Almanon 2025. Foto: Divulgação.

O metal extremo brasileiro é reconhecido pela sua brutalidade visceral, e a banda Almanon acaba de contribuir para essa história com o lançamento de seu novo álbum, Primitive Infernal. Lançado de forma independente no dia 13 de julho, o trabalho marca um salto significativo na trajetória do grupo, sendo o seu primeiro álbum de estúdio.

O álbum é, essencialmente, a trilha sonora perfeita para o terror psicológico e o desespero. As nove faixas são inspiradas na atmosfera sombria dos contos de Edgar Allan Poe, mergulhando em temas de agonia, perversidade humana e a loucura claustrofóbica.

O grande diferencial do Almanon é a sua escolha sonora: a banda resgata o estilo old school, cru e orgânico do metal extremo das décadas de 80 e 90. A ausência de metrônomo nas gravações confere um ar tradicional. Para os colecionadores, a banda ainda reforça o sentimento nostálgico ao disponibilizar a mídia física com encarte contendo letra e tradução, garantindo a imersão completa na obra.

Almanon divulgação oficial novo álbum.

O mergulho no universo de Poe começa com a faixa-título, “Primitive Infernal“. Sendo instrumental, ela estabelece a tonalidade do álbum com um ar sombrio e erudito, servindo como uma abertura literária.

A partir daí, a atmosfera de Poe é construída através de riffs e efeitos sonoros. “The Black Birds” começa com sons de corvos. Aqui, a crueza da gravação “na raça” fica evidente: em um momento, senti a falta de uma edição que tornaria o som mais redondo, um detalhe que atesta a natureza orgânica e sem filtros do disco, sem tirar o valor da forma como foi gravado.

A sonoridade gélida continua em “Shadows“, que começa com o barulho dos ventos, e em “Horses Infernal Flames“, com o trotar dos cavalos no início, demonstrando o cuidado do Almanon em criar uma experiência cinematográfica para o ouvinte.

A fúria do álbum atinge seu ápice em faixas como “Death Red“, que se destaca por apresentar uma linha de baixo marcante e bastante interessante. As faixas finais, “Tormented by Agony“, “Human Perversity” e “Despair“, continuam a escalada de brutalidade, culminando no encerramento conceitual “Pendulum“, uma referência direta ao conto clássico de Poe, que encerra o disco com uma nota de claustrofobia e desespero.

Primitive Infernal. Almanon 2025.

Primitive Infernal é um trabalho de conceito brilhante. O Almanon acerta na escolha do universo de Poe, na construção das letras e na proposta old school de gravação. O álbum é inegavelmente bom, mostra a identidade da banda e representa um passo significativo em sua trajetória.

No entanto, o que impediu o álbum de alcançar a excelência foi a edição. Embora a proposta de soar cru e orgânico seja válida e remeta aos anos 80/90, a falta de um polimento mínimo fez com que o som não soasse totalmente integrado. É um aprendizado natural para uma banda independente, e é justamente esse toque final na produção que fará com que o Almanon alcance o próximo nível. O álbum é altamente recomendado para quem busca a fúria do metal extremo com alma, conceito literário e 100% made in Brazil.

Almanon:
Ricky Longinus: bateria
Sérgio Vieira: guitarra
Paulo Lopes: vocal
Gustavo Jianoto: baixo.
1.Primitive Infernal
2.The Black Birds
3.Shadows
4.Horses Infernal Flames
5.Death Red
6.Tormented by Agony
7.Human Perversity
8.Despair

9.Pendulum

Nota: 7.5