Num festival onde cada detalhe importa, o The Town 2025 entende que música não se vive apenas com os ouvidos. A experiência é total — ela entra pelos olhos, pulsa no peito e, agora, invade o paladar. É com essa proposta que o espaço Market Square ressurge repaginado, ampliado e com uma curadoria de peso assinada por ninguém menos que o chef Henrique Fogaça, figura conhecida tanto nas cozinhas quanto nos palcos do rock.
Fogaça assume o comando do cardápio com a mesma intensidade com que lidera o Cão Véio, gastropub criado ao lado de Badauí, vocalista do CPM 22. E o espírito é o mesmo: comida com pegada, cheia de personalidade, pensada para combinar com o som que ecoa pela Cidade da Música. Nesta edição, ele mergulha nas várias tribos do festival e traduz o espírito de cada estilo musical em pratos que carregam identidade, memória e potência.

O Market Square virou quase um festival à parte. São seis estações gastronômicas, bares, uma área climatizada de mais de 1.200m² e a grande novidade: a Beer Garden, um espaço ao ar livre de 500m² com chope gelado na Beerwall de autoatendimento, mesas para descansar e uma vista privilegiada da Cidade da Música. Um respiro no meio do caos delicioso que é o festival.
Mas o que realmente faz o Market Square brilhar é a narrativa por trás de cada cardápio. Aqui, o rock vira burger com queijo gouda, picles de maxixe e fonduta de batata com guanciale crispy. É comida pra morder com vontade, como um riff bem sujo saindo de um amplificador no talo. O punk e o hardcore aparecem em pratos quentes, crocantes, com sotaque de rua e alma de garagem.
Já a ala do samba e hip hop traz o sabor do improviso, da roda, da raiz urbana. Pastel de feira, torresmo com limão cravo, bolinho de arroz com aioli de tabasco — comida com malandragem, que conta histórias e alimenta tanto o corpo quanto a memória.
Se a pista estiver quente e o clima for de celebração, a disco music vira pizza em fatias, cannoli de pistache e house retrô em forma de comunhão gastronômica. O espaço ainda dá voz ao cosmopolitismo paulistano com a estação Fusão Global, onde a mistura é palavra de ordem — guiozas, oniguiris e karaguê mostram que São Paulo é feita de muitas culturas, e todas cabem num prato.
A MPB contemporânea aparece com pratos mais leves, conscientes e tropicais. Salada, arroz 7 grãos, burger veggie — a trilha sonora aqui é de lo-fi tropical, e o sabor tem a leveza das manhãs de domingo em São Paulo. E para desacelerar, o jazz & blues ganha versão gourmet com queijo coalho tostado, nhoque de mandioquinha e pudim de cumaru, numa curva elegante no meio do caos do festival.
Mais do que uma praça de alimentação, o Market Square é uma síntese da cidade. É a Augusta e o Capão, é a Mooca e a Liberdade, é o jazz e o punk servidos na mesma bandeja. É Fogaça fazendo o que sabe: transformar atitude em sabor, e sabor em experiência. No The Town 2025, o som se mastiga. E tem gosto de São Paulo.


