O Eternal Drak é aquele tipo de banda com uma bagagem monstra e uma história bem fora da curva. Os caras começaram lá em 1997 em Bogotá, na Colômbia, fruto de papos de bar entre amigos, mas depois acabaram se mudando e fincando raízes no Canadá. Liderados pelo fundador e vocalista/guitarrista Drakar (Andres Martinez), eles sempre transitaram numa mistura muito própria de Blackened Thrash, flertando com ritmos cadenciados e até umas pitadas sutis de groove e elementos folclóricos sul-americanos.
No disco “The Violence of Time”, lançado pela FirstWave Studio, o grande acerto é que a produção não tenta espremer o som até virar uma maçaroca inaudível. O álbum respira, a bateria bate seca e com um punch absurdo sem soar robótica, o baixo tem espaço real para pulsar e as guitarras cortam a mixagem com um timbre arisco, que lembra bastante a sonoridade clássica do Blackened Thrash oitentista, mas com uma definição que deixa cada nota dissonante muito bem destacada. 
Conceitualmente, o álbum abandona os clichês desgastados do ocultismo de caricatura para abraçar o terror existencial. O tempo não é abordado como uma métrica cronológica, mas como uma força física corrosiva, um vetor de degradação da memória e da identidade. A poesia do disco coloca a humanidade em uma posição de impotência diante da finitude, transformando cada faixa em uma reflexão densa sobre a inevitabilidade da ruína e a tentativa inútil de categorizar o caos.
Ao vivo, a turnê de divulgação mostra que o trio não precisa de trilhas pré-gravadas ou truques de estúdio para segurar a onda. A postura de palco dos caras é austera, direta e sem enrolação. O Drakar e a banda entregam um show muito sólido, onde a complexidade e a cabeça dessas músicas novas se encaixam perfeitamente ao lado dos petardos mais velhos e crus da carreira. É o som de uma banda que envelheceu muito bem sem perder “um pingo do veneno“.
"A Ruína ao Vivo"
A turnê de divulgação do álbum aposta em uma estética sóbria e focada na crueza do palco, concentrando suas datas iniciais no circuito do leste canadense e em festivais do underground extremo. Sem recorrer a disparos de bases pré-gravadas ou truques visuais exagerados, o formato em trio entrega uma parede sonora visceral, onde a cadência pesada das novas composições ganha uma dinâmica ainda mais agressiva ao vivo. O itinerário intercala o peso conceitual e a atmosfera densa das faixas de The Violence of Time com os clássicos mais diretos da trajetória da banda, garantindo uma performance coesa que traduz bem a maturidade e o veneno acumulados em quase três décadas de estrada.

No saldo final, “The Violence of Time” se consolida como um dos trabalhos mais maduros e corajosos da trajetória do Eternal Drak, provando que o metal extremo pode ser denso e agressivo sem abrir mão da profundidade conceitual. Ao recusar fórmulas prontas e abraçar arranjos mais dinâmicos e reflexivos, o trio entrega um registro que não busca agradar puristas pela velocidade cega, mas sim impressionar pela atmosfera pesada e pelo refino técnico. É um disco incômodo, sombrio e extremamente coeso, feito sob medida para quem valoriza a música extrema como uma verdadeira experiência estética e filosófica.
FAIXAS:
- We Force It To Speak
- The Unborn Paths Rot
- Me Hice Simultaneo
- The Blasphemy of Time
- Chaos Is the Law
- Where Cause Is Buried
- Across the Watching Veils
- Breathing Once Again
- The Cosmos Rejects You
- No Direction Total War
NOTA: 8/10


