Na passada quarta-feira (16 de julho), os Zebrahead, estrearam-se, finalmente, em solo português, no LAV – Lisboa Ao Vivo, com uma noite que vai deixar muitas saudades entre a comunidade punk rock.

Embora a sala não estivesse lotada, os fãs mais dedicados à banda californiana chegaram bem cedo para, à hora de abertura de portas (20h), garantir um lugar na primeira fila.

Pelas 21h começou a música na sala, mas pela mão dos portugueses Det-saW Coyote, com uma missão clara, mas não simples: “Quando vier Zebrahead isto já tem que estar quentinho” – conforme referiu o vocalista, Francisco Oliveira. Com o EP de estreia – “Caos, Suor e Desacato” – lançado em Março deste ano, a banda das Caldas Rainhas, não só apresentou o seu mais recente trabalho, como também cumpriu a missão que trazia, e de que maneira, deixando o LAV a suar, com o público a corresponder do início ao fim do set. Tal como começa o EP, entraram com a instrumental “Intro”, seguida de “Road To Anywhere” e “Lodo”. Depois de “Bow 4 What” e “Mundo A Azedar”, voltaram ao EP, afogando o público numa “Maré de Boémia” a arrancar os primeiros moshpits da noite. Até aí, a interação que iam criando com o público já era admirável, mas foi já a chegar ao fim, com “Belong”, que tudo mudou, com o vocalista a sair do palco para cantar deitado sobre o público, enquanto, quem não agarrava Francisco, ia batendo palmas ao ritmo do tema. Para fechar, com “High Worm”, Francisco voltou à plateia mas, desta vez, colocou os pés no chão, abriu espaço e deu início ao moshpit, para assegurar que ninguém à sua volta ficaria parado nos últimos acordes dos Det-saW Coyote.

Det-saW Coyote | @the.goldenrush

Setlist – Det-saW Coyote: 1 – Intro | 2 – Road To Anywhere | 3 – Lodo | 4 – Bow 4 What | 5 – Mundo A Azedar | 6 – Maré de Boémia | 7 – Sweet Bag | 8 – Rastilho | 9 – Belong | 10 – High Worm 

A partir das 22h foi a vez da banda proveniente da Califórnia subir ao palco do LAV para se apresentar pela primeira vez ao público português, com um set muito completo, a percorrer 20 dos quase 30 anos da banda, desde o álbum “MFZB” (de 2003) até ao “III.II” (de 2023).

O início foi a todo o gás, com “The Perfect Crime”, “We’re Not Alright” e “Hello Tomorrow”, com a banda a tirar os pés do chão, com os saltos característicos do punk rock, e a arrancar do público cada verso destes temas. O público, de facto, mostrou-se sempre fiel e dedicado, tornando única a passagem da banda por Lisboa. Na verdade, depois do pedido de socorro de “Rescue Me”, os Zebrahead fizeram questão de dizer que se tinham apaixonado pela capital e que queriam mesmo mudar-se para Lisboa. Como isso não foi possível, deram seguimento ao alinhamento para enviar “Postcards From Hell”.

Nesta altura a energia na sala era já para lá de contagiante, com o muito bom humor dos músicos em palco, desde o vocalista principal Ali Tabatabaee, ao Adrian Estrella na guitarra e voz, passando pelo guitarrista Dan Palmer com o seu bigode característico, pelo Ben Osmundson no baixo e até ao Ed Udhus na bateria. Esta energia refletia-se claramente nos abraços, saltos e sorrisos que se iam vendo pela plateia. Foi nesta boa onda que Ali, ao ver dois aniversariantes na plateia, decidiu pôr o público do LAV a cantar os parabéns a estes fãs, e ao próprio Adrian.

Zebrahead | @the.goldenrush

A iniciar o tema “Mike Dexter Is a God, Mike Dexter Is a Role Model, Mike Dexter Is an Asshole”, foi pedido um “on the shoulders circle pit”, ao qual o público, prontamente, acedeu. E para quem estivesse cansado de ouvir Zebrahead, eis que surge “Fight For Your Right”, dos Beastie Boys. Porém, estávamos todos ali para ouvir Zebrahead, o que fez com que fosse tocado apenas um excerto do tema, passando de imediato para “Who Brings A Knife To A Gunfight?”, com toda a sala a confirmar que queria “party, party”.

Por esta altura, já todos teriam reparado que algo de menos comum havia em cima do palco, um bar. Tendo isto em conta, Ali perguntou “Who’s thirsty?”, e chamou duas pessoas do público para que pudessem saciar a sede, à semelhança do que vinha acontecendo ao longo do concerto com os restantes membros da banda. Como não podia deixar de ser, seguiu-se, então, “Drink Drink”.

Zebrahead | @the.goldenrush

A caminhar a passos largos para a reta final do concerto, veio “Worse Than This” e, logo de seguida, “Call Your Friends”, com esses amigos a serem chamados com excertos de clássicos do punk rock – “Bro Hymn”, “Blitzkrieg Bop (Hey Ho! Let’s Go!)” e “Basket Case”. Veio “Anthem” e a banda abandonou o palco.

Mas, a festa não podia acabar assim. O público chamou e a banda regressou para um encore inesquecível. Primeiro, “Falling Apart” que arrancou logo com um wall of death da grade até ao bar (do LAV, não o do palco), e por fim “All My Friends Are Nobodies” com o bartender (do palco, não do LAV) a pegar numa mala de uma guitarra, a colocá-la sobre o público e a usá-la como prancha para surfar, dando uma volta completa ao pit.

A noite terminou como foi: uma incrível boa disposição por parte da banda e uma fantástica conexão com o público. Ajudou a isso, claro, “I Will Always Love You” (from tape), original de Dolly Parton e imortalizado pela voz de Whitney Houston. Desta noite ficarão muito boas memórias e, também, um desejo de que o regresso dos Zebrahead a Portugal não tarde tanto como tardou a sua estreia.

Zebrahead | @the.goldenrush

Setlist – Zebrahead: 1 – The Perfect Crime | 2 – We’re Not Alright | 3 – Hello Tomorrow | 4 – Homesick For Hope | 5 – Lay Me To Rest | 6 – Rescue Me | 7 – Postcards From Hell | 8 – When Both Sides Suck, We’re All Winners | 9 – No Tomorrow | 10 – Mike Dexter Is a God, Mike Dexter Is a Role Model, Mike Dexter Is an Asshole | 11 – Hell Yeah! | 12 – Fight For Your Right | 13 – Who Brings A Knife To A Gunfight? | 14 – Drink Drink | 15 – Sink Like A Stone | 16 – Worse Than This | 17 – Call Your Friends | 18 – Anthem | ENCORE | 19 – Falling Apart | 20 – All My Friends Are Nobodies

 

Agradecimento: Prime Artists

Todas as fotografias disponíveis em:

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