- Hellway Train, Tork N’ Roll, 2025. Curitiba/PR. Foto: Natalia Larroyed – @nat_larroyed
“É só dos sentidos que procede toda a autenticidade, toda a boa consciência, toda a evidência da verdade.” Friedrich Nietzsche.
Na noite de quarta-feira, 12 de novembro, em Curitiba, o palco do Tork N’ Roll preparou-se para uma celebração do Heavy Metal global, com a apresentação do Grave Digger (em comemoração aos 45 anos de carreira) e Ambush. No entanto, a missão de iniciar o ritual coube à força nacional da Hellway Train, e autenticidade e verdade são excelentes palavras para definir a banda no palco.

Embora a banda mineira venha com uma certa regularidade a Curitiba, tendo tocado com grandes nomes nacionais e internacionais, a grande missão deste review é (tentar) relatar todas as nuances da performance através do olhar de quem a viu pela primeira vez ao vivo.

A Hellway Train é uma potência brasileira de Heavy Metal de Belo Horizonte/MG, fundada em 2010 por Marc Hellway e Vinicius Thram. A banda é conhecida por seu som clássico de heavy metal um tanto old-school com influências de Speed Metal, mantendo viva a tradição da cena metálica dos anos 80. E essa proposta se traduziu no palco com uma sinceridade visceral e uma presença de palco assustadoramente fantástica de todos os integrantes.
Dito isso, seria fácil escrever apenas sobre a trajetória do líder Marc Hellway, dada sua importância para o metal mineiro. O show foi cercado de uma verdade e intensidade raras.
A presença de palco do vocalista Marc Hellway é algo tão vivo, intenso, presente e honesto que cativa a atenção do público de forma imediata. Ao lado dele, os demais formavam uma unidade impressionante: Vinicius Thram (guitarra) e Chris Maia (baixo) tocavam com tamanha intensidade que seus corpos pareciam extensões dos instrumentos, criando uma coesão rítmica maravilhosa. Na bateria, Filipe “Stress” tocava com uma energia incrível que lembrou, em muitos momentos, o jovem Nick Menza no início da década de 90.

Para aqueles que insistem em dizer que o Metal no Brasil está morrendo, é urgente sair da bolha de bandas que anunciam “aposentadorias” e pesquisar mais. O show da Hellway Train reforçou a certeza: o metal brasileiro está vivo, pulsante e em constante crescimento, seguindo o exemplo de shows de qualidade vistos na véspera (Phantom Star e Throw Me To The Wolves, leia review aqui).
O setlist da banda foi uma demonstração concisa e que mostrou sua força, focando em alta energia e impacto direto.
O punch inicial veio com “Midnight Subway Train” e “Stryke By Lightning“. Em seguida, hinos como “Born to Rock Hard” e “Out of the Cellar” mantiveram a energia em alta. Um dos momentos de maior entrega foi “Calling All The Shots“, onde Marc Hellway comandou o público, explorando toda a atitude e precisão da banda, sem deixar de lado discurso enaltecendo a força do metal nacional e do underground. A união de Vinicius e Chris Maia se destacou em “Bounded to Devour“, faixa que exalava o poder do Heavy Metal clássico e demonstrou o domínio técnico dos músicos.

Após um momento de ‘descontração’ com o medley/cover de “Off the Rails + Bomberman“, encerrando o show em alta velocidade que sintetizou toda a intensidade da performance.
A primeira impressão desta redatora é de que a Hellway Train é, indiscutivelmente, uma das joias mais brilhantes e vibrantes em ascensão da cena brasileira. O show foi uma avalanche de Heavy Metal honesto, e foram tantos os elementos de excelência para prestar atenção — da precisão rítmica da bateria à sinceridade de palco do vocal — que esta redatora ainda está tentando processar tudo o que viu e sentiu. Um triunfo que prova: o metal mineiro tem um brilho inesquecível.
Setlist Hellway Train: descrita na resenha na ordem em que foram tocadas.


