La Falda geralmente não recebe visitantes desse calibre e Skay Beilinson também não precisa exagerar em cada aparição. Por essa razão, sua estreia na cidade de Córdoba foi direta, sóbria e sem interrupções. Após as 22h (uma hora depois do anunciado) e diante de cerca de 1200 pessoas, o palco ficou iluminado sem cenários ou decorações, a cena era dos músicos e nada mais.

fotos del cronista @garciagarra

O cenário era particular e favorável. Um público variado, famílias inteiras, crianças entre adultos e muitos rostos que passavam, turistas que estavam na região e entendiam que a oportunidade não era deixada escapar.

Desde o começo ficou claro que o som seria um aliado. A mixagem foi clara, poderosa e bem equilibrada, com cada instrumento ocupando seu lugar sem cobrir um ao outro e uma voz muito clara. Um fato não menor: Skay pendurou seu velho SG novamente, e isso ficou perceptível desde o primeiro riff. Seu tom era afiado e cru, com aquele ataque reconhecível que permeia toda música.

O início com “Arcano XIV” foi denso e concentrado, enquanto “Genghis Khan” finalizou o encerramento do quadro e acomodava o som. Só então Skay cumprimentou com um breve “Boa noite, meus queridos.” Não era preciso mais nada.

A primeira parte do espetáculo foi sustentada na construção do clima, daí o tridente de canções que estão entre as mais entoadas e celebradas de seu palco solo: “Tal vez mañana”, “Soldadito de plomo” e “Aves migratorias”. “Late” fez a mudança de pulso e “Todo un palo” confirmou que o coração redondo de ricota já estava batendo. Uma música que já faz parte do DNA argentino.

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Depois vieram “En la cueva de San Andrés” e “¡Corre, corre, corre!”, antes de uma pausa de 10 minutos que não esfriou nada. No caminho de volta, “Ángeles Caídos” deixou um dos momentos mais genuínos da noite: Skay entrou no final do segundo verso e deixou o público cantar. Sem desculpas ou gestos, muitos mesmos.

A seção seguinte mostrou uma banda unida e contínua: “La pared rojo lacre”, “Chico bomba”, “Presagio” e “El fantasma del quinto piso” confirmaram que o presente de Skay não vive das memórias de Ricotero. O inevitável “Jijiji” desencadeou o maior pogo da noite. Quando soa, os corpos respondem sozinhos.

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O encerramento foi com “El Golem de La Paternal” e “Yo soy la máquina”, antes do breve e sincero agradecimento: “Obrigado, meus queridos, foi uma noite linda”. Ninguém comprou a despedida. “Flores secas” abriu o trecho final e, embora a lista incluísse “El sueño del jinete”, a banda decidiu deixar de fora para um final sem reviravoltas: “El pibe de los astilleros / Nuestro amo juega al esclavo” e “Oda a la sin nombre” como última palavra. Às 23h45, tudo foi dito.

Skay continua a sair na estrada, violão na mão, palco após palco, segurando o corpo do rock com presença física. Vê-lo em um lugar como La Falda, na frente de famílias, crianças e muitos públicos ocasionais, reforça essa ideia. Beilinson realiza o ritual físico. Sua decisão de continuar em turnê, de cometer um erro em um verso e deixar o público cantar, de escolher um violão que soe mais cru e direto, fala de um artista constantemente exposto sem simbolismo intangível.

Foi uma noite sólida e austera, com som de alto nível. Skay Beilinson adicionou seu nome a uma praça que tem uma história musical muito rica e fez isso enquanto as páginas que importam estavam escritas: tocar.

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Agradecemos à En Vivo Producciones e ao Turismo La Falda pela organização e pela possibilidade de cobrir o evento

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