Em um sábado a noite, a escuridão veio sobre nós… Melancolia, peso e intensidade.

Em data única no Brasil, São Paulo foi agraciada pelo retorno da veterana banda ao país. Me lembro como se fosse ontem, este que vos escreve relembrando que o Draconian sempre esteve presente na minha playlist, a pelo menos duas décadas.

O “eu” do passado ficou feliz e realizado por esta experiência e oportunidade ímpar, proporcionado pela Mirror AM, Sellout Tours e Tedesco Mídia. Gratidão máxima!

Em uma noite de sold out de ingressos de camarote e pista com quase 100% de lotação, o Carioca Club se tornou um templo do Death/Doom Metal nesta noite singular. A expectativa e olhares para o palco em nenhum momento se desviou. Qualquer movimento no palco já acendia o alerta do público que vibrava. Enquanto isso no sistema de som da casa, as bandas clássicas de Doom/Death rolavam no som (Moonspell, Paradise Lost, Anathema, etc…)

Pontualmente, às 18:00 às cortinas foram abertas e Emma Ruth Rundle estava no centro do palco, ajeitou o seu violão e indicou sua apresentação. Algo bastante intimista e aconchegante, uma voz plena e ao mesmo tempo intensa. Na minha cabeça eu buscava entender suas referências. Pensei em Alanis Morissette, Anneke Van Giersbergen, irmãos Cavanagh (Anathema). Vestida toda de preto e uma maquiagem escura, Emma foi bastante simpática e gentil, sempre conversando com o público e em uma interação recíproca com direito a palmas, ovação do público e pessoas gritando por seu nome.

A cantora norte americana nascida em 10/10/1083 (mesmo dia que este que vos escreve, mas não o mesmo ano) agradou muito, até os que pareciam ter ressalvas com uma apresentação nestes moldes (voz e violão), sem uma banda completa. Passeando pelo Indie, post rock, Doom entre outros, Emma se apresentou no Brasil pela primeira vez. A artista possui uma carreira longeva passando por carreira solo e bandas em seu país ( EUA).

Tudo começou excelente com o público contemplando a apresentação solo, até que um problema técnico interrompeu por alguns minutos a apresentação, mas foi resolvido e vida que segue. O público se solidarizou com a cantora e o pensamento foi unânime  – cadê o roadie? (risos). Mas este pequeno problema não tirou o brilho da apresentação que seguiu com aplausos por parte do público e uma troca bacana do palco ao público e público ao palco. Reciprocidade enfim…

Emma parecia habituada com o público brasileiro e já familiarizada com a platéia. Com leveza e bom humor, Emma cativou os presentes e foi ganhando o público cada vez mais a cada nova canção apresentada.

Um setlist curto mas denso, profundo e absurdamente emocional, transitando com canções mais lentas à canções mais rápidas, abordando inclusive corrupção. Estiveram presentes no set, as excelentes “Living With the Black Dog“, “Arms I Know So Well“, “Citadel“, “Blooms of Oblivion“, “Shadows of My Name ” e “Marked for Death“. Com sua voz doce e calma, conquistou os corações dos presentes. Foi uma apresentação além do esperado, foi envolvente e apaixonante. Emma por fim agradeceu a todos e encerrou sua apresentação.

Assim que terminada a apresentação de Emma Ruth Rundle, começaram os preparativos para a apresentação principal, os suecos do Draconian. A movimentação no palco foi acompanhada pelos olhos atentos do público que não desgrudaram a atenção do palco. Qualquer movimentação ou aparição dos integrantes mesmo com as cortinas fechada era bastante celebrada e ovacionada pelo público.

 

Por fim, a hora aguardada chegou e trazendo um misto de surrealidade, com declarações de amor a banda e principalmente a vocalista Lisa. Canções do último lançamento da banda também se fizeram presentes ( “In Somnolent Ruin” – 2026) , tal como clássicos de sua discografia. Impossível não se emocionar, foi tudo muito lindo. A performance da banda já ganhou o público no primeiro acorde. Público este que cantou do começo ao fim, da primeira a última música com lágrimas nos olhos e o coração transbordando.

Com direito a bandeira do Brasil, luzes nas mesmas cores e a vocalista Lisa utilizando um vestido de cor verde escuro, a apresentação aconteceu. Apresentação esta que era aguardada com imensurável expectativa. A combinação dos vocais de Lisa e Anders trouxeram o angelical e o sombrio, além de uma bateria tocada com minúcia e precisão. Guitarras imponentes e baixo marcante em perfeita sintonia. O tempo todo houve interação e troca mútua de ambas as partes (banda x público, público e bandas). Declarações de amor a Lisa e ao Draconian foram ouvidas durante todo o show. O misto de emoção e melancolia predominou. O público pediu bis, mas infelizmente não rolou.

Estiveram presentes no setlist: “Welcome Thy Arrow”, “The Wretched Tide”, “The Last Hour of Ancient Sunlight”, “Heavy Lies the Crown”,  “A Scenery of Loss”,   “The Face of God”, “Asteria Beneath the Tranquil Sea”, “Cold Heavens”,  “Lustrous Heart”
,”Misanthrope River”,  “Heaven Laid in Tears (Angels’ Lament)”, “Claw Marks on the Throne” e “Seasons Apart”. 

Obs:  Set curto, mas com diferença na escolha das músicas apresentadas em 2023. Com esta, a banda veio ao Brasil duas vezes e nas duas vindas se apresentou na capital paulista.

Uma noite onde as pessoas se permitiram sentir a música, se emocionar, chorar  e celebrar a cada som apresentado. Principalmente quando já reconheciam nos primeiros acordes, como se já fosse cada música dedicada para si e muito aguardada, como se pequenos sonhos fossem realizados a cada canção.

Pedidos do coração sendo atendidos em uma performance linda e convidativa. Um mergulho no obscuro lar soturno. Uma noite memorável e especial. Não aconteceu o bis, mas a banda gentilmente recebeu os fãs após o show na parte de fora do Carioca Club. Fotos com o público podem ser vistas nas redes sociais

Draconian é: Lisa Johansson (vocais limpos), Anders Jacobsson (vocais guturais), Johan Ericson (guitarra), Niklas Nord (guitarra), Daniel Arvidsson (baixo) e Daniel Johansson (bateria).

Gratidão  Mirror AM, Sellout e Tedesco Mídia. Noite maravilhosa e que será levado na memória com muito carinho.

Confira as fotos na íntegra em nosso Facebook