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Team C.E.P – Left to Right – Mia – Patricia – Gus – Iúri (CEO)
O início das celebrações.
Minha segunda experiência no Wacken Open Air , em 2025, foi uma verdadeira montanha-russa de emoções, um teste de resistência e paixão que só quem já pisou naquele terreno sagrado do metal pode entender. Se em 2024 o festival me acolheu com uma organização impecável e um clima surpreendentemente clemente, com pouca chuva, este ano decidiu nos desafiar com um dilúvio que transformou o campo de Wacken , na Alemanha , em um mar de lama e memórias inesquecíveis. Chegamos no dia 28 de julho sob um sol tímido, que parecia zombar da tempestade que havia castigado a região na véspera. Para nossa surpresa, o terreno ainda estava em condições razoáveis, sem os temidos atoleiros que costumam marcar o festival. Diferentemente do ano anterior, o acesso ao acampamento foi mais fluido, e a ausência de cobrança pelo shuttle bus do festival foi um alívio para os bolsos dos festivaleiros. Um pequeno gesto que fez toda a diferença, especialmente para quem carregava o peso de malas, barracas e expectativas.
O clima de antecipação já tomava conta do local. Era evidente que boa parte do público havia chegado no domingo, ansiosa para explorar as áreas do festival antes mesmo do início oficial dos shows, na quarta-feira. O Wacken não é apenas sobre música; é uma celebração da comunidade metal, com suas barraquinhas de merchandising, áreas de convivência e aquele sentimento coletivo de pertencimento que faz você se sentir em casa, mesmo estando a milhares de quilômetros dela.
Este ano, nossa equipe de cobertura era maior: éramos quatro, munidos de câmeras, cadernos e uma determinação incansável de registrar cada momento. Já publicamos alguns vídeos nas nossas redes sociais, capturando a energia visceral dos shows e a vibração única do público. Nos próximos dias, crónicas detalhadas vão trazer ainda mais histórias, desde os bastidores até as conversas com outros fãs enlameados, mas radiantes.
Porém, nem tudo foi perfeito. Uma lição dura veio com a chuva incessante que marcou boa parte do festival. No último dia, ao desmontar o acampamento, percebi que minha barraca, sem uma lona adequada para protegê-la, havia se tornado uma vítima do aguaceiro. Encharcada e praticamente inutilizável, precisei abandoná-la ali, algo que nunca tinha feito com um equipamento em perfeito estado. Foi um momento de frustração, mas também de aprendizado: para 2026, já tenho um plano B bem traçado, com lonas reforçadas e estratégias para enfrentar o clima imprevisível do norte da Alemanha.
O barro, claro, é uma instituição no Wacken . Ele não é apenas um obstáculo; é quase um rito de passagem. Mas, em 2025, ele pareceu particularmente implacável. Ouvi histórias de botas que literalmente desintegraram, com solas se descolando e deixando seus donos descalços em meio à lama pegajosa. O acesso às entradas e saídas do festival, especialmente nas áreas de camping, virou um desafio à parte. Carregar malas pesadas por aquele terreno escorregadio exigiu paciência e força física. Talvez seja hora de a organização investir em melhorias, como passarelas ou reforço no solo dessas áreas mais críticas. Não se trata de tirar o charme caótico do Wacken , mas de facilitar a vida de quem já enfrenta longas jornadas para estar ali.
Ainda assim, nenhum contratempo foi capaz de apagar o brilho do festival. A energia do público, que cantava e vibrava sob chuva ou sol, era contagiante. As bandas, como sempre, entregaram performances avassaladoras, com palcos que pareciam desafiar as leis da física e da meteorologia. A estrutura do evento, mesmo com os desafios climáticos, continua sendo um exemplo de organização para festivais de grande porte. O Wacken não é apenas um evento; é uma experiência que mistura êxtase, cansaço, união e, claro, um pouco de sofrimento — tudo isso embrulhado em uma aura de celebração que faz cada segundo valer a pena.
Quando o último acorde ecoou e as luzes dos palcos começaram a se apagar, já sentia aquela mistura agridoce de exaustão e saudade. O Wacken 2025 foi desafiador, lamacento e, acima de tudo, épico. Enquanto arrumava minhas coisas para partir, com a promessa de voltar mais preparado no próximo ano, uma certeza já pulsava: a contagem regressiva para 2026 começa assim que você cruza os portões de saída, com o coração cheio e os pés, inevitavelmente, cobertos de lama.
OS SHOWS
Vhill – W.E.T. Stage (Texto e Fotos por Mia)
Vhill abre as batalhas de metal no Wacken Open Air 2025 – Alemanha
Banda venezuelana entrega show poderoso na competição Metal Battle mesmo sob chuva
A Vhill foi a primeira de muitas bandas a subir ao palco na Metal Battle do Wacken Open Air 2025, na Alemanha. Representando o death metal da Venezuela, a banda entregou uma performance excepcional, carregada de energia e entrega total.
Mesmo com a chuva constante — praticamente o tema do ano no festival —, o grupo conseguiu reunir um público expressivo, com destaque para fãs vindos da América Latina, que se posicionaram na grade prontos para apoiar e cantar junto.
No repertório, as duas músicas já lançadas pelo grupo: “Extinctión” e o single de 2025, “Descendente”. Ambas mostraram a potência sonora e a identidade pesada da banda, que mesmo sem figurar entre as cinco primeiras colocadas da competição, deixou claro que é um nome a ser observado com atenção.
O carisma no palco e a conexão com o público reforçam que a Vhill tem um caminho promissor no cenário do metal extremo, e a participação no Wacken certamente abrirá novas portas para o seu futuro.
O céu de Wacken amanheceu encoberto, com nuvens que pareciam prometer uma chuva eterna. O barro já cobria boa parte do recinto quando, no início da tarde, um murmúrio começou a percorrer a área da Louder Stage. As telas laterais se acenderam, a música ambiente foi interrompida e, entre um mar de jaquetas pretas e botas encharcadas, ecoou o rugido inicial: Enemy Inside acabava de pisar no palco.
Nastassja Giulia surgiu entre luzes frias, envolta em uma mistura de elegância sombria e determinação feroz. Assim que soaram os primeiros acordes de Venom, a multidão, ainda se livrando da umidade do dia, se entregou por completo. A voz de Nastassja, limpa e cortante, se projetava sobre uma base instrumental poderosa, com Evan K e Dave Hadarik lançando riffs afiados que pareciam cortar o ar úmido, enquanto Dominik Stotzem e Hanno Kerstan marcavam um ritmo implacável.
O setlist não deu descanso. Should Have Known Better e Sayonara chegaram como rajadas de energia, embebidas de uma melancolia elétrica que fazia cabeças balançarem e punhos se erguerem em uníssono. Quando começou Angel’s Suicide, uma leve garoa começou a cair, como se o céu acompanhasse a carga emocional da música. O público, longe de se dispersar, cantou cada palavra, e por um instante o barro sob os pés deixou de importar.
Photo by Kristina Malzahn – WOA Festival GmbH
Em In My Blood e Crystallize, a intensidade se transformou em intimidade. As luzes azuladas cobriram o palco e as guitarras se entrelaçaram em melodias que pareciam flutuar sobre a multidão. Foi um momento de calma antes da tempestade que viria com Alien e Innocent. Nesta última, a interpretação foi tão crua e direta que se podia sentir a tensão emocional no ar. Os coros do público se misturavam à voz principal, criando um eco coletivo que reverberava entre os palcos vizinhos.
O clímax veio com Phoenix. A música, com sua aura de renascimento e força, foi o encerramento perfeito. O último refrão se transformou em um cântico multitudinário, enquanto Nastassja, com um sorriso contido, olhava para um público que continuava a cantar mesmo depois da última nota. Sob um céu cinzento, encharcados de chuva e barro, banda e fãs pareciam entender que aquela hora não havia sido apenas um show: foi um ritual de libertação, uma batalha vencida contra o inimigo interno.
Tabernis – Wackinger Stage (Texto e Fotos por Mia)
Tabernis leva performance surreal ao Wackinger Stage no Wacken Open Air 2025 – Alemanha
Duo enigmático transforma apicultura em experiência musical única e hipnotiza o público
A Tabernis é uma banda que parece ter saído de um verdadeiro sonho febril. Eles próprios se definem como um “duo enigmático de apicultores que transforma a arte da apicultura em uma experiência musical única” — e, de fato, é algo singular.
Durante o Wacken Open Air 2025, na Alemanha, o grupo se apresentou várias vezes, mas tive a sorte de assisti-los logo no primeiro dia, no Wackinger Stage. Desde os primeiros acordes, a plateia já estava colada na grade, demonstrando verdadeira paixão pela música da dupla.
O som é sombrio e inquietante, mas ao mesmo tempo altamente atmosférico. A dupla surge com objetos semelhantes a cestos sobre o rosto — um empunhando um bumbo e o outro, uma gaita de fole. A música conduz por um caminho quase ritualístico, uma jornada de harmonia e sensações, que capturou por completo a atenção e a emoção do público presente.
ELNUEVEONCE – W.E.T. Stage (Text And Photos By Mia)
El Nueve Once conquista o 4º lugar na Metal Battle do Wacken Open Air 2025 – Alemanha
Banda argentina de post-hardcore incendeia o público com energia e mosh pit eletrizante
A El Nueve Once foi mais uma das bandas a disputar a Metal Battle no Wacken Open Air 2025, na Alemanha. Formada em 2019 na Argentina e com um som voltado para o post-hardcore, o grupo garantiu a 4ª colocação geral na competição, um feito marcante diante de tantas apresentações de alto nível.
Dizer que o público estava animado é pouco. Antes mesmo de a banda subir ao palco, os fãs já gritavam e vibravam, demonstrando apoio tanto à El Nueve Once quanto à Argentina. Quando o show começou, a energia explodiu, impulsionada por um mosh pit de tamanho considerável, criando uma atmosfera eletrizante que tomou conta de todo o set.
Com presença de palco intensa e uma interação calorosa com os fãs, a El Nueve Once deixou sua marca no festival e reforçou o nome da Argentina na cena do metal e hardcore mundial.
O THUS, banda dinamarquesa de Aarhus, marcou presença no Wacken Open Air 2025 com uma performance arrebatadora que elevou ainda mais sua reputação no cenário do melodic e progressive death metal. Subindo ao Headbangers Stage às 14h45, diante de um público de tamanho médio para o horário, o grupo não apenas atendeu às expectativas, mas as superou, entregando um show vibrante e memorável que ecoou entre os fãs presentes.
A energia contagiante do THUS transformou a tarde em um momento de pura intensidade. Desde os primeiros acordes, a banda demonstrou um domínio impressionante do palco, conectando-se com a plateia de forma visceral. O setlist foi cuidadosamente elaborado, equilibrando riffs pesados e agressivos com harmonias melódicas e passagens progressivas que destacaram a sofisticação de sua música. A resposta do público foi imediata: headbanging sincronizado, gritos de empolgação e uma energia coletiva que comprovou o poder de conexão das composições do THUS com os amantes do metal.
Destaque para a execução impecável de faixas como Inhale the Ash e Pacify the Parasite, que exibiram a precisão técnica e o talento dos músicos. Essas canções, com suas camadas de complexidade e impacto emocional, brilharam ao vivo, mostrando por que o THUS vem ganhando cada vez mais espaço no gênero. Outras faixas, como Spit From the Ceiling e Incorporeal, reforçaram a versatilidade da banda, transitando com naturalidade entre momentos de peso avassalador e melodias cativantes que ficam na memória.
O ápice do show veio com as poderosas Deadweight e Graveyard of Empires, que encerraram a apresentação em um crescendo de energia e emoção. A plateia, completamente envolvida, respondeu com entusiasmo ensurdecedor, deixando claro que o THUS não apenas conquistou novos fãs, mas também consolidou seu nome como uma força promissora no metal contemporâneo.
Foi uma performance marcante, que reforçou o potencial da banda e deixou no ar a certeza de que eles são um nome para acompanhar de perto nos próximos anos. O Wacken, mais uma vez, foi o palco perfeito para o THUS mostrar ao mundo do que é capaz.
Se em 2024 o festival me acolheu com uma organização impecável e um clima surpreendentemente clemente… este ano decidiu nos desafiar com um dilúvio que transformou o campo de Wacken… em um mar de lama e memórias inesquecíveis
Lita Ford – Louder Stage (Texto por Gus)
A chuva deu uma breve trégua quando a Louder Stage se preparava para receber uma verdadeira lenda. Enquanto os técnicos faziam os últimos ajustes, era possível ver ao longe a silhueta inconfundível de Lita Ford afinando sua guitarra, como quem quer garantir que cada nota atravessaria as nuvens de Wacken. O público — uma mistura de veteranos curtidos em mil shows e jovens curiosos para ver uma pioneira do hard rock — se apertava perto das grades.
As primeiras notas de Gotta Let Go explodiram com força e, de imediato, ficou claro que não haveria meios-termos: Lita veio lembrar por que seu nome está escrito com letras douradas na história do rock. Sua guitarra soava afiada, com aquele tom oitentista que transporta para outra época, enquanto sua voz, carregada de caráter, desafiava o vento que batia no palco.
Em Larger Than Life e Relentless, a banda funcionou com precisão milimétrica, e Lita, sorridente, percorria o palco com passos firmes, alternando solos vertiginosos e olhares cúmplices para a primeira fila. A conexão com o público só cresceu, até chegar The Bitch Is Back — uma declaração de intenções que detonou gritos e aplausos.
O momento mais nostálgico veio com Cherry Bomb, quando vários fãs levantaram camisetas das The Runaways em homenagem. Lita não perdeu a chance de brincar: “Algumas músicas são como uísque bom… melhoram com o tempo”. As risadas se misturaram a um coro massivo que devolveu o tema ao seu esplendor juvenil.
Quando chegou a vez de Only Women Bleed, a atmosfera mudou por completo. A dureza deu lugar à vulnerabilidade, e Lita, sob luzes em tons quentes, deixou sua voz flutuar sobre um silêncio respeitoso. Foi um momento íntimo, quase confessional, encerrado por um aplauso prolongado.
A intensidade voltou com Close My Eyes Forever, em um tributo sentido a Ozzy Osbourne, sem que isso tirasse a profundidade e a carga emotiva que a faixa carrega desde a gravação original. E, para fechar, o inevitável estouro: Kiss Me Deadly. Bastou o riff inicial para que toda a esplanada saltasse, gritando cada verso como um hino pessoal.
Na despedida, Lita ergueu a guitarra e sorriu, encharcada de umidade e energia. Naquele instante, pouco importavam a idade, o barro ou o frio: todos sabiam que tinham acabado de presenciar uma mulher que não apenas tocou em Wacken, mas o conquistou à base de distorsão e atitude.
Wind Rose – Faster (Texto e fotos por Iúri)
O show do Wind Rose no Wacken Open Air 2025 foi, sem exagero, um dos momentos mais vibrantes e inesquecíveis do festival. Quando a banda italiana subiu ao palco Faster às 16h, o espaço já estava tomado por uma multidão ansiosa, lotando cada centímetro da área com uma energia que parecia eletrizar o ar. Conhecidos por seu power metal épico, carregado de temas de fantasia e a mitologia dos anões, o Wind Rose entregou uma performance que foi ao mesmo tempo uma celebração e uma batalha sonora, transportando todos para um universo de machados, martelos e montanhas.
O setlist foi um desfile de hinos cuidadosamente escolhidos para incendiar o público. A abertura com Dance of the Axes foi como um chamado às armas, estabelecendo imediatamente o tom da apresentação. A multidão, já imersa no mundo fantástico criado pela banda, respondeu com uma energia avassaladora, cantando e batendo cabeça em uníssono.
Faixas como Fellows of the Hammer e Drunken Dwarves transformaram o palco Faster em uma verdadeira taberna de anões, com o público cantando cada verso com entusiasmo contagiante, como se todos fizessem parte de uma irmandade forjada em metal e cerveja.
A conexão entre o Wind Rose e a plateia era palpável. O vocalista Francesco Cavalieri, com seu carisma magnético, comandava o público como um líder de clã, enquanto a banda executava cada riff e batida com precisão e paixão. A teatralidade dos italianos, com suas letras épicas e visual inspirado em contos de fantasia, deu ao show um caráter único, como se estivéssemos assistindo a uma saga mitológica ganhar vida.
O ponto alto, sem dúvida, veio com Diggy Diggy Hole, um hino que já se tornou um clássico moderno do power metal. Quando os primeiros acordes soaram, a multidão entrou em erupção, cantando cada palavra com uma euforia que parecia sacudir o chão de Wacken. Para surpresa geral, Alea, da banda Saltatio Mortis, surgiu de repente no palco para interpretar a canção junto com Francesco Cavalieri, criando um dueto explosivo que fez o público vibrar ainda mais. Foi um momento de catarse coletiva, com punhos erguidos e vozes ecoando em perfeita harmonia com a banda.
O encerramento com I Am the Mountain foi a cereja no bolo, uma faixa majestosa que combinou peso, melodia e emoção, deixando o público extasiado e com aquela sensação de que algo grandioso havia acabado de acontecer. A performance do Wind Rose foi impecável do início ao fim, marcada por uma entrega incansável e uma conexão genuína com os fãs. Cada integrante da banda parecia estar vivendo aquele momento com a mesma intensidade que o público, criando uma sinergia que elevou o show a outro patamar.
Com seu carisma, talento e um repertório que não deixa ninguém parado, o Wind Rose não apenas dominou o palco Faster, mas também reforçou seu lugar como uma das forças mais empolgantes do power metal atual. Para quem esteve lá, a lembrança daquele show será como uma montanha: sólida, imponente e impossível de esquecer.
Hanabie – Louder Stage (Texto por Gus, fotos por Mia)
À primeira vista, poderia parecer que uma banda de metalcore japonês com estética kawaii seria um contraste brusco após o desfile épico de Wind Rose. Mas, em Wacken, as surpresas fazem parte da magia. Vestidas com trajes coloridos e penteados impossíveis, Hanabie invadiram o palco Louder com um cumprimento rápido e direto, como se não quisessem perder um segundo sequer.
A primeira descarga, O·TA·KU Lovely Densetsu, foi um turbilhão de riffs afiados, vocais guturais e melodias pop que grudavam na mente. O público, inicialmente um pouco desconfiado, logo se deixou contagiar pela energia transbordante que vinha do palco. Em NEET GAME, as vocalistas não apenas cantavam, mas também pulavam e corriam de um lado para o outro, interagindo com as primeiras filas e provocando ondas de aplausos.
Bucchigiri Tokyo e Spicy Queen mantiveram a velocidade no máximo, com o duplo pedal soando como um motor desenfreado e os breakdowns gerando pequenos mosh pits que se abriam e fechavam no compasso marcado pela banda. Entre uma música e outra, piadas em japonês misturadas a frases simples em inglês mantinham a cumplicidade com o público.
O encerramento chegou com We Love Sweets, transformando a área em uma festa surreal: metalcore, confete e um público de Wacken cantando como se estivesse em um anime. Foi um momento estranho e maravilhoso — a prova de que, neste festival, não existem fronteiras para a música que conecta com as pessoas.
Torture Squad – Wasteland Stage (Texto e fotos por Iúri)
A apresentação do Torture Squad no Wacken Open Air 2025 foi um dos momentos mais intensos e vibrantes do festival, consolidando o nome da banda brasileira como uma potência do metal nacional no cenário global. Subindo ao Wasteland Stage entre 17h00 e 17h45, sob uma chuva insistente, o quarteto enfrentou as intempéries com uma performance avassaladora que incendiou a plateia. Nem o clima adverso foi capaz de deter a legião de fãs que lotou o espaço, demonstrando apoio incondicional ao grupo e transformando o show em uma celebração da resiliência e da paixão pelo metal.
Formado por Mayara Puertas (vocal e guitarra), Rene Simionato (guitarra), Castor (baixo) e Amilcar Christófaro (bateria), o Torture Squad entregou um thrash-death metal visceral, marcado por riffs cortantes, vocais poderosos e uma energia que parecia desafiar a própria tempestade. A conexão com o público foi imediata: cada acorde e cada grito de Mayara reverberavam na multidão, que respondia com mosh pits fervorosos e uma energia contagiante, transformando o Wasteland Stage em um verdadeiro campo de batalha sonora.
O setlist foi uma aula de peso e precisão, desenhado para não dar trégua. Faixas como Hell is Coming, Flukeman e Buried Alive foram executadas com fúria e maestria, levando a plateia ao delírio com sua mistura de agressividade e grooves cativantes. Cada música era um convite à catarse, com o público cantando junto e se entregando à intensidade do som.
Um momento especial veio com a homenagem ao Black Sabbath, com um cover arrebatador de Killing Yourself to Live, que trouxe um toque de reverência aos mestres do heavy metal sem perder a identidade feroz do Torture Squad.
O ponto alto da apresentação, no entanto, foi a participação especial de Prika Amaral, da banda Nervosa, durante a execução de Horror and Torture. A colaboração elevou o show a um novo patamar, com as duas forças do metal brasileiro unindo seus talentos em uma explosão de energia que fez o Wasteland Stage tremer. A presença de Prika, com seu carisma, reforçou a força da cena nacional e arrancou aplausos ensurdecedores da multidão, que celebrava não apenas o Torture Squad, mas também a união de gigantes do metal brasileiro.
O encerramento veio com a devastadora Pull The Trigger, uma faixa que resume o espírito combativo e incansável da banda. Quando os últimos acordes ecoaram, a plateia, ainda sob chuva, estava em êxtase, com rostos marcados por sorrisos e cansaço feliz. O Torture Squad não apenas entregou um show memorável, mas também deixou uma marca indelével no Wacken 2025, provando que o metal brasileiro tem garra, talento e um lugar garantido entre os grandes do gênero.
Para quem esteve lá, foi uma experiência que ficará gravada na memória como um testemunho da força bruta e da paixão que o Torture Squad carrega em cada nota.
Apocalyptica – Faster Stage (Texto por Gus)
O sol já começava a se pôr, e com ele o clima se tornou mais solene. A Faster Stage se encheu de um murmúrio expectante quando quatro silhuetas se recortaram contra um fundo escuro. Não havia guitarras elétricas, mas algo igualmente poderoso: cellos. Apocalyptica entrou em cena como uma orquestra de guerra, com um setlist inteiramente dedicado a covers do Metallica. Assim que começaram Ride the Lightning, seguida de Enter Sandman, o público entendeu que viveria uma experiência diferente.
O som era hipnótico: as cordas vibravam com uma distorção profunda, criando um muro sonoro que rivalizava com qualquer banda de metal tradicional. Master of Puppets chegou cedo no set, com os violoncelistas interpretando-o com uma energia tão física que seus arcos pareciam extensões de seus braços em combate.
Em Nothing Else Matters, o palco foi banhado por luzes azuis e púrpuras. Milhares de pessoas balançavam as mãos no ar, e por um momento Wacken deixou de ser um festival para se transformar em um templo musical. Depois veio Seek & Destroy, quando Tina Wuo — que participaria de outros shows no dia — se juntou ao grupo de cellos, ampliando ainda mais a potência da apresentação.
Para encerrar, One, com um duplo pedal ensurdecedor que lembrava que Apocalyptica não é apenas virtuosismo: é também pura força. Um final épico para um show que provou como a música pode atravessar fronteiras de estilo sem perder impacto.
Headbangers Stage – Namek (Texto e fotos por Iúri)
Os portugueses do Namek, autoproclamados mestres do “grindcore do lado certo do rio Tejo”, fizeram uma estreia avassaladora no Wacken Open Air 2025, confirmando por que são uma das forças mais promissoras da cena extrema. Vencedores do Metal Battle Portugal, a banda subiu ao Headbangers Stage com a missão de deixar sua marca — e cumpriu o objetivo com uma performance que foi um verdadeiro furacão de caos, brutalidade e energia crua. Para os fãs de grindcore, foi um momento de êxtase; para quem ainda não conhecia o Namek, foi uma introdução inesquecível.
Desde o primeiro segundo, o Namek transformou o palco em um campo de batalha sonora. Riffs cortantes e ultrarrápidos, uma bateria que parecia disparar rajadas incessantes e vocais guturais que atravessavam a multidão como lâminas compuseram uma avalanche de violência sonora que levou a plateia ao delírio.
A energia do grupo era quase palpável, com cada integrante despejando uma intensidade que parecia desafiar as leis da física. O Headbangers Stage virou um caldeirão fervente, com mosh pits ensandecidos e uma multidão que respondia a cada explosão sonora com gritos, empurrões e entrega total.
A conquista do Metal Battle Portugal não foi apenas um título para o Namek; foi a prova de seu potencial, que ficou ainda mais evidente no Wacken. A banda soube equilibrar a crueza característica do grindcore com uma execução precisa, mostrando que sua música vai além da simples agressividade. Cada faixa era uma rajada de fúria controlada, com mudanças de ritmo que mantinham o público preso e hipnotizado.
A interação com a plateia, mesmo em meio ao caos, era natural, com os músicos alimentando a energia dos fãs e recebendo em troca uma devoção fervorosa. O show do Namek foi uma celebração do que o grindcore tem de melhor: intensidade, honestidade e uma conexão visceral com quem está na frente do palco.
Eles não apenas honraram sua reputação como campeões do Metal Battle, mas também elevaram o patamar, mostrando que o grindcore português tem voz, atitude e um futuro brilhante. Quando o último acorde se dissipou, a multidão, exausta e extasiada, sabia que tinha testemunhado algo especial. O Namek não apenas detonou o Headbangers Stage — eles deixaram uma marca indelével no Wacken 2025, consolidando-se como uma das grandes promessas do metal extremo português.
O barro, claro, é uma instituição no Wacken. Ele não é apenas um obstáculo; é quase um rito de passagem.
Tarja & Marko Hietala – Louder Stage (Texto por Gus)
Nem todos os dias se presencia um reencontro tão especial. A Louder Stage recebeu Tarja Turunen e Marko Hietala com uma ovação que parecia não ter fim. Duas vozes que marcaram uma era no metal sinfônico se encontravam novamente — desta vez, não como membros do Nightwish, mas como artistas unidos em um dueto único.
A abertura veio com Eye of the Storm, onde a voz lírica de Tarja se elevou sobre uma base orquestral enquanto Marko acrescentava um contraponto grave e acolhedor. O público ouvia em silêncio, consciente de estar vivendo um momento histórico. Em Dead Promises, a química entre ambos se tornou evidente: olhares cúmplices, sorrisos e um equilíbrio perfeito entre força e sutileza.
Photo by Justus Rudolph – WOA Festival GmbH
Um dos momentos mais emocionantes chegou com The Phantom of the Opera. O público explodiu em aplausos quando Tarja alcançou as notas mais altas com potência impecável, enquanto Marko, com seu carisma natural, fazia tudo parecer fácil. Na sequência, Wish I Had an Angel e The Islander serviram como acenos diretos aos fãs do Nightwish, levando milhares de vozes a se unirem em coro.
O encerramento foi íntimo: Until My Last Breath deixou um eco suave no ar, como se a música relutasse em ir embora. Ao se despedirem, Tarja e Marko se abraçaram no centro do palco — uma imagem que ficou gravada na memória de todos que tiveram a sorte de estar presentes.
W:ET Stage – Mark My Words – (Texto Iúri e fotos por Mia Palazzo)
A banda sérvia de metalcore Mark My Words, vinda das cidades de Gornji Milanovac, Čačak e Užice, fez uma estreia eletrizante no Wacken Open Air 2025, marcando seu nome como uma das grandes revelações do festival. Após conquistar o título do Metal Battle de Zagreb, em março de 2025, o grupo subiu ao Wet Stage às 19h10 do dia 30 de julho com uma missão clara: mostrar ao mundo a força da cena metalcore sérvia. E eles entregaram, com uma performance que combinou técnica apurada, energia avassaladora e uma conexão visceral com o público.
Desde os primeiros acordes, o Mark My Words demonstrou por que foi escolhido para representar a Sérvia no maior festival de metal do mundo. A banda, que existe há apenas alguns anos e é apenas o terceiro grupo sérvio a se apresentar no Wacken, trouxe um som moderno e agressivo, com riffs cortantes, breakdowns que incitavam mosh pits e melodias que grudavam na mente.
Inspirados por gigantes do metalcore como Parkway Drive e Killswitch Engage, o grupo apresentou um setlist que destacou faixas de seu EP de estreia, Nocturnal Lights (junho de 2025), com letras carregadas de temas pessoais e sombrios que ressoaram profundamente com a plateia.
A presença de palco do Mark My Words foi um dos pontos altos do show. Com uma energia incansável, os músicos comandaram o Wet Stage com confiança, interagindo com o público de forma natural e inflamada. A multidão, que lotava o espaço apesar das condições climáticas desafiadoras, respondeu com entusiasmo ensurdecedor — cantando junto, pulando e formando círculos de mosh que transformaram o local em um verdadeiro campo de batalha musical.
O impacto do show foi ainda mais significativo no contexto: o Mark My Words foi um dos 30 finalistas do Metal Battle, selecionados entre mais de 12.600 bandas inscritas globalmente. A vitória em Zagreb, em um evento altamente competitivo, já havia sinalizado o potencial do grupo, mas foi no Wacken que eles consolidaram sua reputação. Como destacou o baixista Vladimir Rašić em entrevista, a experiência foi surreal, com uma organização impecável e um tratamento profissional que surpreendeu a banda, que não esperava tamanha receptividade como um grupo emergente da Sérvia.
O show no Wet Stage não foi apenas uma celebração do talento do Mark My Words, mas também um marco para a cena metal sérvia, que ganha cada vez mais visibilidade internacional. A banda deixou o palco sob aplausos fervorosos, prometendo um futuro brilhante no cenário do metalcore. A performance reforçou a importância do Metal Battle como vitrine para novos talentos, dando ao Mark My Words a chance de brilhar em um dos maiores palcos do metal mundial. Para quem esteve lá, ficou claro: a Sérvia tem uma nova força no metal, e o Wacken 2025 foi apenas o começo.
Headbangers Stage – From Fall to Spring (Texto e fotos por Iúri)
Os alemães do From Fall to Spring transformaram o Headbangers Stage do Wacken Open Air 2025 em um verdadeiro caldeirão de energia, enfrentando um dilúvio implacável com uma performance que incendiou a plateia. Mesmo sob a chuva torrencial, a banda foi recebida com uma explosão de gritos e aplausos, com o público se entregando de corpo e alma ao som vibrante do grupo. Originária de Saarbrücken, a banda provou, em sua estreia no festival, que é uma força ascendente no metalcore melódico, conquistando tanto fãs antigos quanto novos com um show memorável.
Liderados pelos irmãos gêmeos Philip e Lukas Wilhelm, o From Fall to Spring trouxe uma energia contagiante que parecia desafiar as condições adversas. A combinação de riffs pesados, melodias cativantes e elementos eletrónicos, característica de seu estilo que flerta com o rock moderno, criou uma atmosfera perfeita para o ambiente caótico e apaixonado do Wacken. A banda, completada por Simon Triem, Benedikt Veith, León Brossette e Sebastian Monzel, demonstrou um entrosamento impecável, com cada membro entregando-se ao palco com uma intensidade que reverberava na multidão ensopada, mas fervorosa.
O setlist foi uma seleção certeira, recheado de hinos que destacaram o potencial do grupo. Faixas como Take the Pain Away, Come Alive e Draw the Line foram executadas com uma mistura de precisão técnica e paixão visceral, levando a plateia a cantar e pular em uníssono, mesmo com a lama grudando nas botas. O ponto alto do show, no entanto, foi o cover de In the End, do Linkin Park, um momento que uniu gerações de fãs em uma catarse coletiva. A multidão cantou cada verso com uma emoção palpável, transformando a chuva em um mero detalhe diante da força da música.
O encerramento veio com a poderosa Control, uma faixa que resume a essência do From Fall to Spring: intensa, melódica e cheia de impacto. Quando os últimos acordes ecoaram, a plateia, exausta mas eufórica, aplaudiu de pé, como se quisesse prolongar aquele momento. A banda não apenas enfrentou o clima adverso, mas o usou a seu favor, transformando a tempestade em um pano de fundo épico para sua performance.
Com carisma, talento e uma conexão inegável com o público, o From Fall to Spring mostrou que é mais do que uma promessa no cenário do metalcore: é uma realidade que veio para ficar. O show no Headbangers Stage foi uma prova de que, no Wacken, nem a chuva mais implacável pode apagar a chama de uma banda determinada a deixar sua marca. Para quem esteve lá, molhado até os ossos, a lembrança dessa apresentação será tão duradoura quanto o eco de um refrão bem cantado.
Beyond the Black – Faster Stage (Texto por Gus e fotos por Mia)
A Faster Stage mergulhou em uma mistura de épica e melancolia quando Beyond the Black surgiu no palco. Jennifer Haben, vestida de preto e com uma presença magnética, capturou a atenção desde o primeiro segundo.
In the Shadows abriu o show como um presságio sombrio, com luzes azul profundo recortando a figura de Jennifer contra um telão repleto de imagens etéreas. When Angels Fall e Heart of the Hurricane aumentaram a intensidade, com o público cantando apesar do lodo sob os pés dificultar os movimentos.
A energia ganhou um tom mais festivo com Dancing in the Dark, antes de explodir em Break the Silence — faixa que mostrou a faceta mais poderosa da banda. Shine and Shade e Written in Blood mesclaram dramatismo e delicadeza, criando momentos em que a voz de Jennifer parecia flutuar sobre tudo.
Em “Free Me”, o clima muda com a participação inesperada de Tina Guo no violoncelo, e o público balança suavemente , e em Lost in Forever se entregou por completo, cantando cada verso como se fosse um hino pessoal. Songs of Love and Death manteve o clima intenso e quase cinematográfico, que se conectou perfeitamente ao otimismo de Rising High e à emotividade de Reincarnation.
Patt at backstage with Beyond the Black
Com Running to the Edge, a explanada se transformou em um mar de saltos, preparando-se para o encerramento: Hallelujah. Nesse momento, milhares de vozes se uniram à de Jennifer em um refrão que se tornou um batimento coletivo — um instante de comunhão que fez esquecer, por alguns minutos, o cansaço, o barro e a umidade acumulada durante a jornada.
Saltatio Mortis – Faster Stage (Texto por Gus e fotos por Mia)
O primeiro dia terminou com o espetáculo de Saltatio Mortis na Faster Stage, um dos momentos mais celebrados do festival, digno de marcar o vigésimo quinto aniversário da banda. O grupo subiu ao palco por volta das 22h15, diante de um público encharcado de barro, mas com os ânimos em alta, pronto para se entregar a uma comitiva medieval carregada de energia.
Desde o primeiro acorde de Finsterwacht, a Hauptstraße se transformou em um tabuleiro de fantasia medieval: tochas, coros fervorosos e a banda liderada por Alea der Bescheidene exibindo todo o seu poderio instrumental. Com harpas e gaitas misturadas a guitarras elétricas, o som construiu uma ponte entre o ancestral e o moderno.
Wo sind die Clowns manteve a energia, mas com um tom mais lúdico, enquanto Loki trouxe um toque sombrio e dramático. O cenário sonoro se expandiu com Schwarzer Strand e Feuer & Erz — este último contando com o virtuosismo no cello de Tina Guo, que acrescentou majestade ao clímax.
A colaboração com Tabernis em Heimdall e depois com Miracle of Sound em My Mother Told Me / Valhalla Calling trouxe momentos de união entre diferentes cenas: o primeiro, uma poderosa sinergia vocal; o segundo, um hino viral cantado por milhares.
Com We Might Be Giants e Der Himmel muss warten, a banda elevou a carga
Gus & Patt at backstage with Alea (Saltatio Mortis)
emocional, preparando o terreno para um bloco frenético: Mittelalter, Rattenfänger, Prometheus e Satans Fall incendiaram a esplanada com riffs tribais e coros coletivos.
Gardyloo e Große Träume misturaram melancolia e celebração, antes de o cover de Hypa Hypa do Electric Callboy provocar gargalhadas e saltos sincronizados. A festa continuou com Vogelfrei e a irreverência alternativa de Keine Regeln (FiNCH), enquanto Für immer jung com Deine Cousine despertou uma nostalgia coletiva.
O encerramento com Spielmannsschwur foi mais que um final: um canto multitudinário que ressoou como um juramento festivo, com milhares de mãos erguidas e vozes unidas — como se o barro e o cansaço se dissolvessem nessa prece sonora.