We Missed Ourselves Fest 2025 – Crónica

O céu estava limpo e o sol brilhava forte na Cidade do México. Do lado de fora do Velódromo Olímpico, a fila já estava formada; os fãs mais dedicados aguardavam ansiosamente um dia de muita música, prontos para ocupar as primeiras filas e ficar até o final com toda a energia. Ao meio-dia, os portões se abriram, oferecendo entrada fácil e rápida. Lá dentro, tudo estava pronto: barracas vendendo bebidas, comidas e produtos oficiais, além de um pequeno mercado onde artesãos ofereciam litografias, camisetas, adesivos, pinturas e bonés.

Às 12h30, com a pontualidade suíça, a primeira atração local, Paraíso, subiu ao palco. Os integrantes da banda foram recebidos com entusiasmo, criando uma conexão imediata com o público. Suas músicas combinavam sintetizadores, guitarras e bumbo, com letras que provocavam reflexão entre os presentes. Sob o sol escaldante, a banda apresentou “Music to Heal Broken Hearts”, entregando-se completamente no palco.

O grupo enfatizou a importância de apoiar os talentos nacionais e agradeceu ao público pela presença, deixando uma ótima impressão como show de abertura.

O segundo ato começou às 13h10 com Lord Monde, ostentando cabelos vermelhos e pretos, fundindo metalcore e emo com sons eletrônicos. Embora nem todos estivessem familiarizados com sua música, ele conseguiu conquistar o público com canções sobre sentimentos reprimidos e a “gaiola” da qual muitos anseiam escapar.

Um dos pontos altos foi a colaboração na música “Quédate” com o vocalista do Paraíso, que gerou sorrisos e uma mensagem sobre saúde mental, resiliência e busca de ajuda, criando uma atmosfera fraterna no festival.

Às 14h, a banda britânica Oceans Ate Alaska fez uma das apresentações mais memoráveis. O vocalista Joey Heywood modulou sua voz através de uma gama de timbres, do melódico ao gutural, criando uma montanha-russa de emoções. Durante “Hansha” e “Metamorph”, surgiram as primeiras rodas de paz e mosh pits, incluindo um toque de humor com alguns participantes vestidos de bananas e cachorros-quentes.

O público interagiu com a banda, cantando junto e apreciando a simpatia dos músicos, e o calor não diminuiu a energia. O Oceans Ate Alaska consolidou seu lugar como um dos favoritos do festival graças à sua intensidade e dinamismo.

Às 15h, a banda I Set My Friends On Fire apresentou seu metal experimental. O vocalista Matt Mehana, ostentando seu característico cabelo afro e uma camiseta de Death Note, conduziu a banda pela plateia, gerando entusiasmo e expectativa. Músicas como “Things That Rhyme With Orange” e “Revenous, Revenous Rhinos” foram acompanhadas por animações de narvais no telão.

O show teve momentos emocionantes: o aniversário de um dos integrantes da banda e o pedido de casamento do guitarrista, ambos celebrados pela plateia. A banda demonstrou grande carinho e conexão com os fãs, compartilhando bolo e cumprimentos após a apresentação.

Às 15h50, o Memphis May Fire subiu ao palco. Com um show de mais de uma hora de duração, a banda combinou músicas mais suaves com faixas de alta intensidade. Os moshpit explodiram mais uma vez, enquanto os vocais guturais de Matty Mullins causavam arrepios na plateia. A atmosfera era de camaradagem e irmandade; os presentes liberaram suas emoções ao ritmo do metalcore.

O Memphis May Fire se destacou por sua demonstração de apreço pelo público mexicano, agradecendo a cada instante e transmitindo mensagens de incentivo entre músicas poderosas e vibrantes.

Por volta das cinco da tarde, a banda We Came As Romans subiu ao palco. Depois de quase uma década sem se apresentar no México, eles retornaram com energia e maturidade. O vocalista Dave Stephens apareceu vestindo uma camisa da seleção mexicana e falou em espanhol durante todo o show, interagindo com o público.

Eles tocaram músicas clássicas e homenagens a Kyle Pavone, lembrando a todos que cada show é uma homenagem ao artista. A banda gerou um moshpit intenso, com pulos e gritos, garantindo o sucesso total com seus fãs.

Ao cair da noite, o Senses Fail fez um retorno emocionante. O vocalista Buddy Nielsen conquistou a plateia com seu estilo descontraído e comentários contra a corrupção, o racismo e o classismo, chegando a brincar que seu único presidente era Juan Gabriel.

Com músicas como “Rum is for Drinking”, “Calling All Cars”, “Lady in Blue Dress” e “Mi Amor” (em espanhol), a banda transportou o público de volta à era clássica do emo, demonstrando trabalho em equipe e uma forte conexão com os fãs.

A primeira parte da noite terminou com o Underoath, que apresentou um show com luzes e telões psicodélicos, mantendo a plateia envolvida com mosh, pulos e músicas intensas como “Hallelujah” e “Writing on the Walls”. Todos os presentes cantaram junto, criando uma sensação de catarse. Alguns fãs ficaram desapontados com a ausência de várias músicas do álbum “Define The Great Line”, que haviam sido prometidas; no entanto, o show ainda foi fantástico. A banda guiou as emoções do público por uma jornada de resiliência e catarse, proporcionando uma das apresentações mais memoráveis.

Em seguida, foi a vez da banda que todos estavam esperando: Beartooth. Vindos de uma das cidades mais importantes do hardcore punk, o vocalista Caleb Shomo surgiu vestindo um top curto com a inscrição “Sad Girl”, delineador e uma bandana. A banda provou que punk e emo podem se fundir para criar um espetáculo devastador que varreu tudo à sua frente, roubando a cena e superando a apresentação do Underoath. Eles começaram com “The Lines” e mantiveram o controle do festival, acompanhados por um cenário colossal em forma de cobra; cada membro entregou-se de corpo e alma à performance.

Beartooth encerrou o show com uma fusão devastadora de hardcore punk e metalcore, roubando a cena depois do Underoath. Com um cenário colossal em forma de cobra e efeitos pirotécnicos, eles tocaram “Disease” e “In Between”, criando momentos emocionantes que levaram o público às lágrimas.

A multidão respondeu com mosh pits intensos, enquanto o vocalista Caleb Shomo demonstrava sua força física, cantando e participando dos refrões com os fãs. O Beartooth provou como salvar o festival após cancelamentos anteriores, deixando o público ansioso por um show solo.

O grande final ficou por conta do Black Veil Brides, com um show colossal de hardcore, emo e metalcore. Em meio a vocais guturais e pirotecnia, eles tocaram “Knives and Pens”, “Scarlett Cross”, “Fallen Angels”, “Rebel Love Song” e “Hallelujah”. As guitarras gêmeas e os gritos prolongados de Andy Biersack marcaram um final épico de mais de uma hora e vinte minutos, com direito a agradecimentos e fotos para eternizar o momento.

A banda amadureceu e passou por mudanças, mas isso não diminuiu sua energia. Cada membro contribuiu com sua parte para um show que começou com vocais guturais e terminou com ainda mais intensidade, misturando hardcore punk, emo e metalcore. Andy, Lonny, CC, Jinxx e Jake se uniram em um único universo para impressionar. Eles tocaram músicas como “Knives and Pens”, “Scarlett Cross” e “Fallen Angels”, levando o público a bater cabeça no ritmo da performance.
Muitos gritaram “Tire a camisa!” durante o show; no entanto, Andy não atendeu ao pedido. Achamos que ele estava com frio por causa do horário avançado. A banda também tocou “Rebel Love Song” e um de seus lançamentos mais recentes, “Hallelujah”, uma faixa de metalcore puro que exigiu o máximo das cordas vocais de qualquer mortal. As guitarras gêmeas harmonizadas e o grito prolongado de Andy foram os pontos altos. Mesmo com alguns problemas de áudio, a banda provou que pode continuar revolucionando sua música. Fogo e um telão escuro com projeções que lembravam uma catedral acompanharam a apresentação, criando uma atmosfera sombria. A performance durou mais de uma hora e vinte minutos, terminando com agradecimentos e uma foto final para eternizar o momento.

O festival mais emo do México, We Missed Ourselves Fest, concluiu com sucesso sua segunda edição. Apesar de alguns contratempos organizacionais, a experiência foi memorável, com artistas nacionais e internacionais, uma forte conexão com o público e shows que exploraram desde o emo clássico até o hardcore e metalcore mais intensos. Os participantes puderam gritar, se conectar, sentir e se divertir, reconhecendo-se como seres únicos e insubstituíveis. Uma verdadeira celebração da música, da irmandade e da resiliência.

Apesar dos contratempos e desafios na organização deste evento, há muitas áreas para melhoria e oportunidades de crescimento. O público espera que, se houver uma nova edição, ela seja mil vezes melhor. Desejamos a todos muito sucesso, agradecemos todo o apoio prestado na cobertura deste magnífico evento e esperamos nos reencontrar em breve para celebrar, unir, sentir e desfrutar, sabendo que não estamos sozinhos e reconhecendo-nos como seres únicos e insubstituíveis.
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