EP REVIEW: “TUYO”. La banda peruana “E.T.C.” — Peru

Subtítulo: Som clássico, atmosfera fresca e um retorno que emociona

Capa do EP TUYO de E.T.C.
Portada del nuevo álbum “TUYO” de E.T.C..

Falar de E.T.C. é lembrar uma das bandas peruanas que marcou minha adolescência —a entrada na fase grunge, o descobrimento de Alice in Chains e aquela sonoridade densa e crua. Na época eu passava por um momento difícil e, sinceramente, esse ambiente musical foi companhia por muitos anos.

Saber que esses grandes músicos lançaram material novo em 2025 trouxe uma alegria imensa. É uma ótima maneira de revisitar memórias antigas com algo novo.

Este EP saiu recentemente e é um trabalho bastante aproveitável. A faixa de abertura, “Intro”, é instrumental, crua e sombria —lembra muito os primeiros trabalhos da banda. O seu clima ambiental, minimalista mas espacial, anuncia com força o que vem a seguir: algo a que vale a pena prestar atenção.

Pela produção, o material soa profissional: o impacto do bumbo e a afiação das guitarras formam o timing característico de E.T.C..

A faixa-título, “Tuyo”, carrega uma influência leve de Chevelle —especialmente na estrutura e no timbre que lembram “Send the Pain Below”. Na parte limpa, a melancolia é palpável: perfeita para ouvir ao entardecer ou numa madrugada na estrada. A letra sugere temas como sentir-se usado ou enfrentar alguém que volta apenas por interesse —cada ouvinte vai encontrar a sua própria leitura.

“Pretty” traz a primeira música em inglês do EP —um recurso clássico da banda, que alterna idiomas com naturalidade. O baterista Carlos Doig reside nos EUA, e isso talvez explique parte dessa escolha. A letra aborda dependência —emocional ou física— e evoca uma relação tóxica onde momentos belos mascaram uma realidade nociva.

No instrumental, “Pretty” tem um toque nirvanesco, lembrando faixas cruas de In Utero, com a fluidez característica de Bleach. Não soa como cópia: é influência bem aproveitada para reforçar a identidade própria da banda.

Uma das minhas favoritas é “A Pesar”. Que música! Poguera, destrutiva, minimalista e explosiva —uma faixa que cresce com intensidade. Segundo relatos, fala de alguém que sobrepensa até explodir. A interpretação transborda identificação; o final tem um pico que vale ouro. Só lamento que dure tão pouco.

Fica claro que os músicos têm anos de estrada juntos: o entrosamento é total. Essa faixa soa como um jamming —quase um improviso de jazz com consciência rock— onde cada integrante sabe a hora de se destacar e a hora de ceder. O resultado é aquele arrepio coletivo que faz a música valer ainda mais.

“Outro” é outra faixa em inglês, curta em letra e com função quase de resposta a “A Pesar”. Funciona como um lamento, uma continuação instrumental que fecha bem a sequência.

O sentimento constante do EP é a melancolia —mas também há dinamismo e show de técnica. Minha única crítica sincera é a duração: queria mais. Como banda independente e potente, E.T.C. mostra que cada lançamento é digno de espera.

No encerramento, a banda presenteia com um jamming entre os três músicos —riffing que aponta para mais possibilidades e pequenos solos que exaltam baixo e bateria. Dá para imaginar muito material novo saindo dali.

Em resumo: o EP me agradou bastante. Tem sentimento, tem dinamismo e reafirma o timbre original da banda. Espero que logo lançem mais e, principalmente, que toquem essas faixas ao vivo —têm tudo para arrasar no palco.

Ouça o material nas plataformas digitais: YouTube, Spotify, Apple Music e siga a banda em @etcrockperu.

Call to action: Gostou da resenha? Ouça o EP e deixe nos comentários qual faixa te pegou mais —vamos partilhar sugestões para uma futura cobertura ao vivo.


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