Power Metal, Death Metal e Folk Metal na terceira jornada.
No terceiro dia do 20º aniversário do festival Leyendas del Rock, todos os participantes do ônibus de transporte chegaram com energia renovada, com vontade de balançar a cabeça e com muito calor. A hidratação não parou em nenhum momento; ao chegar em Vilena, parte do grupo do ônibus foi para a piscina e outra parte saiu para tomar algumas cervejas fora do recinto, para conversar sobre suas experiências. A conversa se estendeu por várias horas, mas isso também faz parte do festival: um grupo de amigos, conhecer novas pessoas de diferentes países com quem compartilhar ideias, conhecer novas mentalidades e perspectivas.

Ao entrarmos, nos deparamos com um ambiente muito familiar: muitos pais com seus filhos tomando sol, preparando o local onde passariam a maior parte do show. Algo que se destaca neste festival é a presença de muitas famílias, várias gerações reunidas no mesmo lugar: avós, pais, filhos e até netos.
THE BABOOM SHOW
Com muitas pessoas já preparadas e curtindo as primeiras bandas, não tivemos outra opção a não ser nos acomodarmos. Exatamente às sete da noite, o The Baboon Show subiu ao palco — a banda de punk rock, power pop e garage rock — com uma vibração positiva incrível que tomou conta de todo o palco. Simplesmente, as bandas de origem sueca têm um estilo difícil de igualar; elas transmitem sentimentos em suas apresentações, neste caso, a luta, a resiliência e o amor pela música.

A apresentação começou com “Be a Baboon”, depois veio “Walk the Walk”, seguida de “Holiday”, uma música que animou bastante; a voz de Cecilia Boström soou lindamente em todas as músicas, além de fazer com que o público se juntasse a toda a agitação que ela trazia em seu show. Durante a música “Oddball”, a linda Cecilia pulou para a plateia e, enquanto cantava ali mesmo, os presentes fizeram de tudo para mantê-la em equilíbrio, criando um momento especial. Já a banda não parou de sorrir durante toda a apresentação.

No final, vieram duas músicas barulhentas, perfeitas para jogar cerveja e fazer um bom mosh pit: “Me, Myself and I” e “Radio Rebelde”. O estilo rasgado, combinado com os tons melódicos, gerou um som que nos lembra suas influências, como The Ramones e Dead Kennedys — uma banda com letras combativas, única no cartaz do Leyendas, que adoramos ouvir.
SARATOGA
Em seguida, o Saratoga deu início às hostilidades, deixando o punk de lado e enchendo o Leyendas del Rock com uma dose de heavy metal. Foi um show que passou muito rápido para nós. No total, foram tocadas onze músicas, mas achamos que a banda precisava de muito mais tempo no palco, pois ficamos com vontade de ouvir mais.
A banda liderada por Niko del Hierro começou com “Resurrección”, “A morir” e “Hasta el día más oscuro”, do álbum Némesis, um dos favoritos de muitos. Em seguida, veio uma velha conhecida, cantada em coro por todos: “Vientos de Guerra”, música que levaria Leo “La Bestia” Jiménez à glória, mas que Tete Novoa interpretou com muito estilo.

Sem perder tempo, vieram as próximas músicas, duas que já são tocadas juntas há muitos anos. Canções que chegam ao coração, causam impacto nele e arranham a pele, liberando sentimentos… Estamos falando de “Lejos de Ti” e “Si Amaneciera”, duas composições capazes de fazer até mesmo o mais forte derramar lágrimas.
Após esse momento emocionante, vieram três músicas: um clássico como “Maldito Corazón” e duas novas canções do último álbum da banda, “Inteligencia Artificial” e “A toda Velocidad”.
Foi então que nossos compatriotas mexicanos sacaram suas bandeiras, já que o videoclipe dessa última música foi gravado na Arena CDMX, na Cidade do México, há alguns meses. Niko del Hierro e Tete Novoa perceberam a torcida mexicana na primeira fila, sorriram e agradeceram com gestos.

A última faixa foi “Perro Traidor”, na qual cantamos a plenos pulmões. A banda demonstrou estar emocionada e feliz com as demonstrações de carinho. Além disso, Tete Novoa também desceu para o meio do público para interagir com seus compatriotas.
Um show grandioso que emocionou todos os fãs. No final, Niko del Hierro desceu do palco em direção ao público e tirou algumas fotos com os presentes. Ótima apresentação do Saratoga, que daria lugar à próxima atração, a do Stratovarius.
STRATOVARIUS
O power metal e o heavy metal tinham que continuar, já que o dia era dedicado a esses gêneros. Foi assim que o grande logotipo do Stratovarius se iluminou, combinado com longas faixas brancas que brilharam em diferentes cores ao longo da apresentação. Um dos criadores do power metal melódico iria enfeitar a noite em Villena. O início foi potente com “Destiny”, “Phoenix” e “The Kiss of Judas”.
Pouco podemos dizer sobre a banda finlandesa. Com uma história de décadas, o grupo é uma autêntica catedral do power metal, por isso sua apresentação foi certeira, direto ao ponto.

É verdade que sentimos falta dos solos duplos de guitarra, mas, mesmo assim, o grupo mantém sua presença, sua força e sua técnica ao executar obras-primas como “4000 Rainy Nights”, “Black Diamond” e “Eagleheart”. Esta última fez com que todo mundo levantasse os chifres, ouvindo atentamente a arte musical que o Stratovarius oferece.
Cada música tocou a alma com delicadeza e velocidade. O momento sentimental também esteve presente quando “Forever”, lançada em 1996 como parte do álbum Episode, ressoou em todo o seu esplendor. Tão perfeita que arrepiou a pele dos metaleiros.
Timo Kotipelto não perdeu a voz; soa exatamente como há quase três décadas. Uma melodia para os ouvidos. Por sua vez, Matias Kupiainen se destacou nos solos, tocando notas precisas acompanhadas pela bateria veloz que só o Stratovarius tem.

No final da apresentação, tivemos três clássicos: “Legions”, “Speed of Light” e aquela que foi cantada por todo mundo, “Hunting High and Low”. Um clássico entre os clássicos, uma melodia que entrará para a história. Aí, o chão vibrou, pois a galera pulou e aplaudiu. Acreditamos sinceramente que essa foi uma das melhores apresentações do dia, junto com a dos espanhóis Saurom, sobre os quais falaremos mais adiante. Ao final, a banda agradeceu, tirou a foto tradicional e se retirou com o devido respeito.
IN FLAMES
No palco ao lado, as estruturas gigantescas do In Flames estavam prontas para a apresentação. Luzes de LED e cabos iluminados transformariam o Dave Mustaine Stage em um palco futurista e pós-apocalíptico. Pontualmente, o In Flames deu início a um show de uma hora e meia, no que viria a ser um concerto histórico para o festival Leyendas del Rock.
A banda sueca apresentou um show bastante longo, com aproximadamente vinte músicas. Entre elas estavam “Colony”, “In The Dark”, “Voices” e “Paralyzed” no início do repertório.

Anders Fridén demonstrou total controle vocal, fazendo gritos agudos e rasgões de voz estrondosos. A banda sueca, considerada uma das referências para o futuro do gênero, emocionou o público espanhol. Enquanto isso, na guitarra, Björn Gelotte não poupou esforços. Com uma energia que durou a noite toda e um grande domínio do instrumento, ele se movimentou por todo o palco.
Dando continuidade à destruição, a banda tocou um novo sucesso: “Meet Your Maker”, uma das músicas mais violentas e agressivas da fase atual do grupo, nesta nova etapa em que eles estão dando tudo de si. A noite contou ainda com “The Chosen Pessimist”, “Cloud Connected”, “Trigger” e “State of Slow Decay”.

Até esse momento, podemos dizer que o show do In Flames foi excelente, mas a partir daqui a opinião é de cada um. Pessoalmente, pode-se dizer que faltou um pouco de agressividade e ritmos mais rápidos para que pudessem arrasar com tudo em seu caminho e conquistar o trono da melhor apresentação de todo o Leyendas del Rock.
Isso não significa que a banda não tenha feito um bom trabalho; muito pelo contrário. Para encerrar, tivemos pérolas como “The Mirror’s Truth”, “I Am Above” e “Take This Life”, em que o palco se encheu de fumaça e luzes azuis e vermelhas. Um ambiente pós apocalíptico em que o público se entregou de corpo e alma no circle pit e no mosh pit. A banda sueca encerrou de forma contundente e agradeceu a todos.
SAUROM
Assim como na noite anterior, após a apresentação de uma banda de death metal melódico, veio uma banda espanhola de folk metal. Tratava-se do Saurom, uma banda extremamente querida, com uma apresentação que, em nossa opinião, foi a melhor da noite, junto com a do Stratovarius.
O Saurom chegou com todo o seu arsenal: uma proposta de folk que toca o coração, desperta emoções e anima, busca aprimorar a qualidade humana e se preocupa com os sentimentos de seus fãs. Assim, o show começou com uma introdução em que vários artistas teatrais deram início a “El Principito”, música do novo álbum. Em seguida, vieram “Nostradamus” e “La leyenda de Gambrinus”, transformando o local em uma festa total.

Além disso, houve uma infinidade de convidados especiais, como Gazel, Jorge Berceo, Usra Ramos, Elizabeth Amoedo e José Mancheño, além de corais ao vivo.
Simplesmente, um espetáculo como só o Saurom sabe fazer. Em muitas das músicas, também tivemos pirotecnia e lança-chamas. Teve de tudo nessa apresentação. E, é claro, um público empolgado que cantou até ficar sem voz quando tocaram “El pájaro fantasma”, “El Lazarillo de Tormes” e “Todo en mi vida”. Elizabeth também teve um momento único durante “El mordisco de la serpiente”, dominando os vocais.

A festa esteve presente durante todo o show e ainda mais quando começou “El carnaval del diablo”. Aqui, todos dançaram, se divertiram e comemoraram.
Mas quando “El círculo juglar” começou, tudo saiu do controle. Um círculo imenso se formou em frente ao palco e todos giraram em uníssono, pularam, beberam, se abraçaram e libertaram a alma com essa música impressionante. Um círculo em todo o seu esplendor. Algo que muitos países não conseguem fazer, inclusive o México — uma piada local, mas também uma realidade.

Viver a apresentação do Saurom em terras espanholas, sendo de terras astecas, foi algo de outro nível. Mesmo já tendo visto e trabalhado com a banda, esse momento foi especial. Agradecemos por todos os sentimentos e emoções que o Saurom é capaz de provocar. No final, restaram duas músicas: “Fuego” e “La taberna”, por isso a festa simplesmente não parou até o fim.
Migue agradeceu a todos, tanto ao público quanto à banda e aos convidados que tornaram esse show possível e que ajudaram o vocalista o tempo todo durante a celebração.
As serpentinas voaram, as faíscas encheram o palco e todo mundo gritou. Sem dúvida, um final em grande estilo para o terceiro dia. Mas não foi a última apresentação.
DARK MOOR
Vamos falar de forma rápida e concisa sobre a apresentação do Dark Moor, uma banda de power metal formada no início dos anos 90, com músicas muito boas e um estilo que demorou bastante para ser aperfeiçoado.
Durante essa apresentação, o grupo enfrentou problemas de áudio bastante graves no palco em que se apresentou. Em alguns momentos, alguns vocalistas soavam mais alto do que outros; por vezes, o áudio falhava e causava um ruído incômodo nos alto-falantes. Simplesmente, foi uma noite ruim para a banda.

É fato que essa também foi a apresentação com menos público, junto com a do final do dia, talvez por falta de reconhecimento ou pelas falhas técnicas. No entanto, esperamos que a banda tenha apresentações melhores em breve, já que é cheia de talento. O exemplo claro é o tecladista Javi Díez, alguém que fez parte da banda Mägo de Oz por muitos anos e que é um verdadeiro profissional e um grande ser humano.

Sem mais comentários sobre o Dark Moor, voltamos para o ônibus de transporte, prontos para ir para a cama e dormir um pouco — o que era bastante necessário, já que o quarto e último dia do festival se aproximava em apenas algumas horas. Nos vemos nessa crônica. Vida longa ao volume brutal.
FOTOS: todas por @photohorus

