Após um primeiro dia cheio, com 9 shows intensos, agora era a vez de curtir o segundo dia do Z! Live, que prometia ainda mais!

O dia estava tão quente quanto o anterior, mas isso não impediu os fãs de estarem lá já na abertura dos portões. Impediu apenas uma pessoa: a redatora que vos escreve. (risos nervosos)

Infelizmente, passei mal durante quase todo o dia. Mas isso é papo para outro momento, prometo vir escrever sobre isso ao final.

Este foi um dia mais dedicado ao hard and heavy, com nada menos que os lendários Saxon como headliners. Mas antes de chegarmos a eles, continue lendo para ficar por dentro de tudo o que rolou neste segundo dia de festival!

Ambiente @ Z! Live 2026 | Photos by Javier Bragado - @javierbragado
Ambiente @ Z! Live 2026 | Photos by Javier Bragado – @javierbragado

XERIA

Abrindo o Silver Stage, a banda espanhola Xeria, de Valladolid, foi a responsável por dar o pontapé inicial ao dia. O grupo é uma das grandes promessas do metal sinfônico e melódico moderno na Espanha.

Infelizmente, não tive a chance de vê-los, justamente pelo mal-estar que me acompanhou desde o início do dia. Mas, pelo que pude saber, cumpriram muito bem o seu papel, e já havia um bom número de festivaleiros apreciando o som.

Deixo com vocês belas fotos dos meus colegas de imprensa:

KARDINAL X

Kardinal X @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography - @fceaphotography
Kardinal X @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography – @fceaphotography

A abertura do Copper Stage, por volta das 17:15, ficou a cargo do Kardinal X, banda de heavy metal tradicional e hard rock vinda diretamente de Londres. A proposta musical do quarteto resgata a essência da lendária NWOBHM.

Promovendo o lançamento de seu mais recente trabalho de estúdio, Redemption, lançado no recente dia 2 de junho, o setlist mesclou novidades com faixas do álbum de estreia The Revolution (2021).

Para abrir o concerto, “Resistance” deu início aos punhos erguidos à frente do palco, seguida de “Cage” e “Wolves”, numa sequência forte do álbum recém-lançado.

À frente do palco, o público começava a se formar melhor, bastante atento, com alguns já dançando mais empolgados. Os instrumentais estavam muito bons, e a banda bastante entrosada.

Fechando o setlist de forma bem energética, “Dark Light” e “Scourge”, ambas de The Revolution. Ao final, saíram aplaudidos por toda gente ali presente, em um show honesto.

Setlist completo: 1. Resistance | 2. Cage | 3. Wolves | 4. Dark Water | 5. Shadows | 6. Cult Of XII | 7. Empty Throne | 8. Dark Light | 9. Scourge

BURNING WITCHES

Burning Witches @ Z! Live 2026 | Photos by Javier Bragado - @javierbragado
Burning Witches @ Z! Live 2026 | Photos by Javier Bragado – @javierbragado

De volta ao Silver Stage, agora com um público já bem composto cobrindo mais da metade da área à frente do palco e fugindo da exposição ao calor, era a vez de uma das atrações que eu mais aguardava. E percebi que muita gente também estava ansiosa, especialmente várias mulheres posicionadas na grade para prestigiar as bruxas no palco.

As Burning Witches estão entre os grupos mais ativos do heavy metal tradicional totalmente formado por mulheres na atualidade, evocando estética e sonoridade fortemente inspiradas nos anos 80. E, sinceramente: eu amo!

A banda apresentou seus hinos mais poderosos, além de faixas do álbum mais recente, Inquisition (2025), em um setlist muito feliz, começando com “Soul Eater” e “Shame”.

“Dance With the Devil” chegou como o grande sucesso que é, com Laura Guldemond surgindo com sua máscara vermelha de chifres. Aliás, sua voz por si só já é poderosíssima, e as instrumentistas não ficam nem um pouco atrás. Tudo muito alinhado, com energia transbordando em palco. E o público recebia tudo com enorme entusiasmo e muitas cabeças rolando!

Para os fãs mais antigos, como eu, ainda houve espaço para clássicos como “Black Widow”, “Lucid Nightmare” e “Hexenhammer”. O encerramento veio com o grito de guerra “Burning Witches”, fechando com chave de ouro um show explosivo.

Setlist completo: 1. Soul Eater | 2. Shame | 3. Dance With the Devil | 4. The Dark Tower | 5. Sea of Lies | 6. Inquisition | 7. Black Widow | 8. Lucid Nightmare | 9. Hexenhammer | 10. Wings of Steel | 11. The Witch of the North | 12. Burning Witches

SU TA GAR

SU TA GAR @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography - @fceaphotography Xeria @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography - @fceaphotography
SU TA GAR @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography – @fceaphotography Xeria @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography – @fceaphotography

O metal basco chegou na tarde de sexta-feira, cortesia de uma das bandas mais consagradas do gênero: Su Ta Gar. Com mais de três décadas de carreira, a banda de Eibar permanece um ícone indiscutível do heavy metal.

À frente da banda, Aitor Gorosabel demonstrou mais uma vez seu excepcional talento musical, não apenas pela energia inesgotável durante todo o show, mas também pelo carisma e constante conexão com o público.

O palco foi tomado por uma avalanche de guitarras poderosas, especialmente durante o clássico “Zuzen”. As seis cordas brilharam intensamente, exibindo a combinação de potência e melodia que define o som do Su Ta Gar.

Músicas como “Sistematik Ihes”, “David eta Goliath”, “Etsi Gabe” e “Jo Ta Ke” ecoaram pela lotada casa de shows Zamora, onde o público cantou junto com entusiasmo cada faixa.

A banda demonstrou grande solidez no palco, entregando um show que muitos lembrarão como um dos pontos altos desta décima primeira edição. Xabi Bastida contribuiu com o lado mais técnico da banda com sua guitarra, enquanto Igor Díez reforçou os vocais de apoio nos refrões. Galder Arrillaga, por sua vez, destacou-se na bateria por sua precisão e energia.

Mais uma vez, a banda deixou claro por que continua sendo uma referência no heavy metal. Mais de três décadas depois, o Su Ta Gar mantém sua capacidade de se conectar com o público e o relacionamento que construiu com ele ao longo de todos esses anos.

BLAZE BAYLEY

Infelizmente, não pude assistir ao aguardado show de Blaze Bayley, para minha profunda tristeza.

Eu estava realmente empolgada para vê-lo em palco depois de anos tentando, mas fica ao menos o gostinho de tê-lo visto de pertinho, passando por mim e me oferecendo um animado “hello” antes de sua coletiva de imprensa.

Pode parecer pouco, mas para mim isso faz toda a diferença. Ainda tive a chance de observar de perto sua simpatia com meus colegas de imprensa.

Fiquem com algumas fotos:

H.E.A.T.

H.E.A.T. @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography - @fceaphotography
H.E.A.T. @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography – @fceaphotography

A noite caiu e chegou a hora de uma das bandas mais aguardadas do festival deste ano: H.E.A.T. A banda sueca é atualmente um dos principais nomes do hard rock melódico internacional.

Eles invadiram o palco Cooper e rapidamente conquistaram o público. Aproveitando o lançamento de seu mais recente álbum, Welcome To The Future, começaram o show com “Disaster”, seguido por “Rock Your Body”, “Rise” e “Cry”, entre outras. Como esperado, clássicos como “Living on the Run” e “A Shot at Redemption” também foram incluídos.

Para surpresa de muitos, um dos momentos mais especiais foi o cover de “War Pigs”, do Black Sabbath, uma homenagem a uma das bandas mais influentes da história do metal, recebida com entusiasmo e respeito.

Sem dúvida, a verdadeira estrela do show foi Kenny Leckremo. O vocalista manteve uma conexão constante com o público, contagiando a todos com sua energia e entregando uma performance impressionante, percorrendo o palco e interagindo com uma plateia completamente devotada.

Mas os outros membros da banda foram igualmente impressionantes. Os riffs de Dave Dalone se destacaram pela potência e personalidade, enquanto os solos equilibraram perfeitamente melodia e técnica. Jona Tee, compositor, tecladista e produtor, trouxe uma atmosfera oitentista ao som da banda com seus teclados, enriquecendo significativamente a sonoridade geral. Enquanto isso, o baixo de Jimmy Jay forneceu uma base sólida que sustentou o som característico da banda, e sua personalidade descontraída permitiu que ele se conectasse com o público em um nível pessoal. E, finalmente, Don Crash na bateria foi o responsável por conduzir cada música com precisão e potência, mantendo a intensidade e a energia desde o início do show.

Para muitos, este concerto será lembrado como um dos mais especiais do festival deste ano, não apenas pela pura energia da banda, mas pela experiência completa: o som, o carisma de seus integrantes e a conexão que o grupo manteve com o público a cada música.

Setlist completo: 1. Disaster | 2. Rock Your Body | 3. Dangerous Ground | 4. Hollywood | 5. Rise | 6. Nationwide | 7. Redefined | 8. Cry | 9. Beg Beg Beg / War Pigs (Black Sabbath cover) | 10. Back to the Rhythm | 11. Running to You | 12. Living on the Run | 13. One by One | 14. A Shot at Redemption

SAXON

Saxon @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography - @fceaphotography
Saxon @ Z! Live 2026 | Photos by Fran Cea Photography – @fceaphotography

Por volta das 23h, chegava o momento mais aguardado pelo público: Saxon subia ao palco para mostrar como se faz heavy metal à moda antiga!

Um dos pilares mais fundamentais e duradouros da história do heavy metal britânico, além de uma das bandas líderes da NWOBHM, estava prestes a nos dar uma verdadeira aula de puro aço. E eu, apesar de não estar bem, pude contemplar aquilo e, mesmo de longe, foi uma emoção e tanto.

O público estava em peso, ansioso e já aos gritos, aplaudindo a entrada de Biff Byford e companhia. Após um breve cumprimento, era dada a largada com “Hell, Fire and Damnation”, em uma passagem pelo álbum homônimo de 2024. Das músicas mais recentes, esta foi a única, pois dali em diante seria uma descarga de clássicos. O repertório do concerto no festival acabou se concentrando fortemente na chamada “Trilogia de Ouro” inicial da banda (1980–1981).

“Power and the Glory” nos levou ao álbum homônimo de 1983, depois “Dogs of War”, do álbum homônimo de 1995, até chegarmos à primeira passagem pelo clássico absoluto Denim and Leather (1981), com a faixa “And the Bands Played On”. O público cantava letra por letra e se entregava entre headbangings e cada riff lendário.

A banda é um espetáculo à parte. Ver todos esses queridos senhores ali, fazendo o que sabem fazer de melhor, é realmente lindo de se ver. Nunca me canso de dizer o quanto é importante assistir bandas gigantes, nossos verdadeiros dinossauros do rock, resistindo ao tempo e fazendo tudo tão bonito quanto anos atrás. Isso é a essência mais pura de ser rock and roll. A sonoridade era perfeita, e a voz, mesmo com o passar dos anos, era de emocionar profundamente. Era de chorar… e eu chorei!

“Heavy Metal Thunder” e “Strong Arm of the Law” formaram uma sequência perfeita da passagem por Strong Arm of the Law (1980). “Broken Heroes” trouxe aquele momento especial revisitando o icônico Innocence Is No Excuse (1985). Cada visita aos álbuns clássicos era recebida com euforia, e íamos mergulhando cada vez mais fundo na era de ouro do estilo.

“Motorcycle Man” marcou a estreia no set do álbum Wheels of Steel (1980). Mas já caminhando para a reta final, recebemos três clássicos incontestáveis para acabar com nossos corações: “Wheels of Steel”, “Crusader” e “Princess of the Night”.

Foi um show gigante, simplesmente sem defeitos. A banda, o ecrã, a noite fria já sobre nossas cabeças e um público completamente apaixonado compuseram um cenário inesquecível. BRAVO!

Setlist completo: 1. Hell, Fire and Damnation | 2. Power and the Glory | 3. Dogs of War | 4. And the Bands Played On | 5. Heavy Metal Thunder | 6. Strong Arm of the Law | 7. Broken Heroes | 8. Motorcycle Man | 9. Denim and Leather | 10. 747 (Strangers in the Night) | 11. Wheels of Steel | 12. Crusader | 13. Princess of the Night

CORONER

Coroner @ Z! Live 2026 | Photos by Javier Bragado - @javierbragado
Coroner @ Z! Live 2026 | Photos by Javier Bragado – @javierbragado

Fechando o Copper Stage, não havia tempo para descanso, pois outra banda clássica subiria ao palco: Coroner, os famosos “Rush do thrash metal”. E já adianto: que apresentação!

Apesar de ser uma banda clássica, o Coroner serviu como um excelente contraponto ao heavy tradicional que havíamos acabado de presenciar. Agora era o momento de mergulhar na obscuridade e na técnica cirúrgica já tão conhecidas desses outros dinossauros do metal.

E o público, apesar de algumas pessoas já terem ido embora, fez bonito, com muitas cabeças ainda rolando à frente do palco, mesmo já se aproximando da 1h da madrugada.

Liderados pelo virtuosismo discreto do lendário guitarrista Tommy Vetterli (Tommy T. Baron) e pela sólida base de baixo e vocais de Ron Broder (Ron Royce), o Coroner fez jus à sua fama. Com o ecrã exibindo cenas hipnóticas em um palco escuro, deram início ao set com “Oxymoron”, seguida de “Consequence” e “Sacrificial Lamb”, em uma sequência que apresentou, na íntegra, o início do excelente álbum mais recente, Dissonance Theory (2025), lançado após mais de 20 anos sem qualquer novo trabalho de estúdio.

A interação ao longo do show foi mais contida, mas isso não era problema, e também era compreensível pelo horário. Ainda assim, a entrega era visível e completamente energética. Na verdade, não se precisa de muito quando se tem diante de si uma banda desse calibre.

O setlist seguiu equilibrando bem o material novo com os clássicos, trazendo faixas do álbum recente, mas também abrindo espaço para momentos muito celebrados com “Masked Jackal”, “Metamorphosis” e “Grin (Nails Hurt)”, fechando o set com uma pesada e precisa execução de “Renewal”.

Para mim, tudo foi perfeito. Mesmo com todas as dificuldades que enfrentei ao longo do dia, me senti genuinamente emocionada durante essa apresentação. E o público também demonstrou isso em fortes aplausos e grandes ovações.

Setlist completo: 1. Oxymoron | 2. Consequence | 3. Sacrificial Lamb | 4. Divine Step (Conspectu Mortis) | 5. Serpent Moves | 6. Masked Jackal | 7. Symmetry | 8. Metamorphosis | 9. Grin (Nails Hurt) | 10. Renewal

EKYRIAN

Ekyrian @ Z! Live 2026 | Photos by Javier Bragado - @javierbragado
Ekyrian @ Z! Live 2026 | Photos by Javier Bragado – @javierbragado

Por volta das 2h, com público infelizmente já menor, era a vez do Ekyrian encerrar o Silver Stage. Mesmo com o cansaço evidente, ainda era possível ver vários festivaleiros felizes, dançando e aproveitando esse último momento da noite.

A banda espanhola de folk metal conseguiu animar uma boa parcela de pessoas nesta madrugada, o que por si só já é um feito.

Em clima de festa e leveza, o setlist passou por canções como “Alza la Vista”, “El Alquimista” e “La Balada de Wilfred el Enano”, fazendo os presentes dançarem com alegria.

A sonoridade estava excelente, algo que impressiona considerando a quantidade de instrumentistas em palco. Tudo se ouvia bem e perfeitamente.

Foi um encerramento muito feliz, leve e animado, preparando o terreno para o terceiro e último dia do festival.

Setlist completo: 1. Ekyrian | 2. Alza la Vista | 3. Valor | 4. Kaguya | 5. Angua | 6. Colores en el Viento | 7. Volverte a soñar | 8. La Danza de los Muertos | 9. El Alquimista | 10. El Rey Blanco | 11. La Balada de Wilfred el Enano

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quero agradecer primeiramente ao Iuri Cremo (Cultura em Peso e colaborador do Z! Live) por todo o apoio em um dia realmente difícil, onde não me senti bem durante quase todo o tempo. Também quero agradecer toda a compreensão do Andres, um dos fundadores do Z!, além de todo o suporte da equipe médica do festival, amigos e colegas da organização e da imprensa. Todos, de alguma forma, me ajudaram a passar por isso com garra.

Agradeço imensamente à minha colega da CEP, Beatrix, que emprestou seus dons da escrita para as bandas SU TA GAR e H.E.A.T.. Obrigada pelo suporte, Bea!

Infelizmente, este era o dia em que eu mais estava empolgada, considerando meu estilo musical mais voltado ao metal clássico. Foi difícil perder algumas bandas, mas me sinto grata pela oportunidade e por ter ao meu lado pessoas tão incríveis!

Obrigada, Z! Live!