O DOOMED FEST regressou a Viseu para a sua sétima edição, mais uma vez na Associação Cultural Fora de Rebanho, no dia 7 de fevereiro de 2026. O festival consolidou-se como um espaço para bandas à margem do mainstream, com atmosferas densas, sons extremos e uma ligação direta com o público. A edição de 2026 trouxe uma programação intimista e coesa, onde cada banda contribuiu para criar duas noites de pura intensidade sonora.


Monstru

Monstru abriram o festival com uma energia crua e intensa, mostrando já uma identidade sonora firme, apesar de estarem numa fase inicial do percurso artístico. Abriram com “Vermelho” e passaram por temas do EP Aos que não acordaram, como “Em Segredo” e “Jaulas Invisíveis”, criando imediatamente uma atmosfera pesada e envolvente.

A banda mostrou um domínio notável do palco, equilibrando riffs agressivos, bateria potente e momentos mais atmosféricos que mantiveram a atenção do público. Cada música parecia construída para amplificar a intensidade da noite e preparar a plateia para o que estava por vir.

Mesmo sendo uma banda ainda em crescimento, Monstru conseguiu criar um impacto imediato, provando que a sua música e presença de palco têm força suficiente para marcar o início de um festival extremo. A energia e entrega em cada momento fizeram da sua atuação uma abertura memorável.


Belzebitch

Belzebitch subiram ao palco pela primeira vez, trazendo um som denso, ritualístico e pesado. Tocaram músicas do EP Serpent Moon, como “Satanic Vision”, entre outras  faixas do álbum lançado em junho de 2025, transmitindo uma atmosfera quase ceremonial que captou a atenção do público desde os primeiros segundos.

A banda mostrou uma presença de palco confiante, apesar de estarem a estrear-se ao vivo. A densidade sonora e a combinação de riffs pesados, bateria sólida e vocais agressivos criaram um clima que envolveu toda a plateia, despertando curiosidade e entusiasmo por cada tema.

A receção do público foi calorosa, demonstrando que, mesmo em estreia, Belzebitch consegue impor força e identidade próprias. O concerto provou que a banda tem capacidade para crescer rapidamente dentro da cena extrema, criando uma conexão imediata com quem assistia.


Burn to Death

A primeira atuação da banda em solo português marcou o início da ascensão de Burn to Death no festival. Tocaram faixas como “The Devil’s Blood”, “Inhuman” e do EP Doomed by Reality, com um som cru, agressivo e pesado que elevou o nível da intensidade da noite.

O público respondeu com energia, reagindo fisicamente aos riffs e à bateria potente. A banda demonstrou uma força sonora impressionante, mantendo a plateia atenta e entregue do início ao fim, consolidando cada tema com precisão e brutalidade.

Cada música reforçou a sensação de que Burn to Death não estava apenas a tocar, mas a criar uma atmosfera imersiva, fazendo da sua primeira atuação em Portugal um momento de destaque e preparando a plateia para a sequência do festival.


Avesso

 


Avesso trouxe uma abordagem diferente, uma mistura de rock e metal com momentos atmosféricos. Tocaram temas do álbum de estreia Desassossego, incluindo “A Existência dos Homens” e “Se Eu Pudesse Trincar a Vida Toda”, com uma interpretação intensa e energia constante no palco.

A banda conseguiu equilibrar momentos calmos e introspectivos com explosões sonoras, mantendo a plateia envolvida e criando um contraste refrescante entre os concertos mais extremos da noite. A interpretação em palco reforçou a profundidade das letras e a intensidade emocional das músicas.

Avesso mostrou que o rock/metal atmosférico também tem espaço no DOOMED FEST, oferecendo um momento de reflexão e conexão emocional sem perder força nem presença, preparando o terreno para o regresso da brutalidade sonora com as bandas seguintes.


Blóð

Blóð dominaram o palco com uma presença forte, intensa e quase ritualística, abrindo com “Gehenna” e passando por temas do novo álbum Mara, como “Malignant”, e do álbum Serpent, incluindo “LVCIFER”, “HECATE” e “BLÓД. Também revisitaram o primeiro álbum com “Tentacles” e fecharam com “Martyr”.

A banda combinou produção visual, teatralidade e brutalidade sonora, mantendo o público hipnotizado do início ao fim. A atenção ao detalhe e a execução impecável criaram uma experiência envolvente, onde música e espetáculo se fundiram de forma memorável.

O concerto demonstrou como Blóð consegue transportar o público para outra dimensão, com intensidade, dramatismo e energia, elevando a fasquia para as atuações seguintes e consolidando a sua reputação na cena extrema.


Necrobode

Necrobode fecharam a noite com um impacto visceral. Iniciaram com “Tumba Universal” e tocaram faixas como “Santo Santuário do Ódio”, “Inferno Escarlate”, “Sodomia Bestial” e “Evangelho Negro”, terminando com uma cover de Beherit, “The Gate of Nanna”.

O som pesado, riffs repetitivos, bateria martelante e vocais distorcidos criaram um clima opressivo e ritualístico que manteve o público totalmente absorvido. Cada música reforçou a atmosfera extrema do festival, impondo intensidade e brutalidade do início ao fim.

A atuação de Necrobode consolidou a essência do DOOMED FEST: densidade sonora, energia crua e relação direta com o público. Foi um encerramento à altura, deixando uma marca inesquecível na primeira noite e provando que este festival é um ponto de referência do underground em Portugal.

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