Stone Wizards transforma resiliência em linguagem no novo single Oceans — Brasil

Banda de Balneário Camboriú amplia sua identidade progressive stoner metal e prepara o lançamento do primeiro álbum completo para 2026

Resiliência é a palavra que o Stone Wizards escolhe para definir sua trajetória. Ela também aparece, de maneira muito pessoal, quando Marlon fala sobre o próprio caminho na música. A coincidência não é pequena: ajuda a compreender uma banda formada em julho de 2019, em Balneário Camboriú, que construiu sua identidade sem depender de um grande gesto inaugural. Em vez disso, foi avançando lançamento a lançamento, sustentando um projeto em transformação por meio de uma sequência de singles que hoje já forma uma narrativa própria.

Essa trajetória começa publicamente com Ashes of Your Soul, em 2021, passa por Reconcilement or Pride, em 2022, ganha corpo em 2023 com Stellar Witch, Worship Your Soul e Earthquake and Ballance, aproxima paisagem e fantasia em Haze on the Mountain e Into the Woods, em 2024, e chega a Flying Ladies e Red Giant, em 2025. Em 2026, Oceans (Radio Edit) se torna o ponto mais recente desse percurso. A resiliência aparece justamente nessa construção paciente: a banda não espera um álbum para provar que existe; transforma continuidade em método.

O mais interessante é que permanecer não significa repetir a mesma fórmula. O Stone Wizards parte de riffs densos, timbres setentistas e groove reconhecíveis dentro do stoner metal, mas vai incorporando estruturas progressivas, dissonâncias e interesses próprios. Hoje, a própria definição de progressive stoner metal faz sentido porque descreve uma identidade construída por acumulação. Oceans deixa essa mudança particularmente clara: complexidade rítmica e tensão harmônica avançam para o primeiro plano sem apagar o peso que sustenta a origem da banda.

A produção anterior ajuda a perceber essa passagem. Ashes of Your Soul e Reconcilement or Pride já apontavam para conflitos internos; Stellar Witch deslocava a imaginação para uma zona cósmica e mítica; Haze on the Mountain e Into the Woods aproximavam essa linguagem da paisagem natural; Red Giant ampliava a escala com a imagem de uma estrela em fase tardia de existência. Oceans retorna à natureza, mas a encontra como vastidão, movimento e abismo. Do interior do sujeito à floresta, da montanha ao cosmos e do cosmos ao mar, os singles formam uma cartografia de transformação.

Essa cartografia conversa com a ideia estética do sublime. Em autores como Edmund Burke e Immanuel Kant, o sublime aparece quando o sujeito se confronta com forças ou escalas que excedem sua capacidade imediata de domínio. Não é necessário transformar o Stone Wizards em uma banda conceitual (bons entendedores entenderão, rs), para perceber a afinidade: floresta, montanha, estrela gigante e oceano são imagens que diminuem a centralidade humana. A música pesada, com sua insistência em massa, repetição e volume, encontra naturalmente esse território.

Há também uma presença cultural recorrente no imaginário da banda, que passa por referências celtas (Oh, Cernunnos!), fantasia e conflitos da mente humana. A natureza, portanto, não funciona apenas como cenário. Floresta, montanha e água carregam ideias de passagem, memória, limiar e transformação. Essa dimensão simbólica é importante porque dá unidade a uma produção lançada de forma fragmentada: mesmo quando as capas e os arranjos mudam, existe uma paisagem reconhecível atravessando os anos.

Em Oceans, a resiliência também pode ser ouvida como adaptação. A entrada do baterista Mauro Uhlig acompanha uma fase em que polirritmias passam a fazer parte da narrativa musical, não como demonstração técnica, mas como recurso expressivo. A dissonância ganha função estrutural; acordes alterados e tensões harmônicas criam instabilidade; a melodia, por sua vez, preserva uma dimensão emocional que impede a faixa de se tornar um exercício cerebral. O Stone Wizards muda porque precisa continuar vivo artisticamente, e essa mudança não exige renunciar ao que já o identificava.

O stoner metal permanece na densidade dos timbres, no movimento soturno das frequências graves e na centralidade do riff. O progressivo aparece na maneira como esses elementos são reorganizados. Em vez de uma linha reta sustentada apenas pela repetição, Oceans trabalha tensão, abertura, retorno e mudança de direção. A própria imagem do oceano encontra equivalência técnica nessa arquitetura: há movimentos que voltam, camadas que se acumulam, zonas de suspensão e uma sensação de profundidade que não depende de preencher todos os espaços com som.

Quando observadas em conjunto, capas e títulos reforçam essa continuidade resiliente. Alma, bruxa estelar, montanha, floresta, gigante vermelha e oceano parecem pertencer ao mesmo universo, embora tenham surgido em momentos diferentes. Essa percepção do conjunto também cria uma certa dificuldade em escolher o preferido. A discografia deixa de parecer uma coleção de singles e passa a revelar uma construção por etapas. É por isso que Oceans (Radio Edit) faz mais sentido quando lida ao lado de tudo o que veio antes: ela confirma a imagética e o peso conhecidos, mas rompe com uma forma mais convencional de stoner ao aprofundar o vocabulário progressivo.

O primeiro álbum completo, anunciado para a segunda metade de 2026, será o teste dessa linguagem em longa duração. Até aqui, porém, a palavra escolhida pela banda já oferece uma leitura convincente: resiliência não como sobrevivência passiva, mas como capacidade de permanecer produzindo, absorver mudanças, reorganizar a própria sonoridade e seguir adiante sem perder identidade. Na trajetória do Stone Wizards, e também na forma como Marlon reconhece o próprio caminho na música, essa permanência parece menos uma circunstância do que uma maneira de existir artisticamente.

Para quem acompanha a evolução do stoner metal brasileiro e suas aproximações com o metal progressivo, Oceans (Radio Edit) funciona como um retrato claro do momento atual do Stone Wizards. A faixa preserva o peso que construiu a identidade da banda enquanto aponta para uma sonoridade cada vez mais ampla.

Produção recente

  1. Ashes of Your Soul — 2021
  2. Reconcilement or Pride — 2022
  3. Stellar Witch — 2023
  4. Worship Your Soul — 2023
  5. Earthquake and Ballance — 2023
  6. Haze on the Mountain — 2024
  7. Into the Woods — 2024
  8. Flying Ladies — 2025
  9. Red Giant — 2025
  10. Oceans (Radio Edit) — 2026

Formação

Chacal — guitarra e vocais

Paulo — baixo e vocais

Mauro Uhlig — bateria na fase de Oceans

Ficha técnica

Lançamento focal: Oceans (Radio Edit)

Data: 16 de abril de 2026

Duração: 4:40

Primeiro álbum completo: anunciado para a segunda metade de 2026

Origem: Balneário Camboriú, Santa Catarina, Brasil

Divulgação oficial

Spotify: Oceans (Radio Edit)

YouTube: Stone Wizards

Instagram: @stonewizards

Facebook: Stone Wizards

Site oficial: Stone Wizards