Para os exaustos da labuta da semana, um alívio e refresco para os ouvidos …
Caveira Velha e Backline proporcionaram uma noite de ode ao Metal Extremo, uma aula de Death Metal. Este que vos escreve foi testemunha de uma noite brutal, o Death Metal segue vivo é pulsante. Poderia ser uma sexta normal, o alívio de uma semana difícil, a celebração de que o final de semana estava chegando, para a alegria de parte da classe trabalhadora. E para espantar os males e todo o cansaço, porque não uma “sessão do descarrego”?
Com a brutalidade verdadeira e com o caos presente, Death Metal é sempre a melhor escolha. Com casa lotada, o dia tão aguardado enfim chegou. Vader, LAC e Antrvm enfim se apresentaram. A garoa caia lá fora e a tempestade sonora acontecia dentro da Burning House. O evento do Metal da Morte enfim teve sua vez.
Com um pouco de atraso então iniciaram as atividades. Pessoas comentaram que poderiam ocorrer atrasos, os gigantes poloneses do Vader que chegaria a casa às 15:00, chegaram às 17:00. Atrasaram por conta de questões de logística (aeroporto).
Iniciando os trabalhos, Antrvm subiu ao palco para o primeiro de três rounds. Brutal, visceral mesclando Death/ Deathcore/Groove, a banda mostrou a que veio. Com um set curto, mas poderoso os paulistanos não perderam tempo. Entregaram peso e atitude.

Com Victor Cutrale (vocal), Victor Henrique (Guitarra), Daniel Gava (Guitarra), Bruno Nicolozzi ( baixo) e Kevin Bosio (Bateria) a avalanche sonora estava formada.
“Sombria“ e “The Way of the Saw” do EP “Social Death” (2025) estiveram presentes e foram trilha para que o público fosse chegando e lotando a Burning. Extremamente técnica e visceral, entregou uma apresentação contundente e cheia de energia. Porém não houve tanta reciprocidade por parte do público, publico este que por sua vez não foi tão solidário a banda que se dedicou e entregou o seu melhor.

Parte do público guardava energias para os grandes anfitriões da noite. A banda agradeceu a presença de todos (as) e convidou para o mosh, porém nem todos se manifestaram para vibrar ao som da apresentação.

Destaque para os guturais de Victor Cutrale, guitarras sincronizada em riffs cortantes, baixo brilhante unindo a cozinha e a imponência da metranca bateristica de Kevin Bósio, que impressionou por sua velocidade insana dos pedais duplos.

Por sua vez, os cariocas do LAC também se empenharam e se dedicaram a entregar tambem uma apresentação de alto nível. Com set curto, a banda que possui mais de 20 anos de estrada impressionou por sua atitude no palco e agressividade sonora. Com a casa já mais cheia, “Third World Slavery” iniciou a apresentação.

Com Jonathan Cruz nos vocais, Leandro Pinheiro na guitarra, Arthur Chebec no baixo e Kai Ferreira na bateria, o segundo round teve início.

E já mais próximo do final os primeiros moshs da noite surgiram. Com público cantando e agitando, a apresentação foi levada com maestria. Semelhante a banda Antrvm, o LAC entregou energia e visceralidade, além de sons que abordam questões sociais e do dia a dia como um protesto potente aliado a intensidade do Death Metal passando pelo Thrash e influências de Metal moderno. “Hell de Janeiro“, canção derradeira do set foi então chamada pelo vocalista Jonathan, que fez tremer a Burning e encerrou a apresentação com chave de ouro.

LAC e Antrvm fizeram bonito e entregaram apresentações memoráveis, mesmo o público não entregando 100% de reciprocidade. Não levem isto como uma crítica ao público, foi apenas uma constatação, pois muita gente foi direto do trabalho para o show, o que é totalmente compreensível. Mas que as bandas de abertura mereciam um público mais insano, mereciam! Apresentações incendiárias de dois grandes nomes da cena Metal BR.
Por fim, a ansiedade e expectativa tiveram seu fim, os poloneses do Vader subiram ao palco. Com luzes verdes e amarelas, e direito a bandeira do Brasil durante parte do show, palavras proferidas pelo vocalista Peter, ditas em português: “Que loucura!”, “Obrigado”, levaram os presentes ao delírio.

Com público revigorado e cantando todas as músicas do set, uma nova atmosfera tomou conta da Burning House e os moshpits surgiram então, desde a primeira música até a última, como algo para renovar as baterias para uma próxima semana. Já na ultima data da tour, São Paulo foi presenteada com a última data da “Reign Forever In The Kingdom Of Blood“. A banda que na noite anterior tocou em Fortaleza, veio com energia e carisma para a apresentação, com público gritando o nome do vocalista Peter e da banda com vigor imensurável.

“Sothis” e “Fractal Light” iniciaram o show e o clima na casa já estava diferente. Viscerais e esmagadoras estas duas primeiras deram o tom e prepararam o público para outras pedradas que viriam a seguir.

“Wings” e “The One Made of Dreams” vieram insanas. “Reign Forever World” e
“What Colour Is Your Blood?“, o que falar sobre? Brutalidade do começo ao fim, serve? “The Book” ,”Unbending” e “Cold Demons” também estiveram presentes neste poderoso set.

A já clássica “This Is the War” botou a casa abaixo. Com seu poderio bélico foi avassaladora e trouxe na sequência as impiedosas “Lead Us!!!“, “Dark Age / Carnal“, e “Triumph of Death“.

Já se encaminhando para o fim, um dos maiores hinos da banda “Helleluyah!!! (God Is Dead)”, foi cantado a plenos pulmões. A banda desce do palco e um minuto depois retornam para o encerramento.

Para surpresa de todos(as), os mestres do Death Metal, após uma aula esmagadora de Death Metal, encerraram então com uma aula de Thrash Metal e encerraram “Hell Awaits” e “Raining Blood” do outro gigante, o Slayer. A banda se despediu ao da “Marcha Imperial” de Star Wars, do inconfundível Darth Vader, enquanto jogava palhetas e baquetas ao publico.

A satisfação do público e da banda chegaram a seu ápice e toda aquela energia guardada se transformou em euforia. De alma lavada e camisetas encharcadas em suor, o público estava satisfeito e o Vader (toda banda mesmo), demonstrava estar feliz por estar ali, com sentimento de dever cumprido.

Guitarras se revezando em solos poderosos, riffs brutais, vocal impecavel, bateria prestes a dilacerar o mundo com absurdo peso e agressividade e baixo imponente foram os elementos cruciais de uma apresentação ímpar. Vader é Piotr “Peter” Wiwczarek (Vocal / Guitarra), Marek “Spider” Pająk (Guitarra), Tomasz “Hal” Halicki ( Baixo) e Michal Andrzejczyk (Bateria).

O Death Metal segue vivo, latente e vigoroso. Imponente e destruidor teve espaço mais uma vez, em uma das casas mais importantes de São Paulo e que se consolida como espaço crucial para a cena do Rock/ Metal, principalmente para o som pesado. Com representantes de peso da música pesada: Vader, LAC e Antrvm esta com certeza foi uma das noites mais memoráveis que presenciei na casa. Três bandas e diferentes gerações unidas para celebrar a paixão pelo som extremo.
Parabéns Caveira Velha, Backline e Burning House pela noite esplêndida. Uma noite de hecatombe sonora onde os ouvidos não foram poupados, violência sonora espancando os tímpanos e botando a galera pra agitar.
Uma grande aula de som pesado. Um privilégio prestigiar esta lendária banda que desde 1983 vem trazendo sua contribuição a música extrema.
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