No dia 1º de abril, o Jockey Club de Porto Alegre foi palco de um dos shows mais aguardados do ano na cidade: Guns N’ Roses. Uma data que muitos fãs já tinham marcado no calendário e protegido de qualquer compromisso, para testemunhar ao vivo uma das bandas mais icônicas da história da música.

É preciso, antes de tudo, alinhar expectativas. Desde o retorno da banda aos palcos, a voz de Axl Rose, que por décadas foi uma das assinaturas mais marcantes do grupo, já não apresenta a mesma consistência de outrora. No entanto, reduzir a experiência a esse fator seria não compreender o que está em jogo. Porque, instrumentalmente e em termos de presença de palco, o Guns N’ Roses continua sendo uma força impressionante. A entrega é total, e Axl, mesmo com as limitações naturais do tempo, não se poupa em nenhum momento.
Comparar a banda atual com a formação dos anos 90 é um exercício inevitável, mas pouco produtivo. O que se vê hoje no palco não é uma réplica do passado, e nem precisa ser. São os próprios Guns N’ Roses: uma entidade viva, composta por músicos que ajudaram a moldar o rock moderno e que ainda carregam consigo um legado impossível de ignorar.
A abertura da noite ficou por conta da Halestorm, liderada por Lzzy Hale. Longe de assumir um papel secundário, a banda entregou uma performance intensa e energética, deixando claro desde o início que não estavam ali apenas como coadjuvantes. Com presença de palco marcante e execução afiada, o grupo conquistou o público e elevou o nível da noite.

A entrada dos Guns foi, como esperado, explosiva. “Welcome to the Jungle” abriu o setlist, estabelecendo imediatamente a conexão com o público. Curiosamente, é justamente nesse tipo de faixa que Axl demonstra ainda ter controle e potência vocal, quase como um lembrete de que a essência da banda permanece intacta.
Assistir a um show do Guns N’ Roses é vivenciar uma sequência praticamente ininterrupta de clássicos. Da primeira à última música, o repertório é composto por hits que atravessaram décadas e continuam sendo cantados em uníssono por diferentes gerações. Em um dos momentos mais simbólicos da noite, a banda ainda prestou homenagem a Ozzy Osbourne, interpretando uma de suas canções mais emblemáticas, gesto que reforça a conexão entre gigantes da história do rock.

A origem de um fenômeno
Formado em 1985, em Los Angeles, o Guns N’ Roses surgiu da fusão de duas bandas locais: Hollywood Rose e L.A. Guns. A formação clássica, com Axl Rose, Slash, Duff McKagan, Izzy Stradlin e Steven Adler, rapidamente ganhou notoriedade no circuito underground da cidade.
O lançamento de “Appetite for Destruction”, em 1987, marcou uma ruptura com o hard rock glam dominante da época. Cru, agressivo e visceral, o disco trouxe sucessos como “Sweet Child O’ Mine” e “Paradise City”, consolidando a banda como um fenômeno global. Ao longo dos anos seguintes, apesar de mudanças na formação e conflitos internos, o grupo manteve sua relevância e construiu uma discografia que atravessou gerações.
O show em Porto Alegre não foi apenas um concerto, foi um encontro com a história. Criticar a banda por não reproduzir exatamente o que foi há três décadas é ignorar o peso do tempo e, principalmente, a grandeza do que ainda entrega ao público.
Porque, no fim das contas, o Guns N’ Roses não é apenas uma lembrança do passado. É uma banda que continua subindo ao palco, tocando para multidões e reafirmando, noite após noite, por que se tornou uma das maiores de todos os tempos.
E isso, por si só, já é mais do que suficiente.
Fotos Oficiais Team Brazil. Cedido por: Produção Guns N’ Roses.

