Enquanto pensava como iniciaria este meu relato, pensei em diversos títulos, como “Oldschool Metal Ist Krieg”, “Metal Ist Krieg”, “Metal extremo Ist Krieg” – Mas não obtive êxito na escolha deste título, pois acho que não consegui um título tão adequado que desse sentido e fosse uma síntese, do que aconteceu no Hangar 110, naquela calorosa noite de domingo.
O que consigo dizer é que o Metal Oldschool respira e vive! O Metal extremo respira e vive!

Com realização de Caveira Velha Produções, Gerunda Produções e Chamuco Produções, digo-lhes que foi uma imensa honra estar presente neste catártico e absurdo ritual. Digo- lhes também como expectador, que foi esta uma experiência de inenarravél, meio que me faltam palavras – mas vou tentar trazer aqui detalhes desta grandiosa noite.

Antes mesmo das 19:00, a fila para adentrar ao Hangar 110 já era extensa, os (as) headbangers fãs de música extrema em geral, já se aglomeravam nos arredores e na entrada da casa.
Cervejas eram aberta, abraços e reencontros de velhos amigos e amigas aconteciam.
Com risadas e descontração eram feitos os preparativos e esquenta da vindoura profana noite.
Às 19:00, foi aberta a casa e aos poucos o público começou a ingressar na casa. Grande maioria estava com os alimentos não perecíveis em mãos e outra parte adquiriu ali na hora mesmo com ambulantes, validando assim, o seu ingresso.

Alguns minutinhos antes do horário, a primeira horda já se fazia presente, o backdrop da banda e uma cruz invertida (do vídeo de “Hereticvm“) a frente do palco já configurava o cenário do cataclisma sonoro que iria acontecer.
O começo do ritual era inevitável e então a profanação então começou.
Formada em 2007, a poderosa horda de Black/Death Metal, Spiritual Hate iniciou então a satãnica liturgia.

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Já chegaram também deixando claro que Black Metal não é somente guerra, é aniquilação, avançando assim contra as trincheiras inimigas ao mesmo tempo que ímpio culto ocorria.
Impiedosamente começaram com a canção que dá nome ao seu mais recente trabalho, “Malvm Perpertvm“(Ep de 2024), sem cerimõnias já dominam o palco com esta pedrada. Dois pés no peito é pouco para definir. Uma poderosa cruzada iconoclasta derrubando simbolos cristãos.

The End Is Now” em um segundo ato, ainda mais brutal. Um Blackened Death Metal furioso.
Inclusive esta  faixa está presente no EP “Praeludium ad Incursione ” e foi regravada para o “Mallvm Perpetum”, que ficou ainda mais brutal e ao vivo, foi entregue de forma ainda mais devastadora.
Demonstrando influências como Belphegor e Deicide, brutalíssima!!!!

Awaiting Fucking Jesus“, do álbum de estreia “Diabolical Dominium” (2017), manteve a visceralidade do ato anterior, avançando sob as trincheiras trazendo o caos, devastação e garantindo o bate cabeça dos presentes com maestria. Ao mesmo tempo que levava a sua mensagem blasfêmica com força avassaladora.

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Na sequência foi a hora de prestar o devido culto, “Inri“, do Sarcófago, que para mim foi uma grata surpresa embalando e  mantendo o poderio de guerra afiado e explodindo cabeças. Implacáveis!!!
Com certeza uma das mais aclamadas e pedidas pelo público, “Hereticvm” do segundo álbum da horda, o  “The Ancient Pestilence” não poderia ficar de fora. Seu poderio blasfêmico e sonoro fazia o bater de cabeças ser quase que uniforme, com o público vibrando e pura fúria bradar os ímpuros versos.
Mercyless And Abyssal” manteve o ódio que,imando e a chama infernal acesa, sem tempo para respiro, sem clemência seguiu desta forma do começo ao fim.
Behind The Lies Of God” foi a escolhida para encerrar o set e não desapontou, a dose de violência e blasfêmia diária estavam completas. A casa que já estava cheia, a esta altura estava ainda mais cheia, demonstrando que quem estava ali presente também prestigia o Metal BR e quis ser parte desta noite histórica.

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É entendível que houve uma questão de cronograma e organização, mas acho que poderia ser um pouco mais extensa a apresentação, pois foi uma apresentação monstruosa. Parabéns Spiritual Hate, sempre demonstrando  o porquê de ser considerado um dos nomes mais relevantes do Metal Extremo nacional.

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Com uma rápida troca de equipamentos, também com rápido intervalo e minuto antes do horário programado, a entidade paulista Guerreiros Headbangers se fez presente. Materializando-se, levantando-se da tumba dos anos “80”, com seu espirito inigualável. Com afinco e devoção ao Metal, a banda trouxe a sua mensagem sobre Satã, sexo, luxúria, prazer e exaltção o Heavy Metal e a união Headbanger.
E  falando em união, “União Metal Brasil“, abriu os trabalhos já demonstrando a força do Speed Thrash presente em suas canções. Oldschool e com fúria inigualável, convidou os presentes para uma insana celebração ao Metal Brasileiro e fomento a se orgulhar desta poderosa união.
Sombras Da Morte“, subiu a adrenalina que já estava lá em cima para um patamar ainda mais acima.
Se fosse necessária uma trilha sonora para a aniquilação, “Sombras Da Morte“, seria tal trilha.
A esta altura o público já estava em extãse com os sons cantados em português, cantando junto e interagindo/respondendo com energia a interação que vinha do palco.

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Memento Mori” prestando seu tributo aos que se foram, uma homenagem aos valentes guerreiros que deram sua contribuição ao Metal.Que pedrada!!! Na minha singela opinião, uma das mais brutais do set, indo para uma linha do Black Metal por conta da forma que a bateria é tocada, tempo;marcação da caixa.
Eras Em Guerra, Mundo Em Caos“, faixa que também dá nome do álbum lançado pela banda em 2024, trouxe a ua contribuição ao set matador. O mosh estava formado dominando o meio da casa. Uma viagem no tempo, na profunda memória dos anos “80”. Do mesmo álbum, na sequência foi a vez de “Noite Através Da Noite“. Pesada, contundente e esmagadora, veloz teve sua vez.

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Já se encaminhando para o final e com direito a um hino para chamar de seu, foi a vez da homônima “Guerreiros Headbangers“. Com riff cortantes e impiedosa força, foi a força motriz do prelúdio do fim.
E com o fim que se anunciava, foi a vez de ” Metal Ideologia De Vida“, indispensável ao set, é um hino (de guerra) que dispensa apresentações e que condensa todo o vigor e energia, toda a essência do que é ser um headbanger. Um chamado a guerra, conclamando a todos para batalha, onde quem prevalece é o Metal. Cançãio forte que foi cantada pelo público a plenos pulmões. Encerrando com chave de ouro a apresentação. Guerreiros Headbangers foram impecáveis.  A banda também apresentou um set de meia hora, mas que não deixou nada a desejar. Se bem que na real, poderia ser um pouco mais extenso também. Mas conforme dito acima, é crongrama/programação. Tanto o Guerreiros quanto Spiritual Hate deixaram aquela vontade de bis.

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Não me recordo em qual música, mas sei que uma garrafa de Jack Daniels brotou do palco.
Em um brinde gentil, Guerreiros Headbangers compartilhou a garrafa com a platéia, que não fez feio de devolveu a garrafa ( risos). Foi um momento bacana que trouxe o público para ainda mais perto da banda e do palco.

Pode ser uma imagem de saxofone, torniquete e multidão

Alguns minutinhos após o horario programado, enfim, foi a vez dos anfitriões da noite. A crueza satânica iria se materializar. Após a sombria Sirens/Herbstleyd, tudo parecia que iria explodir, iniciando a ímpura sinfonia da destruição, era o chamado para a guerra, o hino “Black Metal Its Krieg“. Veloz, seu poderio parecia algo mais devastador que uma bomba nuclear. Enfim, entendeu-se e foi possível crer, que e meio  ao choque de realidade, foi por fim possível abrir os olhos e constatar que era  o Nargaroth que estava ali.

Sem dar muito tempo para cerimônias, a máquina de guerra emendou uma canção atrás da outra, com breves momentos para falas muito extensas. Só bombardeio e pancadaria!!!
O vocalista Ash soltou algumas palavras em português, inclusiv agrdeceu..
Acompanhado por músicos de diversas nacionalidades com bagagem de outros gigantes do Metal extremo mundial, entregaram um set avassalador recheado de clássicos e canções indispensáveis.
O público clamou por “The Day Burzum Killed Mayhem“, mas esta desta vez não estava no set.
Mas foi atendido com “Erik, May You Rape the Angels“, com guitarras cortantes, uma bateria matadora e atmosfera gélida, trouxe a energia necessária para gerar os primeiros moshpits daquela parte da noite.

Pode ser uma imagem de texto que diz "5농 TAMA @Sabrinaribeirophoto"

Mantendo o alto nível de agressividade gélida misantropia, foi a vez de “The Agony of a Dying Phoenix“.De condução e solos que impressionaram, técnica e intensidade impecáveis. E falando de intensidade, a poderosa “Sommer” não poderia ficar de fora. Fiquei boquiaberto em poder vivenciar este momento. Como uma valsa infernal, foi executada com absurda sinergia entre todas as partes. Sombria e ao mesmo tempo letal, entregou uma energia soturna e arrepiante.

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Love Is a Dog From Hell“, talvez tenha sido a menos letal do set, mas não menos importante e foi  compensada com a infernal “Metalheart“.  Em uma homenagem ao público brasileiro/sul americano, a poderosa “Dead Embryonic Cells” foi tocada na íntegra.  Demorou um pouquinho para cair a ficha da galera, mas quando isto aconteceu nos riffs que se seguiram foi cantada com plena força dos pulmões.
Para minha alegria, a lindíssima “I Burn For You‘ foi tocada. Momento que passou um filme das lembranças de tenra juventude ouvindo este som e assistindo o video clipe com imagens. que se não me engano eram de um trecho de filme do Quentin Tarantino (acho que por seu teor gore não esteja mais no Youtube). O jovem que habitava em mim naquela época acenou para o meu “eu” de hoje em dia e sorriu. Naquele momento com certeza fui feliz ( depressão.amv).

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A caótica “Semper Fi”, esteve presente e já dava o tom de despedida. “Abschiedsbrief Des Prometheus” veio na sequência de forma implacável e trazendo toda a energia do Black Metal noventista, garantindo o “bate cabeça” do público. A “Seven Tears Are Flowing to the River“que era muito aguardada foi tocada, mas em uma ordem inesperada. O público imaginava que a dita “cereja do bolo”, seria a “Possessed by Black Fucking Metal“, porém, ela foi tocada antes e o show foi encerrado com a “Seven“, o que gerou de certa forma uma surpresa, mas que num todo foi também interessante de se presenciar e que por fim, gerou uma expectativa de poderia ter ali um momento para o bis. Após a conclusão a banda se retirou do palco saudando a galera, como um gesto de agradecimento pela presença de todos.

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Durante o show, Ashe chegou a comentar sobre fazer fotos com a galera. A casa foi esvaziada e os fãs aguardaram do lado de fora da casa.

Senhoras e senhores, que domingo foi aquele! Demasiadamente Fod#!!!!
De forma geral, me senti lisonjeado e privilegiado de estar ali.

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Parabéns Caveira Velha e Gerunda Produções pela sempre irretocável produção e organização.
Uma noite memorável e que todo(a) headbanger ali presente terá o prazer em dizer que vivenciou.
Line up de primeira!
Aliás também, parabéns a Chamuco Prod pela tour na América Latina, sempre acreditando inclusive no potencial do Brasil para estes grandes eventos e turnês. Fantásticos!!!

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