
Na última quinta-feira, 12 de fevereiro, o Basement Cultural em Curitiba foi palco de uma das celebrações mais intensas do Black Metal em solo paranaense neste ano. Com a produção de Gerunda Produções, Impaled Records e Caveira Velha, o que foi visto não foi apenas uma sequência de shows, mas um verdadeiro ritual que uniu a tradição europeia à força indestrutível da cena nacional. Com um lineup de respeito, a noite foi marcada por técnica apurada, domínio de palco e conexão com o público.
A abertura ficou por conta dos prata da casa, o Abadon. Jogando em seus domínios, a banda de Black Metal curitibana provou por que é um dos nomes mais respeitados da região. Com uma sonoridade densa e uma postura imponente, o grupo preparou o terreno com maestria. A execução foi cirúrgica, mostrando que o metal extremo local não apenas mantém a chama acesa, mas a faz arder com um vigor técnico formidável.

Dando continuidade ao massacre, os veteranos da Great Vast Forest subiram ao palco para reafirmar o poder do Black Metal brasileiro. Com décadas de estrada, a banda entregou uma performance carregada de ódio e atmosfera. A fluidez entre as músicas e a presença de palco demonstraram uma maturidade sonora impressionante, envolvendo o porão do Basement em um manto de escuridão que preparou o espírito de todos para o que viria a seguir.

O ápice da noite, como esperado, foi a apresentação dos finlandeses do Azaghal. Uma das instituições do Black Metal mundial, a banda deu uma aula de como equilibrar agressividade e interação. O domínio técnico foi absoluto, mas o que realmente surpreendeu e cativou os presentes foi a postura do vocalista.

Arriscando-se no português para interagir com os fãs, ele demonstrou um respeito raro e uma gratidão genuína pelo apoio da cena curitibana. Essa troca de energia transformou a agressividade das músicas em uma celebração coletiva. O setlist foi um massacre cronológico, passando por clássicos como “Black Terror Metal“ e culminando em momentos de pura catarse com “Agios O Baphomet“ e “Juudas“.
O evento no Basement Cultural foi impecável. Saímos daquela noite com a certeza de que o Black Metal, em sua forma mais pura e técnica, continua sendo uma força da natureza. A união entre bandas locais e internacionais, celebrada com tamanha perfeição sonora, é o que mantém a nossa cena viva e pulsante. Curitiba provou, mais uma vez, ser uma das capitais mais sombrias e fiéis do metal extremo mundial.



