APOCALYPTICA reescreve a Metallica: Plays Metallica, Vol. 2
Subtítulo: Uma conversa entre homenagem, memória e risco criativo
Apocalyptica lançou em 7 de junho de 2024 o seu segundo álbum integral de versões dedicado à Metallica, Plays Metallica, Vol. 2. Produzido por Joe Barresi e editado pela Throwdown/BMG, o disco traduz o metal para quatro violoncelos, alternando fidelidade emocional, arranjos orquestrais e colaborações que tanto legitimam o projeto quanto o expõem ao escrutínio dos puristas.
O repertório inclui versões de clássicos como Ride the Lightning, St. Anger, The Unforgiven II, e Blackened —esta última anunciada com a participação do lendário baterista Dave Lombardo. Entre os destaques estão The Four Horsemen (com Robert Trujillo) e duas aproximações distintas de One —uma com spoken-word de James Hetfield e Robert Trujillo, e outra instrumental.
Um gesto de memória merece nota: Apocalyptica recupera The Call of Ktulu incorporando a pista de baixo original gravada por Cliff Burton em 1984 —um tributo aprovado pela família e pela própria Metallica.
“As colaborações funcionam como pontes: legitimam o projeto para os puristas e, ao mesmo tempo, deixam ver a tensão entre o respeito ao original e a liberdade criativa de Apocalyptica.”
Na tradução sonora que Apocalyptica propõe, os riffs e estruturas rítmicas do thrash ganham nova textura: o arco do violoncelo valoriza sustentação e ressonância, redesenhando silêncios e concedendo diferente tempo emocional aos temas originais. Em faixas como Ride the Lightning, esse tratamento cria uma paisagem sonora rica em dramaticidade —por outro lado, em cortes mais agressivos o formato por vezes dilui a violência sonora que marcou as gravações originais.
Críticas especializadas em inglês —por exemplo Louder Sound e Ghost Cult— destacam a ambição do projeto e a capacidade de converter riffs em dramatismo de cordas, apontando versões de One e Ride the Lightning como momentos de grande impacto emocional.
No ecossistema em espanhol e português, publicações como Headbanging.mx e Hellpress valorizaram tanto o virtuosismo quanto o gesto simbólico de resgatar a linha de baixo de Cliff Burton em The Call of Ktulu.
Algumas vozes críticas, especialmente em publicações independentes, observam que o formato não funciona igualmente bem em todas as faixas: há momentos em que o arranjo para violoncelos pode soar austero para quem procura a violência sonora do original. Ainda assim, o acerto está em reconhecer que o risco estético é calculado —o que se perde em ataque pode ser ganho em camadas emotivas.
Pessoalmente, acho particularmente bem-sucedidas as abordagens de Ride the Lightning e daquilo que considero uma das faixas menos celebradas da Metallica: The Call of Ktulu. Nesse tema, a aura espectral que o violoncelo imprime casa perfeitamente com a arquitetura da composição original.
O risco e a recompensa
O maior risco é estético: a mudança de sonoridade inevitavelmente realça algumas qualidades do material e atenua outras. Mas se há algo que Apocalyptica já provou —desde 1996— é que o potencial de um instrumento está em quem o toca. Em Plays Metallica, Vol. 2 esse potencial aparece com clareza, mesmo quando a proposta desafia ouvintes fiéis ao timbre original.
Para quem se interessa por experimentos de timbre e por leituras que ampliam a memória afetiva de canções consagradas, o disco oferece camadas novas e momentos de beleza inesperada. Para os puristas, funciona como um convite —ou um desafio— a ouvir o repertório por outra lente.
Onde ouvir e acompanhar
O álbum está disponível nas plataformas de streaming. Ouça Plays Metallica, Vol. 2 — Apocalyptica e siga a banda nas redes.
Leitura adicional: críticas e análises em Louder Sound, Ghost Cult, Headbanging.mx e Hellpress.
Call to action: Se curtiu a proposta, ouça o álbum e compartilhe suas faixas favoritas nos comentários —vamos discutir quais versões > você achou mais bem-sucedidas.


