
No último dia 22 de fevereiro de 2026, o Tork ‘n’ Roll em Curitiba foi transformado em um verdadeiro campo de batalha. Antes mesmo dos mestres da Flórida subirem ao palco, o público paranaense foi testemunha de uma demonstração de força e técnica que reafirma a vitalidade do metal extremo brasileiro. Com uma dobradinha explosiva entre o Thrash visceral de Maringá e o Death Metal avassalador de Bauru, a noite começou com o pé no peito.

Dando início aos trabalhos, os maringaenses da Enslaver entregaram o que se pode chamar de um show de Thrash Metal perfeito.
Desde o primeiro acorde, a banda estabeleceu uma atmosfera pulsante e energética que não deu trégua ao público. É impossível não traçar paralelos com a fase áurea do Sepultura, uma influência clara na sonoridade do grupo, mas que aqui surge de forma autêntica e revigorada. A Enslaver não soa como um tributo; eles possuem uma identidade forjada em riffs elaborados e uma presença de palco contagiante.
Músicas como “Blood Will Follow Blood“, “Insane Mankind” e “Deathcurse” mostraram a precisão cirúrgica do quarteto, enquanto “No Regrets” manteve a adrenalina no talo. O ápice da apresentação veio com uma homenagem magistral à banda mineira: um tributo com “Slaves of Pain“, que transportou todos os presentes para a época de ouro do metal nacional e deixou o público totalmente “on fire” para o restante da noite.

Vindo diretamente de Bauru, São Paulo, a Rotborn assumiu o comando com a missão de elevar ainda mais o nível de brutalidade, e o fez com uma autoridade impressionante. O Death Metal do grupo é denso e moderno, mas o que realmente causou espanto foi a potência vocal estrondosa apresentada no palco.
O setlist, focado em composições que primam pela agressividade e técnica, teve momentos de puro impacto com “Preventive Dismemberment” e “Shrapnels of a Panic Spiral“. A complexidade de “Prosopagnosia” demonstrou a maturidade da banda, que encerrou sua participação com a destruidora “Gods of Submission“. A Rotborn provou que o interior paulista continua sendo um celeiro inesgotável de metal extremo de altíssima qualidade.

O que se viu no palco do Tork ‘n’ Roll foi muito mais do que uma abertura para uma banda internacional; foi uma afirmação de identidade e um choque de realidade para os céticos.
Tanto a Enslaver quanto a Rotborn entregaram apresentações que transbordaram profissionalismo, paixão e uma técnica que honra o legado do metal construído em nosso solo. Elas são a prova viva de que o discurso de que o metal nacional se resume à importância histórica de apenas dois ou três nomes está redondamente equivocado. É hora de estourarmos essa bolha e olharmos para os lados.
O underground brasileiro não é apenas um “celeiro de promessas”, mas uma realidade pulsante que agita casas lotadas, empolga o público e faz a engrenagem da cena girar na prática, dia após dia. Ver bandas de Maringá e Bauru dominarem uma capital com tanta autoridade mostra que a renovação não é um plano para o futuro, é o agora. Saímos dessa primeira metade da noite com a certeza de que a bandeira do Thrash e do Death Metal nacional está em mãos extremamente competentes, deixando o caminho não apenas pavimentado, mas em chamas para a entrada dos mestres da Flórida. Quem ignora a força dessas bandas, ignora a própria alma do metal brasileiro atual.


