
A tarde de sábado foi marcada por um verdadeiro dilúvio no centro da Cidade do México. Após uma chuva torrencial que cobriu grande parte da capital, a noite caiu acompanhada de um clima frio e solene, o cenário perfeito para um evento como o que estava prestes a acontecer no Foro Alicia. Da Noruega chegava Liv Kristine, nascida em 1976, para oferecer uma verdadeira aula de metal sinfônico e metal gótico, mais uma demonstração da enorme qualidade vocal que surgiu daquele país, berço de gêneros extremos como o black metal e o doom metal.

Nos arredores do local, os participantes começaram a se reunir muito antes do horário marcado. Conversas, reencontros e trajes extraordinários faziam parte do cenário. Vestidos com babados, roupas góticas, jaquetas com tachas, maquiagem escura e acessórios de todos os tipos tomaram conta do local quando as portas finalmente se abriram. Os primeiros a entrar foram aqueles que adquiriram o Meet & Greet, um encontro muito íntimo em que cada fã pôde levar uma lembrança inesquecível ao lado da artista.

Ao entrarmos, nos deparamos com a já característica estrutura do Foro Alicia: uma antiga igreja que hoje recebe cerimônias bem diferentes. Seus impressionantes murais, as decorações psicodélicas e o ambiente do local foram complementados por um DJ que aqueceu o público com uma seleção de sons atmosféricos, eletrônicos e sombrios, preparando aos poucos o caminho para a chegada da artista principal.
A atmosfera estava carregada de emoção. Já haviam se passado muitos anos desde a última visita de Liv Kristine ao México, e a expectativa era evidente entre os presentes. Pouco antes das 21h30, as luzes se apagaram e o show começou. “Amor Vincit Omnia”, uma das faixas de seus trabalhos mais recentes, foi a responsável por abrir a noite, enchendo o local com uma atmosfera solene e envolvente. A jornada começou com uma composição lenta, poderosa e profundamente comovente, na qual a combinação das vozes de Michael Hansen Espenæs e Liv Kristine transmitia uma mensagem clara: o amor vence tudo.

Os aplausos e a emoção do público não demoraram a surgir. Liv permaneceu sorridente durante toda a noite, agradecida pela reação dos presentes. O show continuou com “Ode to Life Pristine”, o clássico “Love Decay”, além de “Image” e “Machine”, músicas da época do Theatre of Tragedy, a histórica banda norueguesa que abriu caminho para o metal gótico de toda uma geração. À medida que o show avançava, a banda se mostrava cada vez mais à vontade e em total sintonia com o público mexicano.

O repertório percorreu praticamente todas as etapas da carreira de Liv Kristine. “Norwegian Lovesong”, “On Whom the Moon Doth Shine”, “River of Diamonds” e “Siren” também fizeram parte da noite. Além disso, pudemos apreciar o elegante vestido que ela usava, repleto de detalhes e adornos que complementavam perfeitamente a estética do espetáculo. Sempre que pegava o microfone para se dirigir ao público, sua voz transmitia serenidade, ternura e gratidão. Em várias ocasiões, ela expressou seu carinho pelo México e dedicou palavras de amor a Michael Hansen Espenæs, que tem sido um companheiro fundamental tanto em sua vida pessoal quanto no desenvolvimento de seus projetos musicais.

Aos poucos, o final começou a se aproximar. As últimas músicas fizeram o local vibrar e deixaram mais de um espectador com arrepios. Liv nos transportou para os primeiros anos do novo milênio com “Venus” e “Cassandra”, demonstrando que sua voz continua mantendo a elegância, a força e o brilho que a transformaram em uma das grandes figuras do metal gótico. A banda retribuiu o carinho do público com constantes mensagens de agradecimento; os “Eu te amo!” não paravam de ser ouvidos, fortalecendo aquele vínculo tão especial que se criou entre artistas e público ao longo de toda a noite.
O encerramento chegou com duas composições profundamente queridas pelos fãs do Theatre of Tragedy: “A Hamlet for a Slothful Vassal” e “Der Tanz der Schatten”. Ambas foram interpretadas com enorme qualidade, evocando aquele caráter medieval, teatral e melancólico que transformou o grupo em uma referência incontornável no metal gótico do final dos anos 90.

Ao final do show, os sorrisos eram inevitáveis. O público respondeu com enorme calor humano, e Liv Kristine deixou claro que, hoje, sua música busca transmitir o amor, a paz e a esperança que permeiam sua vida. Não faltaram fotos de lembrança, e os participantes deixaram o local plenamente satisfeitos após uma apresentação memorável.
Agradecemos profundamente aos organizadores por todas as facilidades oferecidas para a cobertura deste grande show. Nos vemos no próximo, com um volume ainda mais brutal.

