Com realização de Talent Nation, Caveira Velha Produções e Gerunda Produções, o show da tour “Mantras for Peaceful Death over Latin America“, foi providenciado. O culto de fogo foi celebrado. Sob cortinas negras como a noite, o mistério prevaleceu e por fim foi revelado. Com abertura da casa um pouco antes das 19:00 e pontualmente às 20:00, com a subida da banda ao palco. Após muita expectativa e ansiedade enfim abriram se as cotinas.

Com incenso exalando e dando o tom mistico, a mesa farta, repleto de frutas e flores, a entidade Cult Of Fire se apresentou na Burning House.
Esta não foi uma mera apresentação, foi um culto enigmático, cheio de simbolismos e meticulosamente executado conforme o rigor oriental. Os tchecos oriundos de Praga (República Tcheca), trouxeram toda a ancestralidade seja através de símbolos, mantras, entonações em uma ritualística rica, ao mesmo tempo com muitos detalhes. Sob padrões e suásticas hinduístas empregaram esmero e máxima técnica. Seu som é rápido, visceral e cheio de camadas e tempos. Guitarras marcadas trazendo toda a atmosfera sonora e sendo adequadas conforme o timbre pedido em cada canção. Uma bateria veloz e extremamente poderosa, além de vocais que aliada ao peso instrumental, além de brados de guerra.

Poucas palavras (somente ao final), porém de gratidão. De forma ininterrupta, uma pedrada após a outra. De forma absurdamente técnica, o que era forjado e executado com a intensidade pretendida, sem concessões e sem pegar leve na energia que queriam empenhar.
De forma épica, uma banda foge dos “clichês” do Black Metal tradicional. Em sua terceira passagem pelo Brasil e com apresentação única na capital paulista, veio como um quarteto, trazendo os ritos e a liturgia de rituais védicos (cerimônias baseadas nos Vedas, as escrituras mais antigas do Hinduísmo, envolvendo oferendas, recitação de mantras e ritos de sacrifícios com o objetivo de manter a ordem cósmica), inclusive características vestimentares/indumentárias.



Conforme dito acima, poucas palavras, muito som. As mãos dos membros conhecem por si sós. Presença de palco e muita gesticulação tanto do vocalista quanto dos demais integrantes. Uma performance detalhada e muito minuciosa, como algo que dedicou muito ensaio, o que casou muito bem na apresentação. Posições de mãos que foram feitas à medida que iam rolando os cânticos, reverências e mãos em posição de prece. Os adornos de cabeça cheios de detalhes e de uma riqueza ímpar, saudando a vida e a morte, tornando tudo um único cosmos/ecossistema.
Um culto ecumênico de luz e sombras, budismo, hinduísmo e a atmosfera esotérica fez deste show algo marcante e totalmente fora da casinha. Pensar fora da caixa e fazer algo singular. Acredito que tenha sido esta a intenção dos produtores envolvidos.

Além da apresentação impressionante, fiquei refletindo sobre toda a logística, seja de equipamentos ou da própria parte estética (cenografia). Uma composição de núcleos e itens/objetos que se tornam algo muito diferenciado e corroboram ao mesmo tempo para a estética do cenário. Compondo uma cena, como se tivéssemos adentrado a um templo e o líder/sacerdote e seus auxiliares para os ritos sagrados. Serpentes gigantes fizeram a guarda e proteção dos músicos.
As máscaras e vestimentas, além de um teor cênico/religioso, prenderam uma atenção focada no clímax que queriam alcançar e principalmente conduzir para dentro das nuances que cada canção aborda. Transcendência do ser humano para o conteúdo principal, a questão mística.

O público balançava a cabeça conforme a cadência de cada som, era possível ver de forma sincronizada o balançar. Olhos que não saíram de cima do palco e cada detalhe foram observados pelos fãs, que assistiram hipnotizados, em estado de transe enquanto a regência ritualística ocorria.
Uma curiosidade sobre a máscara do vocalista: Vojtěch Holub , usa uma máscara de Yamaraja — o Rei do Inferno e da Morte, de acordo com os hinduístas e budistas. Da banda, é a que apresenta mais detalhes

De forma geral, foi uma apresentação que foge do comum, ao mesmo tempo que disciplina dos músicos. Tudo de certa forma orquestrado e com minúcias que tornou tudo aquilo muito mais especial. Uma noite de ouro e cinzas. Satã foi citado, mas em uma proporção bem menor. Após os agradecimentos, as flores foram jogadas ao público e as frutas na mesa foram distribuídas ao público ao invés de baqueta e palhetas, como tradicionalmente é visto nos shows. Fãs tiveram os discos autografados e tiveram a possibilidade de tirar fotos com os seus ídolos. Uma banda toda muito receptiva e carismática.

Agradecimentos especiais a Talent Nation , Caveira Velha Produções , Gerunda Produções e Burning House .
Noite extraordinária e incomparável! Casa lotada e atmosfera ímpar. Cult Of Fire que já é um dos maiores do Epic Black Metal e Black Metal atmosférico, fez jus e sagrou-se mais uma gigantesca potência do estilo, com extrema competência reafirmando seu legado dentro do Black Metal mundial e música extrema.

Setlist
01.Perda.
02.
Luto 03. Raiva 04.
Dhoom
05. Bênção
06. Alegria
07. Há mais a perder
08. Závěť Světu
09. Kālī mā
10. Sem título 1
11. Khaṇḍa maṇḍa yōga
12. (ne)Čistý
13. Mentor de Satanás
14. Buda 5
Bis:
15. Alcance o céu e morra!
Confira as fotos completas no link abaixo:
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