
Após as apresentações incendiárias das bandas brasileiras (leia review aqui), o cenário no Tork N’ Roll já era de pura ebulição. Literal e figuradamente. Mesmo sob um calor sufocante, com uma casa beirando a lotação máxima e uma ansiedade que atravessou eras de espera, os “coroas” do Obituary subiram ao palco para mostrar por que são a espinha dorsal do Death Metal mundial. O que vimos no dia 22 de fevereiro, não foi apenas um show; foi uma verdadeira aula de resistência ao tempo, ao clima e às modas.

A destruição começou com a instrumental “Redneck Stomp“. Não existe abertura mais eficiente no Metal: aquele groove arrastado e cavernoso que obriga cada pessoa no recinto a bater cabeça instantaneamente. Dali em diante, foi uma sucessão de clássicos e porradas recentes. “Sentence Day” e “The Wrong Time” provaram que a potência do grupo permanece intacta, com os riffs de Trevor Peres soando como serras elétricas.
A densidade aumentou quando o grupo mergulhou no passado com “Infected” e a mórbida “Body Bag“, onde a voz de John Tardy — um dos maiores ícones do gênero — ecoou de forma visceral, desafiando a lógica biológica. O mosh pit tornou-se um organismo vivo, alimentado por invasões de palco e até um jacaré inflável arremessado ao público, simbolizando o espírito caótico e pantaneiro da Flórida em plena Curitiba.

O ponto de mutação emocional veio com a sequência de “Dying” e a icônica “Cause of Death“. Ouvir esses hinos ao vivo é entender a fundação do Death Metal raiz: lento, pesado e asfixiante. A técnica de Donald Tardy na bateria, mantendo o bumbo preciso em meio ao calor exaustivo, foi de cair o queixo. Ainda sobrou tempo para a obrigatória e devastadora “Chopped in Half“, que emendada com “Turned Inside Out“, quase colocou as paredes do Tork abaixo.

O massacre, que durou cerca de uma hora, foi curto na minutagem, mas eterno na intensidade. Para o ato final, não poderia ser outra: “Slowly We Rot“. O clássico absoluto que definiu uma era encerrou a noite com uma brutalidade que deixou todos atordoados.
Saímos do Tork N’ Roll exaustos, suados e com os ouvidos zumbindo, mas com a alma lavada. O Obituary provou que o Death Metal não precisa de artifícios modernos para ser relevante; ele precisa de verdade, volume e uma dedicação inabalável ao que se faz.
Foi uma noite de celebração nostálgica, sim, mas também uma afirmação firme de que, enquanto esses mestres estiverem no palco, o gênero jamais perderá sua força. A espera valeu cada segundo. O Death Metal vive, apodrece e renasce a cada riff desses monstros da Flórida.
Setlist:
1.Redneck Stomp
2.Sentence Day
3.A Lesson in Vengeance
4.The Wrong Time
5.Infected
6.Body Bag
7.Dying
8.Cause of Death
9.Circle of the Tyrants (cover Celtic Frost)
10.Chopped in Half
11.Turned Inside Out
12.I’m in Pain
13.Slowly We Rot


