O segundo dia do Desertfest esgotou os ingressos. Foi também o único dia do festival em que aconteceu o karaokê, com muitos visitantes se reunindo na área externa para se divertir cantando clássicos de todos os tempos, o que contribuiu para o clima descontraído e acolhedor do festival.

ACID KING

É o 25º aniversário de *Busse Woods*, o álbum de estreia da banda, e o Acid King está comemorando com uma extensa turnê europeia que, é claro, não poderia deixar de passar pelo Desertfest.

O baixista Bryce Shelton, com uma cerveja na mão, foi o primeiro a subir ao palco, seguido por Lori S. membro fundadora e mente por trás da banda, e pelo baterista Jimmy T. Perez. A banda tocou Busse Woods na íntegra, mas não na ordem exata do álbum, começando com “Drive fast, take chances” e deixando “Electric Machine” para o final. A banda deu tudo de si, construindo suas características paredes de som, arrastando o público para dentro de seu “Silent Circle” (piscadela) e além. Os fãs simplesmente se renderam aos riffs e à estrondosa seção rítmica com as linhas de baixo pulsantes e cheias de groove de Shelton. Lori S. agradeceu ao público, com a mão no coração, e a banda saiu com um sorriso no rosto, assim como o público.

ROTOR

A banda alemã foi uma das grandes sensações deste Desertfest, já que raramente sai em turnê ou se apresenta ao vivo. Ao contrário da maioria das bandas, eles tocam em fila, com a bateria no centro. O show começou com algumas músicas de mathrock, mas, ao longo da apresentação, a banda mergulhou em melodias frenéticas, riffs progressivos, breakdowns, doom e até jazz, criando um crossover pesado que se desenvolveu em um ciclo, diminuindo o ritmo das faixas para depois retomá-las com força. O público estava totalmente envolvido e entrou em um transe que atingiu seu clímax na faixa final, uma música de 15 minutos que se desenvolveu sobre um ritmo de baixo e um riff semelhantes a um mantra, cuja intensidade não parava de crescer e terminou abruptamente, seguida pelos gritos de alegria e aplausos prolongados da plateia.

MOTHER’S CAKE

O show do Mother’s Cake levou a psicodelia ao seu nível máximo, com uma mistura de funk, krautrock e sons progressivos. Essa incrível fusão de estilos encantou o público, que se entregou de corpo e alma, refletindo a energia e o empenho da banda, cantando, dançando e gritando junto com os dois vocalistas. Os austríacos conseguiram até convencer o público a formar um wall of death, que se desenvolveu de maneira bastante amigável e respeitosa. Eles tocaram principalmente faixas de seu último álbum, Ultrabliss, mas pequenas joias de sua discografia, que se estende por mais de uma década, também entraram no setlist. Na última música, o saxofonista Betel Kangaroo Nut, atualmente em turnê com o Dope Purple (outra banda incrível que infelizmente não consegui ver, pois eles tocaram às 15h), juntou-se aos austríacos, levando a multidão à loucura e adicionando um toque ainda mais psicodélico a um show que já era excepcional.

 

YOB

YOB foi um dos shows mais esperados desta edição do Desert Fest, a única apresentação na Europa, além de sua participação no festival belga Obsidian Dust. Em meio aos gritos de uma plateia lotada, o trio de Oregon, EUA, subiu ao palco com uma energia incrível. O YOB toca uma mistura única de doom com partes melódicas e uma grande carga emocional, tanto nos momentos mais pesados quanto nos mais suaves. O vocalista e guitarrista, com seus gritos, riffs e movimentos, parecia querer invocar forças sobrenaturais que guiariam a banda e o público durante o show; o baixista, marcando o ritmo pulsante da descarga sonora diante de um ventilador, com seus cabelos esvoaçantes como os de Medusa, transformado em uma criatura de outro mundo, e o baterista, com seu estilo primitivo e profundo, conseguiram criar uma atmosfera que nos transportou para outra dimensão. Balançando a cabeça, com os braços no ar e grunhindo do fundo da alma, o YOB exorcizou a si mesmo e ao público em um show que durou mais de uma hora de puro êxtase doom.

RED FANG

O Red Fang foi a outra grande atração da noite de sexta-feira. Assim como o YOB, a banda não está em turnê pela Europa; eles viajaram exclusivamente para o Desertfest Berlin e o Obsidian Dust. A banda é uma das mais queridas da cena, graças à sua atitude descontraída e à sua excelência musical, uma mistura de stoner, doom, heavy metal e hard rock. O Red Fang apresentou várias faixas de sua discografia. Eles soaram muito bem, oferecendo uma mistura de riffs pesados e distorcidos, combinados com sua característica energia festiva. A presença de palco da banda foi imensa, enérgica e dramática no melhor sentido possível. Os fãs nas primeiras filas refletiam essa mesma energia enquanto o quarteto tocava as faixas mais queridas: “Crows in Swine”, “Dirt Wizard”, “Arrows” e “Prehistoric Dog”, entre outras.