REVIEW REPORT | Laurus Nobilis 2026 – 18 de julho

O calor não deu tréguas, mas o metal também não. Entre novas descobertas e grandes atuações, o Laurus Nobilis fechou mais uma edição em grande.

O último dia do Laurus começou ainda com o calor a fazer-se sentir, mas nem as altas temperaturas impediram as bandas de dar tudo em palco e o público de responder à altura. Com uma programação que atravessava diferentes vertentes do metal, o dia 18 ficou marcado por uma sucessão de concertos que foi crescendo em intensidade até chegar aos grandes nomes que encerraram esta edição.

A abrir o palco principal estiveram os Viledög, vencedores da batalha de bandas realizada previamente ao festival e, por isso, com a responsabilidade de provar que mereciam aquele lugar. E provaram-no. Apesar do calor, a banda entrou em palco com energia, atitude e vontade de conquistar o público, não se limitando a cumprir o papel de banda de abertura. Houve interação constante e uma entrega que rapidamente justificou a vitória na batalha de bandas. Os Viledög aproveitaram a oportunidade e mostraram que tinham todo o direito de estar naquele palco, dando início ao último dia com a intensidade necessária e puxando pelo público desde os primeiros momentos.

Os Thornsdale deram continuidade à programação, contribuindo para manter o ritmo de uma tarde que começava a ganhar movimento. Com o público a circular cada vez mais pelo recinto e a antecipar os concertos seguintes, a banda encontrou um ambiente progressivamente mais composto.

De seguida, foi a vez dos Godark subirem ao palco principal. A esta altura, o recinto já começava a encher de forma mais evidente e a resposta do público acompanhava esse crescimento. A banda apresentou uma atuação intensa e carregada de peso, fazendo valer a sua presença perante uma plateia que se encontrava já muito mais envolvida no festival.

O ambiente manteve-se igualmente forte com os Haunted Minds. Com a sala já bem composta, a banda entregou um concerto cheio de energia e atitude, conseguindo puxar pelo público e criar uma atmosfera particularmente intensa. A proximidade entre a banda e os presentes tornou a atuação ainda mais dinâmica, num daqueles concertos em que a energia parece circular constantemente entre palco e plateia. Houve ainda tempo para participação da Telma com a música Territory de Sepultura já no final do concerto da banda.

Depois foi a vez dos Morgu, que protagonizaram um grande concerto. A banda conseguiu manter a fasquia elevada e oferecer uma atuação sólida e intensa, conquistando os presentes e contribuindo para que o último dia do Laurus continuasse a ganhar força.

Seguiram-se os Faemine, uma das propostas mais modernas da programação. A banda trouxe consigo uma abordagem que cruza peso, melodia e diferentes atmosferas, criando uma experiência dinâmica e envolvente. A sua atuação manteve o público atento e mostrou mais uma vez a força e diversidade das propostas que compuseram o cartaz desta edição.

A intensidade aumentou ainda mais com a chegada dos Atrocity. Os alemães, com uma carreira que atravessa várias décadas e diferentes territórios dentro do metal, trouxeram ao Laurus toda a experiência acumulada ao longo dos anos. Com raízes no death metal e uma trajetória marcada pela experimentação e fusão de diferentes influências, a banda apresentou uma atuação que demonstrou porque continua a ocupar um lugar de destaque na história do metal europeu.

A reta final ficou entregue aos portugueses Grog, uma das referências incontornáveis do metal extremo nacional. Com uma carreira construída ao longo de décadas, os Grog são reconhecidos pela sua sonoridade brutal e por uma intensidade que não dá espaço para distrações. O seu concerto foi uma verdadeira descarga de violência sonora, mantendo a tradição de uma banda que continua a representar uma das faces mais extremas e agressivas do metal português.

E então chegou o momento de Abbath.

O norueguês encerrou a edição de 2026 do Laurus Nobilis com uma atuação que colocou o público perante uma das figuras mais reconhecidas do black metal. Com uma carreira profundamente ligada à história do género e ao legado dos Immortal, Abbath trouxe para o palco toda a sua presença e personalidade, fechando o festival com uma atuação à altura da expectativa e colocando o ponto final numa edição marcada por vários momentos memoráveis.

Assim terminou mais uma edição do Laurus Nobilis. Foram dias de descoberta, reencontros, concertos intensos, mosh pits, circle pits, crowd surfing e muitos momentos que ficam na memória de quem passou pelo recinto.

Entre bandas nacionais e internacionais, nomes consagrados e novas propostas, o Laurus Nobilis voltou a afirmar-se como um importante ponto de encontro para a comunidade metal em Portugal.

De uma forma geral, o festival apresentou boas condições ao longo dos vários dias, embora tenhamos sentido algumas falhas na qualidade do som, sobretudo na sala. Ainda assim, foi possível perceber o esforço da organização e da equipa técnica em ajustar e corrigir as situações que foram surgindo, numa tentativa constante de melhorar a experiência ao longo dos concertos.

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