Ozzy em 2013 mitando na Argentina!

Quem escreve aqui não é a Natalia, redatora do CEP. Não, não hoje 22-07-2025.
Quem está tentando tecer algumas linhas, é uma pessoa que não sabe como lidar com esse sentimento da perda (de novo) e talvez, acha que escrevendo, possa se sentir menos pior.

Escrevi há alguns dias sobre o show do Guns N’ Roses aqui em Curitiba, que acontecerá em outubro deste ano (mais informações, clique aqui), e eles (ao menos aqui), começam com slogan ” E se você tivesse uma última chance?”

Uma pergunta e apelo extremamente capcioso, tendo em vista a idade de Axl e cia e o estilo de vida que levaram na juventude…

Mas, infelizmente, 22.07.2025, recebemos notícia que sabemos que receberíamos, mas não hoje, não tão cedo, não tão repentino: “Ozzy Osbourne, ícone do heavy metal mundial, faleceu aos 76 anos, deixando um legado musical e bilhões de fãs”.

O show de despedida ocorrido no última dia 05 de julho, emocionou e deixou milhares de fãs pelo globo, com mix de alegria mas também tristeza sem explicação: A (minha) nossa geração, terá que lidar com a partida dos ídolos, e isso, nem de longe, é algo que sabemos, soubemos, ou sequer, saberemos lidar.

Na cultura ocidental, a morte, por mais que seja a única certeza que temos, também é, de certo modo um tabu e que nós, diferentemente dos orientais, não sabemos lidar. A partida, o luto, aceitação, tudo isso aprendemos apenas a (tentar), engolir seco e seguir adiante, sufocando assim, sentimentos importantes.

Ozzy Osbourne desde sempre foi uma figura difícil de compreensão e aceitação. Talvez também por isso, seja nome que representará toda uma geração, seja da de 70, seja da de 80, 90 e até arrisco dizer parte do início dos anos 2000.

Irreverente, controverso, excêntrico, mas sempre, sendo ele mesmo: no palco, nas fraquezas, nas alegrias, nas loucuras. Estilo musical que ousou em todos os aspectos, abraçando e permeando todas as áreas: rap, baladas, metal, do rock, etc.

Abuso de álcool, drogas entre sabe-se lá mais o que pode ter ocorrido, cobraram preço anos depois: conforme fora envelhecendo, organismo ficava mais debilitado.

Ele sabia, em inúmeras entrevistas, ele sempre dizia que tinha consciência de que estava envelhecendo, de que não era imortal, que o corpo estava debilitado. Mais ainda: ele tinha a certeza de que não queria partir deste plano, sem ser notado (em sua velhice), sem um último ato.

Assim, fomos então contemplados, agraciados, privilegiados, com o “impossível”: uma última apresentação do Black Sabbath, em julho de 2025, onde tudo começou com os outros 3 companheiros, Iommi, Butler e Ward. Tão épico, que se eu não conhecesse, e alguém me contasse, após contar tooooda história da banda etc, jamais acreditaria, tamanha magnitude!

Então chegou dia do show, dia da despedida! Entre tantas bandas, músicos convidados, quase 9 horas de música e celebração (EM VIDA) daqueles que foram diretamente influentes na formação de todos que ali tocavam, o sentimento, de que…. Somos finitos.

Ver Ozzy surgindo, em seu trono, debilitado, com energia infinitamente melhor a minha, uma vontade, paixão, força na voz, é algo que dificilmente a gente esquece.
Posso dizer com a certeza de que meu time vai me estressar no campeonato nacional, que não teve uma única pessoa, que ao ver Ozzy cantando Mamma I’m coming home, que os olhos não marejaram.

Ozzy em Porto Alegre, com a bandeira do melhor time do Rio Grande do Sul, na casa do rival. Março/2011

Emoção que vinha do próprio Ozzy, é que estávamos, na realidade, realmente nos despedindo dele. Ele tinha apenas 1 propósito a esta altura: fazer um último show! Apenas isso e então poderia partir tranquilamente.

Ao final do show… Estávamos ali, felizes, mas com uma tristeza sem explicação. Peso no olhar… E então pouco mais de 15 dias após, o Príncipe das Trevas, nos deixa.

Poderia escrever pelo menos uns 5 livros sobre a vida, influência, as loucuras, a música, amor pela esposa e filhos etc. Porém, ele nos “deu de presente” privilégio da despedida.
Então, de certa forma, sabíamos que não o veríamos mais nos palcos… E que com a saúde fragilizada, hora ou outra, receberíamos a pancada.

A comoção com a partida do Ozzy não é de mera tristeza, é de uma dor e buraco tão profundos, que até quem não é fã de heavy metal sente. Esse é a grandeza deste homem! Até quem não é fã, sente.

Então, e se você tivesse uma última chance? Se nossos ídolos (que já se foram), pudessem ter a “lucidez” de realizar um último ato? E se tivéssemos uma última chance, com amigos ou familiares?

Infelizmente, não podemos prever, e em relação aos nossos ídolos, aqueles que ainda estão entre nós, a tendência, é dizer adeus a cada um deles… Só não sabemos quando será, salvo se eles, assim como Ozzy, puder nos agraciar com um “ultimo ato”.

Nossa geração está grisalha, nossos ídolos envelheceram! E nós também! No Brasil, este segundo semestre será marcado por shows e mais shows de grandes nomes do cenário do rock e metal e a maioria dos caras, não tem mais aquele frescor da juventude.

Então, você, fã, dentro das possibilidades, se tiver alguma oportunidade, VÁ AOS SHOWS! Compareça!!! Parcele em 36x ingresso, compre aquela peita que tanto queria, álbum, enfim.. Porque esses momentos, não voltarão. Aliás, não sabemos nem se essas bandas poderão voltar para uma próxima tour, você pode não ter uma última chance, não desperdice esse momento!

Ozzy, não serei hipócrita aqui: não sou a mais fanática das fãs, adoro as baladinhas, tua fase no Sabbath… Tua importância vai além, muito além do que o que gosto ou não.
Creio que falo por muitos aqui.. Obrigada por toda influência, toda genialidade, loucura, obra, risadas, ensinamentos, acordes, shows, biografia, lágrimas, sentimentos e momentos!

Tua imensidão não pode ser medida em uma postagem, em uma matéria num site, quiçá em um livro, mas tudo o que estamos sentindo neste momento, mostra na prática, tamanho da tua importância, grandeza e influência em nossas vidas!

Até breve! Rest in Power!

Facebook - Comente, participe. Lembre-se você é responsável pelo que diz.