– Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Cultura em Peso. Você pode nos contar como se deu o início do seu projeto solo ADNA MELAN?
Obrigada a vocês pela oportunidade! Em 2018, comecei a compor no piano para algumas das muitas letras que eu vinha escrevendo, gravei alguns vídeos tocando e cantando algumas dessas músicas e, em 2019, tive a oportunidade de gravar em estúdio e lançar os dois primeiros singles. Desde então, continuei desenvolvendo habilidades e composições, e também a identidade visual e sonora do projeto, fazendo novas conexões com músicos e produtores, e compartilhando novas músicas. Em julho de 2025, foi lançado o single mais recente, “Lie”, que considero um marco importante.
– Gostaria de saber como você se define. Eu particularmente achei o trabalho de vocês voltado para o Gothic Rock com pitadas de Alternativo. Você concorda comigo?
Sim, gothic e alternative rock, embora eu ache que há singles que puxam mais para o alternative. “Lie” já traz uma sonoridade diferente, mais perto do gothic metal, gênero que quero explorar mais nos próximos singles.
– “Lie” é o seu novo registro. Como se deu o processo de composição deste material?
Eu escrevi a letra de “Lie” em fevereiro de 2024. Na época, escrevi algumas outras letras também, então eu meio que não lembrava dessa. Um tempo depois, encontrei o arquivo e li novamente, lembrando da melodia que surgiu na minha mente quando escrevi a letra. Isso aconteceu em um período em que eu tinha muito material, muitas ideias, mas não conseguia decidir por uma. Porém, quando reencontrei a letra de “Lie”, o desejo de desenvolver a música, ver as ideias se tornarem algo real, começou a surgir novamente. E esse processo foi ocorrendo naturalmente, aos poucos. Desenvolvi os detalhes das linhas do vocal, o piano e a guitarra, gravei uma demo inicial e enviei para o produtor. Ele começou a estruturar a música no estúdio, aprimorando minha composição e contribuindo com outras partes, e continuamos trabalhando todos os detalhes até chegar na versão final.
– Gostamos muito da qualidade sonora alcançada por vocês. Suponho que o trabalho em estúdio tenha sido muito tranquilo. O que você pode nos falar sobre esta etapa, até chegarmos no lançamento propriamente dito?
Fico contente que gostaram! Foi uma experiência muito positiva e animadora ver a música evoluindo até chegar à versão final, e também a colaboração com excelentes profissionais que somaram no processo criativo e no aprimoramento e refinamento do som. É sempre bom trabalhar com quem busca entender suas ideias, o processo flui tranquilamente. “Lie” teve colaboração de dois produtores em momentos diferentes: o primeiro participou do processo criativo, e o segundo foi responsável por elevar a qualidade da gravação e realizar a pós-produção.
– Adna, eu adorei as linhas mais melodiosas compostas por vocês. Como funciona o seu processo de composição, neste sentido?
Obrigada! Meu processo de composição é bastante intuitivo. Primeiro escrevo a letra, o que já ocorre de forma catártica e natural. As frases vão surgindo com a melodia e, conforme eu vou cantando na minha mente, a essência da música vai se desenvolvendo. E então, ideias para a harmonia vão surgindo a partir disso. Alguns ajustes são feitos no processo, visando o aprimoramento e questões técnicas, mas é basicamente dessa forma que o processo se inicia.
– A arte da capa é bem diferente, fugindo do padrão que estamos acostumados. Qual a mensagem que você quis transmitir com ela?
A arte da capa é uma foto do ensaio fotográfico realizado no dia da gravação do clipe do single. Ela transmite introspecção, melancolia e solidão, por meio de elementos como o fundo preto e o olhar, o que se relaciona com sentimentos presentes na música. Rosas estão muito presentes na identidade visual do projeto em geral, e representam fragilidade e efemeridade.
– Imagino que você já deva estar trabalhando em novas músicas. Poderia nos adiantar como elas estão soando?
Sim, mas ainda estou trabalhando principalmente nas letras, e ideias iniciais de harmonia. Pretendo seguir no estilo do último single, mas também tenho o desejo de trazer um som mais pesado.
– Vocês já estão prontos para excursionar por outras regiões do país? Falo isso, pois depois de escutar o seu material, fiquei curioso para vê-los ao vivo.
Fico contente pelo interesse. Infelizmente, ainda não tivemos a experiência de realizar shows. No momento, não tenho disponibilidade por motivos pessoais, mas é algo que espero muito iniciar um dia e fico animada ao pensar sobre.
– Como você analisa o mercado fonográfico atualmente? Você acredita que o nicho que você faze parte, permite espaço para novos nomes promissores, como é o caso aqui?
Acredito que sim. Dentro do gothic e alternative, além de bandas renomadas que seguem em atividade, também vemos bandas novas surgindo e conquistando espaço. Creio que o mais importante é buscar criar algo verdadeiro e com identidade e qualidade sonora, com a esperança de que pessoas se identifiquem, gerando uma conexão entre o público e o som, a estética e os temas abordados.
– Mais uma vez obrigado pelo tempo cedido ao site Cultura em Peso. Agora o espaço é seu para as considerações finais
Gostaria de agradecer pelo espaço, foi um prazer participar. Muito obrigada!

