definitivamente não foi um show para ficar parado.

O vocalista Whitfield Crane dominou completamente o palco, alternando entre a grade frontal e a plataforma da bateria, encarando fãs olho no olho e lançando sorrisos cúmplices entre as linhas das músicas. Sua voz mantém a mesma potência de antes, alternando com fluidez entre gritos rasgados e refrões arrebatadores. A química com o resto da banda era evidente: Dave Fortman e Klaus Eichstadt trocaram riffs encorpados e solos afiados, enquanto o baixo de Cordell Crockett pulsava forte o suficiente para fazer o chão tremer.

O setlist agradou tanto aos fãs de longa data quanto aos novos ouvintes. Logo no início, Panhandlin’ Prince e Goddamn Devil fizeram o pit girar, enquanto No One Survives e Devil’s Paradise trouxeram um peso extra. Quando as primeiras notas de Cat’s in the Cradle ecoaram, milhares de vozes se juntaram em um dos maiores coros do festival até então. A cover de Motörhead, Ace of Spades, elevou a energia ao máximo, com cabeças balançando até o final do campo.

Durante toda a apresentação, a banda tocou com a leveza que só décadas de estrada proporcionam, mas sem jamais soar mecânica. Eles riram, improvisaram e claramente aproveitaram cada segundo de estar de volta ao Wacken. Ao final, com Everything About You, o público era um mar de sorrisos, suor e punhos erguidos, celebrando uma banda que nunca parou de se divertir enquanto entrega shows memoráveis.

 

Grave Digger – Harder Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Com o sol brilhando forte e o clima finalmente dando uma trégua às chuvas que marcaram o Wacken Open Air 2025, uma multidão vibrante se reuniu no palco Harder às 17h30 para prestigiar os veteranos do power metal alemão, Grave Digger. A banda, que é sinônimo de tradição e energia no heavy metal, entregou uma performance épica que honrou sua trajetória de mais de quatro décadas, reacendendo a chama dos fãs e provando, mais uma vez, por que segue como um dos pilares do gênero.

Check Pit Louder – Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

O Grave Digger subiu ao palco com a força de um exército medieval, comandado pelo carismático vocalista Chris Boltendahl, cuja presença magnética capturou a atenção de todos desde o primeiro acorde. O setlist foi uma celebração da rica discografia da banda, cuidadosamente montado para agradar tanto os fãs de longa data quanto os novos admiradores. A abertura com “Twilight of the Gods” e “The Grave Dancer” estabeleceu o tom, com riffs galopantes e refrãos épicos que transformaram o público em um coro unificado, cantando cada palavra com paixão. Hinos atemporais como “Valhalla” e “The Dark of the Sun” elevaram ainda mais a energia, com a plateia erguendo punhos e cantando em uníssono, como se estivesse em um campo de batalha mitológico.

A banda, formada por Chris Boltendahl (vocal), Axel Ritt (guitarra), Jens Becker (baixo), Marcus Kniep (bateria) e Tobias Kersting (guitarra), demonstrou um entrosamento impecável, executando cada música com precisão e uma vitalidade que desafia o tempo. O palco Harder, banhado pelo sol da tarde, parecia pequeno para conter a grandiosidade do som do Grave Digger, que mescla a essência do power metal com a crueza do heavy metal clássico.

O ponto alto do show veio no encerramento, com um momento que ficará gravado na memória dos presentes. A participação especial do ex-guitarrista Uwe Lulis, um nome icônico na história da banda, trouxe um toque de nostalgia e emoção. Lulis se juntou ao grupo para duas faixas épicas: “Excalibur” e “Rebellion (The Clans Are Marching)”. A energia no palco e na plateia atingiu níveis estratosféricos, com os riffs poderosos e os refrãos contagiantes de “Rebellion” ganhando ainda mais força com a presença de Jamiro Boltendahl, filho de Chris, que acrescentou um brilho especial ao momento. A multidão, em êxtase, cantava e pulava como se o próprio espírito dos clãs escoceses tivesse tomado o festival.

O grand finale veio com a explosiva “Heavy Metal Breakdown”, um hino que resume a essência do Grave Digger: puro, direto e inabalavelmente heavy metal. Quando os últimos acordes ecoaram, o público, exausto mas extasiado, aplaudiu fervorosamente, celebrando uma apresentação que foi ao mesmo tempo uma aula de história do metal e uma prova de vitalidade. O Grave Digger não apenas entregou um show memorável, mas reforçou seu status como uma lenda viva, capaz de unir gerações de headbangers sob o sol escaldante de Wacken. Para quem esteve lá, foi a confirmação de que o heavy metal, nas mãos do Grave Digger, continua mais vivo do que nunca.

BAP – Harder Stage (Text and Photos by Mia)

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

BAP emociona no Wacken Open Air 2025 – Alemanha
Lenda do rock alemão leva emoção, história e engajamento social ao festival

 

Quando o BAP subiu ao palco do Wacken Open Air, ficou claro que não se tratava apenas de mais um show de rock. Era um momento carregado de história, entregue por uma banda que faz parte do tecido musical alemão há quase cinco décadas. Liderados pelo membro fundador Wolfgang Niedecken, eles trouxeram o calor de Colônia, o peso de composições socialmente conscientes e uma conexão com o público que mais parecia uma memória compartilhada do que uma simples apresentação.

O show começou com Drei Wünsch frei, envolvendo o público na mistura característica de narrativa e melodia da banda. Mesmo para quem não fala Kölsch, a emoção na voz de Niedecken atravessava qualquer barreira linguística. Em seguida, vieram Nemm mich met e Ne schöne Jrooß, com fãs de longa data cantando cada palavra com uma devoção construída ao longo de décadas de música compartilhada.

Na metade do set, o clima mudou com Kristallnaach, que lançou uma sombra melancólica sobre o festival, com temas ainda tão relevantes quanto na época em que foi escrita. O público permaneceu atento, absorvido pela profundidade da canção. Quando Verdamp lang her começou, a energia se transformou novamente: Niedecken entregou seu monólogo sempre renovado com humor e sinceridade antes da banda entrar no refrão carregado de emoção. Foi um momento de pura conexão, equilibrando nostalgia e celebração.

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

BAP encerra apresentação com versatilidade no Wacken Open Air 2025 – Alemanha
Banda alemã mistura narrativa intimista e rock contagiante em show marcante.
A versatilidade da BAP brilhou na forma como equilibraram a narrativa intimista com um rock vibrante e envolvente.

Hurricane / Stell dir vüür e Waschsalon mantiveram a energia em alta, fazendo o público se agitar e cantar junto.

Na sequência, Alexandra, nit nur do e Frau, ich freu mich adicionaram toques de calor humano e bom humor, reforçando a conexão entre banda e fãs.

O bis com Jraaduss encerrou a noite em uma onda de aplausos e gritos que ecoaram muito depois do último acorde, deixando claro que o Wacken havia testemunhado um momento especial.


Macabre – W:E:T Stage  (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso
Fánaticos – Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Sob um céu carregado e um terreno transformado em um verdadeiro pântano, o Macabre, lendário trio de Chicago, subiu ao palco do Wacken Open Air 2025 para celebrar seus 40 anos de carreira com uma performance que foi, sem exagero, uma das mais insanas e memoráveis do festival. A multidão, composta por headbangers completamente possuídos pela energia do grindcore, transformou o espaço em um caos glorioso, com fãs pulando na lama, mergulhando no barro e, em um momento de pura loucura que só o Wacken pode proporcionar, alguns até se aventurando a “provar” o lamaçal — a hora do banho deles deve ter sido uma verdadeira batalha. O cenário era a perfeita tradução do espírito do Macabre: visceral, sujo e absurdamente divertido.

Conhecidos por seu grindcore brutal e letras macabras que exploram o universo dos serial killers, o trio formado por Corporate Death (vocais e guitarra), Nefarious (baixo) e Dennis the Menace (bateria) entregou um show que foi ao mesmo tempo uma aula de violência sonora e um espetáculo teatral. A presença de palco da banda era hipnotizante: com figuras icônicas, adereços sinistros e até armas de brinquedo brandidas com um humor negro característico, o Macabre criou uma atmosfera que oscilava entre o aterrorizante e o absurdamente divertido. Era como assistir a um filme de terror B com uma trilha sonora devastadora.

Fánaticos – Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

O setlist foi um massacre calculado, desenhado para não deixar sobreviventes. Clássicos como “Zodiac”, “Night Stalker” e “Serial Killer” explodiram nos alto-falantes, cada faixa recebida com uma erupção de energia da plateia. O público, completamente entregue, respondia com mosh pits caóticos, gritos ensurdecedores e uma devoção que parecia alimentar a fúria da banda. A combinação de blast beats frenéticos, riffs cortantes e os vocais guturais de Corporate Death, carregados de histórias mórbidas, transformou o show em uma experiência sensorial avassaladora.

Fánaticos – Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

O Macabre não apenas honrou sua reputação como um dos pilares do grindcore mundial, mas também elevou o caos do Wacken a um novo patamar. A performance foi uma celebração de sua trajetória de quatro décadas, marcada por uma entrega incansável e uma habilidade única de misturar brutalidade com um senso de humor peculiar. Quando o último acorde ecoou, o lamaçal diante do palco era testemunha do frenesi: botas perdidas, rostos cobertos de barro e sorrisos de quem sabia que tinha vivido algo épico. O Macabre deixou no Wacken 2025 uma marca de violência sonora, loucura e pura energia que os headbangers carregarão como uma medalha de honra por anos a vir.

 

Miracle of Sound – Wackinger Stage (Texto e fotos por Patricia)

No meio da tarde, o Palco Wackinger se preparava para algo diferente. Não era o típico show de heavy metal clássico que se esperaria em Wacken, mas o Miracle of Sound, projeto de Gavin Dunne, conquistou seu próprio nicho no universo do metal e do geek graças à sua música inspirada em videogames, filmes e cultura pop. Quando Gavin subiu ao palco, a reação do público foi imediata: aplausos calorosos, quase como uma recepção familiar.

Miracle of Sound stage
Photo by Olaf Malzahn – WOA Festival GmbH

Desde os primeiros acordes, ficou claro que este não seria um show convencional — era um encontro entre músico e comunidade. O repertório foi uma celebração de suas obras mais queridas e de sua origem irlandesa, com a colaboração de Stephanie Pracht, também conhecida como Johanna von der Vögelweide, violinista do Feuerschwanz, que se apresentou com diversas músicas, sendo a primeira “Grainne Mhaol“, uma canção pirata irlandesa que fez o público pular e cantar com grande entusiasmo; Sirona” fez o público aplaudir ao ritmo da música com um ótimo solo de violino de Johanna. Em seguida, algumas músicas de videogame, como “Hell to pay“, baseada na franquia de videogame “Doom“.

Finalmente, chegou a vez da aguardada música “Valhalla Calling“, originalmente criada pela Miracle of Sound e regravada por muitos artistas como Saltatio Mortis e Peyton Parrish, mas nunca antes tocada ao vivo em um festival pelo autor original. Essa música transformou o público em um canto viking coletivo, com todo o público batendo os pés ao ritmo dos tambores, e o fogo da apresentação inflando os ânimos. Ciente de que essa faixa se tornou um hino moderno, Gavin a interpretou com uma mistura de honra e orgulho.

Infelizmente, o show teve que ser um pouco mais curto, mas Gavin não se esqueceu de agradecer ao público pelo apoio incondicional que o trouxe, das costas da Irlanda até Wacken.

 

Michael Schenker – Faster Stage (Texto e fotos por Gus)

A tarde começava a ceder e o céu dissipava seu cinza para dar lugar a um crepúsculo imponente. Na Faster Stage, as luzes criaram a penumbra perfeita quando Michael Schenker surgiu entre fumaça suave e um silêncio reverente. A primeira nota de Into the Arena explodiu com uma clareza que fez vibrar cada parafuso do palco. Sua icônica Flying V, branca como uma chama fria, tornou-se a extensão de seu braço, desenhando cada solo com precisão e paixão.

Michael Schenker - Wacken 2025
Photo credit: Gus C.

Schenker revisitou clássicos indiscutíveis: Doctor Doctor e Lights Out fizeram o barro tremer sob milhares de botas, enquanto Armed and Ready e Rock Bottom uniram gerações em um grito de pura devoção ao hard rock. No momento de Only You Can Rock Me, convidou o público a cantar — e o resultado foi um coro massivo e espontâneo tão poderoso que ele, com humildade, baixou o volume apenas para ouvir a força daquele instante.

Então, como retirado de uma lenda, apareceu Slash. O guitarrista do Guns N’ Roses juntou-se a Schenker para interpretar Mother Mary, clássico do repertório do UFO. Cada riff encontrou seu contraponto perfeito: Slash, com sua Gibson Les Paul,

Michael Schenker & Slash - Wacken 2025
Photo credit: Patt C.

exibiu seu característico fraseado pentatônico e uso do wah pedal; Schenker, ao fundo, sorria como quem compartilha um momento divino com um colega. Foi, nas palavras de um emocionado Erik Grönwall, “duas lendas lá em cima, p*rra”.

E quando parecia impossível superar, Schenker encerrou o show com um crescendo de virtuosismo em Rock You to the Ground, estendendo os solos até o limite do hipnótico. O público respondeu com assobios entusiasmados e aplausos prolongados. Ao erguer sua guitarra sobre a cabeça no último acorde, ficou claro: havíamos presenciado a elevação de um mestre, um encontro de lendas e um capricho sonoro gravado para sempre no barro e na memória de Wacken.

 

Hellbutcher – Headbangers Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Enquanto o crepúsculo tingia o céu de vermelho, o Hellbutcher subiu ao Headbangers Stage sob uma onda de gritos que parecia rasgar o ar. O Wacken, já fervendo com a energia acumulada de dias de festival, alcançou um novo patamar de euforia com a chegada desses titãs do black metal. A expectativa era palpável: cada fã na multidão, com rostos pintados e olhos brilhando de antecipação, sabia que estava prestes a testemunhar algo épico. E o Hellbutcher não decepcionou — eles entregaram um espetáculo que foi ao mesmo tempo uma celebração do black metal e uma declaração de guerra contra qualquer noção de suavidade.

Visualmente, a banda era a personificação do gênero. Maquiagens elaboradas, com traços que evocavam demônios e guerreiros de eras esquecidas, combinavam com uma presença de palco que exsudava autoridade. Cada movimento do vocalista parecia carregado de uma energia quase sobrenatural, como se ele canalizasse as forças das trevas diretamente para a plateia. Sonoramente, o show foi uma tempestade implacável. O Hellbutcher trouxe um setlist que era puro veneno, com hinos como The Sword of Wrath, que cortava como uma lâmina, e Violent Destruction, que parecia feita para destruir qualquer resquício de calma na multidão. Quando Possessed by the Devil’s Flames ecoou, a plateia respondeu com um rugido coletivo, como se estivesse possuída pela mesma chama demoníaca que a música invocava.

O ponto alto, porém, veio com as homenagens aos gigantes do metal. O cover de Losfer Words (Big ‘Orra), do Iron Maiden, foi uma surpresa que fez a multidão vibrar com nostalgia e respeito, enquanto Black Metal, do Venom, foi executado com uma ferocidade que honrou o legado dos pioneiros do gênero. Cada nota era uma prova do domínio técnico da banda, mas também de sua paixão crua pelo black metal. Não havia espaço para meios-termos: o Hellbutcher veio para dominar, e a plateia se rendeu completamente, entregando-se a mosh pits frenéticos e cânticos que ecoavam como hinos de rebelião.

Quando o último acorde ressoou, o palco parecia pulsar com a energia deixada pela banda e pela multidão. O Hellbutcher não apenas tocou no Wacken — eles o reivindicaram como seu território, deixando uma marca indelével na história do festival. Foi uma noite de puro black metal, onde a escuridão e a fúria se encontraram em perfeita harmonia, e os fãs saíram do show sabendo que haviam testemunhado algo que ecoaria em suas almas por anos.

Estrada Interna Backstage – Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

 Static-X – W:E:T Stage (Text and Photos by Mia)

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

Static-X explode no Wacken Open Air 2025 – Alemanha
Banda americana mistura industrial metal e energia implacável em show eletrizante

Quando Static-X subiu ao palco do Wacken Open Air 2025, o ar mudou instantaneamente. O rugido da plateia encontrou uma parede sonora quando a banda iniciou com Bled for Days, definindo o tom de um set de pura agressão industrial e energia implacável. A figura mascarada de Xer0 dominou o palco com presença marcante, canalizando o espírito do saudoso Wayne Static e tornando a performance única.

Do clássico Wisconsin Death Trip até Cannibal, a banda percorreu um setlist que atravessou sua carreira, mantendo fãs antigos e novos em uma massa de headbanging sincronizado. O baixo de Tony Campos fazia o chão tremer a cada nota, a bateria de Ken Jay soava precisa e punidora, enquanto os riffs e a programação de Koichi Fukada conferiam à música seu pulsar mecânico característico. O som era pesado e exato, mas carregava um groove contagiante que manteve o pit em constante movimento.

Momentos como Love Dump e Otsegolation lembraram o público do status cult do debut da banda, enquanto faixas mais recentes como Terminator Oscillator e Z0mbie mostraram que a banda não se contenta em viver apenas do passado. Cada música foi executada com precisão cirúrgica, mas com uma crueza que fez as versões ao vivo soarem ainda mais perigosas do que as gravadas.

 

 Krisiun – Louder Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Às 20h30, quando o sol já havia se posto e o W:E:T Stage do Wacken Open Air pulsava com uma energia quase sobrenatural, o Krisiun, a maior força do death metal sul-americano e um titã absoluto no cenário global, subiu ao palco e desencadeou uma tempestade sonora que abalou as fundações do festival. O espaço, já tomado por uma multidão fervorosa, tornou-se pequeno diante da avalanche de fãs que correu para o local assim que os primeiros acordes rasgaram o ar. Era como se o chamado do trio gaúcho fosse irresistível, uma convocação para todos aqueles que vivem pela brutalidade e pela paixão do metal extremo.

O Krisiun não apenas tocou — eles devastaram. Com uma energia que parecia desafiar as leis da física, o trio formado pelos irmãos Alex Camargo, Max Kolesne e Moyses Kolesne transformou o palco em um campo de batalha onde cada riff era uma explosão e cada batida, um terremoto. O setlist foi uma verdadeira aula de death metal, um desfile de hinos que marcaram a história do gênero. Kings of Killing abriu os portões do inferno com sua fúria implacável, enquanto Ravager incendiou a multidão com sua velocidade avassaladora. Quando Scourge of the Enthroned ecoou, a plateia entrou em transe, com mosh pits girando como tornados e punhos erguidos em uníssono, como se todos ali fossem guerreiros em uma cruzada sonora. Bandeiras do Brasil, orgulhosamente tremulando ao lado de estandartes de outros países com o nome do Krisiun estampado, pintavam o cenário com um senso de união e devoção que só o metal pode criar.

Público em delírio | Krisiun – Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Cada membro do Krisiun brilhou com uma intensidade própria, mostrando por que são reverenciados como mestres do gênero. Max Kolesne, atrás da bateria, era uma máquina de precisão e caos, suas baquetas ditando o ritmo como um general comanda um exército. Moyses Kolesne entregava riffs cortantes que pareciam capazes de partir o céu ao meio, enquanto Alex Camargo, com seu vocal gutural e presença magnética, comandava a multidão como um profeta do apocalipse. Os solos individuais foram momentos de pura catarse, com a plateia hipnotizada, gritando e aplaudindo como se quisesse eternizar cada nota. Era impossível não sentir a pele arrepiar diante de tamanha demonstração de técnica e alma.

O ápice veio com Conquerors of Armageddon e Messiah Abomination, que fecharam o show em uma explosão de energia que parecia sacudir o próprio planeta. Cada música era mais que um som — era uma experiência, um mergulho profundo na essência do death metal, onde a brutalidade se mistura com uma estranha beleza. A multidão, exausta mas extasiada, cantava junto, batia cabeça e se entregava ao caos com uma paixão que transcendia barreiras de idioma ou nacionalidade. Quando o último acorde ressoou, o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor, como se o mundo precisasse de um momento para processar o que acabara de testemunhar.

O Krisiun não apenas tocou no Wacken — eles reivindicaram o palco como seu, deixando uma marca que ecoará por anos nos corações dos headbangers. Foi uma noite de glória para o metal brasileiro, uma prova viva de que o trio gaúcho é, sem sombra de dúvida, uma das maiores forças do metal extremo mundial. A multidão deixou o W:E:T Stage com os olhos brilhando e as vozes roucas, sabendo que havia vivido algo que contaria para as próximas gerações de fãs do metal.

 

 Guns N’ Roses – Harder Stage (Texto por Gus)

O segundo dia do festival encerrava com o maior nome do cartaz. O barro, o frio e as horas em pé não afastaram ninguém: diante da Harder Stage, dezenas de milhares de pessoas aguardavam para viver um momento histórico. As luzes se apagaram, os refletores cortaram o céu e, com o rugido de Welcome to the Jungle, o Guns N’ Roses entrou em cena.

Guns N' Roses - Wacken 2025
Credit and Copyright: Guns N’ Roses

Musicalmente, a banda soava afiada. Slash, impecável, disparava riffs como lâminas; Duff McKagan mantinha uma base sólida, e Richard Fortus reforçava cada acorde. No entanto, a entrada de Axl Rose deixou claro que este show seria uma experiência agridoce: sua voz, distante da potência e elasticidade de outrora, soava forçada — ora áspera, ora claramente estrangulada. As notas altas vinham com esforço visível, por vezes substituídas por gritos roucos que não se encaixavam na melodia original.

Em It’s So Easy e Mr. Brownstone, o problema se disfarçava melhor graças ao fraseado mais grave e ao apoio instrumental, mas em Live and Let Die e Estranged os desajustes tornaram-se impossíveis de ignorar. Em alguns trechos, o timbre quebrava ou ficava desalinhado em relação à banda, provocando olhares desconfortáveis em parte do público. A sensação era clara: não se tratava de uma releitura intencional, e sim de uma batalha perdida contra as canções que ele próprio eternizou.

A escolha de Chinese Democracy e Double Talkin’ Jive trouxe um alívio parcial: Axl parecia mais à vontade nos registros médios, e a seção instrumental — especialmente o duelo de guitarras entre Slash e Fortus — fez o público esquecer momentaneamente os problemas vocais. Mas o efeito foi efêmero.

November Rain, um dos momentos mais aguardados, revelou um contraste desconfortável: a imagem de Axl ao piano sob a garoa era icônica, mas a interpretação não alcançou a grandiosidade da música. O público, ciente disso, assumiu o papel de sustento emocional, cantando os refrães a plenos pulmões para manter viva a magia.

Na reta final, com Sweet Child O’ Mine, Knockin’ on Heaven’s Door, Nightrain e Paradise City, o espetáculo visual foi grandioso — confetes, fogos de artifício, um palco em chamas de luz —, mas a voz de Axl voltou a oscilar em vários momentos, deixando que fosse a multidão a carregar o peso das canções. A banda soava perfeita, mas havia um abismo evidente entre a execução instrumental e a performance vocal.

Quando o show terminou, a reação do público foi uma mistura de entusiasmo por ter visto uma lenda e um suspiro de alívio por a experiência ter chegado ao fim. Muitos concordavam: a energia e a entrega da banda foram indiscutíveis, mas ouvir Axl neste estado foi doloroso em mais de um momento. O mito permanece, mas sua voz, infelizmente, já não.

Ministry – Louder Stage (Text and Photos by Mia)

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

Ministry entrega industrial metal intenso no Wacken Open Air 2025 – Alemanha
Banda americana de Al Jourgensen mantém público em êxtase do início ao fim

O set do Ministry no Wacken Open Air 2025 foi eletrizante do começo ao fim, mostrando mais uma vez por que a banda de Al Jourgensen é um pilar do industrial metal. Mesmo dividindo o festival com headliners como Guns N’ Roses, o público se aglomerou em frente ao palco, totalmente envolvido e alimentando-se da energia incessante que emanava da apresentação.

Abrindo com Thieves, a banda estabeleceu imediatamente um clima feroz, com ritmos pesados e camadas abrasivas de sintetizadores que apenas o Ministry consegue entregar. Faixas como The Missing e Deity exploraram o lado mais sombrio e pesado da banda, puxando o público para um mundo onde agressão e melodia colidem perfeitamente.

O setlist foi uma viagem intensa pelo material mais icônico do Ministry. Músicas como Rio Grande Blood e LiesLiesLies elevaram a intensidade, enquanto favoritos dos fãs, como Just One Fix e Jesus Built My Hotrod, enlouqueceram a plateia. O groove incessante de N.W.O. e a força crua de Burning Inside mantiveram a energia alta e o pit em frenesi durante todo o show.

A presença de Al Jourgensen foi magnética como sempre. Ele comandou o palco com uma mistura de autoridade e carisma áspero, sua voz cortando as densas camadas sonoras. A química da banda e a precisão musical fizeram cada momento soar urgente e vivo, tornando o set inesquecível.


 Benediction – Headbangers Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Quando o Benediction, uma das lendas vivas do death metal britânico, subiu ao Headbangers Stage do Wacken Open Air, o ar parecia carregado de uma eletricidade nostálgica, como se o próprio espírito do death metal old school tivesse se materializado. A multidão, ainda com o coração acelerado e os ossos vibrando após a demolição sonora do Krisiun, poderia estar exausta, mas bastaram os primeiros riffs para que todos se rendessem à força bruta e à aura clássica do quinteto de Birmingham. Foi uma noite de reverência, um mergulho profundo nas raízes do gênero, onde cada nota parecia carregar décadas de história e paixão pelo metal extremo.

O Benediction não veio para brincar. Com uma precisão cirúrgica e uma energia que desafiava a passagem do tempo, a banda entregou um setlist que era uma verdadeira carta de amor ao death metal dos anos 90. Scriptures in Scarlet abriu o show como um soco no estômago, com seus riffs pesados e vocais guturais que evocavam a essência crua do gênero. Stormcrow veio em seguida, incendiando a plateia com sua mistura de peso e melodia sombria, enquanto Vision in the Shroud transformou o palco em um portal para um passado glorioso, onde o death metal reinava com sua intensidade implacável. A multidão respondeu com mosh pits furiosos, cabeças balançando em uníssono e gritos que ecoavam como hinos de guerra, provando que a chama do old school ainda arde forte.

O momento mais emocionante da noite veio com a dedicatória de Artefacted Irreligion/Subconscious Terror a Ozzy Osbourne, uma lenda viva do heavy metal. O vocalista Dave Ingram, com sua presença imponente e voz que parecia rasgar o véu entre o humano e o sobrenatural, fez questão de erguer um brinde ao Madman, arrancando aplausos ensurdecedores da plateia. Era mais que uma homenagem; era um reconhecimento de que o metal, em todas as suas formas, é uma corrente viva, conectando gerações e unindo corações sob o mesmo estandarte de rebeldia e paixão.

A banda estava em sintonia perfeita, com cada membro trazendo sua própria magia ao palco. Os riffs de Darren Brookes e Peter Rew cortavam como lâminas, enquanto a base rítmica de Dan Bate e Gio Durst pulsava com uma força quase palpável. A performance era ao mesmo tempo feroz e cativante, com a banda alternando momentos de pura agressividade com passagens que convidavam a plateia a se perder na atmosfera sombria de suas composições. Quando Engines of War explodiu como um tanque em plena batalha, a multidão entrou em êxtase, cantando cada palavra como se fosse um juramento. O encerramento com The Grotesque e Il Barone Rosso foi a cereja do bolo, um final épico que deixou a plateia extasiada, com os punhos erguidos e as vozes roucas de tanto gritar.

O Benediction não apenas tocou no Wacken — eles reivindicaram seu lugar como guardiões do death metal clássico, provando que a chama do gênero continua viva e pulsante. A multidão deixou o Headbangers Stage com um misto de euforia e reverência, sabendo que havia testemunhado uma aula de história do metal, ministrada por mestres que ainda têm muito a ensinar. Foi uma noite para celebrar o passado, viver o presente e acreditar no futuro do death metal, com o Benediction como seus inabaláveis porta-estandartes.

1349 – W:E:T Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Às 23h, quando a noite abraçou o Wacken Open Air com sua escuridão densa, o W:E:T Stage tornou-se o epicentro de um ritual profano com a chegada do 1349, um dos pilares do black metal norueguês. O nome da banda, uma homenagem ao ano de 1349, quando a Peste Negra devastou a Europa, já prenunciava o que estava por vir: uma tempestade de som e fúria, impregnada de morte, desespero e um ocultismo que parecia rastejar das profundezas. A multidão, reunida sob o céu estrelado, não estava ali apenas para assistir — eles vieram para se entregar a uma experiência que transcende o mero entretenimento, um mergulho na essência mais crua e sombria do black metal.

Quando o 1349 subiu ao palco, o ar pareceu ficar mais pesado. A banda, liderada pela presença magnética e aterrorizante de Ravn, transformou o W:E:T Stage em um caldeirão de caos primordial. O som era uma força da natureza, com riffs gélidos de Archaon cortando como lâminas de gelo, a bateria avassaladora de Frost detonando como trovões em uma tempestade infernal e a base rítmica de Seidemann sustentando a atmosfera opressiva com precisão demoníaca. O setlist foi uma jornada implacável, sem pausas para respirar, como se a banda estivesse determinada a arrastar a plateia para as profundezas do abismo. Hinos como Ash of Ages abriram o show com uma ferocidade que fez o chão tremer, enquanto Slaves incendiou a multidão com sua urgência brutal. Through Eyes of Stone, com sua aura quase ritualística, envolveu o público em um transe sombrio, com punhos erguidos e gritos que pareciam invocar algo além do humano.

A performance do 1349 não era apenas técnica — era espiritual. Cada nota, cada berro, cada batida parecia carregada de uma energia ancestral, como se a banda canalizasse os horrores de séculos passados. A plateia, hipnotizada, respondia com uma devoção febril, formando mosh pits que pareciam danças de guerra e cantando letras que ecoavam como maldições. Rostos pintados de corpse paint brilhavam sob as luzes do palco, refletindo a conexão visceral entre a banda e seus seguidores. Era mais que um show; era uma comunhão, um momento em que o black metal se tornava uma força viva, respirando através de cada alma presente.

O clímax veio com Abyssos Antithesis, uma explosão de caos controlado que parecia desafiar a própria ordem do universo. A música, com sua intensidade esmagadora, levou a multidão a um estado de êxtase primal, onde o tempo parecia suspenso e só restava a pura catarse do black metal. Quando o último acorde reverberou, a sensação era de que algo monumental havia acontecido — como se o 1349 tivesse aberto uma fenda para outro mundo e convidado todos a olhar dentro dela. A multidão, exausta mas eletrizada, aplaudia e gritava, com rostos marcados por suor, poeira e uma satisfação quase selvagem.

O 1349 deixou o W:E:T Stage como conquistadores, reafirmando sua posição como um dos nomes mais ferozes e autênticos da cena black metal mundial. Foi uma noite de pura escuridão, onde a música se tornou um portal para o desconhecido, e os fãs saíram do show com a alma marcada por uma experiência que jamais esquecerão. O 1349 não apenas tocou no Wacken — eles o possuíram, deixando um legado de fúria e reverência que ecoará por gerações.

Assistentes – Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso
Facebook - Comente, participe. Lembre-se você é responsável pelo que diz.