
“Van Gogh disse uma vez que ‘Muitas vezes me parece que a noite é muito mais viva e ricamente colorida do que o dia…‘”
Bem, após o show potente da Hellway Train (leia o review completo aqui), esta redatora nunca imaginou que ficar na escuridão com cinco suecos seria tão divertido e alucinante. Sim, estamos falando do show da banda sueca Ambush, que serviu de ponte entre o metal nacional e o headliner Grave Digger. E, para a primeira vez desta que vos escreve em vê-los no palco, a experiência foi algo surreal!

O show do Ambush entrou para a história do Tork N’ Roll por um motivo inusitado: um apagão no palco deixou a banda sem iluminação boa parte do tempo.
Contudo, essa adversidade técnica não apenas foi superada, como se transformou em um elemento de performance inesperado. O som do Ambush é tão único e o carisma da banda tão potente que, mesmo na penumbra, o show foi alucinante e perfeito. Os suecos provaram que o Heavy Metal “não precisa de luzes para brilhar”; ele precisa apenas de paixão, profissionalismo e riffs matadores.
Antes de tudo, devemos falar da profunda conexão do Ambush com o Brasil. A simpatia e o carisma da banda são notáveis, mas o que realmente impressiona é o excelente português que eles demonstraram — aliás, melhor do que de muito brasileiro, como se brinca por aqui!

As chamadas para os shows no Brasil foram cercadas de bom humor, cerveja e particularidades de cada cidade. Para Curitiba, a banda fez uma excelente e emocionante homenagem a um ícone da cidade que faleceu neste ano, o lendário “Oil Man“. Esse carinho e atenção aos detalhes demonstram o respeito e a paixão que a banda tem pela sua base de fãs aqui no país.
Com álbum novo lançado em setembro (leia o review do álbum aqui), o Ambush trouxe a Curitiba um repertório que celebrou sua fase atual e os hinos que o público já conhece.
O show começou com a explosão de “Firestorm“. Logo após a execução de “Possessed by Evil“, a iluminação do palco se apagou completamente, e o show do Ambush entrou para a história do Tork N’ Roll por ter seguido na maior parte do sem luz. Contudo, essa adversidade se transformou em uma prova de fogo que a banda superou com maestria.
O som não parou, e a banda seguiu com força total. Oskar Jacobsson, vocalista com uma afinação IMPECÁVEL, demonstrava carisma e excelente português, aproveitava o momento para interagir com o público, brincando sobre a situação e, inclusive, evocando pelo “poder da cachaça” para que a luz voltasse.
Faixas como “Evil in All Dimensions” e “Maskirovka” trouxeram a força do material mais recente, provando que o Ambush está em excelente forma composicional. O show foi uma sucessão de riffs que não davam trégua, mantendo a energia lá em cima.

O grande momento de virada da narrativa veio quando, no meio da execução de “Bending the Steel“, a iluminação do palco retornou triunfalmente! A música ganhou uma carga emocional extra com a luz, coroando a vitória da banda sobre o imprevisto. Os hinos “Come Angel of Night” e “Natural Born Killers” que se seguiram, já sob os holofotes, ganharam um brilho especial.
O encerramento com “Don’t Shoot (Let ’em Burn)” foi o clímax e encerramento de um show surreal! Aqui devemos ressaltar que, para quem não os conhecia ou os via pela primeira vez, a qualidade técnica da banda, sincronia, afinação, energia e ânimo garantiram uma impressão avassaladora, mesmo com o problema inicial.
O Ambush provou que a precisão, a afinação e a energia são sua maior arma, transformando um imprevisto técnico em uma vitória memorável. Esta performance cravou o nome do Ambush no coração do público curitibano: uma noite do tradicional heavy metal oitentista puro, que ficará para sempre na memória do Tork N’ Roll.
Setlist Ambush:
1. Firestorm
2. Possessed by Evil
3. Evil in All Dimensions
4. Maskirovka
5. Desecrator
6. Hellbiter
7. Come Angel of Night
8. Bending the Steel
9. Natural Born Killers
10. Don’t Shoot (Let ’em Burn)



