Os Victorius nasceram em 2004, na Alemanha, e inicialmente praticavam um power metal bastante tradicional, influenciado por nomes como Helloween, Gamma Ray, HammerFall e Edguy.
Existem essencialmente duas “eras” na carreira dos Victorius, algo que pode passar despercebido a quem apenas os conheceu durante a atual fase dos dinossauros. “Heart of the Phoenix” foi um álbum de transição. Ainda continha uma forte ligação ao power metal tradicional, mas já apontava para uma abordagem mais moderna, melódica e acessível.
O trabalho que redefiniu completamente a identidade da banda foi o EP “Dinosaur Warfare Pt. 1”, lançado em 2018. Dinossauros, ninjas, espaço, lasers e power metal: uma combinação improvável que acabaria por se tornar a imagem de marca dos alemães.
Muitos apelidam a banda de “Saturday Morning Cartoon Metal”, mas uma coisa é certa: por trás dos temas absurdos encontram-se composições extremamente eficazes. Os Victorius exploram universos repletos de dinossauros armados com lasers, ninjas espaciais, exércitos pré-históricos e guerras intergalácticas sem nunca perderem o foco na qualidade das canções.
A expressão não deve ser entendida como uma crítica negativa. Pelo contrário, ilustra a forma como a banda abraça o exagero e o absurdo como parte integrante da sua identidade artística. Os Victorius tocam a sua música com total seriedade e competência, mas envolvem-na num imaginário que parece saído diretamente de uma série animada dos anos 80 ou de um videojogo arcade. É precisamente este equilíbrio entre qualidade musical e entretenimento descomprometido que os tornou uma das propostas mais distintivas do power metal contemporâneo.
“World War Dinosaur” é o mais recente trabalho dos germânicos e o sétimo álbum de estúdio da sua carreira.
Viver ou morrer pelos refrões sempre foi uma das imagens de marca do power metal melódico e os Victorius não fogem à regra. Logo na abertura, “Kingdom of the Strong” apresenta um refrão marcante e viciante, capaz de conquistar imediatamente o ouvinte.
A faixa-título surge de seguida e conta com a participação especial de Sebastian “Seeb” Levermann (Orden Ogan) e Samuel Nyman (Angus McSix), que se juntam a David Baßin numa composição extremamente eficaz e com enorme potencial para se tornar um dos pontos altos dos concertos da banda.
“Dino Race from Outer Space” bebe claramente da escola clássica do power metal alemão, particularme
nte da fase de ouro dos Gamma Ray. O andamento rápido e galopante, os refrões imediatos, as harmonizações de guitarra ao estilo de Kai Hansen e a constante sensação de aventura fazem desta uma das melhores composições do álbum.
Um dos aspetos mais interessantes de “World War Dinosaur” é a duração média das faixas, situada entre os três e os quatro minutos. Esta opção confere ao disco um dinamismo constante e evita qualquer sensação de desgaste, mesmo para quem considera o power metal um género saturado ou excessivamente previsível.
“Raptor Squad Attack” é mais uma excelente composição, enquanto “Brachio Bazooka Battalion” se destaca como um verdadeiro exercício de eficácia melódica. O desenvolvimento da música após os 2:22 é particularmente inspirado e demonstra como a banda continua a dominar a arte de construir refrões memoráveis e momentos de grande impacto emocional.
As boas canções sucedem-se. “March to War… Dinosaur” mantém o nível elevado, enquanto “Evil Mean Megalodon” ganha uma personalidade própria graças à participação de Tetzel (Tim Schmidt), vocalista dos Asenblut. Os seus vocais mais agressivos contrastam eficazmente com o registo limpo de David Baßin e acrescentam uma dimensão mais pesada ao tema. Logo depois, “Dino Power Resistance” devolve o espírito festivo e contagiante que caracteriza grande parte do álbum.
Na reta final, o disco continua a oferecer momentos de enorme qualidade. “Prehistoric Panzer Power” impressiona desde os primeiros segundos, “Lazer Ninja Thunderstorm” acaba por ser a faixa menos memorável do alinhamento, “Golden Glory” apresenta um pré-refrão particularmente inspirado e “Lost Legacy” encerra o álbum de forma empolgante e triunfante.
Quando a poeira assenta sobre os campos de batalha pré-históricos e os últimos lasers se apagam no horizonte, fica a certeza de que os Victorius continuam a dominar o seu peculiar universo com uma confiança difícil de ignorar.
Num género frequentemente preso às suas próprias tradições, os Victorius escolheram montar um dinossauro, apontar um canhão laser ao céu e seguir numa direção completamente diferente — e, contra todas as probabilidades, continua a resultar.
Nota do Editor: 7.5/10



