– Só os fortes sobrevivem – Edição X –


Quito reafirma o seu território hardcore com a décima edição do Solo los Fuertes Sobreviven

Quito voltou a ser território do hardcore no domingo, 18 de janeiro de 2026, com a décima edição do Solo los Fuertes Sobreviven, o único festival autogerido do género no Equador. Sob o lema Solo los Fuertes Sobreviven X – TERROR, o evento não só comemorou uma década de trabalho independente, mas também reafirmou o seu lugar como um dos espaços mais sólidos de resistência cultural, comunidade e ética DIY dentro da cena nacional.

A presença do TERROR, uma das bandas mais influentes e respeitadas do hardcore mundial, marcou um ponto de inflexão para o movimento local. A sua participação elevou o padrão do festival e consolidou o Equador no circuito latino-americano do hardcore de alto calibre. Mais do que um concerto, foi a confirmação de dez anos de autogestão, esforço coletivo e convicção.

O dia começou com Nostra Victoria, encarregados de acender a chama desde os primeiros acordes. O público respondeu imediatamente: o pit foi ativado, os empurrões e o two-step dominaram o centro do recinto, e a energia coletiva começou a marcar o ritmo da tarde.

A vez passou para Nada A Cambio, mantendo a intensidade tanto na música quanto no discurso. A sua crítica social conectou-se com o público em uma sinergia constante. Apesar de alguns inconvenientes técnicos no final da apresentação, a força do público conseguiu superar os problemas de som, demonstrando que no hardcore a atitude muitas vezes supera qualquer limitação técnica.

Com Prevalecer, a intensidade aumentou. O mosh tornou-se mais agressivo, apareceram os primeiros narizes a sangrar e o já característico «remo coletivo» — parte essencial da sua performance — reafirmou a sua conexão com o público. O seu set deixou claro porque se consolidaram como um dos atos mais contundentes da cena.

De Guayaquil chegou QSQD, trazendo precisão e potência em uma apresentação marcada por colaborações com músicos convidados. O resultado foi uma demonstração de irmandade e coesão, onde a brutalidade do som conviveu com um ambiente de respeito e comunidade.

Os intervalos entre as bandas serviram como pausas estratégicas: para respirar, hidratar-se, compartilhar uma cerveja e preparar-se para o próximo ataque no moshpit.

A vez internacional continuou com os panamenhos Momentos, que ofereceram uma descarga de hardcore carregada de coração e riffs pesados. O vocalista desceu do palco para se misturar com o público, intensificando a ligação direta com a audiência e avivando um pogo que já não precisava de mais provocação.

Um dos momentos mais esperados chegou com Punto de Encaje. Desde a primeira música, o recinto ficou em polvorosa. Música após música, a energia aumentou numa sincronia de slams, pontapés e socos que definiram a atmosfera da noite. A sua apresentação reafirmou o carinho e a fidelidade que construíram com o público.

Finalmente, a escuridão deu lugar ao clímax do dia com TERROR. A expectativa era palpável enquanto Scott Vogel percorria o palco antes de iniciar o ritual sonoro.

Quando os primeiros acordes ecoaram, o recinto transformou-se num turbilhão de energia: mosh, stage dives e ténis a voar pelo ar numa descarga ininterrupta de intensidade.

Música após música, a banda levou a resistência do público ao limite. Os coros foram gritados até à exaustão, os empurrões e cotoveladas multiplicaram-se, e a sensação coletiva era a de uma comunidade que, por algumas horas, parecia invencível. A apresentação do TERROR não só encerrou o festival: selou uma cena que demonstra maturidade, coesão e permanência.

Solo los Fuertes Sobreviven X não foi apenas um concerto. Foi a celebração de dez anos de autogestão e a confirmação de que o hardcore no Equador não apenas resiste: ele evolui, fortalece-se e deixa marcas.