Brutal Assault 2026: um segundo dia marcado por death metal, thrash, doom e performances intensas — República Tcheca
O segundo dia do Brutal Assault reuniu uma sequência bastante diversa de apresentações, passando pelo street punk, death metal, thrash, black metal, doom e metal extremo. Entre surpresas positivas, performances decepcionantes e shows memoráveis, o dia terminou com uma apresentação arrebatadora do Immolation.
The Casualties abriram o segundo dia do Brutal Assault para o nosso colaborador. Era uma banda que ele sempre quis assistir, mas que havia perdido quando esteve na Turquia no ano passado. Desta vez, finalmente teve a oportunidade.
O grupo apresentou um som mais encorpado e metálico do que o esperado, algo que funcionou muito bem. Bandas de street punk às vezes podem decepcionar, mas The Casualties definitivamente souberam elevar o nível da apresentação. O repertório passou por vários álbuns, mas teve como foco principal o lançamento mais recente, Detonate, que foi considerado bom, embora não tão marcante quanto clássicos como Unknown Soldier e We Are All We Have.
Nota: 8/10.
Deceased é uma banda liderada pelo vocalista King Fowley, conhecido por seu gosto musical rico e diversificado. O autor começou a acompanhá-lo depois de assistir a um vídeo em que ele falava sobre algumas de suas influências de infância, entre elas Black Sabbath, com Mob Rules, e Uriah Heep, com Abominog. Desde então, ficou definitivamente interessado no trabalho do músico.
Deceased pratica death metal old school, com forte presença de samples de filmes de terror, uma característica que remete a bandas como Mortician. Entre os exemplos favoritos está um trecho do filme Messiah of Evil, utilizado no álbum Blueprints for Madness.
O repertório foi equilibrado e trouxe alguns destaques de álbuns como Luck of the Corpse e Fearless Undead Machines. A apresentação de King Fowley foi bastante divertida, já que, concentrado exclusivamente nos vocais, ele pôde dedicar toda a sua energia à presença de palco.
Durante o show, foi possível vê-lo batendo a própria cabeça com as mãos, simulando arrancar o rosto e, naturalmente, contabilizando os álbuns ao tirar o chapéu e mostrar ao público suas áreas calvas.
No fim, uma excelente banda “cult”, na medida em que uma banda ainda pode ser considerada cult na era da informação, com riffs pesados e uma performance muito divertida.
Sanguisugabogg é um dos destaques da atual cena de death metal. A banda apresenta elementos marcantes de slam e brutal death metal, além de momentos que não se encaixam necessariamente em nenhuma dessas características. E o grupo definitivamente sabe como construir um bom show.
As apresentações das músicas foram bastante descontraídas, incluindo anúncios como: “Esta música é sobre ser arrastado por um caminhão. Ela se chama…” Dragged by a Truck. O desempenho dos músicos foi excelente, e foi divertido dançar durante a apresentação, mesmo sendo uma parte relativamente cedo e bastante quente do dia.
O encerramento com Dead as Shit também foi recebido como um presente pessoal, já que é uma música que o autor já havia tocado diversas vezes no palco.
Nota: 9/10.

Castle Rat é uma banda controversa, e é possível concordar que a aparência da vocalista contribui significativamente para sua popularidade. No entanto, especialmente depois de assistir à apresentação, fica difícil negar que o grupo merece ser considerado um marco do rock opera e do shock rock.
A banda constrói seu som a partir do doom metal tradicional, mas as narrativas apresentadas entre as músicas acrescentam significado às composições e criam uma mudança interessante de atmosfera.
Mesmo deixando de lado todo o conceito visual e sonoro inspirado em um carnaval medieval, a banda ainda seria capaz de oferecer uma apresentação musical consistente. E, como o autor não é contrário à diversão, foi possível aproveitar toda a narrativa envolvendo o Grim Reaper, a Rat Queen e a espada.
O autor pretende mergulhar mais profundamente nos álbuns da banda, mas acredita que o Castle Rat provavelmente atinge seu auge ao vivo.
Nota: 9/10.
Death Angel é uma parte importante da história da cena de thrash metal da Bay Area e continua produzindo material novo. Surpreendentemente, esta foi a primeira participação da banda no Brutal Assault, e o grupo compensou a longa ausência com uma apresentação bastante diversificada.
A banda procurou variar o repertório ao máximo, tocando seis músicas de seis álbuns diferentes. Também apresentou o último single lançado para o próximo álbum, previsto para chegar em algum momento nos próximos um ou dois anos.
A musicalidade e a energia foram sólidas, enquanto as raízes da Bay Area ficaram evidentes na interação com o público. Depois do show, durante a entrevista realizada com a banda, os músicos demonstraram uma personalidade bastante descontraída, rindo muito das coisas ditas pela equipe.
Definitivamente, músicos e pessoas muito legais.
Nota: 8/10.
Septicflesh já havia sido visto em Istambul durante a turnê Modern Primitive, em uma noite considerada excelente. O repertório apresentado no Brutal Assault foi relativamente semelhante, naturalmente mais curto e adaptado ao formato de festival. A única lamentação ficou por conta da ausência de Desert Throne.
Apesar de ser uma das bandas favoritas do autor dentro do gênero e de já ter participado de uma excelente entrevista com o grupo na Turquia, a apresentação no Brutal Assault acabou sendo uma grande decepção.
As tentativas de Spiros de interagir com o público foram consideradas estranhas. Em alguns momentos, ele pediu gritos fora de contexto ou fora do tempo. Também ficou distante demais do microfone durante alguns screams importantes, fazendo com que os vocais não fossem audíveis.
Assim como aconteceu com Samael no dia anterior, o problema pareceu estar relacionado também ao som do palco principal. Quando uma banda de metal extremo utiliza partes sinfônicas intensas, o palco principal do festival aparentemente não consegue entregar a definição sonora necessária.
A conclusão foi direta: Septicflesh havia sido muito melhor em Istambul.
Nota: 4/10.
Body Count foi escolhido principalmente porque não havia outra banda para assistir naquele momento e havia curiosidade pelo fato de o grupo ser um dos headliners do festival.
Instrumentalmente, a banda foi considerada excelente. Os timbres das guitarras rítmicas e do baixo se destacaram, criando um groove muito forte. O trabalho de hype e a estrutura com múltiplos vocais também funcionaram bem.
No entanto, o autor não considera Ice-T um vocalista adequado para esse tipo de música. Dentro de sua trajetória no rap, a avaliação é positiva, mas, quando ele canta sobre a música produzida pelos companheiros de banda, parece acabar ofuscando o trabalho instrumental sem necessidade.
Não foi um show ruim, mas simplesmente não causou grande impacto.
Nota: 6/10.
A expectativa para assistir ao Deicide pela primeira vez era enorme. Poucos dias antes do festival, o autor sequer sabia que a banda estava realizando tantos shows e participando de festivais.
Também causou estranhamento o fato de Deicide, na opinião do autor, merecer mais a posição de headliner do que Body Count, mas não ter sido escalado para o palco principal.
As escolhas do repertório foram excelentes: três músicas de cada um dos álbuns Deicide, Legion e Once Upon the Cross representavam uma garantia de satisfação.
Entretanto, dois problemas principais afetaram a apresentação. O primeiro foi o comportamento no mosh pit. O autor levou três cotoveladas em apenas quinze segundos e decidiu deixar a roda, acompanhando o restante do show de uma posição lateral. A experiência levantou a dúvida sobre o desaparecimento da etiqueta tradicional dos mosh pits.
O segundo problema foi a voz de Glen Benton. Embora muitos fãs considerem os guturais extremamente graves uma característica interessante, essa abordagem não pareceu combinar com a voz tradicional de Glen Benton.
Também ficou a dúvida se o vocalista estaria preservando sua voz durante as apresentações ao vivo e deixando seus graves característicos para as gravações de estúdio. Como os vocais agudos têm um peso importante nas músicas do Deicide, os guturais muito graves utilizados ao vivo acabaram não se encaixando bem com os agudos.
A avaliação final é que algumas partes do Deicide acabam soando como um death metal comum quando a voz específica de Glen Benton não está presente da maneira esperada.
Nota: 5/10.

O encontro com Aura Noir também foi uma estreia. A banda costuma tocar na Turquia, mas o autor nunca havia comparecido a uma de suas apresentações e também não conhecia suas músicas.
Esperando encontrar uma mistura genérica de thrash metal e black metal, chegou ao show com expectativas bastante baixas. A banda, porém, surpreendeu.
O Aura Noir apresentou uma abordagem bastante interessante do black metal, com doses adequadas de intensidade e distorção. O som não estava embolado, mas também não era cristalino; era exatamente o equilíbrio necessário para a atmosfera que a banda pretendia criar.
Durante o festival, o autor descobriu que a banda havia tocado seu álbum de estreia na íntegra, o que despertou a intenção de ouvir o disco posteriormente.
Nota: 8/10.

Alcest esteve no festival como parte de sua turnê Les Chants de l’Aurore. A descrição da turnê como tal, porém, pareceu um tanto relativa, já que dois anos haviam se passado desde o lançamento do álbum e o repertório da turnê não apresenta tantas músicas desse trabalho.
Não ficou claro exatamente quais músicas foram executadas no palco, mas a apresentação proporcionou uma hora agradável para a equipe do Cultura em Peso, que aproveitou para descansar na área natural do festival, conversar e relaxar enquanto Alcest tocava ao fundo.
Talvez por se tratar de uma apresentação no Brutal Assault, a banda não tenha apresentado nenhuma de suas músicas acústicas. A intensidade do metal presente no som também pareceu maior do que a lembrança que o autor tinha da banda.
Nota: 8/10.
Immolation encerrou o segundo dia para a equipe. O autor chegou a comprar uma camiseta da banda relacionada a Descent, embora a intenção fosse usá-la posteriormente, para poder aproveitar mais dias com a presença do Immolation no festival.
Se alguém pedisse para definir o que é death metal puro, Immolation seria uma das duas respostas possíveis, ao lado de Incantation. Mesmo os álbuns considerados mais fracos da banda ainda representam o auge do gênero.
Por isso, houve frustração pelo horário extremamente tardio, às 1h da manhã, mas também muita expectativa por assistir à banda ao vivo, apenas um mês depois de ter visto Incantation ao vivo na Turquia.
Immolation foi simplesmente algo diferente. Assim como a banda praticamente não possui álbuns ou músicas ruins, também não decepciona ao vivo. O repertório foi construído principalmente em torno de músicas de Descent, considerado pelo autor um dos melhores álbuns de 2026.
A única lamentação foi o horário e as condições físicas para aproveitar o mosh pit da maneira desejada.
Nota: 10/10.

Para o segundo relato sobre Immolation, fica a ressalva de que esta também foi a primeira vez que o autor viu a banda ao vivo. Apesar de esperar uma boa apresentação, não estava preparado para o que aconteceria.
Quem roubou a cena foi, sem dúvida, Rob Vigna. Seus riffs extremamente brutais são executados com precisão técnica impressionante, mas seria difícil imaginar que ele ainda pudesse se movimentar de forma tão intensa, exagerando cada ataque da guitarra como se estivesse possuído pelo próprio Satanás. Sua presença de palco foi descrita como verdadeiramente maligna.
Ross Dolan entregou vocais que preencheram as paredes da fortaleza, ecoando de forma intensa pelo espaço. Steve Shalaty, na bateria, realizou uma performance impressionante, sem perder uma batida, enquanto Alex Bouks, conhecido por seu trabalho no Goreaphobia, demonstrou grande domínio da guitarra.
Quanto ao repertório, a banda apresentou uma mistura equilibrada de favoritos dos fãs, incluindo Here in After, Dawn of Possession e Close to a World Below, além de músicas de seus trabalhos mais recentes.
O ponto que merece destaque é a consistência do Immolation. A banda continua mantendo um nível elevado também em seu material mais recente, como demonstrado pela turnê do recém-lançado álbum de 2026, Descent.
Se houver a oportunidade de adquirir uma camiseta da turnê, a recomendação é aproveitar, especialmente pela arte que representa um anjo caído desmembrado.

Depois da última música do repertório, Bend Towards the Dark, e da despedida da banda, veio a lembrança do motivo pelo qual o autor se apaixonou pelo metal extremo.
Para ele, assistir ao Immolation ao vivo é uma das experiências essenciais para qualquer fã de death metal. A apresentação remete a uma época em que o gênero era abertamente associado ao satanismo e à rejeição da religião, com riffs afiados e distorcidos, bateria criativa e um baixo extremamente encorpado.
Fica também o desejo de ver novas bandas de death metal recuperarem essa imagem mais sombria e satânica estabelecida por nomes como Immolation, Incantation e Deicide.
Outro aspecto destacado é a importância do Immolation como representante da cena de death metal de Nova York. Bastaria uma audição para esquecer, por alguns instantes, a importância da Flórida, da Suécia e de outras regiões na história do gênero.
No fim, foi uma apresentação devastadora, com excelente presença de palco, músicas que remetem à história da banda e exemplos de composição nova extremamente sólida.
Na opinião do autor, foi uma das melhores performances de todo o festival.
Nota: 10/10.


