O Adeus Lamacento de Uma Epopeia Metálica

O último dia no Wacken não é apenas um fim; é um prelúdio para a saudade. Sob um céu que já parecia mais benevolente, a emoção se misturava à exaustão, e a lama nos pés se tornava um símbolo de resistência, uma marca de batalha gravada para sempre em nossas memórias. Cada acorde ressoando pelos campos sagrados era um adeus, uma celebração da paixão que nos uniu e uma promessa silenciosa de retorno.

Não era apenas sobre os shows finais, os últimos gritos de Wacken!” ou as últimas cervejas compartilhadas. Era sobre a sensação agridoce de que a nossa odisseia estava no fim. E, enquanto nos preparávamos para enfrentar a jornada de volta para casa, já podíamos sentir a contagem regressiva para a próxima vez, com o coração cheio e a certeza de que a chama do metal queima mais forte no norte da Alemanha. Wacken não é só um festival; é um lar, e a despedida de seu último dia é a prova de que, no fundo, nunca o deixamos de verdade.

 

02/08 – Sábado

TrollfesT – Faster – (Texto por Gus e fotos por Patricia)

O Faster Stage transformou-se num carnaval surreal quando TrollfesT apareceu — e como apareceu — vestidos inteiramente como flamingos cor-de-rosa. Quem os viu pela primeira vez pensou estar sonhando: penas, tutus e cabeções emplumados abrindo caminho para um desfile de humor e caos metal. E foi assim que, ao meio-dia do quarto dia, o palco explodiu com Dance Like a Pink Flamingo. A banda surgiu com seus característicos trajes de flamingo — penas rosas, tutus e atitude transbordante — e o público não tardou a reagir, lançando flamingos infláveis que, depois de se revolverem na lama, emergiam cobertos de terra como troféus ridículos.

TrollfesT - Wacken 2025
Photo by Justus Rudolph – © WOA Festival GmbH

O espetáculo prosseguiu com Flamongous e Twenty Miles an Hour, retomando a energia festiva, saltos e gargalhadas. Quando chegou Piña Colada, a lama já era um companheiro pegajoso; mas, longe de afastar a multidão, provocou que a conga improvisada — liderada por um dos guitarristas — se tornasse um desfile escorregadio digno dos melhores memes metaleiros.

TrollfesT - Wacken 2025
Gus & Patt at backstage with TrollfesT

Piña Colada acrescentou um toque tropical entre risos estrondosos, enquanto Kjettaren mot strømmen e All Drinks on Me convidaram o público a cantar em trollspråk e brindar com canecas invisíveis. O encerramento com Helvetes hunden garm foi a descarga final que selou o espetáculo: uma explosão sonora, confete lançado na lama e um público encharcado, rindo e exausto.

TrollfesT não apenas tocou — governou o Faster Stage com humor, excesso e uma coesão coletiva difícil de superar. Foi uma rajada de alegria absurda, pura resistência festeira… e sim, flamingos enlameados por toda parte.

Warkings – Harder – (Texto por Patricia)

Após o caos colorido desencadeado por TrollfesT, o Hauptstraße transformou-se num cenário digno de lenda quando Warkings irromperam entre fumo dourado e tochas vivas. Os quatro “guerreiros de Valhalla” — Crusader, Spartan, Viking e Tribune — surgiram como arautos de uma epopeia, encenando a sua missão: conquistar Wacken a golpes de power metal.

Warkings - Wacken 2025
Photo by Patrick Schneiderwind – © WOA Festival GmbH

Desde a intro We Are Warkings, o Tribune deixou claro que aquilo seria um espetáculo para entrar nos anais do festival. The Last Battle desencadeou o primeiro rugido coletivo, seguida por Armageddon e Spartacus, onde Morgana le Fay subiu ao palco e fez o público erguer bandeiras imaginárias ao vento.

Em vários momentos, o Tribune dirigiu-se à multidão com a pergunta que se tornou um ritual de guerra:

— “Qual é o vosso ofício?

A resposta, sincronizada e ensurdecedora, veio em uníssono: “Au!”, ecoando como um exército espartano sob a chuva.

Hephaistos, Genghis Khan e Kings of Ragnarök levaram o público por uma viagem de mitos e conquistas, antes de Fight acender os pogos mais intensos da tarde.

O momento colaborativo chegou com Hangman’s Night, onde Dr. Dead da banda Dominum acrescentou um toque gutural que estremeceu toda a esplanada. We Are the Fire reacendeu o fervor antes de desembocar em Sparta, transformada num clamor maciço de punhos erguidos e gritos de batalha.

O encerramento com Gladiator foi puro espetáculo: seguindo as ordens do Tribune, dezenas de fãs ajoelharam-se para depois saltarem todos juntos no clímax, levantando lama e água como se fossem as areias de um coliseu romano. Tudo isso temperado com o inesperado trecho de Top Gun Theme, que arrancou sorrisos e completou uma atuação que foi tanto musical quanto teatral.

Destruction – Louder – (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Eram 13h45 quando o chão do Wacken começou a tremer. Não era um terremoto, era o Destruction invadindo o palco Louder, e a gente, ali, se preparava para o impacto. Durante uma hora que pareceu voar, a lenda do thrash metal alemão nos arrastou para um campo de batalha sonoro. Não era só um show; era uma avalanche de fúria e brutalidade, uma experiência visceral que a gente sentia em cada osso do corpo.

O setlist da banda foi uma jornada implacável, uma coleção de clássicos que a gente carregava no coração. Eles abriram o ataque com a pesadíssima Curse the Gods, e a pancadaria seguiu sem trégua. Hinos imortais como Invincible Force, Mad Butcher e Nailed to the Cross foram disparados, e cada acorde era uma munição que a gente absorvia com euforia. A energia do trio era contagiante, uma força da natureza que a plateia, em total sintonia, devolvia em dobro. Era um mar de corpos em moshs frenéticos, um headbanging incansável que provava o respeito e a paixão que a gente sente por essa banda.

Os momentos de pico do show foram as apresentações explosivas de Total Disaster e Bestial Invasion. A multidão se transformou em um só ser, em um estado de êxtase coletivo que a gente não queria que acabasse nunca. E, para encerrar o massacre sonoro, o Destruction nos presenteou com o hino definitivo: Thrash ‘Til Death. Naquele momento, tudo fez sentido. O thrash metal não é apenas um gênero musical; é uma força vital que continua a prosperar, mais viva e brutal do que nunca. O show do Destruction foi um lembrete poderoso de que a música pesada é uma paixão que queima dentro da gente.

Nasty – Headbangers Stage – (Texto e fotos por Mia)

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

Hardcore brutal no meio do caos

Eu amo Nasty. Eles são o tipo de banda que me dá vontade de começar a dar dois passos no photo pit sem pensar duas vezes. A primeira vez que os vi foi quando abriram para Paleface Swiss em Massachusetts e, desde aquela noite, fiquei fisgado. Tê-los visto novamente aqui parecia algo que precisava acontecer — e eles não decepcionaram em nenhum momento.

Desde o instante em que subiram ao palco, trouxeram a mesma energia feroz que eu lembrava. A lama era espessa, as condições estavam bagunçadas — e, sinceramente, isso se encaixava perfeitamente. Toda a atmosfera parecia “nasty” no melhor sentido possível. Nada disso impediu a banda ou o público de entregarem tudo o que tinham. As pessoas se moviam sem parar, se jogando na música, enquanto a banda se alimentava dessa energia a cada breakdown e riff.

Ouvir faixas como Shokka e Reality Check ao vivo novamente me lembrou exatamente por que o estilo agressivo e sem desculpas de Nasty é tão viciante. Eles mesmos se definem como “fucked up music for a fucked up world”, e estar ali no pit, com a lama voando e o caos em volta, fez essa descrição parecer a mais verdadeira possível.

Se você curte hardcore cru e visceral, continue acompanhando nossa cobertura para mais shows intensos e cheios de energia!

Floor Jansen – Harder – (Texto por Gus)

A tarde avançava e o Harder Stage preparava-se para receber uma das vozes mais reconhecíveis e potentes do metal sinfônico. Floor Jansen, conhecida mundialmente pelo seu papel como vocalista do Nightwish, regressava ao Wacken para apresentar um show em carreira solo que ia muito além de uma simples coleção de músicas: foi uma demonstração de versatilidade vocal, carisma e conexão profunda com o público.

Floor surgiu com força implacável: Wolf and Dog definiu o tom com sua carga emocional intensa, seguida de Noise, que rompeu o silêncio do festival como um trovão metálico. Seu domínio técnico brilhou especialmente em Invincible e Storm, onde cada frase foi um golpe emocional preciso.

Floor Jansen - Wacken 2025
Photo by Patrick Schneiderwind – © WOA Festival GmbH

O público entregou-se por completo em Spider Silk e Amaranth, dois momentos de catarse coletiva. Mas foi Energize Me que gerou uma ligação íntima: emotiva, poderosa, um tributo ao seu passado no After Forever que fez ecoar a paixão dos fãs.

Com 7 Days to the Wolves, o ambiente oscilou entre nostalgia e superação, seguida por While Love Died e Face Your Demons, que evidenciaram a sua versatilidade interpretativa. Nemo, clássico do Nightwish, atingiu um dos clímax mais intensos da tarde, com milhares de vozes unidas num momento épico.

O encerramento com Fire foi simplesmente eletrizante: a multidão saltava, cantava e libertava toda a energia acumulada após horas de lama e cansaço. Floor provou que a sua carreira a solo é tão poderosa quanto o seu legado com o Nightwish.

Midnight Violators – Headbangers Stage (Texto e fotos por Mia)

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

Surpresa explosiva no palco

Sendo honesto, eu só fui ver Midnight porque não tinha nada melhor para fazer naquele momento. Logo de início, estava cético. Eles entraram no palco com calças pretas justas, camisas meio abertas, jaquetas de couro e rostos cobertos de preto — e imediatamente os coloquei na categoria de “posers” na minha cabeça. O que eu deveria saber é que o Wacken não decepciona desse jeito.

Midnight acabou sendo uma das surpresas mais felizes do festival para mim. A energia da banda estava nas alturas e, sim, eles trouxeram bastante sex appeal junto. O público correspondeu perfeitamente, criando uma conexão de vai e vem que tornou o show muito divertido de assistir. Cada música soava alta, crua e sem pedir desculpas, de um jeito que funcionou incrivelmente bem no ambiente do festival.

Ao final do set, entendi por que Midnight tem uma base tão fiel no underground. A mistura de speed metal, black metal e punk rock é caótica no melhor sentido possível, e vê-la ao vivo deu um impacto extra que as gravações simplesmente não conseguem reproduzir. Entrei esperando nada e saí de lá como fã.

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Annisokay – Louder Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Às 15h30, o palco Louder foi tomado por uma energia única com a chegada da banda alemã Annisokay. Em meio à tempestade sonora do Wacken, o grupo trouxe uma brisa refrescante, mesclando metalcore e rock alternativo em uma performance que equilibrou intensidade e emoção com precisão. Embora mais contida em comparação com outros shows do festival, a apresentação foi marcante e cativante, conquistando o público com sua autenticidade.

O setlist foi uma jornada vibrante, com faixas como Throne of the Sunset e Ultraviolet transformando a plateia em um coro apaixonado, cantando hinos que ecoam no coração dos fãs. O momento mais especial veio com um presente surpresa: a estreia ao vivo de My Effigy, uma música inédita gravada para um futuro videoclipe. A conexão entre a banda e o público foi palpável, criando um instante mágico e inesquecível no festival.

O show encerrou com a força avassaladora de Coma Blue e STFU, deixando uma sensação de plenitude e entusiasmo. Annisokay entregou uma apresentação impecável, provando que a intensidade do metal pode se manifestar de formas diversas. Com sua energia única, a banda tocou os corações dos presentes e reforçou a essência plural do Wacken, onde cada som encontra seu espaço.

 W.A.S.P. – Harder Stage (Texto e fotos por Gus)

O dia começava a escurecer, mas o Harder Stage incendiava-se com a presença de uma verdadeira lenda do heavy metal. W.A.S.P. irrompeu no palco com a força de um tiro de canhão, pronta para provar que a fúria dos anos 80 continua viva. O concerto começou pontualmente, por volta das 17h45, com uma introdução em fita que elevou a tensão ao máximo — um prelúdio perfeito para a explosão sonora que viria a seguir.

As primeiras notas de W.A.S.P. e I Wanna Be Somebody ressoaram com ferocidade, despertando rugidos de nostalgia entre os presentes. O palco foi pintado de vermelho pelos focos, enquanto as guitarras incendiárias de Doug Blair cortavam o ar e Mike Duda solidificava cada acorde com um baixo poderoso.

WASP - Wacken 2025
Photo by Justus Rudolph – © WOA Festival GmbH

A intensidade aumentou com L.O.V.E. Machine, que fez o público cantar cada verso e levantar os punhos com devoção genuína. Blackie Lawless, com a sua voz áspera inconfundível e postura majestosa diante do microfone adornado com caveiras, comandava o espetáculo como um verdadeiro general.

The Flame adicionou drama com suas tensões vocais e riffs envolventes, enquanto B.A.D. provocou uma descarga de energia pura. Em School Daze, o tema ganhou uma dimensão quase autobiográfica para muitos, trazendo de volta memórias de juventude e rebeldia.

O contraste surgiu com Hellion, que abriu de forma majestosa e conduziu a Sleeping (in the Fire), mais melódica e carregada de emoção. Mas a virada veio com On Your Knees, transformando a esplanada numa verdadeira catedral metálica.

Tormentor e The Torture Never Stops aceleraram até o heavy metal mais cru, mantendo o público em estado de combustão. No encore, The Real Me (cover do The Who) deu o tom antes de Forever Free, emocionante e épica. The Headless Children e Wild Child mantiveram a energia no auge, culminando no encerramento inevitável com Blind in Texas — guitarras em chamas, gritos e uma ovação que parecia suspender o tempo.

W.A.S.P. entregou um set impecável, repleto de hinos clássicos, energia intacta e presença de palco inabalável. Blackie Lawless provou que ainda sabe transformar um microfone giratório numa arma poética e letal. Para quem esteve lá, foi mais do que um concerto: foi um golpe direto no coração do heavy metal, lembrando porque lendas assim continuam a ampliar o seu legado, nota após nota.

Obituary – Louder Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Às 19h, o palco Louder foi invadido pela aura sombria e devastadora do Obituary, uma lenda viva do death metal da Flórida. Durante uma hora, a banda entregou uma performance de pura brutalidade sonora, reafirmando seu status icônico e consolidando sua conexão visceral com os fãs no Wacken.

John Tardy comandou o palco com uma presença magnética, mantendo viva a tradição de seus tapas na perna, um ritual que é sinônimo da energia crua do Obituary. A plateia, completamente entregue, respondeu com headbanging frenético, imersa na intensidade avassaladora que define o som da banda. Cada riff e grito parecia selar um pacto de devoção entre o grupo e seus seguidores.

O setlist foi um ataque implacável de clássicos, com faixas como Redneck Stomp, Infected e Body Bag levando o público a um estado de êxtase coletivo. A surpresa veio com um cover poderoso de Circle of the Tyrants, do Celtic Frost, que incendiou o ambiente com uma homenagem reverente e cheia de peso. O grandioso encerramento com Slowly We Rot foi uma explosão apoteótica, fechando o show em um clímax inesquecível.

O Obituary não apenas tocou, mas reafirmou sua relevância no death metal, oferecendo uma experiência visceral que ficará marcada na memória dos metaleiros do Wacken.

 Within Temptation – Faster Stage (Texto por Gus y Patricia)

Ao cair da noite em Wacken, o Faster Stage transformou-se no grande templo do metal sinfónico quando Within Temptation, com Sharon den Adel à frente, surgiu entre luzes etéreas e rajadas de fumo que envolviam o ar. A encenação refletia o poder emocional da sua música: um espetáculo carregado de dramatismo e sofisticação.

O concerto começou com We Go to War e Bleed Out, temas que incendiaram a esplanada com riffs urgentes e coros viscerais. Faster adicionou intensidade, e com In the Middle of the Night o ritmo convidava cada espectador a mover-se ao compasso do metal moderno.

Antes de Sharon interpretou Stand My Ground, ela pediu a um membro do público que lhe entregasse a bandeira ucraniana que eles tinham e, usando-a como capa, exigiu o fim da guerra e dedicou a música a todos os ucranianos que lutavam por seu lar. O ambiente tornou-se coletivo: milhares de vozes entoando um hino de autossuperação. Em Wireless, a sua voz transmitiu uma carga emocional e uma mensagem contundente, enquanto os visuais reforçavam a atmosfera dramática da faixa.

Shot in the Dark trouxe um momento reflexivo, antes de Angels oferecer calma celestial. Logo após, Paradise (What About Us?) elevou a energia com luzes e um coro monumental. Don’t Pray for Me manteve a intensidade e Supernova projetou-a para dimensões cósmicas.

Com Lost, a banda reduziu o ritmo para voltar a acelerá-lo com The Reckoning, encerrando o set principal com uma carga épica arrebatadora.

No encore, Our Solemn Hour foi um momento íntimo de ligação direta com o público. A colaboração com Annisokay em Shed My Skin adicionou um contraste vocal magnífico. Em seguida, Ice Queen incendiou os presentes com o seu icónico refrão e chuva de confete, enquanto Mother Earth fechou o espetáculo com uma carga épica que fez todos sentirem-se em comunhão com a natureza… e com a própria música.

SoenWacken Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Em um festival dominado pela fúria do metal extremo, o Soen subiu ao palco do Wacken para oferecer uma experiência singular: um mergulho profundo na alma. A banda sueca de rock progressivo trouxe um oásis de introspecção e beleza, contrastando com o caos ensurdecedor do evento. O público, acostumado à brutalidade, foi hipnotizado pela sensibilidade e pela intensidade emocional da performance.

O setlist foi uma jornada íntima pela discografia da banda, com cada canção abrindo uma porta para novas emoções. Faixas como Sincere, com seu peso emocional, Antagonist, pulsante de urgência, e Lascivious, carregada de melancolia, envolveram a plateia em uma conexão palpável. Embora mais contida, a multidão estava completamente rendida à técnica impecável e à honestidade de cada nota, sentindo a música em um nível quase espiritual.

O show do Soen foi um refúgio de calma e reflexão no deserto sonoro do Wacken. Encerrando com o hino comovente Lotus e a intensa Violence, a banda deixou uma marca indelével. A performance provou que a força do metal não se limita à agressividade, mas também reside na capacidade de tocar o coração e despertar emoções profundas, mostrando que técnica e alma podem ser tão avassaladoras quanto qualquer riff brutal.

Gojira – Harder Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Uma das noites mais aguardadas do Wacken, o Gojira transformou o palco Harder em um epicentro de energia transcendental entre 21h e 22h30. A banda francesa entregou uma performance que foi, sem dúvida, o ápice do festival, combinando técnica impecável, peso avassalador e uma mensagem que ecoou profundamente em cada alma presente.

O setlist foi uma viagem visceral pela discografia do Gojira, com cada música acertando como um golpe preciso. Faixas como Only Pain, Backbone e Stranded incendiaram a plateia, que se transformou em um mar de corpos em movimento, com mosh pits frenéticos e vozes cantando em uníssono. O ponto alto veio com Flying Whales, uma explosão sonora que elevou o público a um estado de euforia coletiva, como se todos fizesse   parte de algo maior que o próprio festival.

Momentos memoráveis marcaram a noite, como o cover emocionante de Under the Sun/Every Day Comes and Goes, do Black Sabbath, que prestou uma homenagem poderosa. Outro destaque foi a apresentação de Mea Culpa (Ah! Ça ira!), com a participação especial da cantora lírica Marina Viotti, unindo universos musicais em um espetáculo único e inesquecível.

O show culminou com a majestosa The Gift of Guilt, deixando a multidão em êxtase. O Gojira reafirmou sua posição como uma das maiores forças do metal contemporâneo, entregando uma experiência que celebrou a paixão, a união e o poder transformador da música.

Machine HeadFaster Stage (Texto e fotos por Iúri)

Photo credit @photos.iuri – | @culturaempeso

Na noite chuvosa de Wacken, o ar carregado de expectativa parecia se curvar diante da chegada do Machine Head. Sem sombra de dúvida, a banda entregou o show das nossas vidas, transformando o palco Faster em um campo de batalha épico. Mais do que um concerto, foi uma obra-prima de metal, marcada por poder, técnica e uma conexão quase mágica com o público, que tornou o momento inesquecível.

Robb Flynn, com uma presença avassaladora, comandou o palco com uma energia incansável, incendiando a multidão a cada nota. O setlist foi um verdadeiro arsenal de hinos que ressoam na alma dos fãs, com faixas como Ten Ton Hammer, Locust e o eterno Davidian ecoando com uma força capaz de estremecer o solo sagrado de Wacken. A plateia, em êxtase, respondia com uma entrega total, transformando o show em uma celebração coletiva de pura paixão pelo metal.

A chuva e a lama, longe de serem obstáculos, tornaram-se parte do espetáculo. A banda surpreendeu com martelos infláveis distribuídos ao público, que transformaram o ambiente em uma festa caótica e vibrante, onde a natureza se rendia à energia da música. Naquele momento, o tempo parou, e só existia a conexão visceral entre o Machine Head e os headbangers. A performance reafirmou o status da banda como uma das forças mais poderosas do metal, deixando uma marca indelével na história de Wacken.

King DiamondLouder Stage (Texto e fotos por Mia)

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Uma experiência teatral e sombria

Eu nunca tinha ouvido King Diamond antes de entrar no photo pit. Um amigo meu, grande fã, pediu para que eu fotografasse o show para ele, então fui sem expectativas. No fim, fiquei genuinamente surpreso com o quanto gostei. O grande destaque foi o lado teatral: toda a apresentação parecia ter saído diretamente da arte de seus álbuns. Até a entrada foi inesquecível — ele surgiu no palco e encenou o assassinato de uma boneca em um caixão chamada Abigail, algo perfeitamente adequado ao tipo de metal teatral pelo qual é conhecido.

A combinação do alcance vocal único — especialmente os falsetes agudos e penetrantes — com o trabalho de guitarra impressionante de Andy LaRocque criou um som ao mesmo tempo assombroso e cativante. Cada música parecia parte de uma história maior, e era evidente o quanto de atenção aos detalhes havia não só na música, mas também em toda a produção de palco. Dos cenários à iluminação, tudo estava em perfeita sintonia com a atmosfera sombria e cinematográfica de álbuns como Abigail, Them e The Puppet Master.

Ao final do show, entendi por que King Diamond influenciou tantos grandes artistas do metal ao longo dos anos. Foi uma performance que uniu narrativa, musicalidade e impacto visual de uma forma que me manteve preso do início ao fim. Mesmo alguém como eu, que entrou sem conhecer nada, saiu com a sensação de ter presenciado algo verdadeiramente icônico.

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Fit For A King – Headbangers Stage (Texto e fotos por Mia)

Photo credit @mia_p_photography – | @culturaempeso

Metalcore na chuva e na madrugada

Fit For a King é uma banda que sempre quis fotografar desde que comecei a tirar fotos, então finalmente ter essa oportunidade depois de viajar para outro país e passar uma semana entre lama e chuva foi uma grande conquista pessoal. A banda havia lançado um novo álbum no dia anterior à sua apresentação e, mesmo sem ter tido tempo de ouvi-lo, as músicas que tocaram desse trabalho soaram absolutamente incríveis — assim como todo o restante do repertório deles.

A apresentação aconteceu à uma da manhã, sob a chuva, na última noite de um festival longo e exaustivo. O público não era enorme, mas quem estava lá fez valer a pena. A banda manteve expectativas realistas, incentivando os fãs a se movimentarem, mesmo que fosse apenas balançar a cabeça, e a plateia respondeu com entusiasmo genuíno. O setlist veio carregado de alguns dos maiores e melhores sucessos deles, entregues com uma energia que fez cada minuto valer o horário tardio.

A única ausência foi a do baixista Tuck, que está afastado no momento para acompanhar a chegada de seu bebê com a família. Embora eu esteja feliz por ele, a falta foi perceptível na energia geral do show. Ainda assim, Fit For a King entregou uma performance à altura de anos de expectativa, e finalmente fotografá-los foi uma experiência que jamais esquecerei.

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Reflexão: O Espírito de Wacken 2025

Deixei o “Solo Sagrado” com o coração cheio e as botas cobertas de lama, troféus de uma batalha épica contra a natureza. Wacken 2025 foi mais do que um festival; foi um lembrete do que o metal realmente significa: resiliência, camaradagem e uma paixão que resiste a qualquer tempestade. Em meio ao caos de ruas transformadas em rios de lama, headbangers se uniram, ajudando uns aos outros com um espírito de irmandade que define o evento.

A experiência transcendeu as notas perfeitas e os solos vertiginosos. Foi na união dos fãs, enfrentando a chuva e a lama lado a lado, que o verdadeiro espírito de Wacken se revelou. A barraca encharcada abandonada para trás não era um fardo, mas um símbolo de entrega total à magia do festival. Com a promessa de voltar mais preparado, a contagem regressiva para 2026 já começou. Sob o céu imprevisível da Alemanha, estaremos novamente reunidos, prontos para enfrentar o que vier – seja sol, chuva ou, inevitavelmente, muita lama.

Bonus Track – Apresentação do Wacken Open Air 2026

Após o último e estrondoso acorde do Gojira no Faster Stage, o público permaneceu no lugar — exausto, mas cheio de expectativa. A lama cobria cada canto e cada bota, e, mesmo assim, a energia no ar era quase palpável. Foi então que os telões gigantes se acenderam para mostrar os dois fundadores do festival, Holger Hübner e Thomas Jensen.

Antes de qualquer anúncio, ambos aproveitaram o momento para agradecer a todos os presentes — fãs, músicos, equipe técnica, voluntários e autoridades locais — por tornarem possível uma edição tão intensa. Suas palavras estavam carregadas de emoção: Hübner recordou o espírito inquebrantável do lema Rain or Shine, que guia o Wacken desde os seus primórdios, enquanto Jensen prestou homenagem ao amigo e mentor Thomas Hess, dedicando-lhe esta edição e reconhecendo o seu papel fundamental na história do festival.

Wacken 2025
Photo credit: Patt G.

Só então as luzes do palco se apagaram por completo e o céu transformou-se numa tela. Um enxame de drones perfeitamente sincronizados começou a desenhar figuras icónicas: o crânio com chifres do festival, bandeiras ao vento e mensagens de boas-vindas, até que, por fim, surgiu o novo logótipo animado do Wacken Open Air 2026.

Com o lema festivo Party On!, os telões revelaram as primeiras bandas confirmadas para a 35ª edição: Def Leppard (estreando-se no Wacken), In Flames, Powerwolf, Savatage, Lamb of God, Emperor, Running Wild e Sepultura (na sua última atuação na Alemanha), junto com propostas como Future Palace, Faun, Gutalax, Paleface Swiss, Nevermore, The Gathering e Crazykoress.

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