Uma tarde agitada na Cidade do México por causa da Copa do Mundo. Na zona de Patriotismo, isso também era perceptível: pessoas vestindo camisetas de diferentes seleções se misturavam por toda parte, inclusive no Fuck Off Room, que abriu suas portas às 20h para receber os participantes de uma noite especial, na qual Thell Barrio apresentaria seu novo álbum acompanhado por dois talentos nacionais: Norte Verdadero e Kaizan. Uma noite repleta de metalcore estava prestes a começar.
Às 20h30 em ponto, as luzes se apagaram e o telão do palco se abriu. Os primeiros a subir ao palco foram o Norte Verdadero, banda formada por músicos de Guadalajara, Durango e León, que deram início à noite com um total de oito músicas. O show começou com “Boreal” e “Desierto”, duas músicas que causaram boa impressão desde o início. A presença de palco do vocalista despertou rapidamente o interesse do público, que aos poucos foi se aproximando da frente do palco.

Em seguida vieram “Ven Conmigo” e “Montaña”, esta última lançada há apenas algumas semanas. A proposta do grupo aborda temas como o superamento pessoal, as despedidas, a resiliência e a capacidade de seguir em frente apesar das adversidades. Tudo isso acompanhado por riffs característicos do gênero, vozes limpas e bem trabalhadas e uma execução sólida.

Norte Verdadero encerrou sua apresentação com “Soledad”, “Sombras” e “Tormenta”. Naquele momento, o público já começava a curtir o clima no meio da pista. Ao terminar, os músicos agradeceram a atenção, tiraram a tradicional foto de lembrança e deram lugar à banda seguinte, enquanto a noite continuava ganhando intensidade.
Por volta das 21h22, começou a próxima introdução. O local continuava a encher-se e o Kaizan, proveniente da Cidade do México, subiu ao palco abrindo com “Mut” e “Netvor”. Esta última nos pareceu um dos pontos altos de seu set, graças à combinação entre passagens melódicas e explosões vocais que soaram refinadas e perfeitamente executadas. Sua proposta é rápida, intensa e praticamente não dá trégua.

O show continuou com “Gaman”, “Omran” e “Rauda”, onde as influências progressivas e o djent se destacaram constantemente. Durante essas faixas, a intensidade diminuiu ligeiramente, preparando o terreno para uma nova explosão de energia quando surgiu “Verrat”, uma das primeiras composições do projeto, acompanhada por guturais dilacerantes que despertaram a reação imediata do público.

A apresentação terminou com “Ryomen”, faixa em que surgiram os primeiros mosh pits da noite. Com o público já completamente empolgado, os músicos da capital agradeceram à casa, aos presentes e às bandas participantes antes de deixarem o palco e deixarem tudo pronto para o prato principal da noite: Thell Barrio.
A apresentação principal começou às 22h27 com uma introdução acompanhada por luzes amarelas que mal iluminavam o ambiente, criando sombras marcantes e uma atmosfera de expectativa. Desde os primeiros segundos ficou claro que os jaliscienses haviam chegado dispostos a dominar o palco. A resposta do público foi imediata: a pista pegou fogo e a energia se manteve do início ao fim.
O chamado “Latincore” de Thell Barrio despertou o bairro de uma só vez. Música combativa, canções de consciência social, apelos à organização e à luta coletiva foram o resultado de mais de duas décadas de experiência, aprendizado e evolução dentro da cena mexicana.

O repertório incluiu clássicos como “El Infierno” e “La Nueva Era”, temas que relembram a importância da banda como uma das pioneiras desse som no México. Vinte anos de trajetória respaldam uma proposta que continua atual e que continua conectando-se com novas gerações.

Os músicos não vieram à capital apenas para relembrar sua história. Atualmente, eles estão promovendo seu novo álbum, “Trece”, um trabalho que reflete maturidade musical, trabalho constante e o início de uma nova etapa para o projeto. Entre as músicas interpretadas, destacaram-se “Tlaltecuhtli”, “Barrio”, “Mi Sangre” e “Bendecidos”, sendo esta última uma das nossas favoritas do novo álbum graças à sua mensagem de camaradagem, amizade e lealdade ao bairro.

Entre uma música e outra, também houve espaço para as mensagens que caracterizam o grupo. Foi feita menção à crise de desaparecimentos que o México enfrenta, contrastando essa realidade com o clima festivo que se vive atualmente por causa da Copa do Mundo. Da mesma forma, falou-se da importância da justiça, da união social e da solidariedade entre as pessoas.
Por sua vez, “A Toda Madre” e “Latino” foram dois dos momentos mais explosivos da noite, provocando intensos mosh pits e mantendo a energia no máximo dentro do recinto. A apresentação se estendeu por uma longa jornada musical que terminou por volta da meia-noite, deixando um público satisfeito e uma sensação de união que permaneceu durante toda a noite.

Ao final, os integrantes mostraram-se visivelmente felizes com a resposta recebida. A noite terminou entre aplausos, ovações e demonstrações de carinho por parte dos presentes. Agradecemos a todos que tornaram possível este show e pelas facilidades oferecidas para sua cobertura. Vida longa ao volume brutal.

