Z! Live comemorou sua 10ª edição transformando o recinto IFEZA, em Zamora, em um verdadeiro templo do metal.

Quinta-feira, 12 de junho

After Lapse
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

O dia amanheceu com um sol suave, bem diferente das tempestades de edições anteriores, abrindo caminho para uma jornada técnica. As portas do IFEZA se abriram às 15h e o primeiro acorde soou às 16h15, com os madrilenhos do After Lapse.

Com Erik Rayne estreando como vocalista, a banda apresentou faixas de Face The Storm (2022) e Pathways (2024) com energia contagiante, ainda se adaptando à dimensão de um grande festival. Mostraram por que são uma das bandas mais promissoras do metal progressivo nacional, com técnica apurada e variedade musical. Um início promissor para o Z!.

Vola at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Na sequência, os dinamarqueses do VOLA subiram ao Copper Stage às 17h10. Seu djent atmosférico e riffs intricados deram o tom, com “We Will Not Disband” — do disco Friend of a Phantom — aquecendo o público. Apesar da luz do dia suavizar o impacto visual, a performance tecnicamente impecável liderada por Asger Mygind (de blazer verde e calça de moletom) conquistou os mais jovens, mesmo dividindo opiniões entre os veteranos.

Completando a formação, Martin Werner (teclados), Nicolai Mogensen (baixo e backing vocals) e Adam Janzi (bateria) entregaram uma apresentação memorável. O encerramento com “Straight Lines”, do álbum Witness (2021), foi um dos pontos altos do show.

Kissin Dynamite at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

Às 18h10, o clima mudou com a chegada dos alemães do Kissin’ Dynamite, que trouxeram um hard rock direto e contagiante. Começaram com “Back with a Gun”, do oitavo álbum, e seguiram com faixas como “DNA” e “No One Dies a Virgin”, encerrando com “Raise Your Glass” em clima de celebração.

Apesar de falhas técnicas iniciais — como problemas no microfone de Hannes Braun e som pouco nítido —, a banda entregou um dos shows mais divertidos da noite. Momentos como Hannes vestindo uma capa ou apresentando os membros da banda com bom humor renderam aplausos entusiasmados.

Nile ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

Às 19h20, foi a vez do brutal death metal técnico do Nile incendiar o Copper Stage. Liderados por Karl Sanders e George Kollias, mandaram ver com clássicos como “Sacrifice Unto Sebek” e “Black Seeds of Vengeance”. Os riffs densos e a ambientação egípcia encantaram os fãs do som mais extremo.

Para quem não estava pronto para tanta brutalidade, foi a deixa para visitar os food trucks ou a área de merchandising. Mas para os fiéis, foi um dos momentos mais intensos do dia. Em entrevista, Karl Sanders comentou que o público espanhol responde com muita paixão, mesmo sob o calor dos festivais de verão como o Z! Live.

Exodus at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

Às 20h30, o ego do thrash chegou com Exodus. Rob Dukes retomou os vocais com vigor, enquanto Gary Holt e Lee Altus mostraram uma química explosiva. A trinca “Bonded by Blood”, “The Toxic Waltz” e “Blood In, Blood Out” colocou o público em estado de frenesi.

Apesar de algumas críticas sobre a mistura do som, a atitude da banda compensou tudo. Mostraram-se veteranos com energia renovada, e segundo a imprensa presente, deixaram um rastro de destruição e aplausos.

Meshuggah at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Às 21h40, o Copper Stage foi dominado por Meshuggah com seu djent hipnótico. Guitarras de oito cordas, breaks intensos e uma iluminação minimalista fizeram do show uma verdadeira experiência sensorial. A turnê “Monumental 2025 Tour” fez jus ao nome: cada música era um terremoto emocional.

Faixas como “Bleed”, “Clockworks” e “Dancers to a Discordant System” foram executadas com precisão cirúrgica. Para muitos, não foi apenas um show, mas um ritual sonoro.

Dream Theater at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Às 23h, o prato principal da noite tomou o Silver Stage: Dream Theater, comemorando 40 anos de carreira. Abriram com “Night Terror”, do novo disco Parasomnia (2025), com quase 10 minutos de peso, atmosfera e técnica refinada.

A sinergia entre Petrucci e Rudess foi eletrizante, com solos afiados e som cristalino. O público vibrou com hinos como “As I Am” e “Pull Me Under”, e se emocionou com “Strange Déjà Vu”, “Under a Glass Moon” e “Peruvian Skies” — esta última, um tributo a Pink Floyd e Metallica.

Dream Theater at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Mike Portnoy, de volta ao trono da bateria, trouxe um groove técnico e carismático, amparado por Myung e companhia. Embora não tenha sido o show de três horas típico da banda, foi uma viagem intensa entre passado e presente.

Em resumo: Dream Theater entregou um espetáculo calculado, poderoso e nostálgico, onde técnica e emoção se fundiram em uma experiência de alta fidelidade.

Rotting Christ at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Quando o palco escureceu por completo e as luzes se suavizaram, foi a vez do Rotting Christ emergir com uma presença carregada de simbologia ancestral. Celebrando 35 anos de carreira e o recente lançamento do álbum ao vivo 35 Years of Evil Existence – Live in Lycabettus (abril de 2025), gravado em Atenas, a banda trouxe ao Z! Live uma atmosfera pagã e ritualística.

Rotting Christ at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Começaram com “Kata Ton Daimona Eaytoy” e “666”, invocações sonoras que mergulharam o público em uma densidade cerimonial. Os primeiros acordes ecoavam como cânticos ancestrais, com percussões profundas que vibravam no peito e riffs talhados com precisão ritualística.

O som estava impecável, refletindo a clareza e força já evidentes na turnê com Behemoth e Satyricon. O álbum gravado no Teatro de Lícabeto, em junho passado, pareceu se materializar em Zamora, elevando o momento a uma cerimônia real.

Vita Imana at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Já passavam das 2h da manhã quando os espanhóis do Vita Imana subiram ao Silver Stage com a força de veteranos em festa: em 2025, celebram 20 anos de estrada. Vindos de uma performance explosiva em Elche (maio), apresentaram faixas novas como “Animal” e “Sistema Nervioso” ao lado de clássicos entoados com fervor pela plateia.

A abertura com “Animal” foi visceral, incendiando o público desde o primeiro acorde. Logo vieram hinos geracionais como “Romper con Todo” e “Génesis”, recebidos com punhos erguidos, gritos e coros massivos.

Com toneladas de groove e uma presença de palco impecável, o Vita Imana encerrou a primeira noite do Z! Live 2025 com orgulho nacional e potência inabalável. Foi um fechamento catártico, mostrando por que, duas décadas depois, seu nome continua fundamental no metal espanhol.

Crowd at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Sexta-feira, 13 de junho

O segundo dia começou com um sol implacável em Zamora, mas nada impediu a maré metálica de tomar o IFEZA logo cedo.

Salduie at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Os zaragozanos do Salduie abriram os trabalhos com seu poderoso folk metal, incluindo flautas, coros e até pernas de pau no palco. “Numancia” funcionou como um verdadeiro hino celtibérico, levantando o público com espírito guerreiro e comunhão cultural.

Injector at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

De Cartagena, veio o peso do Injector, mostrando por que o disco Endless Scorn (2024) tem ganhado destaque. Faixas como “March To Kill” e “Unborn Legions” encerraram um set dominado por thrash metal avassalador, com postura firme e precisão instrumental.

Morphium at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

O duo catalão Morphium trouxe contraste e introspecção com um groove sombrio, eletrônica sutil e vocais melancólicos. “Descending” abriu o set de forma hipnótica, seguido de clássicos como “Parasite”, “The Truth” e “Insorcism”, que agradaram profundamente os fãs da banda de Girona.

Veteranos do festival, já haviam se apresentado em 2022 e na edição Zlive On Tour em 2024. Destaque para o carisma explosivo de Alex, que se jogou na plateia com uma energia brutal, gerando um dos momentos mais icônicos da manhã.

Noctem at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Depois da introspecção veio o caos com Noctem, destilando black/death metal com ferocidade satânica e riffs velozes. Mesmo com pequenos problemas técnicos, a violência sonora convenceu o público. O set incluiu faixas como “Sulphur”, “The Pale Moon Rite” e o encerramento apoteótico com “A Cruce Salus”.

Noctem at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Com estética provocadora e corpse paint extremo — rostos pintados de branco e preto evocando caveiras —, a banda de Valencia elevou o impacto visual a outro nível. Um momento marcante foi quando o vocalista Beleth lançou sangue falso sobre o público como parte de um ritual inesperado, surpreendendo até os mais experientes.

Angelus Apatrida at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

Logo em seguida, o Angelus Apatrida incendiou o palco com seu thrash metal agressivo e político. Faixas como “Indoctrinate”, “Serpents on Parade”, “Cold” e o encerramento com “You Are Next” colocaram os circle pits para girar em alta velocidade.

Representando o thrash nacional com influências de Anthrax e Slayer, os manchegos voltaram ao Z! Live pela quarta vez, após a estreia em 2017. O show foi direto, intenso e com som cristalino, dominando o palco com segurança.

Angelus Apatrida at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

Durante sua passagem pelo festival, o Angelus Apatrida também encontrou tempo para conversar com a imprensa. Falaram sobre os temas que movem suas letras — injustiça, corrupção e ativismo — e ressaltaram que, felizmente, nunca sofreram censura, nem na Espanha, nem no exterior.

Reconheceram que o cenário mundial continua oferecendo motivos de sobra para continuar gritando contra o sistema. “É preciso seguir denunciando o que está errado”, afirmaram, com a mesma contundência dos seus riffs.

Sobre os palcos, admitiram que amam a magnitude dos festivais, mas que o coração da banda ainda bate mais forte em salas de show, onde a conexão com o público é mais visceral. “Em alguns festivais, o fosso entre banda e público é do tamanho dessa sala”, brincaram. Ainda assim, exaltaram o calor do público latino, sempre intenso e emocional.

Alestorm at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Quem trouxe essa emoção ao limite foi Alestorm, que tomou Zamora de assalto com sua energia carnavalesca. Em plena turnê de divulgação de The Thunderfist Chronicles (lançado em 20 de junho de 2025), os escoceses iniciaram a festa com “Keelhauled” e emendaram sucessos como “Pirate Metal Drinking Crew”, “Killed to Death by Piracy” e “Hangover”.

Alestorm at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Com patos gigantes no palco, humor escrachado e uma banda afinadíssimaChristopher Bowes, Bobo, Murdock, Vernon e Alcorn — o público se entregou com jarros no ar e sorrisos largos.

A proposta de Alestorm é clara: diversão sem freio, teatralidade com propósito e uma conexão constante. Um verdadeiro headliner da madrugada.

Accept at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Logo depois, foi a vez dos alemães do Accept detonarem o Silver Stage sob um mar de vozes gritando “Accept! Accept! Accept!”. Com mais de meio século de estrada, a devoção do público era evidente.

A abertura com “Metal Heart” estabeleceu o tom de uma apresentação poderosa e precisa. A produção ao vivo foi impecável: guitarras afiadas, vocais claros e uma base rítmica sólida.

Accept at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

Mark Tornillo comandou os vocais com firmeza, sem forçar, enquanto Wolf Hoffmann brilhou com solos melódicos e técnica impecável. A formação — com Martin Motnik (baixo), Christopher Williams (bateria), Uwe Lulis e Philip Shouse (guitarras) — demonstrou total sincronia.

Faixas novas como “Humanoid” e “Straight Up Jack”, do disco Humanoid (abril 2024), fundiram-se perfeitamente com clássicos como “Fast as a Shark”, “Restless and Wild” e “Nobody Gets Out Alive”, garantindo um set equilibrado entre nostalgia e maturidade sonora.

A iluminação moderna, som limpo e uma presença de palco intensa — sem exageros — foram suficientes para manter o público engajado do início ao fim.

Saurom at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Já passava da meia-noite quando o Copper Stage se iluminou com uma luz âmbar suave e o Saurom entrou em cena como um exército de menestréis. Vindos da turnê El Principito e com apresentações recentes em Madrid, Donosti e Santiago de Compostela, os gaditanos construíram uma atmosfera medieval repleta de gaitas, violinos e coros.

Narci Lara, com gestos teatrais, liderou a plateia em refrões envolventes como “La Taberna” e outras faixas inspiradas em O Pequeno Príncipe. O carisma e a cumplicidade entre os músicos transformaram o show em um verdadeiro espetáculo vivo, mais teatral do que puramente musical.

A iluminação quente contrastou com os riffs pesados que haviam dominado a noite até então, oferecendo um interlúdio quase mágico, que convidava ao canto e à dança espontânea. Após quase três décadas de estrada, a banda mostrou que domina o equilíbrio entre instrumentação tradicional, composição sólida e encenação folclórica.

Lujuria at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Na sequência, os segovianos do Lujuria tomaram o palco com descaro e atitude, representando com orgulho seu “erotic metal”. Liderados pelo irreverente Óscar Sancho, apresentaram riffs diretos, letras provocativas e humor ácido.

Sancho mostrou-se um verdadeiro showman: vocais agudos, interação constante com o público e provocações afiadas, mas sempre bem dosadas. Foi uma apresentação de catarses coletivas e gargalhadas cúmplices, onde o groove pesado acompanhou a irreverência lírica sem perder a pegada.

Sem rodeios, o Lujuria buscou impacto imediato — e conseguiu. Um encerramento irreverente para uma sexta-feira intensa, que preparou o terreno para as emoções ainda mais variadas do sábado.

Crowd at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Sábado, 14 de junho

O sábado começou sob um clima mais ameno, mas com o ambiente já carregado de expectativa. O terceiro dia do Z! Live 2025 teve uma abertura elegante e inesperada com os britânicos do Opensight, trazendo sua proposta de “cinematic metal”.

OpenSight at ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Com passagens atmosféricas e riffs épicos, a banda imprimiu uma identidade única ao início da jornada, estabelecendo uma narrativa sonora que funcionou como uma trilha de fantasia ao vivo. Uma aposta ousada e bem-sucedida para o primeiro compasso do dia.

Ankhara ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Na sequência, subiu ao palco a veterana Ankhara, referência do heavy metal espanhol. Pacho Brea liderou uma apresentação marcada pela nostalgia e potência. Mesmo após um pequeno contratempo com a quebra de uma corda, a banda manteve o ritmo com profissionalismo.

Canções como “Demasiado Tarde” e “No Mires Atrás” foram recebidas com entusiasmo, evocando um sentimento de comunhão e respeito por uma banda que continua relevante após décadas.

Dynazty ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Na terceira entrada do dia, os suecos do Dynazty, liderados por Nils Molin, entregaram uma apresentação altamente calibrada de power metal moderno. Combinando hard rock e toques eletrônicos — presentes desde 2014 em seu som — o set de nove músicas foi equilibrado, melódico e tecnicamente irrepreensível.

Destaque para a bateria explosiva em “The Human Paradox” e o encerramento apoteótico com “Heartless Madness”, que arrancou gritos entusiasmados da plateia. A performance reafirmou o status da banda como um dos nomes mais consistentes do metal escandinavo atual.

Rhapsody of Fire ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Às 18h20, o Copper Stage foi transformado em um verdadeiro palco de fantasia com a chegada do Rhapsody of Fire. Com a formação atual — Giacomo Voli nos vocais, Alex Staropoli nos teclados, Roberto De Micheli na guitarra, Alessandro Sala no baixo e Paolo Marchesich na bateria — a banda entregou uma performance poderosa e envolvente.

Giacomo Voli assumiu o legado deixado por Fabio Lione com impressionante presença de palco e vocais limpos, potentes e emocionantes. A interpretação de hinos como “Unholy Warcry”, “Dawn of Victory” e o clássico absoluto “Emerald Sword” inflamou o público em uma celebração épica.

Rhapsody of Fire ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Segundo dados atualizados de 2025, “Emerald Sword” é a canção mais executada ao vivo da banda — e ficou fácil entender o porquê. Foi um momento de canto coletivo e braços erguidos, que selou a conexão entre fãs e músicos.

A base sinfônica conduzida por Staropoli foi precisa do início ao fim, guiando o público por uma jornada sonora que alternava passagens orquestrais com riffs velozes e marcantes. Faixas como “Chains of Destiny” e “The March of the Swordmaster” mostraram uma banda coesa, teatral e afiada, perfeita para o formato festival.

Talvez o único ponto que gerou comentários foi a ausência de faixas mais antigas no setlist. Ainda assim, a apresentação foi vibrante, bem executada e altamente aclamada.

Após incendiar o palco, todos os membros do Rhapsody of Fire falaram com a imprensa sobre sua trajetória e o momento atual da banda. Relembraram os primeiros passos fora da Itália, quando apostaram em álbuns-conceito com capas impactantes e narrativas fantásticas que envolvessem o ouvinte desde o primeiro acorde.

Rhapsody of Fire Press ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Hoje, seguem firmes em turnês pela Europa e América do Sul, com a agenda quase toda preenchida até o fim do ano. Estão também em processo de criação de um novo álbum que promete expandir ainda mais seu universo sonoro.

Refletiram ainda sobre as mudanças da indústria musical: “Antigamente era o disco que sustentava a banda. Hoje, é o show. E tocar para as pessoas — se conectar — é o que dá sentido a tudo isso”, declarou a banda em uníssono. Em festivais como o Z! Live, essa conexão ganha intensidade extra.

Gotthard ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

O Silver Stage brilhou em tons dourados no fim da tarde quando os suíços do Gotthard tomaram o palco sob aplausos entusiasmados. Com décadas de estrada e uma base fiel de fãs, entregaram um show coeso, energético e emocional.

Nic Maeder conduziu os vocais com uma performance segura e expressiva. Embora os mais nostálgicos ainda remetam ao inesquecível Steve Lee, a presença vocal e carisma de Maeder demonstraram uma identidade própria e consolidada.

Desde os primeiros riffs de “Mountain Mama”, do novo álbum Stereo Crush, o público respondeu com palmas, punhos no ar e muitos sorrisos. Leo Leoni mostrou riffs precisos e melódicos, enquanto Freddy Scherer adicionava camadas texturais que enriqueciam a base sonora.

Gotthard ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

A cozinha rítmica, formada por Marc Lynn (baixo) e Flavio Mezzodi (bateria), trouxe um groove limpo, sólido e bem cronometrado — uma máquina suíça de precisão sonora.

O set transitou com naturalidade entre os hits clássicos e faixas novas. “Anytime Anywhere” energizou o público com seus refrões explosivos, e “Heaven” provocou um momento de emoção coletiva, com milhares de vozes entoando cada verso.

Com “Thunder & Lightning”, o riff pulsante e o refrão cativante reacenderam o espírito hard rock do festival. A surpresa veio com uma versão renovada e vibrante de “Drive My Car”, dos Beatles, adaptada ao estilo da banda com muito respeito e energia.

Outros destaques foram “Rusty Rose” e “Boom Boom”, canções inspiradas na paternidade de Leo Leoni, transmitindo uma energia afetuosa sem perder o peso. Também brilharam “Shake Shake” e “Devil in the Moonlight”, consolidando a fase atual da banda.

O fechamento foi uma verdadeira tempestade emocional com “Burning Bridges”, seguido por “Life” e “These Are the Days”, que trouxeram tons mais reflexivos, remetendo aos anos dourados com maturidade e clareza.

Em resumo: o Gotthard entregou um show longo, equilibrado e com alma, mostrando que continuam em plena forma, combinando técnica refinada, coração e uma discografia que transita com naturalidade entre o novo e o clássico.

Lita Ford ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Chegou a hora da “mãe do metal” subir ao Silver Stage. Pontual, séria e com um poder de presença que impressionou desde o primeiro riff, Lita Ford se apresentou às 22h40 diante de um público completamente entregue. Sua icônica guitarra de duplo braço já anunciava o que viria: nada de contenção, só atitude e autenticidade.

Vinda da turnê europeia de primavera — incluindo sua passagem pelo M3 Rock FestivalLita mostrou por que ainda é uma figura imponente do hard rock, mesmo aos 66 anos. Em menos de cinco minutos, a conexão com o público já era total. Começou com “Gotta Let Go” e “Larger Than Life”, resgatando sua fase oitentista com guitarras rugindo e emoção intacta.

Lita Ford ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @daniel_cruz_foto

Sua voz, embora suavizada pelo tempo, manteve o impacto emocional. Ao seu lado, uma banda sólida composta por Patrick Kennison (guitarra), Marten Andersson (baixo) e Bobby Rock (bateria), que se destacou com um solo poderoso que deu unidade e energia à performance.

Entre os pontos altos da noite, estiveram a versão de “Cherry Bomb” — em homenagem aos seus anos com o The Runaways — e uma tocante “Only Women Bleed”. Para essa faixa, Lita trouxe ao palco sua famosa guitarra branca de duplo braço, em um momento sombrio e íntimo que emocionou.

Na sequência, Patrick Kennison assumiu os vocais que originalmente eram de Ozzy Osbourne em “Close My Eyes Forever”. A entrega foi tão intensa que muitos na plateia fecharam os olhos, visivelmente comovidos.

O encerramento veio com dois hinos absolutos: “Close My Eyes Forever” e “Kiss Me Deadly”. Ambas arrancaram aplausos estrondosos e gritos de “Lita! Lita!” vindos de todas as direções. O solo final de “Kiss Me Deadly” levantou o público e levou muitos a ovacioná-la de pé.

Mesmo sem um espetáculo visual grandioso ou efeitos mirabolantes, a apresentação de Lita Ford se destacou pela solidez, carisma e presença de palco. Foram 75 minutos que provaram que sua força continua viva, caminhando com firmeza entre o clássico e o contemporâneo.

Sepultura ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Quando o Sepultura subiu ao Silver Stage por volta da 1h da madrugada, Zamora já estava em transe. Uma introdução pré-gravada com sons tribais e distorções preparou o terreno para uma avalanche de energia.

A primeira pedrada foi uma versão acelerada de “Beneath the Remains”, que fez o público explodir em uníssono. Daquele ponto em diante, o que se viu foi uma catarsis coletiva.

Derrick Green dominou o palco com autoridade. Seu vocal agressivo e postura firme reafirmaram seu posto como a voz moderna do Sepultura. Destacou-se especialmente em faixas como “Inner Self” e “Desperate Cry”.

Sepultura ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Ao seu lado, Andreas Kisser mostrou por que é um dos guitarristas mais respeitados do metal: seus solos foram intensos e técnicos, atravessando músicas como “Phantom Self” e “Escape to the Void” com riffs cortantes.

Paulo Jr. manteve a base firme, enquanto o jovem baterista Greyson Nekrutman foi uma revelação. Canções como “Means to an End” e “Kairos” exigiam duplo bumbo constante — ele entregou com precisão quase militar.

O set foi um equilíbrio entre passado e presente. “Guardian of Earth” e “Choke” representaram bem a fase de transição, enquanto clássicos de Chaos A.D. como “Propaganda” e “Territory” reacenderam os coros e os mosh pits.

O ápice veio com “Arise”, seguido por um solo brutal de bateria, que deu passagem para “Ratamahatta” e o hino “Roots Bloody Roots”. Nessa reta final, o público foi pura euforia: punhos no ar, palmas sincronizadas e gritos tribais.

Sepultura ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Ao encerrar com uma despedida intensa, a banda deixou claro: o tempo passa, os integrantes mudam, mas o espírito do Sepultura segue vibrando e espiritual. O show durou cerca de 1h30 — um verdadeiro voo sonoro por décadas de história condensadas num só ritual.

Antes de incendiar o palco, os membros da banda concederam uma entrevista reveladora à imprensa. Falaram sobre Quadra, seu último álbum de estúdio, lançado sem grandes expectativas, mas recebido com aclamação. “Fizemos o que sempre fizemos: música honesta. Quadra é o reflexo de anos de aprendizado, acertos e tropeços”, afirmou Andreas Kisser.

Questionados sobre o legado, foram diretos: “Ninguém substitui o Sepultura. Cada banda tem seu lugar. Se abrimos caminho para outros artistas latino-americanos, ótimo — mas nunca deixamos de ouvir ‘não’ desde o começo, e seguimos mesmo assim”, concluiu a banda.

Dark Funeral ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

O Silver Stage se vestiu de sombras por volta das 19h quando os suecos do Dark Funeral emergiram sob uma névoa densa e uma escuridão quase palpável. Desde os primeiros acordes, a atmosfera foi ritualística: blast beats precisos, guitarras cortantes e vocais soturnos se entrelaçaram numa performance hipnótica.

Heljarmadr surgiu com maquiagem de guerra e presença dominante, sua voz gutural preenchendo cada centímetro do ar. A multidão, reverente, acompanhava cada movimento como num culto. Os riffs de Lord Ahriman e Chaq Mol formavam paredões de distorção cirúrgica, enquanto a mixagem impecável permitia distinguir cada instrumento com clareza — mesmo no caos sonoro.

Dark Funeral ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

O cenário era sóbrio, mas potente: luzes vermelhas e azuis pulsavam em harmonia com os temas, sem exageros visuais. Um dos momentos mais marcantes foi quando pediram que todos baixassem os celulares e levantassem os chifres — e o público atendeu. Ali, viveu-se um ritual coletivo verdadeiro, intenso e simbólico.

O set fluiu com perfeição, sem pausas desnecessárias, até chegar em um encerramento abrasivo que fez o chão tremer e deixou claro: no palco, o Dark Funeral ainda reina no black metal escandinavo.

Nanowar of Steel ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Mas a noite não acabaria assim. Às 2h da madrugada, os italianos do Nanowar of Steel tomaram o palco com uma explosão de humor, energia e paródia metalera. Com base em Roma e veteranos no gênero da comédia, elevaram o nível de loucura do festival.

Começaram com “Sober” e seguiram com pérolas como “Pasadena 1994” e “Disco Metal”, aquecendo para o momento mais esperado: “Il cacciatore della notte”. O público já estava completamente entregue quando um “barbagianni” inflável surgiu em cena, arrancando gargalhadas gerais.

Nanowar of Steel ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

O ápice veio com “Norwegian Reggaeton”, uma mistura de metal e reggaeton que causou histeria coletiva. E ainda teve mais: “Valhalleluja” com direito a coro coletivo, riffs épicos e piadas escrachadas.

Mas nada preparou o público para o final: ao som de “El baile del perrito” (de Wilfrido Vargas), a banda convocou todos a formarem uma conga maluca. O caos foi absoluto — e absolutamente genial.

Nanowar of Steel encerrou o Z! Live 2025 com riffs, risos e irreverência. Uma verdadeira catarse de fim de jornada, onde a música, o riso e o metal se encontraram num mesmo abraço.

Crowd ZLive 2025
Foto crédito Z! Live Rock Fest | @fceaphotography

Três dias, dezenas de bandas e milhares de emoções. O Z! Live 2025 foi mais do que um festival — foi um rito de passagem. E que venha a próxima edição!

Tags: zlive2025, dark funeral, nanowar of steel, sepultura, gotthard, rhapsody of fire, angelus apatrida, zamora, metal festival, cultura metal, #culturaempeso

Serviço: Z! Live Rock Fest 2025Zamora, Espanha
Data: 12, 13 e 14 de junho de 2025
Local: Recinto IFEZA

Site oficial

Fotos de los asistentes por @photos.iuri

Facebook - Comente, participe. Lembre-se você é responsável pelo que diz.