Após dois dias intensos, agora era a vez de curtir o último dia do Z! Live. Um encerramento de respeito, com nomes de altíssimo calibre ainda prontos para fazer os headbangers felizes.
Como já não era novidade, um longo dia de calor nos esperava, mas isso não impediu os fãs de estarem lá marcando presença desde o primeiro momento.
O estilo dominante deste último dia do festival foi o Metal Moderno e mais Técnico, com forte inclinação para o Sinfônico e Progressivo, moldado por produções grandiosas, arranjos complexos e elementos contemporâneos, afastando-se um pouco do Heavy Metal tradicional e clássico que dominou o dia anterior. Mas claro, com espaço para um pouco mais de agressividade, porque isso nunca faz mal a ninguém.
Continue lendo para conferir como foi este último dia.

LATZEN
Por volta das 16:15, foi dada a largada para o Latzen abrir o Silver Stage, com seu Heavy/Thrash Metal originário do País Basco (Oñati). O concerto no festival foi um marco: celebrou o retorno oficial do grupo aos palcos após mais de 15 anos de silêncio, servindo também como promoção da celebrada turnê de retorno, a Denboraren Orbainak Tour.
O setlist se dividiu entre material clássico dos anos 90 e as novas composições do álbum de retorno Denboraren Orbainak, lançado em dezembro do último ano.
Abrindo o setlist, tivemos uma sequência do novo trabalho com “Txori Txarrak” e “Memento Mori”, além de uma descarga de clássicos como “Mezua Hil Aurretik”, “Bat Gehiago”, “Itsutu” e “Indarra”, com os fãs já reunidos à frente do palco cantando junto e balançando suas cabeças com muita empolgação.
Foi um concerto muito bom, trazendo viagens no tempo e mostrando que a banda não está enferrujada, muito pelo contrário: está viva e operando muito bem, conduzindo um show sem precisar de muito além da própria música. Os fãs receberam tudo com carinho e devolveram em intensidade.
Fechando o setlist, “Ze Ingo Xu”, com os fãs cantando em coro. Foi um show divertido, cheio de essência e paixão, e saíram ovacionados. Com certeza cumpriram muito bem o papel de aquecer o público para o que ainda viria.
Setlist completo: 1. Txori Txarrak | 2. Memento Mori | 3. Mezua Hil Aurretik | 4. Bat Gehiago | 5. Itsutu | 6. Indarra | 7. Dogma | 8. Laztana | 9. Lurra Odolean | 10. Ze Ingo Xu
ROMANTHICA

Por volta das 17:10, era momento de abrir o Copper Stage com os espanhóis Romanthica, banda de gothic rock e metal melancólico. Cantando inteiramente em espanhol, o grupo destaca-se pela sua atmosfera emotiva e elegante.
O setlist foi uma viagem pela discografia da banda, resgatando clássicos do álbum de estreia Eterno (2014), do segundo álbum Músicas para el fin del mundo (2018), e também do terceiro álbum autointitulado, lançado em janeiro de 2025, que acabou sendo o maior protagonista da apresentação. Iniciaram com “Despierta”, seguida da mais recente “En lo más profundo”.
Em dado momento, o vocalista David Gohe comentou sobre o “calor infernal” e brincou dizendo que um pouco mais de sombra não faria mal. Mas, claro, isso não desanimou nem a banda nem o público à frente do palco, que seguiu cantando junto e dançando.
O fechamento se deu revisitando o passado com “Mercurio” e “Muriel”, encerrando um show leve, bonito e divertido. Saíram muito aplaudidos e agradecidos!
Setlist completo: 1. Despierta | 2. En lo más profundo | 3. Flor marchita | 4. Dos corazones | 5. Arder | 6. Qué más da | 7. La cura | 8. Mercurio | 9. Muriel
DOMINUM

De volta ao Silver Stage, por volta das 18:10, era a vez do Dominum, um dos fenômenos alemães mais recentes e de crescimento mais rápido do metal moderno e melódico europeu, liderado pelo carismático vocalista e produtor Felix Heldt, o Dr. Dead.
Visualmente, a banda é interessantíssima. Há um forte ar teatral, com estética de horror, integrantes mascarados e refrões grudentos, que fizeram o público, agora bem mais cheio à frente do palco, cantar e se divertir muito.
O setlist foi um retrato de sua trajetória de dois álbuns na bagagem, Hey Living People (2023) e The Dead Don’t Die (2024), iniciando com “Danger Danger”, seguida de “Killed by Life” e “The Dead Don’t Die”.
Em dado momento, Dr. Dead comentou que a Espanha é muito metal, e que as pessoas ali são realmente metaleiras e animadas, convidando todos para pularem e curtirem junto. Também houve espaço para a inédita “The Circus Is in Town”, do álbum Night is Calling, previsto para julho de 2026.
Mais perto do final, tocaram um cover de “Thriller”, do rei do pop Michael Jackson, o que combinou perfeitamente com a estética da banda, animando ainda mais os festivaleiros.
A banda inteira se mostrou extremamente conectada com o público, principalmente o vocalista, que conduziu o concerto com muita simpatia e entusiasmo. Ele é realmente um excelente frontman. Com tudo isso, a diversão era garantida.
Sem dúvida, uma apresentação de ouro deste dia!
Setlist completo: 1. Danger Danger | 2. Killed by Life | 3. The Dead Don’t Die | 4. Frankenstein | 5. The Circus Is in Town | 6. Don’t Get Bitten by the Wrong Ones | 7. The Chosen Ones | 8. Thriller (Cover Michael Jackson) | 9. Immortalis Dominum | 10. The Power of Love (Cover Huey Lewis and the News)
KRISIUN

De volta ao Copper Stage, estava aberta a temporada dos atos brutais, com Krisiun servindo como contraponto com seu Brutal Death Metal.
O trio de irmãos Alex Camargo, Moyses Kolesne e Max Kolesne é um dos maiores nomes do metal extremo brasileiro e precursor do brutal death metal mundial. E que orgulho vê-los pela Europa, sendo uma banda que já vi muitas vezes no Brasil. Esse foi, sem dúvida, o show mais destruidor de todo o festival!
Subiram ao palco por volta das 19:20, trazendo sua agressividade e desencadeando circle pits, até crowdsurfings, e muito headbanging do início ao fim. Puro caos!
O setlist foi preciso, revisitando mais de duas décadas de destruição. As hostilidades começaram com “Kings of Killing”, seguida de “Apocalyptic Victory”, em uma sequência do álbum Apocalyptic Revelation (1998).
Krisiun nunca precisa de muitos aparatos. Eles já são a própria presença imponente de que se precisa. De poucas palavras, discretos, mas ao mesmo tempo intimidadores e gigantes. A bateria de Max, já conhecida por sua energia absurda e velocidade, provocou reação imediata. Vocais agressivos e profundos, guitarra afiadíssima. São mesmo a fusão perfeita.
Mais para a metade do set, “Combustion Inferno” dispensa apresentações, seguida dos inconfundíveis “Blood of Lions” e “Serpent Messiah”, fechando com a energia no alto em “Descending Abomination / Blood for Dust”. E não há muito mais a dizer. Krisiun, não importa quando ou onde, são sempre impecáveis e destruidores. E eu amo!
Setlist completo: 1. Kings of Killing | 2. Apocalyptic Victory | 3. Vicious Wrath | 4. Scourge of the Enthroned | 5. Necronomicon | 6. Hatred Inherit | 7. Combustion Inferno | 8. Blood of Lions | 9. Serpent Messiah | 10. Descending Abomination / Blood for Dust
TESSERACT

De volta ao Silver Stage, chegava um dos nomes mais aguardados do festival: TesseracT, uma das bandas mais inovadoras, influentes e respeitadas do cenário djent. O grande diferencial do quinteto é conseguir unir extrema complexidade técnica a melodias etéreas, texturas ambientais imersivas e ao alcance vocal dinâmico e emocionante de Daniel Tompkins.
A banda mesclou as duas primeiras partes da suíte histórica que os colocou no mapa mundial com destaques de sua fase intermediária e o peso conceitual do aclamado War of Being.
O show começou com o clássico do álbum One, com “Concealing Fate Pt. 1: Acceptance” e “Pt. 2: Deception”. O som ao vivo deles é realmente excelente, como eu já tinha ouvido falar. Começaram de forma mais contida, devagar, mas com a chegada da agressiva “Natural Disaster”, o público passou a se movimentar sem parar.
Passaram por hits como “Of Mind – Nocturne” e encerraram com “War of Being”, fechando com chave de ouro uma apresentação que deixou os fãs visivelmente muito felizes!
Setlist completo: 1. Concealing Fate, Part 1: Acceptance | 2. Concealing Fate, Part 2: Deception | 3. Juno | 4. Natural Disaster | 5. Of Mind – Nocturne | 6. Legion | 7. War of Being
SOZIEDAD ALKOHOLIKA

Vamos ao Copper Stage para outro contraponto ainda mais explosivo: Soziedad Alkoholika, uma das bandas mais influentes, controversas e brutais do cenário musical da Península Ibérica, trazendo o puro caos do Hardcore Punk e Crossover. Foi cerveja voando, crowdsurfing sem parar e mosh pits o tempo todo.
Suas letras contundentes e explícitas carregam pesadas críticas sociais, políticas e denúncias contra a hipocrisia do sistema. Tudo o que gostamos!
O setlist estava recheado de hits clássicos dos anos 90, passeando por diferentes fases da carreira e alegrando todos os fãs, mas também abrindo espaço para faixas do mais recente trabalho de estúdio, o álbum Confrontación, lançado em 2024.
Dando início ao incêndio, “Alienado” abriu as hostilidades, seguida por duas faixas do álbum mais recente: “Falsos dioses” e “Control de masas”. O efeito no público foi imediato, com a noite finalmente caindo sobre nossas cabeças. O calor cessava, mas nada de esfriar, porque o fogo estava no palco.
Com tempo de sobra para uma enxurrada de hits, ainda vieram “Ratas”, “S.H.A.K.T.A.L.E.”, “Piedra contra tijera”, “Peces mutantes” e “Motxalo!”, até culminar em “Nos vimos en Berlín”.
Esse é daqueles shows em que é difícil apontar pontos altos, porque ele foi inteiro uma explosão do início ao fim. Eles sabem exatamente o que estão fazendo, e o público simplesmente corresponde. A presença do vocalista Juan foi magnética, aliás, toda a banda foi. Foi um dos melhores shows do dia, facilmente.
Setlist completo: 1. Alienado | 2. Falsos dioses | 3. Control de masas | 4. Polvo en los ojos | 5. Política del miedo | 6. Colapso final | 7. Palomas y buitres | 8. La aventura del saber | 9. Cienzia asesina | 10. Ratas | 11. S.H.A.K.T.A.L.E. | 12. Piedra contra tijera | 13. Peces mutantes | 14. No kiero participar | 15. Cuando nada vale nada | 16. Motxalo! | 17. Nos vimos en Berlín
EPICA

Pouco antes da madrugada, os fãs se reuniam em peso à frente do Silver Stage para apreciar de perto os headliners. Uma das maiores potências do Metal Sinfônico, Epica dispensa apresentações. A banda deu as boas-vindas ao público já com uma bomba de papéis atirada em nossa direção, elevando ainda mais a sensação de grandiosidade daquele momento.
O setlist foi mais focado no aclamado e ambicioso nono álbum de estúdio da banda, Aspiral, lançado mundialmente em 11 de abril de 2025. Mas, claro, sem deixar de abrir espaço para revisitar trabalhos importantes da carreira.
Dando o pontapé inicial, “Cross the Divide” aqueceu o público, com todos hipnotizados pela presença da soberana Simone Simons, além de uma superprodução digna de arenas, com ecrãs exibindo diferentes cenas por todo o palco, luzes, explosões… tudo o que se tem direito. A banda, para além dos vocais, é sempre impecável. Por já tê-los visto em nome próprio em Lisboa anteriormente, posso dizer com tranquilidade: continuam irrepreensíveis, com apresentações belíssimas e completamente sem falhas.
Seguimos o set voltando no tempo com o hit “Sensorium”, seguido de “The Second Stone”, enquanto o público se mostrava cada vez mais animado. O entrosamento da banda é um espetáculo à parte, com cabelos voando, cabeças batendo em perfeita sincronia e interação constante com os fãs. É uma simpatia tremenda.
Simone, conversando bastante nessa noite, brincou: “Epica is never enough”, introduzindo outro grande hit, “Never Enough”. Ela conduzia o público com total maestria. E assim fomos levados por essa montanha-russa entre hinos clássicos e momentos mais recentes, com uma precisão e perfeição que impressionam qualquer pessoa, inclusive aquelas que talvez nem sejam grandes fãs do estilo. Todo mundo ali parecia rendido.
Vale destacar também a simpatia do tecladista Coen Janssen, desfilando pelo palco com seu icônico teclado curvo portátil, além de Mark Jansen destilando riffs e guturais viscerais, perfeitamente equalizados ao restante da banda.
A fase final foi composta por faixas de fases mais antigas, com “Unchain Utopia” e “Beyond the Matrix”, até o encerramento com “Consign to Oblivion”, responsável por gerar o grande wall of death do festival.
A despedida foi calorosa. A banda se retirou com calma, entre palmas e agradecimentos, enquanto o público devolvia com ovação total e muita emoção. Foi, em todos os sentidos, ÉPICO!
Setlist completo: 1. Cross the Divide | 2. Sensorium | 3. The Second Stone | 4. Apparition | 5. Storm the Sorrow | 6. Unleashed | 7. Never Enough | 8. Arcana | 9. Tides of Time | 10. The Grand Saga of Existence | 11. Cry for the Moon | 12. Fight to Survive | 13. The Last Crusade | 14. Unchain Utopia | 15. Beyond the Matrix | 16. Consign to Oblivion
BROTHERS OF METAL

Já era quase 1h da madrugada quando os tão aguardados Brothers of Metal, aclamada e numerosa banda sueca de Power Metal e Epic Folk Metal, formada em Falun, subiram ao Copper Stage. E o público não pedia descanso. Muito pelo contrário: estavam em peso à frente do palco.
Conhecidos pela sua proposta altamente teatral e visual baseada na mitologia nórdica, eu estava bastante curiosa para vê-los ao vivo, especialmente porque muita gente já havia me dito o quanto queria assistir a esse show.
O setlist apresentado se dividiu de forma equilibrada entre seus grandes clássicos, mas com espaço importante para o material do aclamado terceiro álbum de estúdio, Fimbulvinter, lançado em 2024.
Abrindo o setlist com a própria “Fimbulvinter”, os fãs já cantavam, pulavam e dançavam sem hesitar. Não tinha muito o que fazer: o público estava completamente rendido, domado e feliz. E não era só a plateia. A banda também estava radiante, interagindo bastante entre as faixas, incentivando e comandando o público com enorme carisma e maestria.
O entrosamento vocal e a divisão perfeita entre as linhas melódicas e limpas de Ylva Eriksson e os vocais mais agressivos de Joakim Lindbäck Eriksson era algo realmente bonito de ver e ouvir. Tudo funcionava em harmonia.
Seguiram embalando hits como “Prophecy of Ragnarök”, “Hel”, “Njord” e “Yggdrasil”, esta última cantada em grande coro, com mãos erguidas de um lado ao outro da pista. Já na reta final, entregaram “Defenders of Valhalla” e “One”, que desencadearam rodas de dança folclórica e mosh pits festivos entre o público.
A banda entregou um show realmente impecável, com presença de palco ímpar. Foi, sem dúvida, uma das apresentações mais animadas, carismáticas e cativantes não apenas do dia, mas de todo o festival!
Setlist completo: 1. Fimbulvinter | 2. The Death of the God of Light | 3. Prophecy of Ragnarök | 4. Hel | 5. Ride of the Valkyries | 6. Njord | 7. The Other Son of Odin | 8. Concerning Norns | 9. Yggdrasil | 10. To the Skies and Beyond | 11. Defenders of Valhalla | 12. One
LÈPOKA

Agora, de volta ao Silver Stage para encerrar definitivamente o palco e o Z! Live, era a vez dos Lèpoka, uma das bandas mais populares do cenário de Folk Metal e Celtic Rock espanhol, darem as cartas finais.
Com sua sonoridade altamente festiva, misturando instrumentos tradicionais como gaita de foles, flautas e violino com guitarras elétricas pesadas, estávamos prestes a viver um momento de celebração pura.
Muita gente àquela altura já havia ido embora, mas ainda restavam os resistentes que queriam se mexer até o último segundo, e fizeram bonito, dançando, bebendo e absorvendo cada momento.
O setlist focou no quinto álbum de estúdio, Dios está borracho, lançado em fevereiro de 2024, além de incorporar os singles mais recentes lançados neste ano. Abriram com “Antes del amanecer”, seguida do grande sucesso “Seguimos en pie” e de “Brindo por verte”, colocando rapidamente todos no clima.
Ao longo do set, trouxeram também os novos singles “Calor café” e “La última y a casa”, com o público brindando e cantando junto. A cada faixa, o ecrã exibia imagens coloridas e criativas, deixando o palco ainda mais bonito e vibrante. A banda se mostrava sempre divertida, enquanto o vocalista Dani Nogués comandava tudo com carisma, bom humor e seu jeito naturalmente brincalhão.
Na reta final, “Yo controlo” encerrou com chave de ouro um set que não deixou ninguém presente parado. Ao fim, foram ovacionados com grandes aplausos e muitos agradecimentos!
Setlist completo: 1. Antes del amanecer | 2. Seguimos en pie | 3. Brindo por verte | 4. El baile de los caídos | 5. A las calles | 6. Calor café | 7. Goliardos | 8. Contando al andar | 9. La última y a casa | 10. Un año más | 11. Dios está borracho | 12. Contra viento y marea | 13. Yo controlo
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Às 03:00, os últimos festivaleiros se despediam, e eu também, daquilo que foi um dos melhores festivais que já tive a oportunidade de presenciar.
Gostaria novamente de agradecer aos responsáveis por esta temporada. Foi desafiador, como já havia comentado no dia anterior, mas ao mesmo tempo foi uma experiência grandemente enriquecedora, feliz e especial.
Tudo estava muito bonito e impecável. Boas pessoas, boa organização, boa música, comida, bebida… sinceramente, nada a reclamar, apenas agradecer.
Até o próximo ano!

